Bom dia! Neste relatório diário publicado todas as manhãs, buscamos trazer as últimas notícias para que você comece o dia bem informado e fique por dentro do que o Brasil e o mundo falam sobre os principais assuntos, tendências e companhias que formam o setor. Aqui você encontra o título com o link para a fonte original da notícia, além de uma breve descrição do conteúdo.
Segunda-Feira 04 de Maio
Destaques: (i) Aneel habilita 2,18 GW em térmicas do LRCap 2026 (Megawhat); (ii) TCE determina suspensão de licitação de R$ 1 bilhão da Copasa (Valor); e (iii) Apesar de falha da Aneel, área técnica do TCU abre caminho para renovação da Enel Rio (Valor)
Aneel habilita 2,18 GW em térmicas do LRCap 2026
A Secretaria de Leilões da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) habilitou as 13 termelétricas vencedoras do produto 2026 dos leilões de reserva de capacidade realizados em março. As habilitações constam em despachos publicados no Diário Oficial da União desta quinta-feira, 30 de abril. Além do aval da agência, os empreendimentos serão submetidos à análise do Tribunal de Contas da União, que deverá julgar o mérito do certame antes de 21 de maio, data prevista para a homologação dos primeiros contratos, com o objetivo de esclarecer, da melhor forma possível, as dúvidas que ainda pairam sobre o certame, ao menos no âmbito de competência do tribunal. Os empreendimentos habilitados somam 2.183,5 MW de disponibilidade ofertada nos certames. A secretaria habilitou três projetos da Eneva no Espírito Santo, todos movidos a gás natural e com potência disponível para o leilão de capacidade: UTE Luiz Oscar Rodrigues de Melo (240 MW), com 26,6 MW de disponibilidade ofertada no certame; UTE Povoação I (74,9 MW), com 71,6 MW de disponibilidade ofertada; UTE Viana I (37,4 MW), com 35,7 MW de disponibilidade ofertada. No início de abril, a Aneel suspendeu, a pedido da Eneva, a operação comercial das três termelétricas que operavam no modelo merchant, sem contratos, entre 23 de março a 31 de julho de 2026, devido à inviabilidade econômica associada ao custo variável unitário (CVU). Em São Paulo, foi habilitada a UTE Paulínia Verde (22,8 MW), com potência ofertada de 21,3 MW e a gás natural. O ativo foi desenvolvido pela Mercurio Partners, Orizon VR e pela Gera Energia e teve operação suspensa em dezembro de 2025 após o término do período de suprimento viabilizado por meio do Procedimento Competitivo Simplificado (PCS), leilão emergencial ocorrido em 2021. (Megawhat)
TCE determina suspensão de licitação de R$ 1 bilhão da Copasa
O Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG) determinou a suspensão de uma licitação internacional conduzida pela Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), para implantação da Estação de Tratamento de Esgoto do Ribeirão do Onça, na região metropolitana de Belo Horizonte. Segundo a Copasa, a obra é estimada em aproximadamente R$ 1 bilhão e tem por objetivo ampliar a capacidade de tratamento de esgoto de 1,8 mil para 2,7 mil litros por segundo. A decisão foi tomada por unanimidade pelo colegiado do TCE-MG, e ocorre após a denúncia apresentada pela empresa Oeci, que apontou possíveis irregularidades no processo licitatório. O modelo da licitação prevê a contratação integrada — incluindo projeto, execução das obras, fornecimento de equipamentos, operação e manutenção — com julgamento baseado no critério de menor custo total. Segundo o relator do processo, conselheiro Alencar da Silveira Júnior, há indícios relevantes de falhas que podem comprometer a legalidade e a economicidade da licitação. O TCE questiona a divulgação antecipada de recursos administrativos para concorrentes, antes do encerramento do prazo legal, o que pode ter favorecido algumas empresas. Outro ponto é o fato de a proposta técnica classificada em primeiro lugar ter suprimido etapas previstas no Termo de Referência, além de não comprovar plenamente a experiência operacional exigida, segundo análise do TCE-MG. (Valor)
Apesar de falha da Aneel, área técnica do TCU abre caminho para renovação da Enel Rio
Apesar de identificar falhas na atuação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a área técnica do Tribunal de Contas da União (TCU) concluiu que não há evidências suficientes de que os indicadores de qualidade apurados para a Enel Rio estejam incorretos a ponto de descumprir os critérios exigidos para a renovação da concessão. Em um parecer, o TCU recomendou a renovação, por 30 anos, da concessão da Enel Rio, distribuidora que atende a 66 municípios do Estado do Rio. Para a renovação das concessões, as distribuidoras precisaram cumprir indicadores de qualidade da prestação do serviço e de equilíbrio econômico-financeiro. O órgão ressaltou também que a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) recomendou ao Ministério de Minas e Energia (MME) a renovação da concessão da distribuidora, ainda que a empresa tivesse apresentado “inconformidades” relacionadas aos indicadores de qualidade. Segundo o tribunal, não há evidências suficientes para se afirmar que a empresa havia descumprido critérios de qualidade e eficiência no fornecimento de energia elétrica. Os técnicos do tribunal entenderam que a inconformidade identificada “não constitui óbice à prorrogação contratual, sobretudo diante da inexistência de conclusão técnica inequívoca capaz de inviabilizá-la”. “Verificou-se, portanto, que não há elementos suficientes que demonstrem que a Enel-RJ descumpriu os requisitos relacionados ao critério de eficiência da continuidade do fornecimento de energia elétrica”, afirmam os técnicos em relatório da Auditoria Especializada em Energia Elétrica e Nuclear (AudElétrica), ao qual o Valor teve acesso. (Valor)
Área técnica do TCU não vê óbice à renovação da Enel Rio
A área técnica do Tribunal de Contas da União (TCU) não vê obstáculos no prosseguimento do processo de renovação da concessão da Enel Rio por mais 30 anos, apesar de apontar falhas na instrução da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) sobre os indicadores de qualidade da distribuidora. A conclusão consta em uma instrução da Unidade de Auditoria Especializada em Energia Elétrica e Nuclear (AudElétrica), mas a decisão final ainda caberá ao plenário do tribunal. No mesmo processo, a AudElétrica também propôs considerar atendidos os requisitos para a prorrogação da Equatorial Pará. As duas distribuidoras já receberam recomendação favorável da Aneel para a assinatura dos termos aditivos de renovação. Os casos fazem parte da análise individualizada pelo TCU das concessões de distribuição que vencem nos próximos anos e podem ser prorrogadas. A Enel Rio atende cerca de 2,736 milhões de unidades consumidoras, com faturamento anual de R$ 11,468 bilhões e valor estimado de R$ 344 bilhões em 30 anos. O contrato vence em 9 de dezembro de 2026. A Equatorial Pará atende 3,064 milhões de unidades consumidoras, com faturamento anual de R$ 11,327 bilhões e valor estimado de R$ 339,8 bilhões. O vencimento é em 28 de julho de 2028. A parte mais sensível da instrução trata da Enel Rio. Em processo conexo, a área técnica havia identificado dúvidas sobre a fidedignidade dos indicadores DEC e FEC, que medem duração e frequencia das interrupções da distribuidora, entre 2022 e 2024. (Megawhat)
O mês decisivo para o LRCAP e o balanço pós-leilão sobre o mercado de gás natural
Contratação de 15 GW de térmicas a gás no LRCAP mexe com a dinâmica do mercado de gás, com impactos relevantes sobre o perfil de demanda, investimentos em infraestrutura, criação de novos produtos e sobre as tarifas dos gasodutos de transporte. ANP faz aceno a usuários na revisão tarifária do transporte. MME descarta subsídio para gás natural. PPSA quer coordenar agentes para viabilizar novas rotas de escoamento e a cobertura completa da gas week 2026. O mês de maio promete ser agitado para o futuro das térmicas a gás natural vencedoras do 2º Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP). A expectativa no mercado é que, pelo histórico do setor, nem todas as 90 térmicas a gás negociadas no leilão conseguirão se viabilizar, de fato. E o pós-leilão entra numa fase decisiva que poderá reconfigurar o certame: a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) se debruça sobre a habilitação das novas térmicas e espera concluir o trabalho até dia 22; a homologação ds resultados do leilão (a primeira leva, com as usinas contratadas para operar ainda este ano) está prevista para dia 21; o restante dos produtos será homologado até 11/6. (Eixos)
LRCAP Térmicas: estamos no caminho certo?
Apesar do problema de falta de potência ser uma condição real do SIN, o LRCAP 2026 acabou sofrendo críticas de diversas associações além de suscitar dúvidas quanto à necessidade e do montante licitado. Este artigo apresenta pontos relevantes que deveriam ser observados para uma boa política pública. A evolução do problema de adequação de potência com os argumentos do ONS/EPE será abordado mas incorporando observações pertinentes principalmente quanto ao caminho adotado. A tomada de decisão por parte do governo para a realização de um leilão que acarreta ônus aos consumidores e indiretamente à sociedade deveria ser precedida de uma análise observando quatro pontos: Necessidade e dimensionamento da potência; Desenho do leilão; Alternativas tecnológicas e sistêmicas; Impactos socioeconômicos. Como a energia elétrica é um bem que é consumido no mesmo momento que é produzido, ela apresenta características distintas em relação a outras commodities energéticas como o carvão, petróleo, etc. Esta característica traz a necessidade de uma operação mais complexa pois necessita de uma rede de fios para conectar a fonte com o consumo. O acompanhamento da demanda com o consequente despacho das usinas é feito segundo a segundo e faz parte da operação em tempo real do operador do sistema que no Brasil é o ONS. O desnível do balanço desta energia que transita na rede pode ser mensurado através da variação de frequência do sistema. (Canal Solar)
Deputados pedem urgência para barrar LRCAP que contratou 19 GW fósseis
Deputados federais de diferentes partidos se uniram para questionar, no Congresso Nacional, a legalidade do LRCAP (Leilão de Reserva de Capacidade) 2026, realizado em 28 de março, que contratou cerca de 19 GW de potência com predominância de fontes termelétricas fósseis, usinas a gás natural e carvão mineral, com contratos de até 15 anos e custo variável que pode chegar a R$ 1.40,00 por MWh. O PDL 264/2026 (Projeto de Decreto Legislativo nº 264/2026, de autoria do deputado Marcel van Hattem (Novo-RS), pede a sustação das Portarias nº 118/2025 e nº 125/2026 do MME (Ministério de Minas e Energia), que definiram as regras do certame. O projeto aponta vícios de legalidade e inconstitucionalidade nos atos do governo, incluindo ausência de AIR (Análise de Impacto Regulatório), extrapolação do poder regulamentar e potencial violação ao Art. 225 da Constituição Federal, que trata da proteção ao meio ambiente. Apresentado em 24 de abril, o PDL ganhou força rapidamente. Em 29 de abril, o deputado Lafayette de Andrada (PL-MG), presidente da FREPEL (Frente Parlamentar Mista da Energia Limpa), assinou requerimento pedindo que o projeto seja votado em regime de urgência no plenário da Câmara dos Deputados. “Não faz sentido o governo contratar energia suja, de termelétricas a gás e carvão, pagando um preço tão caro, sendo que o Brasil é um dos países mais ricos do mundo em energia limpa, como solar, eólica e hidráulica. Essa conta vai sobrar para o bolso do brasileiro”, afirmou o deputado Lafayette de Andrada. Segundo os autores do PDL, o modelo adotado no LRCAP compromete diretamente o bolso do consumidor. Os contratos preveem pagamento de receita fixa anual mesmo quando as usinas não despacharem energia, além de custos variáveis entre R$ 800/MWh e R$ 1.400/MWh. (Canal Solar)
Sem vencer LRCap, EBrasil pede fim antecipado outorgas na Paraíba
A Centrais Elétricas da Paraíba (Epasa), empresa do grupo EBrasil, solicitou à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) a antecipação do fim da outorga das usinas termelétricas (UTEs) Termonordeste e Termoparaíba, cada uma com 170,85 MW de potência instalada. A empresa pede que a extinção da outorga tenha efeitos a partir desta quinta-feira, 30 de abril. Além do recurso administrativo junto à Aneel, enviado em 28 de abril, a Epasa pediu à agência medida cautelar sobre o tema, como forma de já garantir os efeitos pretendidos. Segundo a empresa, a manutenção das outorgas implica um custo mensal de R$ 2,6 milhões, entre operação & manutenção, ações de segurança, infraestrutura e contrato de uso do sistema de transmissão (Cust). Além disso, o fim da outorga também poderá liberar espaço na rede, argumenta a empresa. Assim, a Epasa pede o fim dos Custs associados sem a cobrança de encargos rescisórios, que poderiam chegar a R$ 80 milhões. A empresa solicita que, caso não seja possível antecipar o fim das outorgas, seja declarada a inexigibilidade dos encargos rescisórios relativos ao Cust. As usinas foram contratadas no leilão de energia nova 002/2007, e entraram em operação em 2010, com contratação por 15 anos. Assim, em janeiro de 2025 os contratos se encerraram e as plantas estão descontratadas desde então. (Megawhat)
Pequenas hidrelétricas terão desempenho avaliado para entrar no MRE
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou as regras e o procedimento de comercialização aplicáveis ao Sistema de Contabilização e Liquidação (SCL) para a entrada no Mecanismo de Realocação de Energia (MRE) de empreendimentos hidrelétricos não despachados centralizadamente – e que, portanto, não têm supervisão do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Estes empreendimentos são, em sua maioria, centrais geradoras hidrelétricas (CGHs) e pequenas centrais hidrelétricas (PCHs), e sua entrada no MRE não é obrigatória. Entretanto, ao integrarem o mecanismo, estas plantas devem passar por apuração de performance, já que o MRE é destinado a riscos hidrológicos e não deve compensar eventuais falhas operacionais dos empreendimentos. Assim, a Aneel promoveu consulta pública sobre a metodologia destas regras em janeiro de 2025, propondo duas metodologias de cálculo, sendo que uma delas depende da instalação de medidores pelas usinas, e a outra considera, entre outros fatores, a garantia física e índices de usinas despachadas centralizadamente e que estejam mesmo “reservatório equivalente de energia” (REEs), ou seja, que estejam em bacias com regimes hidrológicos similares. As usinas terão até 15 de dezembro de 2026 para instalar seus medidores e ter os sistemas de medição operacionais. Os geradores que não tiverem os equipamentos instalados e operacionais no prazo serão enquadrados na metodologia baseada nos REEs. A apuração do Fator de Contribuição do MRE (FCM) para os empreendimentos que optarem ou forem enquadrados pela metodologia com base nos REEs começa em maio de 2026, e estas usinas devem ter os efeitos comerciais do MRE observados a partir de janeiro de 2027. (Megawhat)
Revisão em 139 hidrelétricas atualiza modelos e garantias físicas
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou dados técnicos revisados de 139 usinas hidrelétricas, que passarão a ser utilizados no planejamento e na programação da operação do Sistema Interligado Nacional (SIN), além de subsidiar as revisões ordinárias de garantia física. Os dados foram disponibilizados pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) no âmbito do plano de ação para revisão das garantias físicas das hidrelétricas, instituído pelo Ministério de Minas e Energia (MME) após determinações do Tribunal de Contas da União (TCU). A iniciativa também orienta o processo de homologação para uso nos principais modelos computacionais do setor elétrico Newave, Decomp e Dessem. Ao todo, o ONS identificou a necessidade de retificação de dados técnicos em 37 usinas, pertencentes a 15 agentes de geração. As correções decorrem, em sua maioria, da identificação de inconsistências entre os valores originalmente informados e documentos técnicos de referência, como projetos executivos, fichas técnicas, outorgas de uso de recursos hídricos e tabelas “cota × área × volume” aprovadas pela ANA. As revisões concentram-se principalmente em três grupos de informações: (i) níveis operativos, áreas e volumes característicos dos reservatórios; (ii) polinômios de relação cota-área (PAC) e volume-cota (PCV); e (iii) volumes de referência. (Megawhat)
Abraceel avalia medida cautelar para retirar UHE Foz do Prata do PMO
A Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (Abraceel) avalia submeter à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) um pedido de medida cautelar com efeito suspensivo para retirar a usina hidrelétrica Foz do Prata do deck do Programa Mensal da Operação (PMO) de maio. A iniciativa, já aprovada pelo conselho de administração da entidade, busca pressionar o regulador a fiscalizar a atuação do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e garantir a exclusão da usina até sua prévia homologação pelo Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE). Nesta semana, a entidade enviou carta à autarquia apontando a possível falha relacionada à inclusão da hidrelétrica Foz do Prata e pedindo a fiscalização imediata do ONS. Segundo a associação, a decisão do ONS teria desrespeitado a governança do setor ao considerar o empreendimento sem prévia homologação pelo Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), gerando impactos desproporcionais na formação dos preços de energia. A entidade solicita fiscalização imediata da agência reguladora e a exclusão da usina do deck preliminar até a regularização do rito. A carta reforça a insatisfação de comercializadores de energia com os modelos de operação, em meio à pressão crescente por alterações que ajudem a dar mais previsibilidade e transparência na formação de preço. Enviada para o diretor-geral da autarquia, Sandoval Feitosa, o documento afirma que a inclusão do ativo no deck do PMO de maio gerou um impacto desproporcional na formação de preços, o que motivou a associação a verificar o cumprimento integral da governança pelo operador ao considerar tal ativo na modelagem mensal. (Megawhat)
Projetos do leilão de transmissão de 2025 são enquadrados no Reidi
A Secretaria Nacional de Transição Energética e Planejamento do Ministério de Minas e Energia (MME) aprovou o enquadramento dos projetos do leilão de transmissão n° 4/2025 no Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura (Reidi). Pelo Reidi, ficam suspensas as contribuições de PIS/Pasep e Cofins vinculadas aos projetos nas aquisições, locações e importações de bens e serviços realizadas em um período de cinco anos. O certame envolve à construção e manutenção de 1.081 quilômetros em linhas de transmissão e seccionamentos e de 2.000 MVA em capacidade de transformação, além de sete compensações síncronas. Os empreendimentos se localizam em 12 estados: Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Rondônia e São Paulo. O prazo para conclusão das obras varia de 42 a 60 meses, dependendo da complexidade da construção. A secretária da pasta ainda definiu os montantes de garantia física de energia das UFVs Caldeirão Grande I a Caldeirão Grande VII, entre 8,1 MW médios e 10,1 MW médios; das eólicas São Domingos I a São Domingos V e da eólica Itaúna, entre 5,4 MW médios e 13,4 MW médios; e das eólicas Serra da Borborema III e Serra da Borborema IV, etre 8,8 MW médios e 12,1 MW médios. Do lado da Agência Nacional de Energia Elétrica, a CGT Eletrosul recebeu aval para implementar reforços na subestação Biguaçu, com Rceeita Anual Permitida de R$ 3,16 milhões. (Megawhat)
ONS: projeções indicam afluências em 86% da MLT no Norte, no final de maio
O boletim do Programa Mensal de Operação (PMO) para a semana operativa de 2 a 8 de maio indica melhora nas perspectivas para a Energia Natural Afluente (ENA) da região Norte em relação à semana anterior, passando de 79% para 86% da Média de Longo Termo (MLT) ao final de maio. Para as demais regiões, a previsão é de afluências em 79% da MLT, na região Sul; 76% da MLT, na Sudeste/Centro-Oeste; e 56% da MLT, no Nordeste. Os percentuais de Energia Armazenada (EAR) apontam o subsistema Norte com 97,7% e o Nordeste 93,4%. No Sudeste/Centro-Oeste, região que abriga 70% dos reservatórios do país, a previsão de EAR está em 66,4% e, no Sul, em 42,6%. “Os indicadores para o final de maio estão estáveis em relação às primeiras projeções do mês. O Operador permanece otimizando a utilização dos recursos disponíveis, com o objetivo de garantir a manutenção da segurança e estabilidade do SIN”, declara o diretor-geral do ONS, Marcio Rea. Os cenários prospectivos para a demanda de carga no Sistema Interligado Nacional (SIN) indicam avanço de 4,4% (82.095 MWmed). Nos subsistemas, também é indicado aumento. A região Nordeste apresenta previsão de 5,8% (13.944 MWmed); Norte 4,8% (8.487 MWmed); Sudeste/Centro-Oeste 4,2% (45.994 MWmed) e, no Sul, o avanço previsto é de 3,2% (13.670 MWmed). Os números são comparações entre maio de 2026 ante o verificado no mesmo período de 2025. (ONS Notícias)
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) publicaram, nesta quinta-feira, 30 de abril, a Nota Técnica NT-ONS DPL 0040/2026 / EPE-DEE-RE-043/2026, que estabelece a metodologia, as premissas e os critérios para o cálculo da capacidade remanescente do Sistema Interligado Nacional (SIN), no contexto da 1ª Temporada de Acesso ao Sistema de Transmissão. A publicação atende às diretrizes do Decreto nº 12.772/2025 e da Portaria Normativa MME nº 129/2026, que preveem a divulgação, pelo ONS e pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), dos critérios a serem utilizados na definição da capacidade disponível para novos acessos ou ampliação da contratação do uso da Rede Básica. “Seguimos alinhados às diretrizes de transparência da PNAST, fundamental para que possamos promover o acesso à Rede Básica e o uso racional da capacidade de transmissão, permitindo uma alocação mais eficiente dos usuários na rede”, destaca o diretor-geral do ONS, Marcio Rea. Simultaneamente, o ONS disponibilizou as Instruções para Cadastramento na 1ª Temporada de Acesso , com as orientações para realização do cadastramento, incluindo o preenchimento das informações e o envio da documentação exigida por meio do sistema do ONS. Conforme cronograma disponibilizado pelo ONS, o cadastramento será aberto em 1º de junho de 2026 e encerrado em 15 de junho de 2026. (ONS Notícias)
