Bancos: Samarco Pede Recuperação Judicial

A Vale e a BHP anunciaram na última sexta-feira que a Samarco, uma joint venture igualmente controlada pela Vale e pela BHP com 50% de participação cada uma, entrou com o processo de recuperação judicial no Brasil.


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A Vale e a BHP anunciaram na última sexta-feira que a Samarco, uma joint venture igualmente controlada pela Vale e pela BHP com 50% de participação cada uma, entrou com o processo de recuperação judicial no Brasil. Nossa primeira leitura é negativa, mas o impacto parece limitado porque: i) a dívida não deve ter concentração em bancos, muito menos concentrada em um único banco; ii) os fundos de dívidas emergenciais deveriam ser os principais detentores; iii) tais empréstimos já deveriam ter sido provisionados; e iv) mesmo que parcialmente não provisionado, acreditamos que as provisões para perdas com empréstimos dos bancos poderiam lidar com tal evento sem impacto significativo nos lucros.

O mercado de dívida (DCM) deve representar grande parte da dívida. Embora não tenhamos um detalhamento exato, uma parte relevante da dívida de US$ 4,7 bilhões da empresa são títulos e contratos de pré-pagamento de exportação, que são detidos em grande parte por investidores ativos no mercado em dificuldades, que é um segmento especializado onde os bancos têm baixa exposição. 25% da dívida é proveniente de notas sem seguros: US$ 700 milhões com vencimento em 2023 e US$ 500 milhões com vencimento em 2024, totalizando US$ 1,2 bilhão.

Empréstimos parcialmente garantidos pela Vale e BHP. A Vale anunciou que US$ 4,1 bilhões em empréstimos concedidos após 2016 foram garantidos pela Vale e pela BHP, o que deve minimizar o impacto para os bancos, dado que ambas as empresas têm bons ratings de crédito. A Fitch classifica o rating de longo prazo da Vale em “AAA” e do BHP em “A”.

Os empréstimos bancários sem garantia devem ser provisionados ou já baixados como perda. Com base em pesquisas proprietárias e na resolução 2.682 do Banco Central, que descreve como os bancos devem fazer provisões, esperamos que os bancos já tenham provisionado ou baixado como perda esses empréstimos de seus balanços.

  • A porção dos US$ 4,7 bilhões sem garantia foi concedida antes do rompimento da barragem de Fundão em novembro de 2015, 5 anos atrás;
  • O evento foi amplamente coberto pela mídia local e deveria ter chamado a atenção dos analistas financeiros dos bancos;
  • A Samarco já deixou de pagar suas obrigações com ambas as notas sem seguros de US$ 700 mi e de US$ 500 mi, ou seja, uma sinalização de bandeira vermelhe para os bancos;
  • Os demonstrativos financeiros da Samarco de 2019 mostra que o patrimônio líquido da empresa era negativo em R$ 37 bilhões. Como as grandes empresas são analisadas individualmente pelos bancos, acreditamos que tal cenário não passaria despercebido pelos analistas;
  • A dívida não tinha garantias pela Vale e BHP, os acionistas controladores;
  • Por fim, agências como a Fitch já classificavam a Samarco como uma empresa inadimplente desde 2016.

Os bancos estão fortemente provisionados, caso estejamos errados. Mesmo se enganados, acreditamos que os bancos poderiam lidar com tal evento com facilidade, visto que players como o Bradesco têm 4x mais reservas de provisão do que saldo inadimplência.

  • As reservas de provisões do Bradesco no 4T20 superou o saldo de inadimplência em R$ 34 bilhões.
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