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XP Credit Coverage 2026: quais as oportunidades e setores para investir?

A segunda edição do XP Credit Coverage reuniu especialistas para discutir o cenário do mercado de crédito privado e oportunidades

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Lucas Genoso, head de Credit Research, e Fernando Ferreira, estrategista-chefe e head do Research da XP, abriram o XP Credit Coverage 2026

Nesta quarta-feira (6), a XP realizou a segunda edição do XP Credit Coverage, com um panorama completo dos fatores de influência do cenário de crédito e insights para setores específicos.

O evento começou com a presença de Fernando Ferreira. O estrategista-chefe e head do Research da XP destacou que o “Brasil está na moda”, referindo-se ao interesse dos investidores estrangeiros.

O time de estratégia continua vendo o Brasil como um vencedor relativo no cenário global, com expectativa de fluxos positivos para emergentes e para o Brasil, especialmente quando os riscos geopolíticos diminuírem. 

Em relação às empresas, Ferreira comentou que os resultados do 1º trimestre de 2026 têm sido mistos no Brasil até agora. No 4º trimestre de 2025, o calendário das festas de fim de ano havia influenciado os balanços de alguns setores, principalmente domésticos. Agora, de acordo com ele, o mercado já estava preparado para uma temporada um pouco mais fraca.

Apesar de haver eventos isolados de crédito, ele afirmou que não vê um risco sistêmico para as empresas atualmente. Os principais indicadores de alavancagem e crédito estão saudáveis no Brasil. Lucas Genoso, head de Credit Research, corroborou com a visão ao dizer que, atualmente, não há um evento generalizado, um risco de contaminação, no mercado.

Sobre o cenário de juros no Brasil, os especialistas lembraram a última decisão do Copom para a Selic, que reduziu a taxa em 0,25 p.p., conforme amplamente esperado, para 14,50%. Nossos economistas projetam a taxa Selic em 13,75% ao final de 2026. 

Setor imobiliário: destaque para o segmento de baixa renda

Perspectivas para o segmento de baixa renda são positivas, avaliou Ygor Altero, head de Real Estate no Research da XP

Após um panorama geral do cenário, o evento trouxe as visões dos analistas setoriais. No setor imobiliário, de acordo com Ygor Altero, head de Real Estate no Research, as perspectivas são positivas para o segmento de baixa renda. Um dos impulsionadores para isso é o programa Minha Casa, Minha Vida.

O que preocupa o analista, no entanto, é a sustentabilidade futura, considerando que muitas pessoas estão adotando a estratégia de crescer no baixa renda e no altíssimo padrão. Um ponto importante, para ele, é assegurar o funding.

Altero trouxe, ainda, suas preferências de ações no setor, como a da Cury (CURY3). Segundo ele, “é aquele simples que funciona”.

Na renda fixa, Mayara Rodrigues, analista de Credit Research na XP, apontou que a visão do time é parecida do ponto de vista de crédito, mas trouxe outros nomes de destaque, como Cyrela (CYRE3) e Direcional (DIRR3). Para ela, o setor não mostra tantos riscos de refinanciamento, mas a cobertura inclui o monitoramento de velocidade de vendas, acesso ao funding e flexibilidade das empresas.  

Cenário desafiador no varejo

Varejo está mais tranquilo do que já esteve, afirmou Danniela Eiger, head do setor no Research da XP

Para falar sobre o varejo, o evento contou com a presença de Danniela Eiger, head do setor no Research da XP.

Segundo Eiger, o setor está mais “tranquilo do que já esteve”, tendo engatado uma retomada consistente. O cenário das empresas está mais saudável, mas a dinâmica de renda desafiadora foi um dos principais pontos da discussão.

Nos últimos anos, as plataformas asiáticas aumentaram a competição no mercado local, mas podem ser aliadas das varejistas, na opinião de Eiger. A questão tributária, ressaltou, pesa na briga com produtos importados.

Além disso, a analista destacou os desafios políticos enfrentados pelo setor e o cenário de juros altos. Genoso ressaltou que, no mundo do crédito, é um dos setores vistos com mais cautela. Olhando para frente, mudanças na escala e jornada de trabalho podem impactar as companhias.

Na análise de crédito do varejo, fatores como escala, segmentos e governança foram apontados como importantes para avaliar as empresas. No segmento de saúde e bem-estar, por exemplo, SmartFit (SMFT3) aparece como recomendação de compra, com a empresa posicionada numa tendência “muito positiva”.

O momento das petroleiras?

Regis Cardoso, head de Oil & Gas no Research da XP, compartilhou sua visão para petroleiras, distribuidoras de combustíveis e empresas petroquímicas

No terceiro painel setorial do evento, os especialistas da XP Regis Cardoso, head de Oil & Gas no Research, e Rodrigo Cambricoli, analista de Credit Research, traçaram o panorama atual e perspectivas para as empresas petroleiras, petroquímicas e distribuidoras de combustíveis, em um contexto que leva em consideração os impactos potenciais do conflito no Oriente Médio.

Os analistas relembraram que o mercado vinha em uma tendência negativa em relação ao petróleo, mas a ruptura de cadeia com o fechamento temporário do Estreito de Ormuz introduziu um novo cenário, de preços relativamente mais altos, à commodity.