Geradora defende exigência de instalação de baterias em novos parques solares para evitar cortes
A Atlas Renewable Energy, uma das maiores geradoras de energia do país, defende que o Brasil passe a exigir que novas unidades solares no país sejam construídas já acopladas a grandes sistemas de baterias. O excesso de energia gerada em alguns períodos do dia é o maior gargalo para o setor de renováveis do país, que convive diariamente com cortes definidos pelo ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico). A própria Atlas é uma das empresas que decidiram suspender os investimentos no país até que a situação seja resolvida. A companhia, controlada por um fundo ligado à gigante BlackRock, não tomou nenhuma decisão final de investimento no Brasil no ano passado e não prevê nenhuma em 2026. Segundo o vice-presidente comercial da Atlas, Luís Ballester, o governo federal deveria seguir o exemplo do México e determinar uma fatia mínima necessária de baterias para essas instalações. Em março do ano passado, o governo mexicano definiu que todas as usinas solares e eólicas precisam ter sistemas de baterias equivalentes a 30% de sua capacidade instalada, com autonomia mínima de descarga de três horas —a medida deve adicionar 574 MW (megawatts) de baterias até 2028. Para ele, no entanto, essa obrigatoriedade deve ser acompanhada de outros fatores. O primeiro é a regulamentação do uso desses sistemas, conhecidos no setor como BESS. O tema é pauta da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) desde 2023, mas está parado desde agosto do ano passado em meio a pedidos de vista de diretores do órgão regulador. (Folha)
Usinas solares acumulam 327 projetos com atraso em obras
A proliferação de projetos de energia solar em andamento em todo o país tem desafiado o planejamento do setor elétrico, por causa de dois extremos que envolvem a expansão dessa geração. Se, por um lado, os micros e pequenos usuários de painéis fotovoltaicos se espalham rapidamente, testando os limites de capacidade das linhas de transmissão de energia em vários estados, por outro, grandes projetos de usinas solares passaram a acumular atrasos graves em obras, colocando em risco o fornecimento futuro de energia. A Folha fez um levantamento sobre a situação dessas usinas, a partir de dados da fiscalização da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica). O resultado, atualizado até janeiro deste ano, mostra que há nada menos do que 327 projetos de usinas fotovoltaicas com cronograma de obras comprometidos, ou seja, são projetos que não entrarão em operação na data planejada. A maior parte desses projetos foi autorizada em meados de 2022. Como o prazo para início de operação dessas usinas costuma ser de três a quatro anos, a maioria deveria entrar em operação entre 2025 e 2026. Juntas, essas usinas somam 14,86 GW (gigawatts) de capacidade, o que equivale a 23% da geração solar que hoje funciona no país, ou 7% de toda a capacidade nacional de produção de energia, incluindo todos os tipos de fontes. Para se ter uma ideia, esse montante de energia supera a capacidade total da usina de Itaipu, que é a segunda maior hidrelétrica do mundo em capacidade instalada. (Folha)
Retração no setor de energia solar faz Brasil cair em ranking global
O Brasil perdeu uma posição no ranking mundial dos países com maior potência adicionada da fonte solar fotovoltaica em 2025, saindo da quarta para a quinta colocação em nova potência, com 11,6 gigawatts (GW) adicionados no período, informou a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar). O ranking é elaborado pela Agência Internacional de Energias Renováveis (Irena) e mostra a Alemanha ultrapassando o Brasil, com mais 15,1 GW instalados em um ano. A China encabeça a lista, com mais 314,2 GW instalados em 2025, seguida pela Índia (mais 36 GW) e Estados Unidos (mais 34 GW). Para a Absolar, a perda de posição reflete a retração observada no mercado fotovoltaico brasileiro no último ano, com redução de cerca de 30% em termos de capacidade adicionada em 2025 em relação ao adicionado em 2024. Já no acumulado, o Brasil encerrou 2025 com 64,6 GW de capacidade operacional de energia solar e se manteve na sexta colocação do ranking, ficando atrás de China, Estados Unidos, Índia, Alemanha e Japão, respectivamente em ordem de grandeza. (Estadão)
Decreto do novo setor elétrico vai focar no consumidor, riscos e comunicação das distribuidoras
O novo marco regulatório do setor elétrico criado pela lei 15.269/2025 vai permitir ao consumidor de baixa tensão (residencial, comercial, etc) o direito de escolher qual empresa de distribuição de energia deseja contratar. A mudança deve promover uma inovação expressiva a partir de 2028, quando a abertura do mercado livre entrar em vigor. Mas a transição exige do governo regras claras de funcionamento do futuro mercado. Para isso, o MME (Ministério de Minas e Energia) deve publicar em breve um decreto com o regramento. O secretário-executivo adjunto do MME, Fernando Colli Munhoz, antecipou alguns dos pontos centrais do decreto durante o fórum “Redes do Amanhã”, promovido pela EXAME e PSR, e realizado em Brasília na quarta-feira (29), reunindo especialistas do setor elétrico. “A lei fixa que a partir de novembro do ano que vem o mercado já pode ser aberto para os consumidores de baixa tensão industrial e comercial, e um ano depois para o residencial. Então, temos um tempo curto. A gente ainda sim precisa publicar um decreto e, depois, há uma série de regulações que a ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) precisa fazer”, explicou. (Exame)
O Ministério de Minas e Energia (MME) publicou, nesta sexta-feira (30/4), o Relatório de Monitoramento da Agenda Estratégica Eletroenergética 2026 que aponta a execução global de 49% das medidas previstas até o encerramento do primeiro trimestre deste ano. O documento apresenta o andamento das 27 ações preventivas, estruturadas para mitigar riscos operacionais, ampliar a resiliência do sistema elétrico nacional e assegurar o atendimento eletroenergético em diferentes cenários de operação. A Agenda Estratégica Eletroenergética 2026 é um instrumento de governança criado para antecipar desafios relacionados às transformações da matriz elétrica e ao comportamento da carga. Para isso, a iniciativa reúne esforços de instituições estratégicas do setor, entre elas o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) e a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Entre os principais destaques do período está a conclusão de sete ações prioritárias para o fortalecimento da segurança energética nacional. Entre elas está a viabilização da operação da Usina Hidrelétrica de Jirau na cota de 90 metros, que possibilita a incorporação de até 236,5 MW médios de geração da usina ao Sistema Interligado Nacional (SIN), ampliando a capacidade de oferta ao sistema. (MME Notícias)
ONS promove oficina com Agentes do setor elétrico sobre curtailment
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) realizou, nesta terça-feira (28), uma oficina técnica presencial com Agentes e Associações do setor elétrico com foco no aprimoramento da comunicação, do acesso às informações e da prospecção de dados relacionados ao curtailment. Participaram do encontro representantes da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR), da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEÓLICA), da Associação Brasileira das Empresas Geradoras de Energia Elétrica (ABRAGE) e outros agentes convidados. A iniciativa teve como objetivo promover um diálogo técnico e institucional estruturado sobre comunicação, dados e ferramentas voltadas à visualização das informações de curtailment. A oficina foi estruturada a partir de contribuições enviadas previamente pelos agentes, com percepções, dúvidas, necessidades e oportunidades de melhoria. Esse material orientou as discussões ao longo do dia, permitindo um debate focado em temas concretos e priorizados pelo setor. A programação incluiu apresentações técnicas sobre a evolução da comunicação institucional do ONS, a disponibilização de dados operacionais, com destaque para a evolução do site do ONS e da criação do Portal de Dados Abertos, e a apresentação da ferramenta de prospecção do curtailment. Também foram apresentados os avanços recentes e as evoluções já previstas pelo ONS para o curto prazo nas bases de dados e plataformas. (ONS Notícias)
CCEE diz que liminar criou ‘regime de exceção’ para Electra e recorre
A Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) recorreu ao Tribunal de Justiça do Paraná contra a decisão que suspendeu temporariamente o processo de desligamento da Electra Comercializadora de Energia e determinou a manutenção do registro e da contabilização dos contratos já existentes da empresa, mesmo sem o aporte das garantias financeiras exigidas no mercado de curto prazo. No agravo de instrumento, protocolado na quarta-feira, 29 de abril, a CCEE afirma que a decisão da 1ª Vara Estadual de Falências e Recuperação Judicial de Curitiba, proferida nesta segunda-feira, 27 de abril, instituiu “um verdadeiro regime de exceção” em favor da comercializadora. A câmara pede efeito suspensivo para afastar os dois pontos da decisão até o julgamento definitivo do recurso. Segundo a CCEE, a decisão criou risco sistêmico imediato ao mercado livre de energia ao preservar contratos sem lastro e sem garantias financeiras, com impacto potencial sobre mais de 16 mil agentes, incluindo distribuidoras, geradores, comercializadores e consumidores livres. Na decisão do dia 27, a juíza Mariana Gluszcynski Fowler Gusso deferiu parcialmente o pedido da Electra: suspendeu o desligamento por 60 dias a partir do ajuizamento da ação, mandou manter o registro dos contratos existentes e preservou a comercializadora em Operação Balanceada, regime determinado pela CCEE em reunião de 22 de abril. Na semana anterior, a Electra havia obtido uma primeira cautelar para suspender execuções durante o período de mediação com contrapartes e impedir que a CCEE adotasse medidas restritivas pelo não aporte de R$ 140 milhões em garantias financeiras referentes às operações de março. A decisão, porém, condicionou seus efeitos à análise, pela CCEE, do pedido administrativo de parcelamento apresentado pela comercializadora. (Megawhat)
Tecnologia mira desafios das redes e da geração distribuída
A PS Soluções, sediada em Itajubá, Minas Gerais, aposta no desenvolvimento de tecnologia nacional para ampliar espaço no setor elétrico, com foco em monitoramento de ativos e maior confiabilidade operacional. Com origem ligada à Universidade Federal de Itajubá, a empresa acumula mais de 150 projetos de P&D, muitos deles no âmbito regulado pela Agência Nacional de Energia Elétrica. “A gente tem um propósito muito firme, que é rivalizar com tecnologias desenvolvidas nos Estados Unidos e na Europa”, afirmou Erick Bonaldi, sócio-fundador da empresa. Entre os destaques está o Preditor, sistema de monitoramento de motores que evoluiu para uma plataforma integrada de análise em tempo real. Outro projeto é o Onfra, que permite avaliar o estado de equipamentos sem necessidade de parada. A empresa também desenvolve soluções para desafios recentes, como os impactos da geração distribuída. Em parceria com a Cemig, trabalha em um compensador ativo para controle de tensão nas redes. “As distribuidoras estão sofrendo com sobretensão, e o equipamento atua para trazer a tensão de volta aos limites”, explicou Erick. Além disso, a PS atua na integração de sistemas com baterias, solar e diesel para reduzir consumo de combustível em sistemas isolados. (Megawhat)
Henry Borden reforça papel no sistema com modernização
A hidrelétrica Henry Borden, da Emae, passa por um novo ciclo de investimentos para reforçar seu papel no sistema elétrico, com foco em flexibilidade operativa e modernização de equipamentos. Localizada no principal centro de carga do país, no estado de São Paulo, a usina combina história e inovação para continuar relevante em um cenário de maior participação de fontes renováveis variáveis e necessidade de resposta rápida ao Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Com capacidade instalada de 889 MW, sendo 469 MW na usina externa e 420 MW na subterrânea, Henry Borden se destaca pela rapidez no atendimento ao sistema. “Em menos de 15 minutos nós estamos com energia no sistema, conforme a demanda que o ONS nos solicita”, disse o diretor de Operações da companhia, Fernando Fernandes. Além disso, a hidrelétrica conta com capacidade de “black start”, permitindo a retomada do fornecimento de energia em casos de apagão sem depender de fontes externas. “Caso haja um apagão, conseguimos restabelecer o sistema utilizando apenas a própria água do reservatório”, explicou o executivo. Para a Emae, a atualização da Henry Borden é parte de uma estratégia para manter ativos hidrelétricos relevantes em um sistema em transformação, onde confiabilidade e capacidade de resposta rápida ganham protagonismo. (Megawhat)
Otimismo e ação: o avanço do setor elétrico brasileiro em 2025 e as perspectivas para 2026
O ano de 2025 consolidou-se como um divisor de águas para o setor energético brasileiro, em sintonia com desdobramentos da COP30. Ficou claro que a transição para fontes renováveis e seguras não depende apenas de vontade política ou setoriais, mas de uma infraestrutura física capaz de sustentar essa mudança. O entendimento compartilhado entre governos e empresas é de que redes elétricas flexíveis, acessíveis e resilientes são requisitos indispensáveis ao crescimento econômico do Brasil. Energia o país produz, e muita. Vivemos, inclusive, um período de sobreoferta. É um cenário abundante dentro do qual devemos nos atentar à conexão ao Sistema Interligado Nacional (SIN). E mais. O setor encara um fato óbvio: não basta gerar energia por novas hidrelétricas ou parques eólicos ou solares se não houver um sistema de transmissão robusto para levar essa eletricidade ao consumidor final e aos centros produtivos. A Agência Internacional de Energia (IEA) estima que os investimentos globais em redes elétricas devem passar de US$ 400 bilhões para US$ 600 bilhões até 2030, o que representa alerta e oportunidade para o Brasil. Nesse contexto, já no final do último ano, o Ministério de Minas e Energia e a EPE (Empresa de Pesquisa Energética) publicaram o Caderno de Transmissão de Energia Elétrica do Plano Decenal de Expansão de Energia 2035 (PDE 2035), que projeta cerca de R$ 120 bilhões em investimentos no sistema de transmissão até 2035, além de analisar cenários de expansão, vencimento de concessões e a evolução do intercâmbio entre as regiões do Sistema Interligado Nacional. (Megawhat)
Com aval do Cade, Eneva vende térmica a carvão por R$ 1 bilhão
O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou a venda, pela Eneva, de 100% da Pecém II Geração de Energia para a Diamante Energia, em uma operação avaliada em cerca de R$ 1 bilhão. O acordo foi anunciado no final de março pelas companhias. A Pecém II tem como principal ativo operacional a usina termelétrica Porto do Pecém II, movida a carvão mineral e com capacidade instalada de 365 MW, e está localizada no município de São Gonçalo do Amarante, no Ceará. O empreendimento possui contratos de comercialização de energia no ambiente regulado (CCEARs) vigentes até 2 de setembro de 2028. Além disso, a usina foi uma das vencedoras do leilão de reserva de capacidade na forma de potência (LRCap) de 2026, no produto 2031, garantindo a contratação de disponibilidade de potência por dez anos a partir de 1º de agosto de 2031. De acordo com os autos do processo no Cade, a operação não está sujeita à aprovação de outros órgãos reguladores no Brasil ou no exterior, mas será apresentada à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) em caráter meramente informativo. A Diamante Energia afirmou que a aquisição faz parte de sua estratégia de expansão, com foco no fortalecimento da atuação em hubs logísticos com alto potencial de crescimento no Nordeste, conforme manifestação no órgão antitruste. (Megawhat)
Reynaldo Passanezi faz balanço de sua gestão após 6 anos à frente da Cemig
Quando Reynaldo Passanezi recebeu o convite do então governador Romeu Zema para tomar um café acompanhado de panetone, em janeiro de 2020, ele não imaginava que aquela conversa mudaria sua vida. No mesmo mês, ele assumiria a presidência da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) em uma bem-sucedida gestão marcada por altos investimentos e valorização histórica de mercado. Agora, prestes a deixar o cargo, este paulista de Araçatuba faz um balanço sobre os desafios e conquistas que marcaram seus seis anos de trabalho. Ele fala também sobre o título de cidadão honorário de Minas Gerais recebido nesta quinta-feira (30/4). Eu assumi uma empresa que estava em uma situação muito frágil e que investia menos de R$ 1 bilhão por ano em Minas Gerais. A empresa não tinha condição de se endividar no mercado brasileiro, tinha que se endividar no mercado exterior sem proteção cambial completa, ficando exposta ao dólar. A empresa também não cumpria nenhum dos indicadores operacionais que estão na tarifa e sempre investia em outros estados, como Pará e Bahia, como acionista minoritário, sem mandar de fato. Fizemos um diagnóstico e chegamos à conclusão de que deveríamos focar naquilo que a Cemig faz de melhor, que é geração, transmissão e distribuição de energia elétrica no território que ela conhece, que é Minas Gerais. Nós saímos dos investimentos menores fora do estado e buscamos ser os melhores aqui, cumprindo todos os indicadores e voltando a investir em Minas. (O Tempo)
TCE-MG suspende licitação da Copasa após indícios de irregularidades
O Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCEMG) suspendeu a licitação conduzida pela Copasa (Companhia de Saneamento de Minas Gerais), destinada à implantação e operação da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) do Ribeirão do Onça, na Grande Belo Horizonte. A decisão é desta última quinta-feira (30) e foi referendada por unanimidade pelo colegiado da Corte. A medida cautelar foi motivada após a empresa OECI S.A. apresentar uma denúncia apontando possíveis irregularidades no processo licitatório, cujo modelo prevê a contratação integrada — incluindo projeto, execução das obras, fornecimento de equipamentos, operação e manutenção, com o critério baseado no menor custo total (TOTEX). Segundo o relator do processo no Tribunal, conselheiro Alencar da Silveira Jr., há relevantes indícios de falhas que podem comprometer a legalidade e a economicidade do certame. Entre os pontos apontados pela Corte está a violação ao princípio da isonomia após a divulgação antecipada de recursos administrativos a outros concorrentes antes do encerramento do prazo legal. Outro aspecto observado diz respeito à proposta técnica classificada em primeiro lugar. De acordo com a denúncia apresentada e através da análise preliminar do Tribunal, a solução apresentada teria suprimido etapas previstas no Termo de Referência, como a “digestão anaeróbia do lodo” — componente essencial no tratamento de esgoto — além de não comprovar plenamente a experiência operacional exigida. Ainda segundo a decisão, há dúvidas quanto à conformidade da proposta com normas ambientais e técnicas vigentes. (CNN Brasil)
Corte do TCE-MG confirma suspensão de licitação bilionária da Copasa para ampliação de ETE em BH
A corte do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG) referendou a suspensão de um processo de licitação da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) para construção da Estação de Tratamento de Esgoto Ribeirão do Onça (ETE), em Belo Horizonte. A unidade tem um investimento estimado em R$ 1 bilhão. A sessão ordinária que analisou o processo foi realizada nesta quarta-feira (29/4). No último dia 16, uma decisão monocrática deferida pelo conselheiro Alencar da Silveira Jr. já havia optado pela interrupção do certame. A corte do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG) referendou a suspensão de um processo de licitação da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) para construção da Estação de Tratamento de Esgoto Ribeirão do Onça (ETE), em Belo Horizonte. A unidade tem um investimento estimado em R$ 1 bilhão. A sessão ordinária que analisou o processo foi realizada nesta quarta-feira (29/4). No último dia 16, uma decisão monocrática deferida pelo conselheiro Alencar da Silveira Jr. já havia optado pela interrupção do certame. A corte do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG) referendou a suspensão de um processo de licitação da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) para construção da Estação de Tratamento de Esgoto Ribeirão do Onça (ETE), em Belo Horizonte. A unidade tem um investimento estimado em R$ 1 bilhão. A sessão ordinária que analisou o processo foi realizada nesta quarta-feira (29/4). No último dia 16, uma decisão monocrática deferida pelo conselheiro Alencar da Silveira Jr. já havia optado pela interrupção do certame. Além disso, a solução apresentada teria suprimido etapas previstas no Termo de Referência, como a digestão anaeróbia do lodo (componente essencial no tratamento de esgoto), e a não comprovação de experiência operacional exigida. Conforme o TCE-MG, há ainda dúvidas quanto à conformidade da proposta com normas ambientais e técnicas vigentes. (O Tempo)
O processo de privatização da Copasa é robusto?
