Três companhias da nossa cobertura divulgaram resultados nesta noite: AXIA, AURE e TAEE. A AXIA apresentou um pequeno miss nos resultados, mas não vemos esse desvio como algo muito preocupante (não deveria levar a revisões estruturais daqui para frente). Ainda assim, esperamos uma reação levemente negativa do mercado, já que as expectativas em torno de dividendos podem ter ficado aquém do esperado. A AURE também apresentou resultados ligeiramente abaixo dos nossos, com EBITDA ajustado 3% abaixo da XPe. A margem bruta de energia da geração de energia veio basicamente em linha, com o miss vindo das margens muito apertadas capturadas no segmento de trading. No geral, não esperamos que os resultados sejam um catalisador relevante para AURE. Por fim, a TAEE reportou um EBITDA ajustado 1% abaixo da XPe, praticamente em linha, o que também não deve ser um driver relevante para o papel.
Axia Energia (AXIA3/AXIA6; Compra; YE26 TP de R$ 63,3/AXIA3 & R$ 71,2/AXIA6) – (=/-) Pequeno Miss Operacional e Potencial Frustração com Dividendos
Há elementos nos resultados que poderiam mudar estruturalmente nossa visão?
O EBITDA ajustado da Axia, de R$ 8,6 bilhões, ficou 4% abaixo da XPe e cerca de 2–5% abaixo das estimativas de consenso. Os principais desvios em relação aos nossos números foram: i) Miss no lucro bro de energia (EGP) de 7%, puxado por um EGP/MWh surpreendentemente menor, -12% vs. XPe (podemos ter superestimado os efeitos positivos da modulação para AXIA), parcialmente compensado por volumes ~6% acima dos nossos; e ii) menor contribuição ajustada de transmissão, de R$ 197 milhões. Em relação ao miss de EGP, não estamos tão preocupados, pois o desvio pode ser resultado da combinação de vários fatores que não necessariamente serão recorrentes, embora devamos acompanhar o comportamento de margens nos próximos trimestres. Quanto à receita de transmissão, também acreditamos que não seja motivo de grande preocupação, já que modelamos a RAP divulgada pelo regulador, que tende a ter apenas pequenas variações ao longo do tempo. Por outro lado, o miss traz certa decepção, já que traduzir drivers operacionais em resultados financeiros não tem sido uma tarefa simples no caso da Axia.
Fundamentalmente, não vemos grandes elementos que nos levem a revisar nossas estimativas de forma relevante, embora queiramos aprofundar com a gestão como criar mais precisão nos resultados de geração dentro do ano. Do lado de custos, o PMSO recorrente ajustado veio saudável. Por fim, a companhia anunciou que alocou um potencial de R$ 4 bilhões para recompra/resgate de ações AXIA7 ao longo de 2026. Acreditamos que esse anúncio deve ser o primeiro de outros, mas, dado o tom mais “brando” do fato relevante, o mercado pode se frustrar com um compromisso de dividendos/recompras menor do que o esperado (temos R$ 18 bilhões em dividendos/recompras projetados para 2026).
Mantemos recomendação de compra e preço-alvo de R$ 63,3/AXIA3 & R$ 71,2/AXIA6.
Vemos AXIA3 sendo negociada a uma TIR real de 9,4%. Com: i) uma mudança de paradigma em como o mercado precifica preços de energia de longo prazo; ii) itens não recorrentes perdendo relevância; e iii) uma simplificação corporativa relevante, vemos a tese de Axia concentrada em preços de longo prazo e nas opcionalidades ao seu redor. Além disso, à medida que essa opcionalidade de preço de longo prazo vai sendo precificada, acreditamos que a “segunda camada” da história pode ganhar mais peso: alocação de capital. Após alguns anos de “arrumação da casa” e alinhamento de incentivos, a companhia está consolidando sua estratégia corporativa para o longo prazo. Embora reconheçamos e valorizemos a clareza com que a empresa apresenta seu framework de distribuição de dividendos, ainda acreditamos que a AXIA tem mais a oferecer se conseguir realocar de forma sistemática seus ~US$ 3–5 bilhões de caixa recorrente a retornos acretivos, seja em oportunidades no Brasil, seja desenvolvendo as capacidades necessárias para internacionalizar a empresa e ampliar seu universo de alocação endereçável.
Taesa (TAEE11; Neutra; YE26 TP de R$ 32,7/ação) – (=) Em Linha, Como de Costume
Há elementos nos resultados que poderiam mudar estruturalmente nossa visão?
