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Copa do Mundo 2026: quanto custa completar o álbum sem estourar o orçamento?

A verdadeira vitória aqui não é encher o álbum a qualquer custo, mas sim curtir a coleção com leveza e sabedoria. Vamos ver como

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Copa do Mundo 2026: quanto custa completar o álbum sem estourar o orçamento?

Por Thaísa Durso

Bandeirinhas verde-e-amarelas nas janelas, crianças reunidas em volta da mesa contando as novas aquisições do dia. Com a Copa do Mundo de 2026 em cena, a febre do álbum de figurinhas invade os lares brasileiros.  

Cada pacotinho aberto é uma festa: o brilho no olhar das crianças ao encontrar um jogador famoso, ou melhor, a chance de uma figurinha “lendária” é contagiante. O álbum da Copa desperta memórias de infância nos adultos e cria novas na criançada.  

Mas junto com essa euforia vem também um pequeno nó na consciência: afinal, um pacotinho barato aqui, outro acolá…será que o orçamento familiar vai sentir o peso dessa brincadeira? Aquele impulso de comprar “só mais um envelopinho, vai!” pode se traduzir em um susto nas contas da casa.  

Calma! Este texto não é um alerta contra a diversão nem quer estragar o clima de Copa. Muito pelo contrário: a ideia é mostrar como essa brincadeira pode virar uma aliada da educação financeira em família. Entre um gol comemorado e outro, existem muitas oportunidades para ensinar valores importantes aos pequenos, e até para nós adultos, sobre consumo consciente, planejamento e responsabilidade com o dinheiro.  

A verdadeira vitória aqui não é encher o álbum a qualquer custo, mas sim curtir a coleção com leveza e sabedoria. Vamos ver como? 

1. De olho no impulso: a febre da figurinha e o perigo das comprinhas a mais 

É fácil se contagiar pela animação da Copa: nas redes sociais, no corredor do supermercado, lá estão os pacotinhos coloridos piscando para nós, pais e mães, quase implorando para serem levados para casa. Afinal, “é só R$ 7,00, qual o problema de pegar mais um?” Esse é o pensamento que muitos de nós temos quando vemos nossos filhos exultantes com a possibilidade de tirar aquele craque ou uma figurinha “Legend” raríssima que saiu para o amiguinho da escola.  

O álbum da Copa traz consigo essa sensação de urgência: figurinhas especiais com tiragem menor, edições douradas dificílimas de achar, histórias de cromos valendo fortuna online. Tudo isso acaba alimentando um certo FOMO (sigla em inglês para medo de ficar de fora). Com isso, mais e mais pacotinhos vão parar na sacola de compras quase sem percebermos. 

Como evitar cair nessa cilada do impulso? Uma tática é estabelecer uma regra de ouro bem no começo da coleção: combine quantos pacotes por semana cabem no bolso. Explique para as crianças, e lembre a si mesmo, que existe um limite de gastos. Pode ser um valor fixo ou um número de pacotes a cada vez que forem à banca, de acordo com a realidade da família. Essa clareza evita pedidos incessantes a cada ida à padaria ou ao mercado.  

Por exemplo, se ficou combinado um envelope por dia ou R$ 20 por semana, todos já sabem o que esperar e a ansiedade diminui. A mesada (se houver) também entra no jogo: se a criança já recebe um dinheirinho regular, convide-a a reservar uma parcela desse valor para as figurinhas. Assim, ela aprende a priorizar, entendendo que gastar tudo de uma vez a deixará sem recursos para outras vontades ao longo do mês. 

A ideia não é podar o entusiasmo, mas ensinar que mesmo a diversão precisa de planejamento. Quando o seu filho ou filha quiser esticar o limite naquele momento de excitação – “só mais um, por favor!” –, tente uma pequena pausa estratégica: proponha esperar até o próximo dia ou o próximo final de semana. 

Muitas vezes, um tempo para esfriar a cabeça ajuda a perceber que dá para seguir colecionando sem pressa, apreciando cada conquista. Essa pequena lição de paciência e autocontrole é valiosa para a vida toda. 

2. Limites e aprendizado: o álbum como aula de negociação e valor 

Uma cena comum durante a Copa: crianças trocando figurinhas repetidas no pátio da escola ou nas praças aos finais de semana. Essa prática, além de reduzir os custos da coleção (afinal, cada crominho trocado é um a menos para comprar), é um terreno fértil para o aprendizado.  

Ensine e incentive seu filho a guardar as repetidas para trocar com os amigos, em vez de descartá-las ou deixá-las jogadas pela casa. Transforme a ida aos pontos de troca em uma parte divertida do processo – muitos shoppings, parques e bancas organizam encontros especiais durante o campeonato, que viram uma grande brincadeira coletiva. 