Ao final da desestatização da Copasa, surgiram críticas à “robustez” do modelo. Cito algumas: falta de previsão contratual suficiente de metas de universalização e qualidade; ausência de disciplina para áreas socialmente sensíveis; falta de transparência e açodamento na renegociação com os municípios e na regionalização; e erro no modelo de precificação das ações. As três primeiras dizem respeito à prestação dos serviços de água e esgoto. A última, ao valor do patrimônio público estadual alienado. A leitura dos documentos disponíveis, somada a um dado constitucional decisivo, pouco considerado, desautoriza as objeções. Processos de alienação de ações de estatais prestadoras de serviços públicos costumam ser avaliados por dois ângulos: o valor do bem público vendido e os efeitos da venda sobre o serviço. Essas dimensões concretizam o interesse público em operações como Sabesp, Corsan e Copasa. No caso mineiro, porém, há uma terceira dimensão, específica: o interesse fiscal do Estado, elevado a fundamento constitucional próprio da desestatização. Desde 2001, a Constituição mineira submete a desestatização de empresas estaduais de saneamento, energia e gás canalizado a referendo popular —art. 14, parágrafo 17. Em 19 de novembro de 2025, em contexto de grave crise fiscal, a Assembleia Legislativa aprovou a emenda Constitucional 117, que alterou o art. 162 do ADCT e criou uma exceção: para fins de pagamento da dívida do Estado com a União, a Copasa pode ser desestatizada sem referendo. (Folha)
Desestatização da Copasa precisa ser bem feita, diz colunista
O TCE-MG (Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais) determinou a suspensão da licitação conduzida pela Copasa (Companhia de Saneamento de Minas Gerais) destinada à implantação e operação da ETE (Estação de Tratamento de Esgoto) do Ribeirão do Onça, na Grande Belo Horizonte, considerada o certame mais aguardado do ano para o setor de saneamento. A decisão foi motivada por denúncias sobre possíveis irregularidades no processo licitatório. A suspensão, datada de 16 de abril, não interrompe os estudos para a desestatização da companhia, mas impede a realização de atos irreversíveis — ou seja, paralisa efetivamente o processo de venda. Os documentos do processo chegaram a ser publicados após essa data, o que gerou dúvidas sobre o alcance real da decisão. Maurício Portugal explicou que a decisão do TCE-MG se apoia em dois relatórios técnicos que permanecem sob sigilo. Apesar disso, os problemas apontados nesses relatórios teriam vazado em grupos ligados ao setor de infraestrutura. Portugal afirmou ter verificado a existência dessas irregularidades de forma independente. “A gente não tem certeza que eles estão no relatório, mas os problemas existem. Eu analisei e eles existem”, declarou. Entre os pontos críticos identificados, Portugal destacou a exclusão das áreas irregulares — como favelas — das metas de universalização do saneamento. Segundo ele, em outros processos de desestatização, como o da Cedae no Rio de Janeiro, foram criadas verbas específicas para investimentos nessas localidades. (CNN Brasil)
Entenda os próximos passos para a privatização da Copasa
Com a divulgação dos documentos que detalham as etapas de oferta de ações da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), a privatização da companhia está mais próxima de ocorrer. Ainda que o governo estadual não tenha recebido o aval do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG) para ofertar suas ações ao mercado, o processo para a seleção do investidor de referência já começou. Acionista controlador da Copasa, com 50,3% da companhia, o governo estadual pretende realizar uma oferta pública de ações, com 30% do capital social para o investidor que for selecionado neste processo, que pode ser uma empresa ou um consórcio de empresas. Outros 15% serão oferecidos ao mercado por meio de um bookbuilding – processo em que investidores indicam a quantidade de ações que querem comprar, para a definição de um preço justo por ação em uma oferta pública. O processo para o investidor de referência é dividido em duas grandes fases. A primeira, chamada de etapa prévia, é focada em qualificação técnica e documental dos potenciais investidores de referência. Os interessados em se tornar o sócio estratégico na Copasa têm até a próxima sexta-feira (8/5) para se cadastrar. O objetivo desse cadastramento é verificar se os interessados atendem aos critérios necessários para se tornar o investidor de referência. A empresa ou o consórcio interessado deverá entregar envelopes lacrados à Bolsa de Valores do Brasil (B3) com declarações de idoneidade, regularidade fiscal, trabalhista e socioambiental. Os envelopes deverão ter ainda um histórico de atuação no setor de infraestrutura, com a comprovação de investimentos de ao menos R$ 6,3 bilhões nos últimos 20 anos, tanto na própria área do saneamento, como em energia, transportes, entre outros. (O Tempo)
Desafios regulatórios para as concessões e PPPs no setor de saneamento
As concessões e PPPs tem sido percebidas como um importante meio para atingir a meta de universalização do saneamento até 2033. Somente nos últimos 12 meses, por exemplo, foram realizados leilões nos estados de Pernambuco, Goiás, Pará, e Santa Catarina; e há perspectiva de que ainda ao longo de 2026 sejam realizadas licitações para sistemas de saneamento localizados nos estados do Rio Grande do Norte, Ceará, Rondônia, Paraíba, entre outros. Porém, para garantir o sucesso de tais projetos, além da modelagem e capacidade de investimento dos agentes privados, precisamos também debater sobre um aspecto que tem sido esquecido: a regulação do setor, marcada por grandes particularidades. Ao contrário de outros setores que já convivem há mais tempo com concessões e PPPs e são caracterizados por uma centralização da atividade regulatória em uma única agência estadual ou federal, o setor de saneamento é marcado por uma regulação difusa. A Agência Nacional de Águas (ANA) produz apenas normas de referência, que se tornam vinculantes dos agentes do setor somente se, e na medida em que, sejam incorporadas pelas agências reguladoras locais competentes ou ocorra o uso de recursos federais para financiar a execução dos serviços, conforme prescrevem os arts. 25-A e 50, da Lei Federal n.º 11.445/2007. (Jota Info)
Petrobras aumenta preço do gás natural em 19% após choque do petróleo
A Petrobras anunciou neste sábado (2) um aumento de 19,2% do preço do gás natural vendido aos distribuidores a partir de 1º de maio, marcando o último de uma série de reajustes de energia relacionados à guerra entre EUA e Israel contra o Irã. A companhia atualiza os preços do gás natural trimestralmente, com ajustes vinculados aos custos do petróleo Brent, às taxas de câmbio e aos benchmarks de Henry Hub nos EUA. A mudança anterior havia ocorrido em fevereiro, antes da eclosão do conflito no Oriente Médio. A Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado (Abegás) disse no mês passado que esperava que a Petrobras aumentasse os preços em cerca de 20% a partir de maio. (CNN Brasil)
Petrobras anuncia aumento de 19% no preço do gás natural
A Petrobras elevou em 19,2% o preço do gás natural vendido às distribuidoras. O novo valor entrou em vigor na 6ª feira (1º.mai.2026) e faz parte de uma sequência de reajustes no setor de energia relacionados ao conflito entre EUA e Israel contra o Irã. A companhia realiza atualizações trimestrais nos preços do gás natural. Os ajustes seguem metodologia que considera três fatores: custos do petróleo Brent; variações nas taxas de câmbio; benchmarks de Henry Hub nos EUA. A última mudança tinha sido feita em fevereiro, antes da eclosão do conflito no Oriente Médio. A Abegás (Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado) se manifestou em abril sobre as expectativas para o reajuste. A entidade esperava aumento de cerca de 20% nos preços praticados pela Petrobras a partir de maio. Além do gás natural, a Petrobras aplicou reajuste de 18% nos preços do combustível de aviação. Em abril, o combustível de aviação havia registrado aumento de 55%. (Poder360)
Preços (ainda) mais altos: reajuste do gás da Petrobras vem acima do esperado; QAV tem novo aumento
Os impactos da alta nos preços globais do petróleo e do gás devido à guerra no Oriente Médio continuam a reverberar no Brasil, com novos anúncios de aumentos nos combustíveis da Petrobras em maio. A estatal confirmou na sexta-feira (01/5) que o primeiro reajuste trimestral nos contratos com as distribuidoras de gás natural após o início do conflito será de 19,2%. (G1) O aumento está acima do esperado. A Wood Mackenzie, por exemplo, projetava uma alta de 18%, conforme mostramos aqui: Impactos da guerra começam a chegar esta semana às contas de gás natural no Brasil. Em comunicado, a Petrobras informou que no período do cálculo, a referência do Brent subiu 24,3%, enquanto a referência do Henry Hub caiu 14,1% e o câmbio teve valorização de 2,5%. O gás natural, a princípio, está fora das medidas anunciadas pelo governo para aliviar a inflação. Leia mais em: Governo descarta subsídio a gás natural devido à guerra, mas reforça aposta na oferta nacional, diz Dutra. (Eixos)
Petrobras está aberta a comprar fatias de projetos de térmicas a gás vencedores do LRCAP
A Petrobras está aberta a negociar parcerias para entrar em projetos de térmicas a gás natural que venceram o 2º Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP), em março, disse o gerente de Marketing de Gás e Energia da estatal, Leonardo Ferreira, durante participação na gas week 2026, na quarta-feira (29/4). “A gente avalia parcerias. Adquirir 100% [de um ativo] entendo que não, mas eu acho que se a gente colocar na mesa boas parcerias, sim, a gente está aberto para discutir e negociar”, afirmou Ferreira, ao ser questionado sobre o interesse da companhia em assumir PPAs [contratos de longo prazo] negociados no leilão por terceiros. Ele comentou também sobre a estratégia da Petrobras de ter focado na recontratação do parque de térmicas existentes. A Petrobras foi uma das principais protagonistas do LRCAP, ao recontratar oito de suas usinas a gás e que somam uma potência contratada de 2,23 GW. Os ativos vão gerar uma receita fixa anual estimada de R$ 4 bilhões à companhia. A estatal não negociou, no entanto, o seu projeto de uma térmica nova no Complexo de Energias Boaventura, em Itaboraí (RJ). De acordo com Ferreira, a Petrobras “espera ansiosamente” o próximo leilão de potência para avançar com o projeto greenfield. “Dado que a gente conseguiu cumprir esse passo [recontratação das térmicas existentes], eu acho que o foco passa a ser a expansão do nosso parque, seja por meio de projetos Petrobras, e a gente vai avaliar também possíveis projetos em parceria”, disse. (Eixos)
Oncorp muda estratégia em terminal de GNL em Suape após firmar parceria
Holding brasileira de energia, a Oncorp avançou no projeto do terminal de GNL (gás natural liquefeito) no Porto de Suape (PE), após firmar uma parceira, nesta quinta-feira (5), com a GNLink, empresa do setor que opera com contêineres em caminhões para distribuir o insumo em regiões sem infraestrutura de gasodutos. Segundo a holding, o acordo marca uma mudança de rota no projeto, priorizando o modelo de interiorização, uma vez que o “large scale”, modelo através de gasodutos já está bem desenvolvido. “O Terminal de GNL de Suape é visto como uma infraestrutura estratégica para ampliar a interiorização do gás natural no país, especialmente em regiões onde a malha de transporte por gasodutos ainda é limitada”, afirmou o diretor-presidente da Oncorp, João Guilherme Mattos. Além disso, a Oncorp lidera o projeto do terminal de regaseificação do complexo de Suape. Para o executivo, o modelo abre caminho para a substituição de fontes energéticas mais poluentes nas regiões industriais do Nordeste, como no caso do polo gesseiro de Araripe, também no Pernambuco. A expectativa com a parceria no atendimento à essas regiões é de que a companhia tenha um longo alcance na interiorização do gás, alcançando um volume de até 1.500.000,00 m³ distribuídos por dia em até cinco anos. Ainda segundo a empresa, há grande expectativa em relação ao leilão de reserva de capacidade, que está previsto para o próximo dia 18, visando levar alguns projetos atráves do terminal de Suape. (CNN Brasil)
Mercado quer metas plurianuais para planejar investimentos em biometano
Mais de um ano após a sanção do mandato de descarbonização de 1% do mercado de gás natural na lei do Combustível do Futuro, o governo aprovou, no início de abril, a regulamentação reduzindo a meta para 2026 para 0,5% O cumprimento será por meio da participação de biometano no consumo, via molécula ou apenas certificados chamados CGOBs, que precificam o atributo ambiental. Apesar de ficar abaixo do que previa a lei, a meta fixada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) trouxe algum alívio para os produtores, já que, no mercado de gás a pressão era por um percentual ainda menor. Agora, a preocupação desse setor que dá os primeiros passos no Brasil é garantir previsibilidade de curto e médio prazo, para que se possa planejar os investimentos em plantas que convertem resíduos em biocombustível. Marcello Weydt, diretor de Gás Natural do Ministério de Minas e Energia (MME), conta que um dos desafios na regulamentação do mandato que culminou com a meta de 0,5% foi lidar com o volume e assimetria de informações sobre a disponibilidade do biometano. Outro ponto foi garantir que oferta e demanda de gás natural sigam expandindo, de forma a induzir o mercado do biocombustível. “Editamos não só a lei do Combustível do Futuro, como mecanismo de indução, mas também dentro do próprio Gás para Empregar, nós discutimos como conseguir aumentar a oferta, como dar competitividade ao biometano. Isso é um fato essencial para que a gente consiga ampliar cada vez mais as metas e com isso também tem o efeito de desenvolvimento dos negócios, de transformar passivos em ativos”. (Eixos)
ES Gás projeta crescimento de 44% no consumo de gás até 2030
A ES Gás apresentou, durante a arena gas match na gas week 2026, em Brasília, nesta terça (28/4), projeções de crescimento de 44% no volume total de gás natural consumido no Espírito Santo entre 2026 e 2030. O segmento industrial deve crescer 43% no período, puxado por novos empreendimentos como a fábrica da GWM, a planta de silicato, o laminador de tiras a frio, a Samarco e mais 30 novas indústrias no ciclo. O gás natural veicular (GNV) deve dobrar de volume, com foco na expansão da frota pesada. Já os segmentos comercial e residencial têm projeção de crescimento de 81% cada. No mercado térmico, a ES Gás projeta 148,44 MW de capacidade instalada em projetos existentes (LRCAP 26), 967,65 MW em novos projetos e 204 MW referentes ao leilão que ocorreu em março. A abertura do mercado livre no Espírito Santo gerou um salto de quinze vezes nas horas trabalhadas em atividades técnicas e treze vezes maior no volume de negociações contratuais. A distribuidora também registrou alta de 33% no número de clientes no ambiente de contratação livre neste ano. Entre as estratégias da companhia estão a contratação direta de gás para curto prazo (até seis meses), sem chamada pública, permitindo operações de balanceamento de até 30% do volume mensal contratado, além do uso de plataformas como GasHUB, PEG e Open Gás. (Eioxs)
Investidores de hidrogênio verde aguardam decreto enquanto Brasil fica para trás
Quase dois anos após a aprovação do marco legal do hidrogênio de baixo carbono, investidores seguem no escuro à espera dos decretos que devem regulamentar o acesso a incentivos fiscais e dar segurança jurídica aos projetos. A demora do governo federal já começa a impactar cronogramas, travar decisões finais de investimento (FIDs) e acender um alerta no setor: o Brasil já está ficando para trás em uma corrida global que ganha alguma tração na Ásia e na Europa. No centro da preocupação está a falta de definição das regras para distribuição dos R$ 18,3 bilhões previstos no Programa de Hidrogênio de Baixo Carbono (PHBC) e dos incentivos do Rehidro. Sem isso, empresas não conseguem estruturar financiamentos nem avançar para a FID, etapa crítica para tirar projetos do papel. “A publicação célere dos decretos de regulamentação do hidrogênio verde não é uma questão burocrática — é uma condição concreta para que projetos como o nosso possam avançar para a decisão final de investimento”, afirma Ludmila Nascimento, CEO da Green Energy Park (GEP) no Brasil, à agência eixos. “Para estruturar financiamento junto a instituições como BNDES e BID, precisamos de previsibilidade regulatória. Sem ela, nenhum conselho de administração aprova investimento, nenhum banco estrutura project finance”, completa. A empresa está à frente de dois dos mais relevantes projetos estruturantes da cadeia no país. (Eixos)
WEG projeta melhora em pedidos e reforça aposta em baterias e redes
A WEG reportou um primeiro trimestre com pressão cambial e queda na receita puxada pelo segmento de geração solar, mas com sinais mais positivos na entrada de pedidos, principalmente no exterior e em negócios ligados à expansão e estabilidade do sistema elétrico, como transmissão, compensadores síncronos e baterias. No Brasil, a queda de receita foi puxada principalmente pelo recuo em geração solar, após um primeiro trimestre recorde em 2025. “A receita foi impactada principalmente pela queda nos negócios de geração solar”, disse o CFO, André Salgueiro, durante teleconferência de resultados do primeiro trimestre de 2026. Em contrapartida, os negócios de transmissão e distribuição (T&D) seguem como um dos principais vetores de crescimento, com entregas relevantes de transformadores e subestações. A companhia também destacou o avanço de projetos estruturais ligados à confiabilidade do sistema, como compensadores síncronos e armazenamento. “A gente tem uma dinâmica bastante saudável, com uma procura maior por esses equipamentos nos últimos trimestres”, afirmou. No segmento de armazenamento, a WEG indicou que já tem projetos e pedidos no radar, mas que a materialização em receita depende do avanço dos leilões no Brasil. A companhia citou, por exemplo, projetos como Fernando de Noronha — já contratados — e a expectativa em torno do leilão de baterias (BESS), ainda sem edital publicado. Parte relevante dessas encomendas, no entanto, deve ficar para os próximos anos. (Megawhat)