O EBITDA reportado de R$ 656 milhões ficou 1% abaixo da XPe, com receitas líquidas levemente mais fracas do que nossas estimativas (-1% vs. XPe), apesar da contribuição de projetos recentemente energizados. O miss de receita foi parcialmente compensado por custos 5% menores do que projetávamos, especialmente em serviços de terceiros. Abaixo da linha de EBITDA, depreciação e despesas financeiras líquidas acima do esperado mais do que compensaram uma menor alíquota efetiva de imposto. A equivalência patrimonial também veio levemente abaixo de nossas estimativas, resultando em um lucro líquido de R$ 193 milhões, versus nossa estimativa de R$ 252 milhões. Por fim, a dívida líquida/EBITDA da TAEE ficou em 4,2x (de 4,1x no 4T25), reforçando nossa visão de que a alavancagem deve permanecer elevada no curto prazo, já que a companhia segue equilibrando pagamento de dividendos com seu ciclo de capex em andamento.
Mantemos recomendação Neutra e preço-alvo de R$ 32,7/ação.
Vemos a TAEE sendo negociada a uma pouco atrativa TIR real de 3,1%, abaixo da taxa soberana de longo prazo de 7,3%. Taesa é, essencialmente, uma história de dividendos e alavancagem. Historicamente, o papel tem sido precificado com base nas expectativas de dividend yield de curto prazo, e não no valor de seus fluxos de caixa futuros. Embora essa tese tenha funcionado por bastante tempo, agora vemos a Taesa se aproximando de um ponto de inflexão no médio prazo: como continuar distribuindo payouts elevados, considerando os compromissos de capex remanescentes, e ao mesmo tempo reduzir a alavancagem para a faixa de 3,0–3,5x?
Auren (AURE3; Neutra; YE26 TP de R$ 13,8/ação) – (=/-) Levemente Abaixo da XPe, Mas em Linha com o Consenso
Há elementos nos resultados que poderiam mudar estruturalmente nossa visão?
O EBITDA ajustado da Auren, de R$ 811 milhões, ficou 3% abaixo das nossas estimativas (e em linha com o consenso). O leve miss foi explicado principalmente por resultados mais fracos no segmento de trading (-R$ 30 milhões vs. XPe), em função da posição short atual da AURE para 2026. Nossas estimativas capturaram bem GSF e curtailment, com a margem bruta de energia (Energy Gross Profit) da GenCo vindo exatamente em linha com o que projetávamos. Destacamos, porém, que a energia vendida pela GenCo veio acima da nossa expectativa (+13% vs. XPe), o que se traduziu em um EGP/MWh menor do que o antecipado (-12% vs. XPe), provavelmente como resultado da estratégia de hedge adotada pela companhia. Assim, foram os resultados de trading que explicaram o desvio na nossa margem bruta de energia (R$ 10 milhões vs. R$ 43 milhões XPe). Ainda assim, antecipamos uma reação neutra do mercado. Não esperamos revisões relevantes nas nossas estimativas futuras e acreditamos que a companhia está no caminho para entregar um EBITDA próximo ao nosso número de >R$ 3 bilhões em 2026e. Do lado de custos, a empresa mostrou bom controle, reflexo da bem-sucedida integração da AES, que vem gerando sinergias, as quais também julgamos bem refletidas nas nossas estimativas.
Mantemos recomendação Neutra e preço-alvo de R$ 13,8/ação.
Vemos AURE3 sendo negociada a uma TIR real de 10,8%, que consideramos simétrica em relação ao atual perfil de risco da companhia. Para que a tese de investimento em AURE ganhe mais clareza/momentum, ela depende de: i) o mercado enxergar algum nível de solução estrutural para o curtailment de longo prazo; e ii) um ponto de inflexão no atual momento operacional negativo, que levou a revisões relevantes de EBITDA para 2026/27, em função de um balanço de energia short pressionado por preços de energia elevados. O alinhamento de apenas um desses pontos pode não ser suficiente, o que torna difícil adotar uma postura mais construtiva neste momento, embora reconheçamos que existam mais “eventos de cauda” apontando para o lado positivo do que para o negativo.
Se você ainda não tem conta na XP Investimentos, abra a sua!
![YA_2026_Banner_Intratexto_-_download[1]](https://conteudos.xpi.com.br/wp-content/uploads/2025/12/YA_Banner_Intratexto_-_download1.jpg)
