Análise Fundamentalista - Ações GGBR4

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Vale a pena investir nas ações da GGBR4?

Em março de 2026, ajustamos nossas estimativas para a Gerdau, reiterando nossa recomendação de Compra com nosso preço-alvo para 2026 de R$ 25,00/ação inalterado (+32% de upside). A Gerdau continua sendo uma das principais escolhas em nossa cobertura de Mineração  e Siderurgia (clique aqui para mais detalhes), mesmo assumindo margens da América do Norte em normalização a partir de 2027, vemos 2026 como um ano de forte resiliência operacional, com a divisão norte‑americana sustentada por backlog elevado e reajustes recentes de preços. No Brasil, embora o ambiente siga desafiador, com competição intensa, adição de capacidade e cortes recentes no vergalhão pressionando preços, enxergamos recuperação gradual ao longo de 2S26 à medida que o projeto minerário de Miguel Burnier entra em operação, destravando reduções relevantes de custo. Com FCF yields mantidos próximos de ~9–10% em 2026–27E, apoiados por (i) menor Capex após a conclusão dos grandes investimentos, (ii) reduções de custo provenientes de Miguel Burnier e (iii) ramp‑up das expansões de Ouro Branco (HRC) e Midlothian, além de (iv) potencial upside de desinvestimentos de ativos florestais e imobiliários no Brasil, vemos a ação negociando em múltiplos incompatíveis com sua forte exposição aos EUA, argumento central para re‑rating e valorização adicional.

Sinais positivos de demanda nos EUA. Na América do Norte, seguimos vendo um ambiente estruturalmente favorável para Gerdau em 2026, sustentado por backlogs elevados e reajustes recentes de preços na região, o que reforça nossa visão de margens ainda robustas (~24% em 2026E) mesmo antes de considerar eventuais defesas comerciais adicionais. O suporte das tarifas da Seção 232 — que continuam limitando importações e ajudando a preservar spreads — permanece como um fator‑chave para a tese, enquanto avaliamos que riscos relacionados ao USMCA só devem materializar impacto relevante a partir de 2027E, quando incorporamos normalização de margens para ~19%. Nesse contexto, a operação norte‑americana segue como o principal pilar da estabilidade dos resultados no curto prazo, concentrando a maior parte do crescimento marginal e contribuindo diretamente para FCF yields resilientes em 2026E.

Um ponto de inflexão gradual no Brasil. No mercado doméstico, enxergamos um 2026 ainda desafiador, com demanda mais fraca, maior competição, novos entrantes e reduções recentes de preços no vergalhão pressionando margens no curto prazo. Ainda assim, vemos um ponto de inflexão ao longo de 2S26E, quando o projeto minerário de Miguel Burnier começa a gerar reduções relevantes de custo, ajudando a recompor rentabilidade mesmo sem necessidade de reajustes significativos nos preços do aço. Estimamos que as economias provenientes do ramp‑up de mineração adicionem cerca de R$ 250 milhões ao EBITDA já em 2026E, ampliando para ~R$ 750 milhões em 2027E, o que colocaria as margens domésticas próximos de 11–12%. Esse processo, somado a ajustes nos volumes e mix, deve estabilizar a lucratividade do Brasil e reduzir a volatilidade estrutural associada ao ciclo siderúrgico local.

Menor Capex e ramp-up de projetos elevam a geração de caixa. A companhia entra em 2026 com uma dinâmica de Capex mais benigna, já que os grandes projetos entram em fase final e reduzem as necessidades de investimento à frente. Projetamos Capex mais baixo em 2026–27E, um dos principais vetores para sustentar FCF yields próximos de 9–10% no período. Além disso, o ramp‑up das expansões industriais — incluindo o acréscimo de ~250kt na laminação a quente de Ouro Branco e a expansão de Midlothian (+150kt na Fase 1) — deve melhorar volumes e mix, reforçando a geração operacional. Por fim, potenciais desinvestimentos em ativos florestais e imobiliários no Brasil representam upside adicional, podendo contribuir tanto para desalavancagem quanto para aumento da capacidade de retorno ao acionista via dividendos ou buybacks.

