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Petrobras | 1T24: Mais fraco do que o esperado, mas ainda assim bom

A Petrobras divulgou seus resultados do 1º trimestre de 2024. Veja nossos comentários.

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A Petrobras continua a gerar fluxo de caixa livre substancial, mas os lucros ficaram ligeiramente abaixo das estimativas

O EBITDA da Petrobras (PETR4) de US$ 12,4 bilhões ficou 6% abaixo do expectativa da XP, enquanto o lucro líquido de US$ 4,8 bilhões ficou em linha (-2% vs expectativa da XP). Não houve uma razão única para a diferença de EBITDA, mas sim uma combinação de pequenos itens, incluindo despesas ligeiramente superiores às esperadas. A empresa também anunciou dividendos (US$ 2,6 bilhões, yield de cerca de 2,4%), que foram um pouco menores do que esperávamos. A geração de fluxo de caixa livre permaneceu atraente (19% anualizado), embora ajudada por um capex menor do que o esperado.

Um pouco abaixo das estimativas

A Petrobras divulgou os resultados do 1º trimestre de 2024 (1T24) nesta segunda-feira (13) após o fechamento do mercado. O EBITDA ajustado recorrente de US$ 12,4 bilhões (-17% t/t, -15% a/a) ficou ligeiramente abaixo das estimativas da expectativa da XP (-6% vs expectativa da XP), enquanto o lucro líquido de US$ 4,8 bilhões ficou em linha (-2% vs expectativa da XP).

A pequena diferença também se refletiu no fluxo de caixa e nos dividendos. A PBR anunciou dividendos e juros sobre o capital próprio de US$ 2,6 bilhões (US$ 2,83 bilhões incluindo recompras vs. expectativa da XP de US$ 3,2 bilhões), de acordo com a política de dividendos de distribuições trimestrais. O FCFE no trimestre foi de US$ 5 bilhões (vs. expectativa da XP de US$ 5,4 bilhões), ajudado por um cash-in de US$ 1 bilhão proveniente de desinvestimentos.

Por que o EBITDA ficou abaixo das expectativas?

A tese de investimentos da Petrobras é baseada nos yields atuais. Naturalmente, os investidores estarão interessados nas razões para as diferenças frente as expectativas e se isso deve implicar revisões de resultados futuros. No entanto, não houve um único culpado para que o resultado deste trimestre ficasse cerca de US$ 775 mi abaixo das nossas estimativas de EBITDA – foi uma combinação de pequenos itens. A produção diminuiu -5,5% t/t 1T24, devido a paradas de manutenção, o que levou a custos de extração mais elevados (+9,4% t/t para USD6/boe) e, consequentemente, a margens de “E&P ligeiramente mais baixas. Os custos foram também uma ligeira surpresa negativa tanto nos SG&A (cerca de +USD300mn vs expectativa da XP) como nos outros custos (paradas de manutenção +US$ 108 mi t/t, provisões judiciais +US$ 156 mi t/t, remuneração variável +US$ 80mi a/a). Em suma, acreditamos que o 1T24 apenas deverá desencadear pequenas revisões.

Rendimentos mais baixos, mas ainda atrativos

É interessante notar que a conversão de EBITDA para caixa foi um destaque positivo. O fluxo de caixa das operações antes de impostos e capital de giro (ou seja, o equivalente ao EBITDA na demonstração de fluxo de caixa) foi de US$ 13,1 bi, em linha com nossa própria estimativa de US$ 13,2 bi. Isto sugere encargos não-caixa substanciais para o demonstrativo de resultados da Petrobras. Na demonstração de fluxo de caixa, o capital de giro foi um entrave de cerca de -US$ 1,1 bi para a geração de caixa (principalmente impostos e depósitos judiciais), mas foi compensado pelo capex (US$ 2.8 bi) que ficou US$ 1,3 bi abaixo do expectativa da XP. Em suma, o FCFE foi de US$ 5 bilhões (cerca de 4,5% de yield). Mais importante ainda, o FCFE excluindo fundo de maneio e desinvestimentos (i.e. um proxy para o FCFE recorrente no trimestre) foi um valor semelhante, US$ 5,1 bilhões (19% de yield anualizado). No entanto, se o capex atingir os níveis do plano de negócios, o yield anualizado desceria para cerca de 14% (a um preço médio do Brent de cerca de US$ 83/bbl no 1T24).

Forte fluxo de caixa, baixa alavancagem

A alavancagem da Petrobras permanece baixa, uma vez que a empresa continua a gerar um fluxo de caixa substancial que excede as distribuições aos acionistas (US$ 3,7 bilhões no trimestre, dos quais US$ 232 milhões em recompras). A dívida financeira líquida (excluindo locações operacionais) situou-se em apenas US$ 9,5 bi no final do 1T24 (-US$ 1,4 bi t/t). Embora a dívida financeira esteja a testar os limites inferiores, a dívida bruta total situou-se em US$ 61,8 bilhões no final do 1T24 – relativamente perto do limiar da política de dividendos de US$ 65 bilhões. A aparente contradição entre a dívida financeira líquida e a dívida bruta total pode ser conciliada pela elevada posição de caixa da PBR de US$18,2 bilhões (vs. caixa operacional mínimo que estimamos ser de cerca de US$ 8 bilhões) e pelos substanciais arrendamentos operacionais (IFRS 16) de US$ 34,1 bilhões. A dívida líquida (incluindo arrendamentos) diminuiu -US$ 1,1 bilhão t/t para US$ 43,6 bilhões e a alavancagem situou-se em 0,86x Div. Líq/EBITDA no 1T24.

Dividendos extraordinários, capex ou fusões e aquisições?

A baixa alavancagem e o forte fluxo de caixa da Petrobras suscitam a questão de saber para onde fluirá o excesso de geração de caixa. Em nossa opinião, será uma combinação de potenciais fusões e aquisições (por exemplo, investimentos na refinaria de Mataripe ou na Braskem) e dividendos extraordinários no final do ano. Também esperamos que o capex aumente organicamente nos próximos anos, mas não no curto prazo. Assim, esperamos que os próximos dividendos se mantenham a um nível semelhante ao do 1T24 (cerca de 10% de yield anualizado com base na política de dividendos), mas há potencial para subir para o FCFE yield (18% anualizado) se as potenciais aquisições não se concretizarem.

Distribuição de dividendos

A Petrobras anunciou a distribuição de dividendos aos acionistas no valor de R$ 13,45 bilhões (cerca de US$ 2,6 bilhões). Este valor por ação é de R$ 1,04/ação (cerca de US$ 0,40/ADR), o que representa um yield trimestral de 2,36% para as ações ordinárias (PETR3, PBR) e 2,5% para as ações preferenciais (PETR4, PBR/A).

As ações serão negociadas ex-dividendos no dia 12 de junho. Os pagamentos serão efetuados em duas vezes:

1) juros sobre o capital próprio (JCP) de cerca de R$ 0,52/ação (cerca de US$ 0,20/ADR) a 20 de agosto, e

2) JCP de cerca de R$ 0,45/ação (cerca de US$ 0,17/ADR) mais dividendos de cerca de R$ 0,07 (cerca de US$ 0,03/ADR) a 20 de setembro.

A distribuição total aos acionistas no 1T24, para efeitos da política de dividendos, inclui também cerca de R$ 1,1 bilhão (cerca de US$ 0,2 bilhão) de recompras de ações já executadas ao longo do trimestre.

Resultados da Petrobras x Expectativa da XP (US$ milhões)

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