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Fevereiro registra primeiro mês com fluxo estrangeiro negativo desde maio de 2022 – Fluxo em foco

Quais foram os principais fluxos e participantes da Bolsa brasileira no último mês? Neste relatório, destacamos as principais movimentações do mês.

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Fevereiro foi marcado pelo retorno na aversão ao risco nos mercados globais após um forte rali no mês anterior. Dados de inflação dos EUA mais altos do que o esperado, assim como dados fortes de consumo e mercado de trabalho americanos, aumentaram as preocupações sobre a necessidade de novos aumentos nas taxas de juros pelo Federal Reserve.

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No Brasil, os riscos fiscais e políticos permanecem no radar e os ativos brasileiros também reagiram negativamente. No mês passado, novas tensões entre governo federal e Banco Central tomaram as atenções dos investidores.

A combinação desses eventos domésticos e temores de recessão lá fora no radar, os ativos brasileiros tiveram uma baixa performance no mês passado. O Ibovespa caiu -7,5% em reais, e, impactado por uma desvalorização do real contra o dólar, -9,8% em dólares.

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Fluxo de capital estrangeiro fica negativo pela primeira vez desde maio de 2022

Com preocupações com a política econômica ainda em níveis elevados, o mês de fevereiro registrou um fluxo negativo de capital estrangeiro para a Bolsa pela primeira vez desde maio de 2022. No mês, houve uma saída líquida de R$ 1,7 bilhões. O início de março que também tem sido negativo até agora, mas ainda assim, o total acumulado de 2023 até agora ainda é positivo em +R$ 10,2 bilhões.

Fonte: B3, XP Research. *Dados até 2/3/2023.
Fonte: B3, XP Research.

O saldo de capital estrangeiro foi negativo no mês passado por conta de perspectivas cada vez mais deterioradas em relação ao fiscal. Daqui pra frente, para que o fluxo estrangeiro seja positivo precisamos ver: i) melhor resolução sobre a trajetória fiscal e política do país; ii) a continuação da recuperação econômica; iii) cenário positivo para as commodities e os mercados emergentes.

Fonte: Bloomberg, XP Research. Dados até 28/2/2023.

Investimentos em fundos de ações continuam com fluxo negativo

O investimento em fundos de ações teve um fluxo negativo de R$ 8,9 bilhões em dezembro, último dado disponível, chegando a R$ 504,7 bilhões de patrimônio líquido. Já fundos multimercados tiveram um fluxo negativo de 14,2 bilhões chegando a um patrimônio líquido de RS 1,2 trilhões.

Com a taxa Selic agora em 13,75%, os fundos de renda fixa continuam o maior patrimônio. Em janeiro, houve um fluxo positivo de de R$ 17,4 bilhões nessa classe de ativos, com patrimônio líquido, em R$ 3,0 trilhões.

Fonte: Anbima, XP Asset, XP Research. Dados até janeiro/2023.
Fonte: Anbima, XP Asset, XP Research. Dados até janeiro/2023.

Fundos de pensão: Alocação em fundos de renda variável em queda

Quando olhamos apenas para os fundos de pensão, segundo dados mais recentes disponíveis de outubro de 2022 da Abrapp, o fluxo de alocação em ações diretamente foi de -R$6,3 bilhões em relação à dezembro de 2021. Com isso, eles estão com uma alocação de R$ 81,0 bilhões em ações.

O fluxo para fundos de renda variável também foi negativo em outubro, quando comparado com o final de 2021, em -R$ 5,5 bilhões, chegando a R$ 70,4 bilhões.

Juntos, investimentos em ações e fundos de renda variável representam 13,8% da carteira desses fundos de pensão, resultando em um total de R$ 151 bilhões. Já para renda fixa, o saldo é de R$ 858,3 bilhões, representando 86,2% do total.

Fonte: Abrapp, XP Research. *Dados até outubro/22.
Fonte: Abrapp, XP Research. Dados até outubro/22.

Os dados acima revelam que a participação das instituições no mercado acionário ainda é baixa quando comparado à exposição à renda fixa, ou seja, ainda existe um grande potencial de migração da renda fixa para a variável.

Número de investidores pessoas físicas passa de 6 milhões

Fonte: B3, XP Research. *Dados até 2/3/2023.

Em fevereiro, último dado disponível, o número de investidores pessoas físicas (PFs) na Bolsa brasileira (B3) atingiu 6.103.363. Em relação a janeiro, houve um aumento de 25.777 investidores PFs, equivalente a um crescimento mensal de +0,4%. Quanto à posição total desses investidores PFs, houve uma redução do valor total mensal de -5,1%, atingindo R$445,3 bilhões investidos.

Investidores estrangeiros possuem as maiores participações na Bolsa

Os principais investidores da Bolsa brasileira são: 1) investidores estrangeiros (55,7%), 2) instituições (25,8%) e 3) pessoas físicas (14,0%). Juntos, eles representam 95,5% dos participantes do mercado acionário.

Fonte: B3, XP Research. Dados até 2/3/2023.
Fonte: B3, XP Research. Dados até 2/3/2023.

Nessa publicação, considera-se apenas o fluxo do mercado à vista.

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