O armazenamento de energia ganhou escala inédita no Chile com 38 sistemas em construção, 13 em fase de testes, 2 GW já instalados e um avanço tão rápido que o país pode cumprir até o fim de 2026 ou no início de 2027 uma meta de 6.000 MW que estava projetada para 2050. O armazenamento de energia entrou em uma nova fase no Chile com a divulgação, em março, do Relatório de Projetos de Construção e Investimento do Setor Energético pelo Ministério de Energia chileno. O documento mostra que o país já tem 38 sistemas de armazenamento em construção, somando 4.597 MW e 18.780 MWh, com investimento de US$ 4,1 bilhões, além de já acumular 2 GW de capacidade instalada. O avanço acontece no Chile em um momento de forte expansão do setor energético, com 138 projetos em construção entre usinas, transmissão e infraestrutura de armazenamento, que juntos representam US$ 11,7 bilhões em investimentos. O dado mais chamativo, porém, está no ritmo do armazenamento de energia, já que o próprio ministério indica que, mantendo o cronograma dos projetos em andamento, a meta de 6.000 MW para 2050 pode ser alcançada até o fim de 2026 ou no início de 2027. O salto do armazenamento de energia no Chile não aparece como movimento isolado. Ele está inserido em um ambiente de forte expansão do setor elétrico, em que a participação das fontes renováveis não convencionais já responde por 51% da capacidade instalada em operação, dentro de um sistema que superava 38.193 MW em março. (CPG)
Preços de energia vão cair após guerra com o Irã, diz Tesouro dos EUA
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou neste domingo (3) que os preços da energia, que atualmente estão em alta em meio à guerra entre EUA e Israel contra o Irã, devem cair ainda este ano. “Os preços do petróleo, do outro lado deste conflito, serão muito mais baixos”, disse Bessent no programa “Sunday Morning Futures”, da Fox Business Network. Ao comentar sobre a “Operação Fúria Épica”, do presidente Donald Trump contra o regime dos aiatolás, Bessent ainda reiterou que os Estados Unidos estão “sufocando o regime [iraniano]”, uma vez que “eles não conseguem pagar seus soldados”, argumentou. “Aumentamos a pressão sobre qualquer pessoa que tente enviar dinheiro ao Irã para ajudar o IRGC [a Guarda Revolucionária do Irã]”, prosseguiu o secretário do Tesouro americano. Na avaliação de Scott Bessent, o Irã “calculou mal” ao bombardear seus vizinhos do Golfo Pérsico de “forma cinética”, já que, em resposta, esses países passaram a fornecer aos Estados Unidos informações detalhadas sobre ativos ligados ao financiamento da Guarda Revolucionária, permitindo seu congelamento. “Eles realmente calcularam mal quando começaram a bombardear seus vizinhos do Golfo de forma cinética e, em resposta, esses vizinhos do Golfo — que eu descreveria como relativamente permissivos ao permitir a entrada de dinheiro do IRGC iraniano e do regime iraniano em seus sistemas bancários — têm sido muito cooperativos, vieram à frente, nos forneceram detalhes e permitiram que congelássemos esses ativos”, comentou. (Valor)
Quinta-Feira 30 de Abril
Destaques: (i) Compass tem demanda garantida para estrear na Bolsa na próxima semana (Estadão); (ii) Enel tem pedido negado para suspender caducidade; Mosna será relator na Aneel (Megawhat); e (iii) Boom de dados triplica data centers e pressiona energia (Valor)
Compass tem demanda garantida para estrear na Bolsa na próxima semana
A Compass, companhia de gás do Grupo Cosan, que fecha na próxima semana uma oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) bilionária na B3, já tem demanda garantida no mercado para o lote base da oferta, que pode somar R$ 2,8 bilhões, disseram fontes. Este será o primeiro IPO da Bolsa brasileira em quatro anos e atrai investidores locais e estrangeiros. O montante considera o preço da ação no meio da faixa sugerida aos investidores, que vai de R$ 28,00 a R$ 35,00. Mas a expectativa é de que a oferta fique maior e possa se aproximar dos R$ 5 bilhões, com exercício dos lotes adicional e extraordinário, considerando que ainda restam alguns dias até sua precificação e o processo dos IPOs é bastante dinâmico. Além disso, a Compass é vista como uma empresa com receitas previsíveis, semelhante às companhias do setor elétrico na Bolsa, chamadas de ações defensivas. E no cenário atual, de forte volatilidade e incerteza causada pela guerra no Irã, esta previsibilidade do negócio acaba sendo um ponto importante, afirmam gestores que compram ações. Por isso, já se fala em chance de rateio na operação, ou seja, que a oferta tenha de ser dividida entre os investidores e nem todos tenham a alocação desejada. O período de apresentação para investidores (roadshows) é curto. As reuniões começaram ontem e terminam no dia 7, quando será definido o preço de venda das ações. Além de reuniões no Rio e São Paulo, há encontros com investidores ocorrendo em Nova York e outras cidades dos Estados Unidos, além de Londres. A oferta vinha, no entanto, sendo trabalhada desde março pelos coordenadores e desde o início havia a impressão de que seria coberta. (Estadão)
Enel tem pedido negado para suspender caducidade; Mosna será relator na Aneel
O diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Sandoval Feitosa, negou pedido da Enel São Paulo para suspensão do despacho da agência que iniciou o processo de caducidade da concessão. Feitosa avaliou que não há “aparência do bom direito” nas alegações da empresa, nem possibilidade de dano de difícil reparação, condições fundamentais para o diferimento de liminar cautelar. Em sua decisão, Feitosa reforçou que a abertura do processo de caducidade não impõe danos à Enel São Paulo, mas abre nova oportunidade para a empresa apresentar seus argumentos frente à decisão da agência. Em carta, a Enel São Paulo também argumentou que a abertura do processo de caducidade inviabiliza a renovação da concessão, que já fora recomendada pelas áreas técnicas da Aneel. Entretanto, Feitosa avaliou que, mesmo com uma eventual suspensão da decisão da agência, o processo de renovação da concessão não poderia avançar, pois também está vigente uma decisão liminar decorrente de Ação Civil Pública de autoria do município de São Paulo, que impede a prorrogação da concessão até a conclusão do processo administrativo que pode resultar na caducidade e o cumprimento das medidas sancionatórias aplicadas. O diretor-geral ainda registrou que o pedido da Enel São Paulo apenas reforça argumentos já apresentados pela empresa, e que já foram avaliados e acolhidos por unanimidade pelos diretores da agência. (Megawhat)
Boom de dados triplica data centers e pressiona energia
A demanda por inteligência artificial (IA) está elevando as escalas de capacidade e de investimentos dos data centers. Projetos antes da ordem de 20 megawatts (MW) dão lugar a empreendimentos acima de 100 MW. Já os investimentos saltaram do patamar de milhões de reais para bilhões de dólares. A Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom) prevê que o mercado brasileiro de data centers triplicará até 2031. Somará US$ 92 bilhões de investimentos. Já a capacidade atual de 1 gigawatt (GW) passará para 3,1 GW. Na 11ª posição global, com 204 unidades, o Brasil enfrenta uma vulnerabilidade na soberania de dados, processando 60% de suas informações no exterior – cenário que gerou um déficit de US$ 7,9 bilhões na balança comercial de serviços de computação em 2025. Além disso, a expansão do setor pressiona o fornecimento de energia. José Felipe Ruppenthal, diretor da Telco Advisors, observa que o Operador Nacional do Sistema (ONS) tem 38 pedidos aprovados para ligação de data centers diretamente às linhas de transmissão e 37 em análise. Para viabilizar esses empreendimentos, o setor aposta no Projeto de Lei 278/2026 (Redata), que tramita no Senado para isentar impostos federais em equipamentos. Segundo Affonso Nina, presidente da Brasscom, o custo de um data center no Brasil é 34% maior que nos EUA devido à carga tributária, e o incentivo é vital para que o país se posicione como um hub entre o Sul e o Norte Global, absorvendo o mercado asiático, hoje barrado pelos americanos. (Valor)
Depois da transmissão e geração hidrelétrica de energia, chegou a vez das baterias de grande escala
O primeiro trimestre de 2026 marca a consolidação do setor elétrico como eixo central dos aportes chineses no Brasil. O fluxo de capital, que historicamente se concentrou na aquisição de ativos de transmissão e geração hidrelétrica, agora se estende para a base industrial e para novas tecnologias de armazenamento. Segundo dados do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), o segmento de energia foi responsável por 34% dos investimentos chineses no país em 2024, totalizando US$ 1,43 bilhão, e mantém a trajetória de expansão com a entrada de fabricantes de componentes e sistemas de baterias. “O Brasil reúne uma combinação muito rara de fatores: estabilidade institucional, segurança jurídica, demanda crescente por energia e um dos maiores potenciais renováveis do mundo”, diz Evandro Vasconcelos, vice-presidente de comercialização e regulatório da CTG Brasil. A State Grid, maior utility do planeta, iniciou 2026 reafirmando sua dominância absoluta. No fim do ano passado, a gigante fechou a aquisição da transmissora Mantiqueira, que pertencia à Brookfield (via Quantum Participações). A transação foi avaliada em um enterprise value de R$ 7 bilhões. O ativo opera 1.204 quilômetros de linhas em Minas Gerais, com uma Receita Anual Permitida (RAP) superior a R$ 545,5 milhões. (Valor)
Caducidade e regulação em concessões: o caso Enel SP
A decisão recente da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) sobre a Enel São Paulo recolocou em evidência uma questão central para o mercado de infraestrutura: como o regulador deve agir quando uma concessão de serviço público passa a apresentar falhas persistentes em sua execução. Em 7 de abril de 2026, a agência publicou o Despacho nº 1.214, determinando a conversão do processo fiscalizatório em processo tendente à caducidade e a suspensão da análise da renovação do contrato de concessão de distribuição de energia elétrica em São Paulo. A medida é relevante não apenas por seus efeitos imediatos, mas também porque recoloca em debate um tema estrutural: a regulação de contratos de longa duração em setores essenciais. No caso paulista, essa história começa em 1998, no contexto da reestruturação do setor elétrico. Naquele ano, a Eletropaulo Metropolitana foi arrematada pelo consórcio Lightgás, formado por AES Corporation, Houston Industries Energy, Électricité de France e CSN, dando origem ao Contrato de Concessão nº 162/1998 Aneel. É esse contrato, em essência, que permanece no centro da controvérsia atual. Esse ponto merece destaque porque corrige uma percepção imprecisa ainda recorrente no debate público. Não se discute um contrato novo, mas a execução continuada, ao longo de quase três décadas, do mesmo vínculo contratual, ainda que submetido a aditivos e a alterações no controle societário da concessionária. (CNN Brasil)
Governo aciona vencedores do LRCap 2026 para antecipar geração
O Ministério de Minas e Energia (MME) acionou quatro empresas vencedoras do Leilão de Reserva de Capacidade de 2026 (LRCap) para avaliar a antecipação, já para agosto deste ano, da entrada em operação de usinas termelétricas contratadas nos produtos 2027 e 2028, em meio a medidas preventivas para garantir o atendimento do Sistema Interligado Nacional (SIN). No início de abril, o Ministério de Minas e Energia (MME) publicou portaria que revisa sua agenda regulatória para o período de 2025 a 2027, com uma previsão para antecipação da entrada em operação das usinas contratadas no LRCap. Em ofício enviado às empresas nesta terça-feira, 28 de abril, a pasta destacou que a necessidade dessa antecipação para o SIN, bem como sua viabilidade técnica, será objeto de análise do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), cujos resultados serão submetidos à avaliação do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE). Nesse contexto, para que seja realizado o estudo de viabilidade, o MME pediu manifestações para os agentes, até o dia 15 de maio de 2026, acerca de eventual interesse em antecipar seus contratos dos LRCAPs 2026, para início de operação em agosto de 2026, mantendo-se todas as demais cláusulas do contrato original, inclusive as relativas às penalidades por atraso no início da operação comercial do empreendimento. A consulta preliminar não vinculante sobre a antecipação dos contratos foi enviada para as usinas termelétricas Usinas Porsud I, Porsud II, Karkey 013 e Karkey 019, da Karpowership Brasil Energia; Termoceará Diesel, Três Lagoas e Termomacaé, da Petrobras; usinas Araucária e Uruguaiana I, da Âmbar Energia; e a Termocabo Gás, da Termocabo. (Megawhat)
Mudanças em 72 horas no LRCap elevam insegurança e críticas no setor
Críticas à condução do leilão de capacidade (LRCap), mudanças de última hora no preço-teto e dúvidas sobre isonomia entre fontes marcaram a audiência pública da Câmara dos Deputados realizada nesta terça-feira, 28 de abril. Parlamentares e representantes da indústria apontaram riscos à segurança jurídica e à atração de investimentos, enquanto geradores defenderam a urgência de ampliar a flexibilidade do sistema, com destaque para o papel de baterias, hidrelétricas e termelétricas, diante do avanço das renováveis e do aumento dos cortes de geração. Realizado em março, o leilão envolveu a contratação de 19,5 GW em todo o país, no período de 2026 a 2031. A audiência foi convocada pelo deputado Danilo Forte (Progressistas/CE), que criticou a exclusão de algumas fontes renováveis no leilão e o próprio Ministério de Minas e Energia, por ter dobrado o preço-teto da disputa apenas 72 horas antes do leilão. “A sociedade precisa saber quem autorizou esse aumento de preço em 72 horas, e quem impediu o acesso à implantação de um sistema moderno de baterias para colocar de novo o Brasil na sua vocação natural da transição energética”, afirmou. Juliano Bueno, conselheiro do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) e diretor do Instituto Arayara, também comentou as mudanças dos preços e levantou questionamentos sobre a isonomia no tratamento entre as diferentes fontes de geração, já que houve alterações para usinas térmicas e não houve reajustes equivalentes para hidrelétricas. A percepção, nesse caso, é de um possível favorecimento. (Megawhat)
Representação no MPF questiona legalidade e transparência do LRCap 2026
O Sindienergia do Rio Grande do Norte protocolou representação, com pedido de medidas cautelares, no Ministério Público Federal (MPF), diante de indícios de “graves irregularidades e inconsistências” identificadas no planejamento, na parametrização e na execução do leilão de reserva de capacidade de 2026. O protocolo foi registrado em 27 de abril de 2026 e foi encaminhado à 3ª Câmara de Coordenação e Revisão do MPF, responsável por temas relacionados a consumidor, ordem econômica, meio ambiente e políticas públicas federais. A representação não questiona a necessidade de o Brasil contratar mecanismos de segurança para o sistema elétrico. O ponto levantado pelo sindicato é se esse leilão específico foi estruturado com legalidade, transparência, proporcionalidade, concorrência efetiva e respeito à modicidade tarifária. O LRCap 2026 contratou cerca de 19,5 GW de potência, com predominância de termelétricas a gás natural e participação de usinas a carvão. Segundo a representação, o “impacto potencial ao consumidor é bilionário” e poderá se refletir nas tarifas de energia elétrica por muitos anos. “O Brasil precisa de segurança energética, mas segurança energética não pode ser sinônimo de contrato caro, pouco competitivo e tecnicamente mal explicado. O consumidor brasileiro não pode ser chamado a pagar uma conta dessa magnitude sem que todas as alternativas tenham sido avaliadas com transparência”, afirma Jean Paul Prates, presidente do Sindienergia-RN. (Megawhat)
TCU julgará mérito do LRCap antes da homologação de contratos
A Unidade de Auditoria Especializada em Energia Elétrica e Nuclear (AudElétrica) do Tribunal de Contas da União defendeu melhorias no preço-teto dos futuros leilões de reserva de capacidade como uma forma de reduzir incertezas e evitar a repetição de problemas observados no certame realizado em março deste ano. Durante participação em audiência pública na Câmara dos Deputados sobre o assunto, Marcelo Freire, auditor-chefe da AudElétrica, não conseguiu responder se o preço-teto final do certame foi majorado, destacando que a “falta de clareza sobre o tema” indica a necessidade de um aprimoramento na metodologia de formação de preço. “O TCU é capaz de contribuir para isso, junto ao Ministério de Minas e Energia e à Empresa de Pesquisa Energética e, havendo leilões futuros, podemos trazer esse aprimoramento na formação do preço teto”, comentou. Ele também destacou que a corte de contas deverá julgar o mérito do leilão de reserva de capacidade do setor elétrico antes de 21 de maio, data prevista para a homologação dos primeiros contratos, com o objetivo de esclarecer, da melhor forma possível, as dúvidas que ainda pairam sobre o certame, ao menos no âmbito de competência do tribunal. Segundo Freire, usinas vencedoras do produto 2026 terão sua habilitação realizada até o dia 30 de abril. Já vencedores do produto 2027 em diante têm habilitação prevista para 22 de maio e a homologação e adjudicação para 11 de junho. A audiência também contou com a participação do superintendente-adjunto da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Caio Leocárdio, que explicou que a alteração no preço-teto decorreu da incorporação de evidências recentes do cenário internacional, marcado pela elevação dos custos de capital, equipamentos e financiamento. (Megawhat)
Até 2,5 GW do leilão de capacidade ficam com grupos sem histórico no setor
