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Banco do Brasil (BBAS3): Melhora, Mas Não Uma Inflexão

Confira nossa análise sobre o Investor Day do Banco do Brasil

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O BB apresentou um lucro líquido de R$ 5,7 bilhões no 4T25, acima do consenso e da nossa estimativa, marcando uma recuperação sequencial em relação ao 3T25. No entanto, a surpresa positiva foi amplamente impulsionada por um efeito tributário positivo de R$ 1,8 bilhão no trimestre (EBT +7% vs. XPe), enquanto os custos de crédito permanecem elevados em R$ 18 bilhões (-1% vs. XPe), o índice de cobertura continua em queda e as tendências de qualidade de ativos no agronegócio continuam pressionando. As despesas controladas (-4% vs. XPe) foram um fator positivo no 4T. O guidance para 2026 aponta para um crescimento modesto da carteira de crédito e lucro líquido entre R$ 22–26 bilhões, implicando cerca de 20% de crescimento anual no ponto médio e um ROE implícito próximo de 14%. Isso sugere uma recuperação gradual sustentada por melhores spreads e provisões ligeiramente menores, embora o ritmo de melhora na qualidade de crédito continue sendo uma variável chave e possa ainda ser visto com alguma cautela pelos investidores. Por fim, os índices de capital melhoraram no trimestre, principalmente impulsionados pelos efeitos positivos da MP 1.314. De forma geral, os resultados do 4T reforçam sinais de estabilização, mas não mudam materialmente nossa postura cautelosa. Dado o cenário ainda pressionado de qualidade de ativos, a visibilidade moderada sobre a velocidade de normalização, custos de crédito ainda elevados, múltiplos mais altos e menor dividend yield, mantemos nosso rating de Neutro.

A carteira de crédito ampliada totalizou R$ 1,30 trilhão (+1,4% t/t; +2,5% a/a).
Olhando mais de perto a composição por segmento, vemos que o segmento de Pessoas Físicas segue apresentando o crescimento mais forte (+7,5% a/a), enquanto Empresas e Agronegócio já exibem ritmos mais modestos (+0,6% e +2,1% a/a, respectivamente). Assim, reforçamos que vemos com bons olhos a desaceleração do crescimento nos três segmentos ao longo do trimestre, uma vez que a qualidade dos ativos ainda não se estabilizou.

O BB sempre foi muito relevante em Agronegócio, com uma carteira em torno de R$ 400 bilhões. Porém, o que antes era um ponto de força — o banco detém mais de 50% de participação de mercado — acabou se tornando um desafio nos últimos anos, diante da alta da inadimplência. Ao fim de dez/25, a carteira de Agronegócio alcançou R$ 406 bilhões, dos quais cerca de R$ 65 bilhões são classificados como Carteira com Rolagem. Isso representa 15,9% da carteira agro, uma redução em relação ao trimestre anterior (16,8% no 3T25). O índice de NPL>90 dessa parcela reestruturada voltou a subir, atingindo 11,1% (vs. 8,1% no 3T), apesar do maior volume de write-offs. Em resumo, ainda não é possível afirmar que o pior já passou para essa fatia relevante da carteira.

Para 2026, o banco sinalizou um guidance de crescimento da carteira de crédito abaixo das nossas estimativas, projetando uma expansão entre 0,5% e 4,5%. Essa faixa reflete crescimento em Pessoas Físicas (entre 6% e 10%) e estabilidade em Empresas e Agronegócio. Reiteramos que vemos com bons olhos a postura prudente e a governança do banco em um momento em que o ciclo de aperto monetário tem afetado negativamente a qualidade dos ativos.

Em relação à qualidade de ativos, esperamos que as medidas do governo comecem a compensar a pressão sobre a formação de NPL, que já dá sinais de desaceleração (+44 bps t/t vs. +127 bps no 3T), mas que só deve ganhar força a partir do 2T26. Vale destacar que, ao fim de dezembro de 2025, o Banco do Brasil atingiu um volume total de R$ 22,6 bilhões em operações da MP 1.314, sendo 93% provenientes de recursos livres e 72,9% desse volume com garantia de cessão fiduciária. A carteira apresenta índice de perda esperada de 6,5%.