Apesar das preocupações com os preços dos combustíveis domésticos comercializados (descontados em relação à paridade), dada a relevância do Brasil como um importador relevante de diesel e gasolina, o aumento dos preços traz perspectivas positivas, especialmente a empresas produtoras de petróleo.

Olhando para a sensibilidade das empresas ao petróleo (incluindo hedges), mesmo considerando que o barril do Brent caia em relação aos níveis atuais de ~US$ 100 a ~US$ 70-80 em 2027, Regis enxerga ainda fluxos de caixa livre confortáveis para boa parte dos players locais, com Petrobras (PETR4) e PRIO (PRIO3) como preferências.

Mesmo com a alta recente das ações das petroleiras, os retornos ainda parecem atrativos e a maioria delas conta com um buffer para enfrentar cenários mais negativos.

No cenário atual, as petroleiras não apresentam preocupações relevantes com alavancagem. Distribuidoras de combustíveis (Vibra – VBBR3; e Ultrapar – UGPA3) estão em processo de desalavancagem, enquanto petroquímicos vêm numa trajetória de baixo ciclo.

Do lado dos spreads, nota-se que houve um descolamento de 2025 para cá, com o impacto positivo dos preços do petróleo previsto a partir de agosto de 2026.

Siderúrgicas brasileiras: sinais de melhora operacional e de rentabilidade

Lucas Laghi, head de Metals & Mining no Research da XP, destacou o cenário de oportunidades para mineradoras e siderúrgicas

O último painel setorial do XP Credit Coverage, que contou com a participação de Lucas Laghi, head de Metals & Mining no Research da casa, e Vitor Siqueiras, analista de Credit Research, também da casa, abordou a dinâmica atual da indústria de mineração e siderurgia (no Brasil e no exterior) e as oportunidades para os players locais.

O conflito no Oriente Médio trouxe efeitos imediatos nos preços das commodities – principalmente petróleo, mas com implicações altistas para aço e minério de ferro também.

Segundo Laghi, em um cenário onde a demanda por aço na China segue trajetória de baixa A/A e os estoques de minério de ferro do país asiático estão altos, o aumento nos preços parece abrir uma janela oportunística para as mineradoras e empresas siderúrgicas do Brasil.

O momento atual para as siderúrgicas brasileiras é de melhora operacional e de rentabilidade. As empresas aproveitam níveis saudáveis de demanda, possuem uma carteira diversificada (Usiminas – USIM5; e CSN – CSNA3), que pode servir como uma camada de proteção contra eventuais ruídos, e têm visto seu principal competidor (China) enfrentando um pleito muito forte de medidas protecionistas (anti dumping) por parte de usinas locais.

Laghi ressaltou ainda que, ao longo do 2º trimestre de 2026, o mercado doméstico deve presenciar uma redução ainda mais significativa de importações, o que acena para um ambiente de preços mais elevados para a indústria.

Passando pela dinâmica de alavancagem, Siqueiras relembrou que os últimos anos foram mais estressantes para as empresas.

Hoje, é possível ver tendências divergentes acontecendo no mercado. Gerdau (GGBR4) e Usiminas (USIM5) estão com níveis confortáveis de alavancagem. A CSN, por ter priorizado a expansão de seus negócios, continua alavancada (6,1x dívida líquida/Ebitda ao fim do 4T25).

Mercado de crédito: por que não há motivos para preocupação

Carol Freitas, RM de fundos da XP, e Mayara Rodrigues, analista de Renda Fixa no Research da XP, trouxeram suas visões sobre o que esperar para o mercado de crédito

Rodrigues retornou ao último painel do evento, ao lado de Carol Freitas, RM de fundos da XP, para discutir os movimentos recentes do mercado de crédito.

Em março de 2026, os fundos de investimento de crédito privado, em especial os isentos, foram na contramão da tendência e viram os volumes de captação apresentarem significativa desaceleração, sinalizando que os eventos recentes no mercado alimentaram uma postura de maior cautela nos investidores.

A recente correção dos spreads reflete essas incertezas atuais e, olhando para frente, Rodrigues e Freitas acreditam que ainda existe mais uma parcela desse movimento de resgates a ser refletida em breve.

Além disso, os volumes de emissões, que já vinham em tendência de desaceleração, devem diminuir mais (tanto em quantidade quanto em valor), o que empurraria os spreads para baixo.

Apesar disso, o cenário não abre espaço para pânico. Para as especialistas, pode virar sinônimo de oportunidade.

Primeiro porque a correção dos spreads é pontual e direcionada, de menor magnitude se comparada com 2023.

As especialistas defenderam que o mercado está mais diversificado entre emissores, com os riscos mais distribuídos.

Freitas destacou que os fundos com captação mais positiva tem sido os mais longevos; ou seja, os investidores estão olhando mais para os fundamentos do que os níveis atuais dos spreads.

Além disso, os eventos recentes mostraram que o sentimento em relação ao mercado de crédito mudou, com os fundos sentindo um pacto mais atenuado em comparação a anos anteriores (como o evento Americanas).

Na visão de Rodrigues e Freitas, o momento atual é de oportunidade, mas com seletividade.

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