Entre 2 GW a 2,5 GW de capacidade contratada no Leilão de Reserva de Capacidade – LRCap de 2026 (o equivalente a cerca de 10% a 13% dos 18,97 GW negociados) estão nas mãos de empresas sem histórico operacional em termelétricas, segundo levantamento feito pela CNN a partir dos dados do próprio leilão. O perfil destas empresas está no centro das investigações do TCU (Tribunal de Contas da União) sobre as chamadas “geradoras de papel” e tem chamado atenção de diversos players ouvidos pela reportagem em condição de anonimato. Os dados indicam que esse montante inclui tanto projetos ligados a grupos já mencionados em representações do Ministério Público junto ao TCU quanto empreendimentos associados a novos entrantes sem atuação conhecida ou consolidada no setor de geração térmica. A análise dos vencedores aponta duas frentes potenciais de preocupação. A primeira é o risco de execução de novos entrantes sem histórico operacional. A segunda, mais sensível, envolve cerca de 1,68 GW com investimentos estimados em R$ 8 bilhões, segundo representação do Ministério Público, associados à EPP, ION, GPE e Celba. No documento, o MP aponta ainda que essas podem integrar um mesmo grupo econômico, apesar de terem participado do leilão como concorrentes, o que, segundo o órgão, pode representar afronta às regras do certame e à legislação concorrencial em um certame que envolve mais de meio trilhão de reais em contratos de longo prazo. O caso da EPP (Evolution Power Partners) se destaca: após vencer o leilão de 2021, a empresa vendeu o projeto para a Âmbar (J&F), repetindo estratégia que, em certames anteriores, resultou na transferência de ativos para portfólios da New Fortress. (CNN Brasil)
MME lança consulta pública do Plano Nacional de Transição Energética
O Ministério de Minas e Energia (MME) lançou, nesta quarta-feira (29/4), a consulta pública do Plano Nacional de Transição Energética (Plante). O Plano de ação interministerial do Governo do Brasil busca transformar a produção e o consumo de energia nos próximos 30 anos. O Plante foi elaborado em um processo participativo, com amplo envolvimento do Governo, da sociedade civil e do setor produtivo, envolvendo mais de 40 instituições representadas no Fórum Nacional de Transição Energética (Fonte). A secretária substituta de Transição Energética e Planejamento do MME, Lorena Perim, destacou que o Plano é fruto do amplo engajamento de diversas partes interessadas e sua construção é baseada em evidências. “Com planejamento como eixo central, o Plante orienta uma transição que contribui para a neutralidade de emissões, amplia o acesso à energia limpa e de qualidade, gera oportunidades e assegura um sistema energético seguro, confiável e resiliente, sem deixar ninguém para trás”, afirmou. Apresentado em dois volumes: um com diretrizes estratégicas e outro, o “Caderno de Ações”, com as etapas do primeiro ciclo (2026-2029), o plano está estruturado em três pilares temáticos que se apoiam entre si, sistematizando 15 blocos de ação e cerca de 200 iniciativas: Pilar 1: Segurança e Resiliência Energética; Pilar 2: Justiça Energética, Climática e Ambiental; Pilar 3: Energia Competitiva para uma Economia de Baixo Carbono. (MME Notícias)
Governo lança plano para organizar transição energética e reduzir incertezas
O Ministério de Minas e Energia (MME) lançou nesta quarta-feira, 29 de abril, a consulta pública do Plano Nacional de Transição Energética (Plante), instrumento que organiza as ações do governo para o setor até 2055 e busca transformar metas de longo prazo em um roteiro operacional com ciclos de implementação de quatro anos. Coordenado pelo MME com apoio técnico da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), o plano reúne 68 ações e cerca de 200 iniciativas distribuídas em três pilares — segurança energética, justiça energética e economia de baixo carbono — e tenta dar execução a uma agenda já pulverizada em políticas como o Plano Clima, o Plano Nacional de Energia (PNE) 2055 e a Nova Indústria Brasil. O Plante funciona como um “plano de ação” da transição energética, detalhando o que precisa ser feito, por quem e em que prazo, com base nos cenários de longo prazo do planejamento energético. O documento foi colocado em consulta pública, de 45 dias, antes de seguir para aprovação do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). A proposta prevê monitoramento contínuo, relatórios anuais e revisão a cada quatro anos, permitindo ajustes diante de mudanças tecnológicas, econômicas e geopolíticas. A secretária de Transição Energética e Planejamento, Lorena Perim, reforçou que o documento nasce da necessidade de conectar os diversos instrumentos existentes. (Megawhat)
Governo lança consulta pública do Plano Nacional de Transição Energética
O Ministério de Minas e Energia (MME) lançou, nesta quarta-feira (29), a consulta pública do Plano Nacional de Transição Energética, o Plante. O objetivo central do documento, segundo a pasta, é traçar um plano de ações, com horizonte de longo prazo, para alcançar a neutralidade de emissões de gases do efeito estufa no setor energético de forma “equilibrada”, garantindo desenvolvimento econômico com segurança e justiça social. Segundo as projeções usadas como base para o plano, o Brasil tem capacidade de alcançar 81% de fontes renováveis na matriz energética até 2055, com potencial de ter 99% das fontes renováveis no sistema elétrico até esse horizonte. Os dados são cenários traçados no Plano Nacional de Energia (PNE) 2055. Em 2024, segundo dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), as energias renováveis representaram 50% da matriz energética brasileira. Já a matriz elétrica nacional possuía, naquele ano, um índice de 88,2% de renovabilidade, chegando num patamar de geração limpa de 90,4%, se considerada as usinas nucleares. O plano faz parte da Política Nacional de Transição Energética, criada em agosto de 2024, por meio de resolução do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), órgão de assessoramento da Presidência da República para formulação de políticas e diretrizes energéticas no Brasil. O projeto está estruturado em três pilares: segurança e resiliência energética; justiça energética, climática e ambiental; e energia competitiva para uma economia de baixo carbono. Com horizonte de longo prazo, de 30 anos, o documento é dividido em ciclos de quatro anos, alinhados ao ciclo típico de políticas públicas. Esses intervalos, segundo o ministério, permitem monitorar ações e avaliar resultados com base nos cenários do Plano Nacional de Energia. (Valor)
Plano de transição energética prevê ações para ampliar baterias e biocombustíveis até 2029
O Plano Nacional de Transição Energética (PNTE) do governo Lula (PT) prevê medidas a serem implementadas até 2029 para que o país amplie o uso de fontes renováveis e avance na redução das emissões de gases de efeito estufa nas próximas décadas. O documento, submetido a consulta pública nesta quarta-feira (29), reúne mais de cem ações. Entre elas estão incentivos ao armazenamento de energia —como o leilão de baterias prometido pelo governo—, aumento do uso de biocombustíveis, ampliação da eletrificação nos transportes e fomento a tecnologias de captura de carbono. O plano não estabelece metas obrigatórias, mas define diretrizes para orientar políticas públicas e investimentos no setor. Segundo as projeções, o país pode chegar a 2055 com até 81% da matriz energética composta por fontes renováveis e até 99% da geração elétrica limpa, além de reduzir a dependência do petróleo. Hoje, 51% da matriz energética do Brasil vem de fontes renováveis. No sistema elétrico, 91%. Segundo o documento, a transição energética brasileira deve buscar “reduzir as emissões relativas ao setor energético, mas também atender à grande expansão da demanda por energia com segurança, confiabilidade e resiliência aos efeitos da mudança do clima, assim como combater as desigualdades no acesso aos serviços energéticos”. (Folha)
Embora o Brasil tenha uma matriz energética mais limpa que a média global e grande potencial em renováveis, ainda enfrenta entraves para se consolidar como líder na transição energética, segundo autoridades e especialistas reunidos no evento “O Brasil como potência na energia limpa”, nesta quarta-feira, em Brasília. Entre os pontos apontados como gargalos estão baixo adensamento da cadeia produtiva do setor — painéis solares e turbinas eólicas são em sua maioria fabricados fora do Brasil — desafios na exploração de minerais críticos e dificuldades na inclusão de riscos sociais e ambientais na decisão de investimentos em empreendimentos minerais e de energia renovável. A primeira mesa, “O lugar do Brasil no mapa global da transição”, discutiu como o Brasil é visto hoje no cenário internacional da transição energética, analisando suas vantagens comparativas (matriz elétrica limpa, recursos naturais e escala) e os limites que ainda impedem o país de se consolidar como liderança global. (O Globo)
Planejamento de longo prazo, fomento à inovação, ajustes regulatórios, racionalização de subsídios e formação de mão de obra são os elementos cruciais para que o Brasil transforme seu potencial na transição energética em resultados concretos para o desenvolvimento econômico. Esses elementos são também necessários para que o país alcance a neutralidade de emissões de gases de efeito estufa até 2050, compromisso estabelecido perante o Acordo de Paris e reforçado pelo Plano Nacional de Transição Energética (Plante), lançado pelo governo federal nesta quarta-feira. O país já parte de uma posição privilegiada, com abundância de recursos naturais e um alto percentual de fontes renováveis tanto na matriz elétrica quanto energética, segundo especialistas que participaram do segundo painel do evento “O Brasil como potência na energia limpa”, iniciativa do Valor Econômico e do Globo. Transformar as vantagens comparativas em competitividade, contudo, passa por olhar o planejamento do setor elétrico e de combustíveis não só pela ótica da oferta de energia, mas também pela demanda. — Hoje, com os conflitos geopolíticos em curso, os países estão olhando com mais carinho para a eletrificação, para reduzir a dependência da importação de combustíveis fósseis — diz Bruna Mascotte, senior partner na Catavento Consultoria. (O Globo)
MME destaca modernização das redes e segurança energética em debate sobre futuro do setor elétrico
O Ministério de Minas e Energia (MME) participou, nesta quarta-feira (29/4), do evento “Redes do Amanhã: Regulação, Investimentos e Novas Demandas do Setor Elétrico”, que reuniu representantes do setor para debater a defesa de um sistema elétrico mais moderno, resiliente e preparado para responder às transformações tecnológicas, climáticas e regulatórias em curso no país. Participando do painel da abertura, o secretário Nacional de Energia Elétrica, João Daniel Cascalho, destacou que o avanço do setor depende não apenas da expansão da infraestrutura, mas também do fortalecimento da coordenação entre os diversos agentes responsáveis pela formulação e execução das políticas públicas. “O Ministério tem atuado para consolidar um ambiente de maior previsibilidade e segurança para os investimentos. Estamos ampliando o diálogo com órgãos reguladores, parlamento e demais agentes do setor energético para garantir que as decisões estruturantes ocorram de forma coordenada, com estabilidade e foco no interesse público”, afirmou. O setor elétrico brasileiro vive um momento de transformação estrutural, que exige uma visão integrada entre planejamento, operação, regulação, contabilização e gestão dos contratos nos ambientes regulado e livre. Nesse contexto, a digitalização das redes, a modernização dos sistemas de distribuição e a incorporação de inteligência aos processos tornam-se elementos centrais para assegurar eficiência, flexibilidade e capacidade de resposta rápida diante do crescimento da geração distribuída, da inserção de fontes renováveis variáveis e da mudança no perfil do consumidor. (MME Notícias)
El Niño em 2026 deve mudar dinâmica de preços entre submercados, diz consultoria
A possível consolidação do El Niño no segundo semestre de 2026 deve reposicionar o subsistema Sul na formação de preços de energia no Brasil, com a expectativa de chuvas mais intensas na região e redução no Norte e Nordeste. O cenário pode ajudar a aliviar pressões pontuais sobre os preços, mas o meteorologista Mateus Nunes, da consultoria meteorológica Tempo OK, lembra que outros fatores também podem impactar a formação de preços, que segue condicionada a fatores estruturais, como os níveis de armazenamento no Sudeste, o despacho de termelétricas, o comportamento da carga e eventuais restrições operativas do sistema. O El Niño deve alterar o regime de chuvas no país, com maior concentração de precipitações no Sul e aumento da frequência de eventos intensos, enquanto áreas do Norte e do Nordeste tendem a registrar redução de chuvas. O fenômeno também está associado a temperaturas acima da média em grande parte do país, especialmente no Centro-Leste e no interior, o que pode elevar a demanda por energia. No sistema elétrico, a dinâmica do Sul é influenciada pelas características de seu parque hidrelétrico, composto majoritariamente por usinas a fio d’água, com baixa capacidade de armazenamento e resposta rápida às variações de vazão. De acordo com a Tempo Ok, esse perfil permite recuperação mais acelerada dos níveis de geração em períodos chuvosos. (Megawhat)
Não existe crise no mercado de energia, diz presidente da CCEE
O presidente da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), Alexandre Ramos, descartou a existência de uma crise no mercado livre de energia. Para ele, “crise” é uma palavra “totalmente não pertinente” para descrever o momento atual. “Na nossa visão, não existe essa questão. É uma questão conjuntural”, afirmou nesta quarta-feira, 29 de abril, durante o Encontro CCEE Segurança de Mercado, realizado em São Paulo. A avaliação contrasta com o diagnóstico de parte do mercado, que aponta escassez de oferta e deterioração da confiança de crédito entre comercializadoras. Em abril, as comercializadoras Electra e Tradener recorreram à Justiça para suspender penalidades da CCEE e renegociar contratos. Em painel realizado no Aquecimento do MinutoMega Talks, no início de abril, o diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) Gentil Nogueira e o diretor de Segurança do Mercado da CCEE, Eduardo Rossi, comentaram que faltavam elementos técnicos que comprovassem desequilíbrios relevantes no mercado e mostrassem falta de liquidez. Nesta quarta-feira, 29 de abril, no evento da CCEE, o diretor da Aneel falou em “crise” no mercado e ressaltou um manifesto que comercializadores e consumidores de energia divulgaram nesta semana, pedindo ao governo avanços na regulamentação da flexibilização da obrigatoriedade de contratação integral no mercado livre, para aumentar a liquidez no mercado. (Megawhat)
Mercado de arbitragem de preços não é mais sustentável, diz diretor da Aneel
A transformação da matriz elétrica brasileira e a abertura progressiva do mercado de energia estão mudando as condições de operação das comercializadoras de forma estrutural. Para o diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) Gentil Nogueira, o modelo de negócio baseado em arbitragem de preços entre o mercado livre e o mercado regulado perdeu as condições que o sustentavam. Durante participação no Encontro CCEE Segurança de Mercado nesta quarta-feira, 29 de abril, o diretor afirmou que, com a expansão do universo de consumidores potencialmente livres, a diferença de preço entre os dois ambientes tende a se reduzir. “A hora que todo mundo é potencialmente livre, esses preços vão ser próximos um do outro ou quase iguais”, disse. A consequência direta, segundo ele, é que as comercializadoras precisarão agregar valor de outras formas. “O comercializador tem que entender que ele não vai poder trabalhar só buscando o agente potencialmente livre.” Gentil reforçou que a abertura do mercado foi desenhada para beneficiar o consumidor final, não para ampliar o espaço de atuação das comercializadoras. “Ninguém quis fazer a abertura de mercado para ajudar comercializadores. A gente quis fazer a abertura de mercado para os consumidores terem a oportunidade de sair”, afirmou. No mesmo painel, o diretor antecipou que a Aneel pode concluir ainda neste ano tanto a consulta pública sobre o aprimoramento do monitoramento prudencial quanto a consulta pública do processo sancionador do mercado. A expectativa é que ambos sejam votados no quarto trimestre de 2026, de forma coordenada. (Megawhat)
Encargos que oneram tarifa de energia elétrica cresceram 300% em 15 anos, mostra Aneel
O diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Sandoval Feitosa, voltou a alertar, nesta quarta-feira (29/4), sobre o crescimento exponencial de subsídios, encargos setoriais e políticas públicas que oneram a tarifa de energia elétrica. Nos últimos 15 anos, houve crescimento de 300% de encargos, de acordo com os dados apresentados. “Ao longo de todo esse período não houve nenhum projeto aprovado que reduzisse estruturalmente a tarifa de energia”, declarou. Sandoval Feitosa falou sobre o tema durante participação no evento “Redes do Amanhã”, da Exame e PSR. A tarifa de energia elétrica é formada com base nos custos de componentes financeiros, encargos setoriais, transmissão e geração de energia, dentre outros fatores que impactam nas revisões ou reajustes periódicos. A Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), concentrando diversos subsídios, é o principal fator de pressão sobre as tarifas. A proposta de orçamento para a CDE 2026 totalizou R$ 52,7 bilhões. Desse valor, R$ 47,8 bilhões são referentes à parcela custeada pelos consumidores por meio da tarifa de energia elétrica. O governo conseguiu aprovar no ano passado um limite para o crescimento dessa conta setorial, embora o teto seja considerado muito elevado na avaliação de entidades que representam os consumidores. A CDE terá uma limitação de despesas permanente correspondente ao orçamento definido para 2026. (Eixos)
Abraceel questiona inclusão de usina que teria distorcido preço da energia