O valuation continua atrativo. Mesmo assumindo normalização na América do Norte e um cenário ainda competitivo no Brasil, Gerdau permanece negociando a múltiplos que não refletem sua elevada exposição aos EUA — região com menor custo de capital e maior previsibilidade de demanda. Vemos a ação operando a P/E de ~7–8x em 2026–27E, patamar típico de empresas concentradas no Brasil, o que sugere assimetria relevante. Com FCF yields estáveis em ~9–10% durante 2026–27E, sustentados por (i) menor Capex, (ii) reduções de custo de Miguel Burnier, (iii) ramp‑up das plantas de Ouro Branco e Midlothian e (iv) potencial monetização de ativos no Brasil, avaliamos que o mercado precifica um cenário excessivamente conservador. Essa combinação de múltiplos comprimidos, exposição elevada aos EUA e expansão de margens domésticas cria oportunidade de re-rating ao longo dos próximos 12–18 meses.

Clique aqui para acessar o relatório completo

Análise ESG

Uma análise comparativa do setor. Apesar dos desafios enfrentados por esses setores, olhando por uma perspectiva por empresa, vemos a GGBR4 liderando o setor, com destaque para uma estratégia de redução de emissões e um plano de descarbonização de alta qualidade, enquanto vemos melhoras na governança nos últimos anos. Com uma atuação multisetorial, a CSNA3 enfrenta desafios intrínsecos à essa condição, embora reconhecemos como positiva a presença de metas de redução de emissões em todos as suas unidades de negócios, além de boas práticas de saúde e segurança, ao mesmo tempo em que não podemos negligenciar os riscos relacionados ao pilar (G) como o principal desafio, que se estende para a CMIN3, apesar de ser pioneira no processo de filtragem de rejeitos e empilhamento a seco. Para a USIM5, esperamos que a mudança na composição acionária (Ternium 14%) aprimore práticas de governança da companhia, embora vejamos espaço para melhorias em iniciativas no pilar ambiental (E). Por fim, a VALE3 conta com uma detalhada e completa divulgação ESG, com esforços e ações concretas visando melhorar o desempenho ESG, embora os riscos permaneçam após a tragédia de Brumadinho.

Clique aqui para acessar a análise ESG completa

Quem é a Gerdau?

A Gerdau é uma das maiores produtoras de aços longos nas Américas e uma das maiores fornecedoras mundiais de aços especiais para o setor automotivo. Parte da Gerdau é controlada pela Metalúrgica Gerdau (GOAU4). A empresa produz mais de 20 milhões de toneladas de aços longos anualmente e vende seus produtos, que incluem barras, vigas, vergalhões e estacas, para clientes como fabricantes de peças de automóveis, empreiteiros de construção e empresas agrícolas. A companhia possui ações listadas nas bolsas de valores de São Paulo (GGBR4, GGBR3, GOAU3 e GOAU4), Nova Iorque (GGB) e Madri (XGGB).

Com sede no Brasil, a empresa está presente em 10 países: Argentina, Canadá, Colômbia, Estados Unidos, México, Peru, República Dominicana, Uruguai e Venezuela. O Brasil, seu maior mercado, responde por aproximadamente 40% da receita total da Gerdau, seguido pela América do Norte com mais de 35%.

Atualmente, a companhia opera 31 unidades produtoras de aço, 75 lojas da Comercial Gerdau, 2 minas de minério de ferro e uma base florestal de plantio de eucalipto de mais de 250 mil hectares. É considerada ainda a maior recicladora de sucata ferrosa da América Latina, transformando anualmente 11 milhões de toneladas de sucata em aço em suas operações no Brasil e no mundo.

Para mais detalhes sobre a companhia, acesse o site de relação com investidores da empresa aqui.

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