No Agro, o NPL+90 foi de 6,09% (+125 bps t/t) e o NPL+30 subiu 122 bps, para 8,28%. A formação de NPL atingiu 2,6% da carteira total de Agro, com cobertura da formação em 102,0% (vs. 100,8% no 3T). Em Pessoas Físicas, o NPL+90 e o NPL+30 aumentaram 55 bps e 28 bps t/t, respectivamente, principalmente devido às carteiras de consignado e financiamento de veículos, enquanto cartão de crédito apresentou números mais benignos em relação ao 3T. Em Empresas, o NPL+90 aumentou 35 bps t/t (-54 bps t/t ex-caso específico). Como resultado, o NPL+90 consolidado atingiu 5,17% (+66 bps t/t), enquanto o NPL+30 consolidado fechou em 6,84% (+37 bps t/t). Em termos de estágios, 91,7% da carteira está classificada entre Estágios 1 e 2 e 34,8%. Por fim, a formação de NPL consolidada como % da carteira de crédito subiu para 2,01% (+55 bps t/t, ou +26 bps excluindo o caso específico), totalizando R$ 24,5 bilhões.

Diante desse cenário, o custo de crédito totalizou R$ 18,0 bilhões (estável t/t), impulsionado por maiores provisões para perdas (+6,2% t/t), compensadas por maior recuperação de crédito e menores descontos (+24,8% e -50,9% t/t, respectivamente). Enquanto isso, o índice de cobertura para NPL+90 continuou em queda, chegando a 155,4% (vs. 174,3% no 3T). As provisões de Estágio 3 permaneceram estáveis t/t, em 70,6% da carteira total em Estágio 3, enquanto as provisões de Estágio 2 aumentaram 370 bps t/t, alcançando 33,6%. A cobertura da formação de NPL fechou em 77,8% (vs. 99,6% no 2T, ou 91,2% no 4T, ex-caso específico na carteira atacado).

As receitas de serviços somaram R$ 8,4 bilhões no trimestre (estáveis t/t; -3,9% a/a; e -3% vs. XPe). Esse desempenho t/t é explicado principalmente por números mais fracos em Asset Management (-1,8%) e Seguros (-10,1%), além de menor número de dias úteis no 4T. Em contrapartida, observamos despesas administrativas sob controle, totalizando R$ 9,9 bilhões no 4T (+0,8% t/t; +4,1% a/a). A alta a/a foi puxada por maiores despesas de D&A (+176,8%) e Tecnologia (+25,0%), refletindo sobretudo os investimentos em tech. Em Pessoal (-1,5% t/t; +2,9% a/a), os maiores gastos associados ao acordo coletivo foram parcialmente compensados por menores provisões administrativas. Consequentemente, o índice de eficiência melhorou em 190 bps, chegando a 26,2%.

Como resultado, o banco reportou lucro líquido de R$ 5,7 bilhões (+51,7% t/t; -40,1% a/a), implicando ROE de 12,4% (+400 bps t/t; -840 bps a/a). Observamos um desvio relevante na linha de imposto de renda. Projetávamos uma despesa de R$ 216 milhões, mas o BB encerrou o trimestre com uma reversão positiva de R$ 1.830 milhão, em função de um EBT menor e do mix de produtos, o que beneficiou o lucro líquido. Por fim, em capital, o BB apresentou CET1 de 12,1%, Nível 1 de 14,3% e BIS de 15,1%, com este último avançando 30 bps na comparação trimestral. Destacamos que essa melhora nos índices de capital decorre principalmente dos efeitos da MP 1.314, que adiciona 144 bps, enquanto a contribuição do lucro líquido, de +26 bps, é compensada pelo crescimento da carteira de crédito, com impacto negativo de -28 bps em RWA.

Como de costume, junto com a divulgação dos resultados anuais, o BB apresentou seu guidance para 2026. Os destaques foram:
• Crescimento da carteira de crédito: entre +0,5% e +4,5%;
• Crescimento da NII: entre +4,0% e +8,0%;
• Custo de crédito: entre R$ 52 bilhões e R$ 58 bilhões;
• Lucro líquido ajustado: entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões.

Nas nossas estimativas, esperávamos um crescimento um pouco maior da carteira de crédito (+7,8%), porém um crescimento menor de NII (+2,7%). Nossa projeção de custo de crédito está exatamente no topo da faixa do guidance (R$ 58 bilhões). Para a alíquota efetiva de imposto de renda, esperamos 11,1%, enquanto o guidance do BB implica algo em torno de 10%. Combinando esses fatores, nosso lucro líquido projetado é de R$ 23,3 bilhões, próximo ao ponto médio da faixa indicada pelo banco. Apesar da proximidade no lucro líquido, vemos diferenças em algumas linhas específicas que ainda precisarão de maior detalhamento

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