A ABRACEEL (Associação Brasileira de Comercializadores de Energia) enviou uma carta à ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) questionando a inclusão de uma hidrelétrica nos programas de operação do setor elétrico, que teria provocado distorções na formação do preço da energia nesta semana. Segundo a associação, a inclusão da hidrelétrica Foz do Prata no PMO (Programa Mensal da Operação) de maio gerou um “impacto desproporcional na formação dos preços”. De propriedade da Creal, a usina, com potência de 49 MW, está em construção no rio da Prata, entre os municípios de Veranópolis e Nova Roma do Sul, na Serra Gaúcha, e só deve entrar em operação em 2030. De acordo com reportagem da Reuters, que ouviu comercializadoras sob anonimato, a decisão do ONS (Operador Nacional do Sistema) de incluir a usina resultou em um aumento inesperado de cerca de R$ 80/MWh no preço da energia. A imprevisibilidade dos preços está no centro da crise enfrentada pelo mercado livre de energia. Agentes têm questionado mudanças no modelo de formação de preços, que vêm resultando em maior volatilidade e patamares mais elevados. Esse cenário tem pressionado as estratégias das comercializadoras, que enfrentam dificuldades financeiras para honrar contratos. Como consequência, diversas empresas recorreram à recuperação judicial para manter suas operações. A ABRACEEL questionou o ONS (Operador Nacional do Sistema) quanto ao cumprimento das regras de governança do setor elétrico, que determinam que a inclusão de empreendimentos em expansão no deck do PMO deve ocorrer apenas após avaliação do CMSE (Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico) e com divulgação pública. Em resposta, o ONS afirmou que o rito está sendo cumprido e que a homologação posterior à realização do PMO ocorreu devido ao descasamento com a reunião ordinária do CMSE, realizada no início de cada mês – portanto, após o fechamento do programa. (Cana Solar)
MMGD sob pressão: o Brasil flerta com um cerco regulatório à energia solar
O setor solar faria mal em tratar como um ajuste rotineiro o movimento regulatório que se abriu na ANEEL. O que está em consulta pública não é apenas um retoque técnico. O pacote discute combate à alteração à revelia em MMGD, restrições sistêmicas para novas conexões, maior flexibilidade operativa e aperfeiçoamentos no Plano de Gestão de Excedentes, com prazo de 45 dias para contribuições. O combate a condutas efetivamente irregulares é legítimo e necessário. Ninguém sério no setor defende ampliação clandestina de potência, adulteração cadastral ou fracionamento artificial para preservação indevida de benefícios regulatórios. O ponto crítico é outro: o risco de que a repressão ao caso irregular seja usada para impor um ambiente mais restritivo à MMGD regular, que se conectou e investiu sob as regras vigentes. O voto traz elementos suficientes para esse alerta. Ele menciona auditoria obrigatória pelas distribuidoras, priorizando minigerações e casos com maior desvio entre a potência autorizada e a efetivamente injetada na rede. Também admite maior clareza normativa para suspensão do fornecimento ou desligamento da geração, simplificação da negativa de conexão em regiões já consideradas inviáveis pelo ONS e revisão da noção de potência instalada aplicável à MMGD fotovoltaica. Isso não é trivial. É uma discussão com efeito potencial sobre acesso, permanência e previsibilidade do segmento. (Canal Solar)
Consulta pública para discurtir créditos vencidos de GD
A ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) abriu a consulta pública para definir o tratamento regulatório e contábil dos créditos vencidos de GD (micro e minigeração distribuída), que deverão ser revertidos à modicidade tarifária. A proposta atende à Lei 14.300/2022 – o Marco Legal da GD – que estabelece que os créditos de energia excedente têm validade de 60 meses e, após esse período, devem ser utilizados para reduzir a conta de luz dos consumidores. “A Agência pretende padronizar os lançamentos contábeis e a regulamentação dos créditos de GD, com a definição da forma de repasse desses créditos expirados”, informou a ANEEL. Na segunda-feira, o Canal Solar já havia antecipado que a Agência provavelmente deliberaria pela abertura da consulta pública. O objetivo é garantir que os recursos provenientes de créditos não utilizados pela GD deixem de ser uma obrigação das distribuidoras com consumidores individuais e passem a beneficiar o conjunto dos usuários do sistema elétrico. (Canal Solar)
Aneel punirá ‘duramente’ irregularidades na geração distribuída, afirma diretor-geral
O diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Sandoval Feitosa, voltou a comentar, nesta quarta-feira (29/4), que a reguladora vai punir “duramente” eventuais irregularidades na geração distribuída, especificamente sobre os casos de aumentos de potência elétrica sem a devida autorização. Ele falou com jornalistas durante o evento “Redes do Amanhã”, evento promovido pela Exame e PSR. A reguladora quer combater as situações de grandes desvios entre a potência autorizada e o que é efetivamente injetada na rede elétrica. Isso também gera preocupações de segurança. A geração distribuída (GD) engloba instalações que não são geridas diretamente pelo Operador Nacional do Sistema (ONS). Na semana passada foi fixado um prazo de 60 dias para a realização de um diagnóstico sobre os casos de aumentos de potência elétrica sem a devida autorização, com foco nas chamadas minigerações distribuídas. Segundo a análise do ONS, há um montante de 14 gigawatt (GW) a mais em relação ao que foi efetivamente formalizado. “Foi dado um prazo para as distribuidoras em 60 dias identificarem e corrigirem essas eventuais irregularidades, se de fato existirem”, disse Sandoval Feitosa. Em outro tema, ele também comentou que os questionamentos apontados pelo Tribunal de Contas da União (TCU) sobre o leilão de reserva de capacidade não têm relação direta com a atuação da reguladora. (Eixos)
Huawei lança solução nativa que integra energia solar, baterias e recarga ultrarrápida
A Huawei anunciou a chegada de uma solução integrada que combina energia solar, armazenamento em baterias e recarga para veículos elétricos para a América Latina. A tecnologia já está disponível para compra. O anúncio foi feito durante o Latam Mobility 2026, quando a companhia apresentou o sistema PV+ESS+Charger como uma alternativa para acelerar a expansão da eletromobilidade no continente. A solução reúne três tecnologias em um único sistema: geração fotovoltaica, armazenamento de energia e carregadores ultrarrápidos refrigerados a líquido, projetados para evitar superaquecimento. A arquitetura é modular, permitindo a implementação sem necessidade de ampliação da capacidade da rede elétrica e viabilizando uma operação com maior autonomia. Em nota, a empresa destacou que, diferentemente das soluções fragmentadas atuais – em que projetos utilizam equipamentos de diferentes fabricantes e dependem de softwares para integração -, a proposta reúne todas as tecnologias em um único sistema, com hardware e software próprios. Para aplicações de pequeno a médio e grande porte, a empresa garante que a tecnologia pode ser utilizada em locais como shoppings, supermercados, centros urbanos, parques corporativos e universidades. Para operações de maior escala, a fabricante afirma oferecer estações híbridas com capacidade de até 5 MWh, voltadas a segmentos como, logística pesada e transporte coletivo. Segundo Bruno Zavaleta, diretor de desenvolvimento de negócios da Huawei Digital Power para a América Latina, a proposta da tecnologia é contornar limitações da infraestrutura elétrica e viabilizar o carregamento ultrarrápido de forma mais eficiente e escalável. (Canal Solar)
Energia: Ameaça ronda as fontes que mais geram empregos, reduzem emissões e atraem investimentos
Falar em racionalidade tarifária na energia exige transparência sobre o que está sendo colocado no prato do consumidor. É como avaliar a qualidade da alimentação olhando apenas as calorias, sem conhecer os ingredientes. Muitos consomem produtos ultraprocessados acreditando fazer uma boa escolha, simplesmente porque desconhecem o que há por trás do rótulo. Quando as informações são incompletas — ou apresentadas fora de contexto ,— a conclusão pode parecer lógica, mas se apoia em premissas frágeis. No debate sobre os encargos do setor elétrico, algo semelhante ocorre. Para ampliar a transparência, a Aneel lançou o subsidiômetro, que apresenta os custos associados a diferentes componentes da conta de luz. Contudo, a própria agência reconheceu, na Nota Técnica SGT/Aneel nº 188/2019, limitações na metodologia utilizada para calcular os valores relacionados à geração distribuída (GD), por se tratar de estimativas. Ainda assim, alguns setores passaram a tratar esses números como diagnóstico definitivo. Tal abordagem ignora aspectos centrais. A conta de luz é formada pela compra de energia, custos de transporte, perdas elétricas, tributos e encargos setoriais. O valor consolidado não diferencia incentivos temporários de subsídios estruturais nem apresenta visão histórica sobre quanto cada fonte recebeu ao longo das décadas. Sem isso, o debate sobre justiça energética fica comprometido e já nasce distorcido. (Estdão)
Em audiência pública, ANEEL reforça intenção de elevar conta de luz no Paraná em 19%
A ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) realizou, nesta quarta-feira (29), uma audiência pública em Curitiba (PR) para discutir o reajuste tarifário da Copel (Companhia Paranaense de Energia), distribuidora que atende cerca de 5,29 milhões de unidades consumidoras no Paraná. O encontro ocorreu na UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná) e reuniu 180 participantes, entre representantes de conselhos de consumidores, distribuidoras, sindicatos, especialistas do setor, membros da academia e autoridades do poder público estadual e municipal. A audiência foi presidida pelo diretor da ANEEL, Fernando Mosna, que apresentou os índices propostos pela Agência para entrarem em vigor a partir de 24 de junho. O valor médio apresentado é o mesmo divulgado na abertura da consulta pública do dia 7 de abril, quando a Agência indicou um reajuste de 19,20% nas tarifas de energia no estado. Durante o evento, parte dos participantes questionou o aumento proposto, com destaque para representantes do Sistema FAEP. Presidentes de sindicatos rurais e agricultores de diferentes regiões do Paraná afirmaram que o setor agropecuário enfrenta problemas recorrentes no fornecimento de energia elétrica. Apesar da realização da audiência, a Agência informou que a consulta pública segue aberta para contribuições da sociedade até o dia 22 de maio, por meio de intercâmbio documental, antes de qualquer decisão final. (Canal Solar)
Senado adia projeto que limita reajuste de energia em Roraima à inflação
A Comissão de Infraestrutura (CI) do Senado Federal adiou a votação do projeto de lei que altera o cálculo das tarifas de energia elétrica em Roraima. A proposta tem como objetivo conter os aumentos considerados elevados após a integração do estado ao Sistema Interligado Nacional (SIN), com regime regulatório compensatório especial pelo prazo mínimo de dez anos. De autoria do senador Mecias de Jesus (Republicanos/RR), o PL n° 170/ 2026 prevê que a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) adote uma metodologia de reajuste tarifário limitada à inflação, buscando maior previsibilidade e moderação nos preços da energia para os consumidores do estado. Em janeiro, a Aneel aprovou o reajuste tarifário anual da Roraima Energia, com impacto médio de 24,13%. O aumento é explicado majoritariamente pela elevação dos custos de compra de energia, das despesas com transporte de combustível e pela incorporação de componentes financeiros acumulados no período regulatório. Diante disso, foi apresentado um requerimento do senador ao Ministério de Minas e Energia (MME) para esclarecer os critérios técnicos e regulatórios da decisão. Em seu pedido, Mecias pontuou que, com a recente integração ao SIN, o governo federal estima uma economia anual superior a R$ 600 milhões, podendo passar de R$ 1 bilhão. (Megawhat)
Cemig é incluída pela 26ª vez no Índice Dow Jones Best in Class (DJ BIC)
A Cemig foi incluída na edição 2025 do Índice Dow Jones Best in Class (DJ BIC), um dos mais importantes do mundo, juntamente com outras nove empresas do setor elétrico mundial. Com base na análise de desempenho dos pilares de sustentabilidade, o DJ BIC lista as empresas que se destacam por suas práticas de gestão social, ambiental e econômica. São 26 anos consecutivos que marcam a permanência da companhia como a única empresa do setor elétrico fora da Europa a fazer parte do índice desde a sua criação, em 1999. A nova composição do Dow Jones Best-in-Class World Index reúne apenas as empresas com melhor desempenho em sustentabilidade no mundo. Para isso, mais de 2.500 companhias de diferentes setores e países são avaliadas, e somente as 10% mais bem classificadas em seus respectivos segmentos são selecionadas para integrar o índice. Estar entre essas 10% significa que a empresa está no grupo de excelência global, com práticas de gestão social, ambiental e econômica consideradas referência internacional. Anualmente, a composição do índice é renovada, sendo uma referência mundial para investidores e agências financeiras internacionais que se baseiam nesse índice para tomada de decisão em investimentos socialmente responsáveis. (O Tempo)
Em crise, Aegea deve perder poder de competição por Copasa e ser mais seletiva
A crise enfrentada pela Aegea poderá reduzir sua competitividade na privatização da Copasa (Companhia de Saneamento de Minas Gerais) e deverá levar o grupo a ser mais seletivo nos leilões de concessões, segundo o presidente, Radamés Casseb. Em conversa com o Valor, o executivo disse que a empresa segue estudando a oferta da estatal mineira e que seus acionistas continuam comprometidos em fazer aportes de recursos para viabilizar a participação na disputa. No entanto, ele reconhece que a crise vivida pelo grupo nas últimas semanas – devido ao atraso na publicação do balanço e o rebaixamento das notas de crédito – afetou a capacidade da Aegea de disputar. “O efeito de custo de capital ou de perfil de alavancagem, na constituição dessa oferta [pela Copasa], pode deixar o posicionamento de competição, eu diria, diferente do perfil tradicional que a Aegea tem participado”, afirmou o presidente. Na privatização que está sendo desenhada pelo governo de Minas Gerais, a Aegea busca adquirir 30% das ações, para levar a vaga de sócio de referência da Copasa. Em relação à entrada da Aegea em outros leilões de concessões, Casseb sinaliza uma mudança na trajetória do grupo, que nos últimos anos foi o principal vencedor das licitações: “Nos próximos grandes certames, provavelmente vamos ser mais cautelosos, dar mais ênfase no amadurecimento dos ativos [do portfólio atual].” O apetite por Copasa é uma exceção, por ser um projeto “transformacional”, segundo ele. O arranjo para a disputa envolve um aporte dos acionistas – Equipav, Itaúsa e GIC – e a entrada destes em consórcio com a Aegea. “É o combinado [entrar em sociedade], e o efeito de injetar na companhia o capital necessário para não mudar a curva de desalavancagem. Isso continua confirmado”, afirmou. O aporte está em discussão, “na reta final dos ajustes finos”, disse. (Valor)
Balanço e leniência podem ser entrave na disputa por ativo
A Aegea poderá enfrentar dificuldades para disputar a privatização da Copasa (Companhia de Saneamento de Minas Gerais), avaliam fontes do mercado ouvidas pelo Valor, sob condição de anonimato. Para além do desafio financeiro, a companhia pode lidar com entraves jurídicos decorrentes do acordo de leniência firmado em 2021 e homologado em 2025. O principal desafio, na avaliação de pessoas que acompanham o processo, é a situação financeira da empresa. Um dos requisitos para disputar a vaga de acionista estratégico é uma carta fiança de ao menos R$ 7 bilhões. O sócio de referência deverá comprar 30% da estatal. Mesmo que uma parte do valor seja financiada, o aporte demandará recursos do caixa da companhia, que já está com sua alavancagem financeira pressionada. Ao fim de 2025, o indicador pró-forma, medido pela dívida líquida sobre o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), estava em 4,51 vezes. Outro requisito definido pela Copasa que poderá gerar ruído para a Aegea é a exigência de declaração de idoneidade, com termos mais amplos do que o comum, segundo advogados. A cláusula exige que a empresa garanta que “suas controladas e seus respectivos diretores, conselheiros e, no seu melhor conhecimento, seus respectivos empregados, terceiros, agentes ou quaisquer pessoas agindo em seu nome ou benefício nunca violaram qualquer dispositivo de qualquer lei ou regulamento que proíba a prática de corrupção, de atos lesivos à administração pública, de improbidade administrativa, de lavagem de dinheiro e outros ilícitos”. (Valor)
As apostas de sindicato para questionar a privatização da Copasa
O Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Purificação e Distribuição de Água e em Serviços de Esgotos (Sindágua-MG), fechou acordo com dois especialistas em temas ligados à concessão de serviços de saneamento para questionar o processo de privatização da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa). O advogado Luiz Alberto Rocha e o economista André Locatelli vão atuar na formulação de pareceres que serão anexados a ações que reivindicam, na Justiça e no Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG), a paralisação das etapas rumo à negociação. Locatelli participou do movimento que tentou barrar, em 2023, a privatização da Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan). Ele elaborou um estudo apontando subvalorização da empresa. Já Rocha, que é professor da Universidade Federal do Pará (UFPA), é crítico do que chama de “oligopólio do saneamento”. O advogado costuma apontar a existência de concentração das concessões do setor entre poucas empresas — entre elas, a Aegea e a Equatorial, cotadas para participar da disputa pelo posto de investidor de referência da Copasa. O Sindágua-MG tem ações questionando a privatização da Copasa no Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) e no Supremo Tribunal Federal (STF). O TCE, por sua vez, chegou a abrir procedimento de ofício para acompanhar o processo de desestatização, mas também recebeu representação da deputada Bella Gonçalves (PT) com queixas quanto à venda. (O Fator)
‘Municípios precisam de parceria, não pressão’, diz presidente da AMM sobre renovação com a Copasa