A troca de figurinhas é o primeiro contato de muitas crianças com conceitos básicos de economia e negociação. É ali que elas aprendem, na prática, o valor da escassez e da oferta e demanda: uma figurinha que saiu 15 vezes repetida para o seu filho pode ser justamente aquela que falta na cartela do colega, e vice-versa. Negociar “duas comuns por uma difícil” vira exercício de argumentação e planejamento. Até a frustração de tirar a mesma figurinha pela décima vez ensina algo importante: lidar com decepções e persistir em busca de um objetivo (no caso, a tão sonhada coleção completa).  

Em resumo, o álbum oferece lições lúdicas sobre paciência, troca justa e estratégia – tudo isso enquanto a garotada se diverte e faz novos amigos. 

3. Pequenos gastos, grande efeito: quando o barato sai caro (se não houver controle) 

No calor da Copa, R$ 7 ou R$ 8 em um pacote de figurinhas parece troco de pão. Porém, é importante traduzir esses pequenos gastos em termos concretos para o orçamento familiar.  

Por exemplo: dois pacotinhos por dia durante três meses, período típico da febre do álbum, somam mais de R$ 1.200. Isso pode equivaler a um mês de supermercado ou à parcela de um curso infantil, e representa apenas uma fração do total necessário para preencher o álbum completo. 

No mercado, calcula-se que, se alguém tentar completar todas as quase mil figurinhas sozinho sem trocas, o custo poderia facilmente bater na casa dos milhares de reais (sim, mais de R$ 6 ou 7 mil). É um baque e tanto no bolso, não é? 

Para deixar ainda mais claro o efeito do tempo e dos juros compostos, imagine que, em vez de gastar esses R$ 1.200,00, você os investisse de uma vez em um título simples atrelado à Selic (taxa básica de juros).  

Considerando a taxa Selic média dos últimos 10 anos (cerca de 9,5% ao ano), veja o valor líquido que esse dinheiro poderia atingir (já descontando o IR regressivo sobre os rendimentos) após 1, 5 e 10 anos: 

Prazo Se gasto com figurinhas Se investido no Tesouro Selic (líquido) 
1 ano R$ 1.200,00 R$ 1.295,04 
5 anos R$ 1.200,00 R$ 1.793,07 
10 anos R$ 1.200,00 R$ 2.730,97 

Obs: Rendimentos líquidos após dedução do Imposto de Renda (22,5% até 180 dias; 20% até 360 dias; 17,5% de 361 a 720 dias; 15% acima de 720 dias). Retornos passados ou projetados não garantem rentabilidades futuras. 

Como podemos observar na tabela, os juros compostos fariam esse dinheiro mais do que dobrar em uma década enquanto a quantia gasta nas figurinhas simplesmente não volta para o bolso da família. Por isso, planejamento é fundamental. Se a família entrar de cabeça na brincadeira, vale a pena delinear um teto de gastos desde o início e cumpri-lo.  

Existem famílias que criam até estratégias colaborativas: juntar amigos para comprar caixas fechadas (que costumam ter preço unitário menor e distribuição melhor de figurinhas) ou dividir pacotes extras em grupo. Quanto maior a rede de trocas, menor tende a ser o número de compras necessário até fechar o álbum.  

A regra dos colecionadores experientes é clara: “pacotes completam o começo do álbum; trocas fecham o álbum no fim”. Isso significa que, à medida que a coleção avança, deve-se priorizar as trocas e evitar compras aleatórias e crescentes especialmente quando já faltarem poucas figurinhas.  

Nessa reta final, se possível, use o serviço oficial de adquirir figurinhas específicas: sai mais barato comprar as 30 que faltam do que arriscar centenas de reais em pacotes na sorte. 

A vitória: diversão responsável e um legado para o futuro 

No fim das contas, ninguém precisa demonizar o álbum de figurinhas ou o futebol, muito pelo contrário. A coleção da Copa de 2026 pode se tornar uma das melhores “salas de aula” de educação financeira que uma criança já frequentou, desde que haja acompanhamento e limites claros.  

Ao viver essa experiência em família, fica evidente, na prática, que disciplina e planejamento não tiram a graça da brincadeira, apenas evitam o estresse depois. O sentimento de conquista ao colar a última figurinha tende a ser ainda mais especial quando todos sabem que, além de um álbum completo, houve também um aprendizado valioso sobre valor das coisas, escolhas conscientes e trabalho em equipe. É como ganhar duas Copas: uma no futebol e outra na vida financeira. 

Aproveitar o embalo da Copa também é uma ótima oportunidade para falar sobre dinheiro de forma leve e acessível. Afinal, a ideia é vibrar com os gols e as trocas de figurinhas, sem deixar a saúde do bolso no banco de reservas. Um verdadeiro gol de educação financeira em família.

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