O novo presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM) e prefeito de Iguatama, Lucas Vieira (PSB), afirmou que pretende adotar uma postura de diálogo e “maturidade” na relação com o governo de Minas Gerais, após os atritos entre o ex-presidente da entidade, Luís Eduardo Falcão (Republicanos), e o governador Mateus Simões (PSD). Em entrevista ao Café com Política, exibida na quarta-feira (29/4) no canal de O TEMPO no Youtube, Vieira reforçou o caráter apartidário da associação, criticou a condução da privatização da Copasa e prometeu dar continuidade ao modelo de gestão de Falcão. Questionado sobre o histórico recente de tensão entre a AMM e o governo estadual, o novo presidente da AMM minimizou possíveis impactos e disse apostar na construção institucional. “Acredito que ambos, tanto o governador e a gente tem que ter maturidade suficiente para saber separar as coisas. O objetivo da AMM, o objetivo de qualquer gestor público de Minas Gerais é fazer políticas públicas de qualidade. A gente tem que ter maturidade suficiente para deixar de lado nossas diferenças e trabalhar para o povo”, afirmou. O presidente também garantiu que a entidade não irá se envolver no processo eleitoral, mantendo neutralidade diante das disputas. “AMM já teve experiência em gestões anteriores, onde o presidente tomou partido para certa ideologia. Isso não acabou bem. Os próprios apoiadores daquela ideologia que o presidente tinha apoiado reclamaram. Isso não é o papel da AMM. Tem prefeito de direita, de esquerda, tem prefeito do PL, do PT, do centro, enfim. A AMM é apartidária. Eu falo que a ideologia da AMM é o municipalismo. A gente vai brigar para que os municípios estejam dentro do plano de governo de cada candidato”. (O Tempo)
A Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) está estruturando a aplicação de R$ 4 bilhões em recursos recuperados judicialmente com o objetivo de beneficiar diretamente a população paranaense. Entre as medidas estão a redução das tarifas e a ampliação de investimentos em infraestrutura de saneamento em diversas regiões do Estado. Os valores foram obtidos a partir de uma iniciativa da própria Sanepar, com reconhecimento na Justiça, assegurando um direito da empresa e reforçando sua capacidade de planejamento e investimento. Agora, a destinação dos recursos segue em análise técnica, dentro dos trâmites regulatórios. De acordo com o presidente da Sanepar, Wilson Bley Lipski, os recursos terão impacto direto na vida da população. “Serão utilizados para beneficiar diretamente os paranaenses — inclusive com a redução das tarifas”, afirmou. Além da redução nas contas, parte dos recursos será direcionada a obras estruturantes, como a melhoria dos sistemas de abastecimento de água e a ampliação das redes de coleta e tratamento de esgoto. “Isso significa mais saúde para as famílias, mais qualidade de vida e mais segurança para o desenvolvimento econômico”, acrescentou o presidente. O avanço recente da Sanepar reforça esse direcionamento. Entre 2018 e 2025, a cobertura de esgotamento sanitário nas áreas urbanas passou de 72,5% para 81,9%, aproximando o Paraná das metas de universalização previstas no Marco Legal do Saneamento. No mesmo período, a rede coletora de esgoto cresceu 22,6%, com a expansão de mais de 8 mil quilômetros. (Governo do Paraná)
Moro: Sanepar deve usar restituições para reduzir tarifa de água no Paraná
Em pronunciamento no Plenário nesta quarta-feira (29), o senador Sergio Moro (PL-PR) afirmou que a Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) recebeu cerca de R$ 4 bilhões em restituições tributárias, e que esse valor deveria ser utilizado para reduzir a tarifa de água no estado. Segundo Moro, as restituições aconteceram após cobrança indevida feita pela União. Ele disse que, inicialmente, a Sanepar cogitou distribuir os recursos aos acionistas na forma de dividendos, mas isso gerou críticas. O senador destacou que a Agência Reguladora do Paraná (Agepar) teria recomendado que esses valores fossem revertidos em benefício dos consumidores, diante do cenário de endividamento das famílias e dificuldades no pagamento das contas. — Por que não usar esses valores para se abater na tarifa da conta de água dos paranaenses? Porque, veja, o momento é muito oportuno: as famílias brasileiras estão endividadas, os consumidores estão sofrendo — ressaltou ele. Moro informou que, após manifestações públicas, a Sanepar reviu sua posição e passou a considerar a destinação de parte dos recursos para a redução tarifária e investimentos. Ele destacou que acompanhará a aplicação dos valores. (Senado Notícias)
Sanepar (SAPR11, SAPR4) define data de pagamento de JCP deliberado em junho e dezembro de 2025
A Sanepar (SAPR11, SAPR4) divulgou nesta quarta-feira, 29, que sua assembleia geral ordinária aprovou o pagamento dos juros sobre o capital próprio relativos ao 1º e ao 2º semestre de 2025, deliberados nas reuniões do conselho de administração de 18/06/2025 e 18/12/2025, respectivamente. O pagamento desses JCP está programado para o dia 26 de junho de 2026. Em 18 de junho de 2025 o conselho deliberou o pagamento de R$ 420,3 milhões, valor que corresponde a R$ 0,26 por ação ordinária, R$ 0,28 por ação preferencial, e a R$ 1,40 por unit. Tem direito a esses JCP quem tinha ações em 30 de junho de 2025 (data de corte). Desde 1 de julho de 2025 as ações são negociadas ex-juros. Em 18 de dezembro de 2025 o conselho deliberou o pagamento de R$ 164,9 milhões, que corresponde a R$ 0,10 por ação ordinária, R$ 0,11 por ação preferencial, e a R$ 0,55 por unit. Tem direito a esses JCP quem tinha ações em 30 de dezembro de 2025. Desde 2 de janeiro de 2026, as ações são negociadas ex-JCP. (Finance News)
A TotalEnergies está disposta até a investir em infraestrutura de novos gasodutos na Argentina, para viabilizar a integração com o mercado brasileiro, disse o diretor Comercial da Total Austral, Luciano Rojas. “A Total Austral, do lado argentino, visualiza o transporte como um ativo estratégico para desenvolver uma nova demanda. Então, forma parte da nossa estratégia de viabilizar, ajudar a viabilizar o transporte que permita, depois, vender o gás, comercializar o gás de longo prazo… Como investidora também”, afirmou o executivo, em entrevista ao estúdio eixos, durante a gas week 2026. A Total Austral é o braço da TotalEnergies que atua na área de exploração e produção de óleo e gás na Argentina, na Bacia de Neuquén, onde se encontra a formação de Vaca Muerta; e no campo de gás offshore Fênix, na costa da Terra do Fogo, no sul da Argentina. A companhia produz 38 milhões de m³/dia de gás natural na Argentina e é o principal operador privado de gás do país. A empresa já atua, historicamente, na exportação de gás argentino no mercado chileno e, desde 2025, vem testando o mercado brasileiro como um novo destino para o gás da companhia. “A nível de volumes, há muito por fazer e por incrementar, mas isso é um processo, um passo a passo”, disse. (Eixos)
Aumento na demanda termelétrica vai exigir reforços na malha de gás do Nordeste, diz TAG
O resultado do 2º leilão de reserva de capacidade (LRCAP) em março vai levar a um aumento na demanda termelétrica que exige novos investimentos na malha de gasodutos da região Nordeste, disse o diretor Comercial e Regulatório da Transportadora Associada de Gás (TAG), Ovídio Quintana, em entrevista ao estúdio eixos durante a gas week 2026. “Esses reforços sistêmicos beneficiam também o aumento da demanda não térmica na região, propiciando o crescimento da demanda”, afirmou. Segundo Quintana, os projetos que venceram o leilão já alavancam as iniciativas mapeadas no Projeto Veredas, inclusive a primeira fase, que é a construção de um trecho entre Pernambuco e Paraíba. O Projeto Veredas reúne um conjunto de intervenções na malha de gasodutos do Nordeste, como loops e a expansão de estações de compressão existentes, para expansão da capacidade de transporte de gás no Nordeste, entre Pernambuco e Ceará – trecho onde a infraestrutura encontra mais gargalos. Em relação ao processo de revisão das tarifas de transporte de gás natural, Quintana criticou a indicação da área técnica da ANP de que é possível avançar com a metodologia defendida pelos usuários, o Método do Capital Recuperado (RCM). (Eixos)
MME reforça agenda estratégica do gás natural durante evento que debate o futuro do setor
O Ministério de Minas e Energia participou, na terça-feira (28/4), da Gas Week 2026, um dos principais fóruns de discussão sobre o futuro do gás natural do país, levando ao evento a visão do Governo do Brasil para fortalecer o setor como vetor de desenvolvimento econômico e transição energética. Representando o ministro Alexandre Silveira, o secretário Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, Renato Dutra, apresentou as diretrizes que orientam a política para o gás natural com foco na ampliação da oferta, na modernização regulatória e na redução de custos para os consumidores e para a indústria. Ele destacou que o gás natural ocupa posição central na estratégia energética nacional, tanto por seu papel na descarbonização quanto pelo potencial de reindustrialização do país. “A agenda do gás é prioritária para o Governo do Brasil. Estamos trabalhando para transformar esse insumo em um instrumento de desenvolvimento capaz de reduzir custos, ampliar a competitividade e gerar empregos qualificados”, afirmou. As medidas em curso incluem o avanço regulatório nas infraestruturas de escoamento, processamento e transporte, o estímulo à oferta nacional com novos projetos estruturantes e a integração energética regional. Também foram ressaltadas iniciativas como o uso estratégico do gás da União e o fortalecimento de mecanismos para aumentar a concorrência no mercado. O MME atua para destravar instrumentos que ampliem a concorrência no setor. Entre as iniciativas está o envio de nota pública e de ofício à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) solicitando a retomada do debate sobre o gas release, mecanismo considerado essencial para equilibrar o mercado e acelerar a abertura do setor, com potencial de ampliar a oferta e favorecer a redução de preços ao consumidor. (MME Notícias)
Proposta para revisão tarifária das transportadoras de gás virá com RCM, diz relator
Relator da revisão tarifária das transportadoras de gás natural na Agência Nacional do Petróleo Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o diretor Pietro Mendes afirmou que a área técnica da agência vai defender a aplicação do RCM, o Método do Capital Recuperado, defendido pelos usuários como forma de evitar a dupla remuneração dos ativos. O relator, contudo, reforçou que a decisão caberá à diretoria colegiada. “O que eu posso dizer é que a equipe técnica hoje, e eu como relator, temos o conforto sim de continuar [com o RCM], mas isso vai ter que ser submetido à diretoria, a palavra final da ANP sempre é da diretoria colegiada”, disse Mendes durante a gas week 2026. O diretor reforçou que pretende concluir o processo de revisão tarifária até o fim do ano, mas não descarta a possibilidade de eventuais atrasos. “A gente quer terminar na verdade até agosto, mas é possível que nós tenhamos algum atraso, dado que para adotar o RCM, eu já tinha até inclusive falado isso em uma outra reunião, nós vamos fazer uma consulta pública sobre o RCM”. A consulta pública sobre a proposta de valoração da Base Regulatória de Ativos (BRA) foi concluída neste mês. Agora, a agência analisa a aplicação ou não do RCM, ponto mais controverso no processo. (Eixos)
ANP faz aceno aos usuários no processo de revisão das tarifas de transporte de gás
A área técnica da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) conseguiu reunir mais dados históricos sobre os gasodutos de transporte e está mais confortável, hoje, para propor um corte mais significativo na remuneração das transportadoras de gás natural, indicou o diretor Pietro Mendes. O que está em jogo é a discussão sobre a Base Regulatória de Ativos (BRA) e a aplicação da metodologia alternativa, o Método do Capital Recuperado (RCM), que promete reduzir a receita das transportadoras, como defendem os usuários do sistema. “O que eu posso dizer é que a equipe técnica hoje, e eu como relator, temos o conforto, sim, de continuar [com a aplicação do RCM]”, disse o diretor Pietro Mendes durante a gas week 2026, em Brasília, na quarta-feira (29/4). O diretor Comercial e Regulatório da TAG, Ovídio Quintana, reforçou as críticas à metodologia: “Na nossa visão, ela não é nem aplicável conceitualmente e nem é exequível de forma auditável e fidedigna”, disse no estúdio eixos. Além disso, o leilão de reserva de capacidade em março recontratou grande parte das termelétricas que poderiam causar uma “fuga do sistema” e afetar a demanda das transportadoras. O desfecho da revisão tarifária – que pode ajudar na redução dos preços finais de gás – chega justamente num momento delicado, com a alta das cotações no petróleo e gás em todo o mundo devido à guerra no Oriente Médio. (Eixos)
Etanol e biometano aceleram nova geração de máquinas agrícolas
A alta do diesel está acelerando a busca por alternativas energéticas no campo, e a Agrishow 2026 aparece como vitrine dessa transformação. Máquinas e tratores movidos a etanol e biometano ganham protagonismo entre os fabricantes, sinalizando uma mudança estrutural na matriz energética do agronegócio brasileiro. Entre os destaques, a Case IH, do grupo CNH Industrial, apresenta avanços consistentes em equipamentos movidos a etanol. A colhedora da linha Austoft 9000 entra em nova fase de testes em campo, após acumular mais de 600 horas de operação e colher mais de 20 mil toneladas de cana em condições reais. O projeto inclui ainda o trator Puma 230, com mais de 800 horas de validação, e a pá-carregadeira 721E a etanol, voltada para operações com bagaço de cana. Outra frente importante vem da New Holland, que apresenta o T6.180 Methane Power, primeiro trator movido a biometano disponível comercialmente no país. A tecnologia permite reduzir em até 80% as emissões de poluentes e em até 84% o CO₂, com economia de combustível que pode variar entre 25% e 40%, mantendo desempenho equivalente ao diesel. O movimento é acompanhado por outros fabricantes globais. A AGCO, com marcas como Valtra, Massey Ferguson e Fendt, avança em projetos de motores a etanol, elétricos e híbridos. A Valtra já soma mais de 10 mil horas de testes, enquanto a Massey Ferguson desenvolve um trator de alta potência com motor nacional. Já a Fendt aposta na eletrificação e em soluções híbridas. (Jornal da Cana)
Comgás vence pela terceira vez em fornecimento de gás
Em um mercado em que o gás natural enfrenta a concorrência crescente da eletrificação e das fontes renováveis de energia, a Comgás voltou a ser lembrada pelos consumidores da cidade de São Paulo como principal referência no setor. Pela terceira vez consecutiva, a empresa vence a categoria de melhor serviço de fornecimento de gás em pesquisa Datafolha. A marca foi citada espontaneamente por 37% dos moradores da capital paulista no levantamento, realizado de 5 a 13 de fevereiro deste ano. O índice é maior entre pessoas com 41 anos ou mais (47%), mais escolarizadas (43%), com renda de 10 a 20 salários mínimos (54%) e moradores da zona oeste (50%). O nível de confiança da pesquisa é de 95%, com margem de erro de três pontos percentuais para mais ou para menos. A Comgás é tricampeã e a única vencedora da categoria. Contatada, a Comgás agradeceu o reconhecimento, mas não pôde comentar o resultado da pesquisa por estar em período de silêncio, que impede a divulgação de informações ao público. Regulada pela Arsesp (Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo), a Comgás segue ciclos de cinco anos de investimentos. No plano até 2029, um dos destaques é a mobilidade, com expansão de corredores de abastecimento de GNV e biometano para frotas leves e pesadas. Já no mercado residencial, a aposta tem sido em tecnologias para apartamentos menores, com soluções como aquecedores sem chaminé tradicional e iniciativas voltadas ao conforto em áreas comuns de condomínios. A operação é monitorada 24 horas. (Folha)
Quarta-Feira 29 de Abril
Destaques: (i) Cosan lança IPO da Compass, buscando ‘market cap’ de até R$ 25 bilhões (Brazil Journal); (ii) STF julga incidência de ICMS na subvenção de energia elétrica (Valor); e (iii) Brasil pode atingir 10 GW em armazenamento de energia até 2035 (Portal Solar)
Cosan lança IPO da Compass, buscando ‘market cap’ de até R$ 25 bilhões
A Cosan acaba de lançar o IPO da Compass com uma oferta 100% secundária que pode levantar R$ 4,6 bilhões no meio de faixa indicativa e trazer para a Bolsa uma gigante de infraestrutura num dos setores com maior potencial de crescimento da economia. A oferta dará saída parcial à Cosan, que detém 88% do capital da companhia de gás, e a investidores como Bradesco Seguros, Atmos Capital, Brasil Capital e Prisma, que juntos detêm os 12% restantes. A Cosan poderá vender até 15% do capital na oferta, enquanto os demais minoritários poderão vender até 5,4% do total de ações. A faixa indicativa é de R$ 28 a R$ 35 por ação, o que se traduz num valuation de R$ 20 bilhões a R$ 25 bilhões para a companhia. No meio da faixa, o valor de mercado seria de R$ 22,5 bilhões. No midpoint, o valor de mercado seria uma valorização de cerca de 35% em relação à rodada privada que a Compass fez em 2021, quando o negócio foi avaliado em R$ 16,5 bilhões. De lá para cá, no entanto, a empresa já pagou cerca de R$ 8 bilhões em dividendos e redução de capital. No meio da faixa, a Compass está sendo avaliada a 6,6x EV/EBITDA, em linha com o múltiplo médio de utilities como Sabesp, Equatorial e Copel. A comparação, no entanto, não é perfeita. A Compass é uma empresa que importa gás pelo seu terminal de GNL em Santos, comercializa este gás no mercado livre pela Edge e o distribui no mercado regulado por sete distribuidoras estaduais – incluindo a Comgás, a maior do Brasil e hoje sua joia da coroa. Mas o maior potencial de crescimento da empresa está na Edge, sua comercializadora, dado que o mercado livre de gás tem crescido e deve continuar crescendo nos próximos anos, permitindo à Compass ganhar share junto a térmicas a gás e clientes industriais. (Brazil Journal)
STF julga incidência de ICMS na subvenção de energia elétrica
Cinco dos dez ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) votaram contra a cobrança de ICMS sobre valores pagos pela União a distribuidoras de energia como subsídio econômico referente a consumidores de baixa renda. O julgamento, porém, foi suspenso por um pedido de vista do ministro Kassio Nunes Marques. A votação ocorre no Plenário Virtual da Corte. A depender de quando for retomada, poderá somar onze votos. Isso porque o ministro Luís Roberto Barroso, hoje aposentado, não votou. Assim, o novo ministro poderá votar. De qualquer maneira, a decisão deverá ser seguida pelas instâncias inferiores do Judiciário porque o caso tem repercussão geral. No processo, o Sindicato da Indústria da Energia no Estado de São Paulo (Siesp) questiona cobrança realizada pelo Estado de São Paulo. Antes da Lei nº 10.438, de 2002, cada distribuidora de energia tinha seu próprio critério de definição dos consumidores de baixa renda, que eram submetidos à tarifa de energia elétrica menor. A tarifa do consumidor residencial compensava a de baixa renda. Com a lei, sem o subsídio cruzado, as distribuidoras alegam que passaram a ter prejuízo financeiro. A Lei nº 10.604, de 2002, estabeleceu o direito de as distribuidoras serem indenizadas pelas perdas sofridas, por meio de subvenção econômica, se comprovada a queda do faturamento em relação ao período anterior à mudança de critério instituída pela Lei 10.438. O sindicato questiona a cobrança de ICMS pelos Estados sobre os valores de indenização. (Valor)
Brasil pode atingir 10 GW em armazenamento de energia até 2035
O Brasil pode incorporar cerca de 7 gigawatts (GW) em armazenamento de energia e outros 3 GW em mecanismos de resposta da demanda até 2035, mostram projeções da Empresa de Pesquisa Energética (EPE). Esses recursos serão fundamentais para atender às necessidades de potência do Sistema Interligado Nacional (SIN), mas sua viabilização depende de um marco legal estável e de avanços regulatórios. Apresentada pela consultora técnica da EPE, por Thais Teixeira, esta projeção foi um dos temas tratados por especialistas, autoridades e agentes do setor elétrico durante o Storage Leaders, evento promovido pela Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar) em 14 de abril com as presenças de lideranças empresariais, consultores e representantes de entidades de classe e de órgãos de governo. Um dos principais pontos de atenção levantados no evento foi a urgência na contratação de flexibilidade. Projeções indicam que a carga líquida mínima do Sistema Interligado Nacional (SIN) em 2029 pode ser inferior à observada em 2024, ao mesmo tempo em que a rampa de carga tende a crescer de forma significativa, exigindo novos recursos para garantir o equilíbrio entre oferta e demanda ao longo do dia, um dos principais desafios operacionais da transição energética. (Portal Solar)
Compass Gás e Energia, dona da Comgás, deve quebrar jejum de IPOs e ir à Bolsa avaliada em R$ 25 bi
A Compass Gás e Energia deve colocar fim ao jejum de mais de quatro anos sem ofertas iniciais de ações (IPO, na sigla em inglês) no Brasil. Sua abertura de capital, cujo valor será conhecido na quinta, 7, pode fazer com que a empresa chegue à B3 avaliada entre R$ 20 bilhões e R$ 25 bilhões, segundo prospecto da operação apresentado a investidores na manhã desta terça, 28. Com a venda do lote base de ações e do suplementar, previsto em caso de alta demanda, a Compass pode captar mais de R$ 5 bilhões. A Compass, que pertence ao Grupo Cosan, é uma empresa especializada na compra e venda, infraestrutura e distribuição de gás natural, que tem como discurso a transição energética. No ano passado, sua receita líquida chegou a R$ 16,6 bilhões e o lucro líquido alcançou R$ 1,46 bilhão, com geração de caixa de quase R$ 5 bilhões. Na área de distribuição, a Compass é dona de sete empresas estaduais, sendo a mais conhecida a paulista Comgás. Também fazem parte da lista a Sulgás (RS) e a Compagas (PR). Uma de suas subsidiárias, a Commit (joint venture com o grupo Mitsui), é dona da SCGás (SC), MSGás (MS) e Gasap (AP). Em novembro de 2024, a Compass vendeu suas participações em distribuidoras da região Nordeste (como Bahiagás, Cegás, Copergás, entre outras) para a Infra S.A., como parte de acordos com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). As operações de infraestrutura da Compass são voltadas à regaseificação e ao transporte (por meio de dutos) e estão concentradas principalmente no Sudeste, com destaque para o Porto de Santos. Essa tem sido uma das áreas que mais tem recebido investimentos, com o objetivo de criar uma malha própria de suprimento e redes de distribuição. Nos últimos dois anos, os investimentos da Compass superaram os R$ 2 bilhões ao ano. (Estadão)
Compass abre IPO em oferta avaliada em até R$ 4,6 bilhões
A Cosan anunciou ao mercado a oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) da Compass, seu braço de gás que inclui a comercializadora Edge (incluindo o Terminal de Regaseificação de São Paulo), a distribuidora Comgás, que atua em São Paulo, e a holding Commit, que tem participação em outras distribuidoras de gás. A Cosan poderá alienar ações equivalentes a cerca de 15% do capital social da Compass. A oferta base é de 89,3 milhões de ações, podendo chegar a 145,6 milhões de ações considerando também lote adicional e lote suplementar. Trata-se de uma oferta secundária, sem a emissão de novas ações, e por isso a Compass não receberá recursos e não haverá aumento de capital nem diluição societária dos atuais acionistas. A oferta é composta de ações ordinárias, e o valor final será estabelecido após procedimento de Bookbuilding junto a interessados, cuja conclusão é prevista para 7 de maio. Após definição do preço por ação, a negociação deve começar em 11 de maio. As ações estarão no Novo Mercado da B3, sob o ticker PASS3. No prospecto do negócio, a faixa indicativa de preço por ação está entre R$ 28 e R$ 35. Assim, considerando um valor médio de R$ 31,50 por ação, a oferta poderá movimentar entre R$ 2,8 bilhões e R$ 4,6 bilhões, de acordo com variações de ações adicionais e suplementares. A Cosan é a acionista controladora da Compass, mas os acionistas Atmos, Bradesco Vida e Previdência, Brasil Capital, Manaslu, Manzat e Ricardo Ernesto Correa da Silva também fazem parte da oferta base, que pode incluir a Bússola para venda de ações adicionais. Os bancos BTG Pactual, Bank of America, Bradesco BBI, Citi, Itaú BBA, Santander, JP Morgan , XP Investimentos, BNP Paribas e UBS BB atuam no negócio. (Megawhat)
Os avanços e os 3 pontos a corrigir na privatização da Copasa
Comece-se pelo elogio. A cláusula de não competição imposta ao acionista de referência foi bem desenhada: limita-se ao território de Minas Gerais e prevê duas exceções juridicamente acertadas –uma para fundos de investimento dos quais o adquirente participe como cotista, desde que com gestão independente, e outra para acionistas que exerçam atividades bancárias. A redação evita penalizar atividades secundárias e financeiras que nada têm a ver com saneamento, sem afrouxar a proteção contra captura de mercado pelo controlador. Nisso, aliás, o processo da Copasa avançou em relação ao da Sabesp que, por restrições, em minha opinião, indevidas, terminou afastando da disputa outros operadores do setor de saneamento. Há, contudo, pelo menos três preocupações relevantes em relação aos documentos. A primeira, e mais grave, é a ausência de contratualização robusta das metas de prestação dos serviços. O único contrato de concessão cujo teor já chegou a debate público é o de Belo Horizonte, município que responde por cerca de 40% da receita total da Copasa, embora concentre apenas em torno de 21% dos usuários atendidos. Contudo, a apuração que fizemos revela que aparentemente não foram estabelecidas metas consistentes a serem cumpridas pela Copasa, descrevendo obrigações de investimento de modo apenas genérico. Quanto aos demais municípios, embora se noticie a celebração de novos contratos com cerca de duas dezenas deles, nenhum desses instrumentos foi disponibilizado publicamente. Trata-se da preocupação mais séria, por três razões. Primeiro, o processo pode resultar na não entrega da universalização e dos serviços adequados aos usuários. Segundo, a indefinição das metas torna difícil precificar custos e estabelecer limites razoáveis para sua transferência à tarifa, com risco real de pressão tarifária no futuro. Terceiro, a opacidade dos contratos abre espaço para que ofertantes menos sérios apostem em sua capacidade de renegociar com municípios, em ambiente nem sempre transparente. Isso subverte a lógica da licitação, que deveria selecionar o operador mais eficiente, não o mais hábil em renegociar a posteriori. (Folha)
Saneamento vive fim da fase de euforia
Passados seis anos da nova lei do saneamento, a fase de euforia do setor privado se assentou e deu lugar a um mercado mais definido, com menos lances agressivos nos leilões e oportunidades de crescimento mais desafiadoras, avaliam especialistas da área. “É um outro momento do setor. A euforia se refletiu em lances mais ousados na primeira onda. O momento atual não é igual”, afirmou Gustavo Gusmão, sócio da EY-Parthenon. “Ainda tem alguns ativos muito bons, mas a maioria dos que estão disponíveis são mais desafiadores, em regiões com alto índice de não atendimento, tarifas baixas. Colocar de pé [os projetos] tem sido mais difícil em cenário em que muitas empresas já estão alavancadas, em momento de juros altos, com investimentos no curto prazo contratados. Isso torna o setor mais seletivo”, disse. Para Ewerton Henriques, da SH Consultoria, o avanço dos primeiros projetos leiloados levou à constatação das dificuldades na execução dos contratos. Além disso, o desenho do setor privado de água e esgoto já está mais definido, com empresas estabelecidas em determinadas regiões. “Estamos no âmbito de realidade, mais do que de sonho. As grandes economias de escala já estão estabelecidas, a capacidade dos fornecedores está chegando no limite. Então aquele otimismo exacerbado, pós-novo marco legal, hoje está galgado na realidade. Não vemos mais aqueles grandes deságios nos leilões”, afirmou. (Valor)
Aegea testa leitura do mercado sobre ajustes contábeis
A Aegea, uma das maiores operadoras privadas de saneamento do país, entrou no centro das atenções do mercado de crédito privado após anunciar que adiaria e republicaria seus balanços de 2024 e 2025. A decisão provocou forte reação nos preços de suas dívidas, que passaram a ser negociadas em patamar típico de empresas sob estresse financeiro. Para Conrado Rocha, sócio da Polo Capital, a reação foi exagerada. Em entrevista ao Stock Pickers, podcast comandado por Lucas Collazo, o gestor afirmou que a Polo manteve posição comprada nos papéis da companhia, uma das principais apostas de seus fundos mais líquidos. O primeiro ponto de tensão foi o formato do anúncio. A Aegea comunicou, por fato relevante publicado às 7h, que não divulgaria os resultados na data prevista. Nos dias seguintes, os papéis da empresa passaram a negociar perto de CDI mais 10 pontos percentuais, nível associado a companhias em situação mais delicada. Segundo Rocha, o mercado ignorou uma informação relevante do próprio comunicado: a empresa afirmou que os ajustes não teriam impacto em caixa nem provocariam vencimento antecipado de dívidas. Na prática, isso significava que não haveria quebra de covenants, cláusulas que permitem aos credores cobrar o pagamento imediato em caso de descumprimento de determinadas condições. A sequência de adiamentos, porém, aumentou o nervosismo. A companhia remarcou a divulgação dos resultados três vezes e só publicou os números perto das 23h50 do último dia do prazo regulatório. (Info Money)
Aneel barra recursos da Âmbar e aponta inconformismo com estratégia no LRCap
O diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) Willamy Frota rejeitou os recursos da Âmbar Energia, do grupo J&F, e manteve o resultado do leilão de reserva de capacidade (LRCap) realizado no dia 18 de março, concluindo que não houve falhas no leilão e que os questionamentos refletem inconformismo com decisões estratégicas adotadas pela própria empresa durante o certame. Em março, a Âmbar requereu a revisão dos resultados, incluindo o possível reenquadramento de usinas, reabertura de rodadas e até a anulação de produtos do certame. No caso da UTE Araucária II, a empresa alegou que o projeto, considerado novo, foi enquadrado como usina existente, o que reduziu o preço-teto aplicável e o prazo contratual. Segundo o recurso, isso teria ocorrido sem indicação prévia e sem possibilidade de defesa. Já em relação à UTE Santa Cruz, a companhia questionou o bloqueio para ofertar energia no produto de 2027 após ter contratado parcela da usina no produto de 2026, alegando ausência de vedação no edital para participação em mais de um produto. “As alegações deduzidas revelam inconformismo posterior às escolhas estratégicas livremente adotadas pelas recorrentes ao longo do certame, em frontal contraste com os princípios que regem o leilão, notadamente a vinculação ao edital, a isonomia entre os participantes, a segurança jurídica e a boa-fé objetiva”, diz trecho do seu voto. Em seu voto, o diretor Willamy Frota seguiu as análises da Comissão Permanente de Leilões (CPL) e da Procuradoria Federal junto à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que concluíram que não houve erro nem falha da administração na realização do certame. A análise mais recente é da Procuradoria, que destacou que os recursos tentam afastar, após o leilão, consequências previstas em regras claras do edital, “o que não é admissível”. A manifestação ainda conclui que o acolhimento dos pleitos violaria o princípio da isonomia entre os participantes e a vinculação ao instrumento convocatório. (Megawhat)
Aneel nega pedidos da J&F e mantém megaleilão de energia de R$ 515 bi
A diretoria da Aneel rejeitou os recursos apresentados pela J&F, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, que tentam anular parte do megaleilão de reserva de energia do governo Lula (PT). Em seu voto, o relator Willamy Frota afirmou que não há ilegalidades ou falhas no leilão e os problemas apontados pela empresa decorrem de “escolhas feitas pelas próprias recorrentes”. Em reunião nesta terça-feira (28), toda a diretoria da Aneel seguiu o entendimento, e agora não cabe mais recurso à companhia dentro desse processo. Segundo o relator, a revisão do resultado não se justifica e poderia comprometer “a segurança jurídica, a coerência regulatória e a credibilidade do modelo de contratação de reserva de capacidade”. Realizado em março, o leilão contratou cerca de R$ 515 bilhões em potência de geração a partir de gás, carvão e hidrelétricas. O certame, que vinha sendo discutido há anos, pode elevar a conta de luz em até 10%, segundo estimativas do setor. Integrantes do setor avaliam que o caso ainda pode ir parar na Justiça e ter desdobramentos no TCU (Tribunal de Contas da União), onde corre um processo para avaliar possíveis irregularidades no pregão —mas que não tem ligação direta com as alegações da J&F. O órgão decidiu no dia 15 investigar o leilão. (Folha)
Aneel manda CCEE estudar liquidações diárias e semanais do MCP
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) determinou que a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) apresente estudos para encurtar os prazos dos ritos de contabilização e liquidação do mercado de curto prazo (MCP), inclusive com avaliação sobre a possibilidade de adoção de liquidações semanais e diárias. A determinação consta em despacho da Superintendência de Regulação dos Serviços de Geração e do Mercado de Energia Elétrica (SGM) publicado na edição desta terça-feira, 28 de abril, do Diário Oficial da União, que aprovou novas versões dos Procedimentos de Comercialização da CCEE e abriu nova fase da Tomada de Subsídios nº 2/2025, além de outras determinações. O MCP é o ambiente em que são apuradas, na CCEE, as diferenças entre a energia contratada e a energia efetivamente consumida ou gerada pelos agentes. Quando um consumidor, gerador ou comercializador fica com sobra ou déficit em relação aos contratos registrados, essa diferença é contabilizada e liquidada financeiramente no mercado de curto prazo ao PLD. Pelo rito atual, o processo de contabilização e liquidação tem limite em MS+27 dias úteis, em que a sigla MS significa mês seguinte ao mês de referência da operação. Se a energia foi consumida ou gerada em abril, a contagem ocorre em dias úteis a partir do início de maio e envolve etapas como consolidação dos dados, contabilização, divulgação de resultados, aporte de garantias financeiras e débitos e créditos da liquidação. Por isso, a conclusão financeira ocorre no mês posterior ao MS. Nesse exemplo, a liquidação das operações de abril é concluída em junho, conforme o calendário da CCEE. (Megawhat)
Banco Mundial prevê alta de 24% nos preços da energia em 2026
Os preços da energia devem subir 24% em 2026, atingindo o nível mais alto desde a invasão da Rússia na Ucrânia, há quatro anos, segundo projeção divulgada pelo Banco Mundial nesta terça-feira (28). A instituição alerta, no entanto, que os preços podem avançar ainda mais caso o conflito no Oriente Médio se prolongue além de maio. O cenário-base considera uma normalização gradual do fluxo marítimo pelo Estreito de Ormuz até outubro, com volumes próximos aos registrados antes da escalada das tensões. De forma mais ampla, o Banco Mundial projeta alta de 16% nos preços globais das commodities em 2026, impulsionada principalmente pelo encarecimento da energia, fertilizantes e metais estratégicos. Nesta terça-feira (28), os preços do petróleo voltaram a subir diante da interrupção dos esforços diplomáticos para encerrar o conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, além das restrições no Estreito de Ormuz. A região, que antes da guerra respondia por cerca de 35% do comércio marítimo global de petróleo bruto, tem enfrentado interrupções no transporte e ataques à infraestrutura energética. Esses fatores, segundo o Banco Mundial, desencadearam um dos maiores choques de oferta já registrados. Como resultado, o petróleo Brent acumulava valorização superior a 50% nesta última semana de abril na comparação com o início do ano. (Canal Solar)
Segurança energética e custo: o preço das escolhas
O debate sobre o nível de água nos reservatórios das hidrelétricas voltou ao centro da agenda do setor elétrico. À primeira vista, trata-se de uma discussão técnica. Na prática, é uma escolha que afeta diretamente a conta de luz, a segurança do suprimento e a previsibilidade para quem investe. No Brasil, a operação do sistema é guiada por modelos computacionais que equilibram custo e risco. Um dos instrumentos mais relevantes é o parâmetro de aversão ao risco, o CVaR, que, de forma simplificada, define o quanto o sistema se protege contra cenários hidrológicos desfavoráveis. Quanto maior a cautela, maior a tendência de preservar água nos reservatórios e acionar térmicas antes. Quanto menor, mais se usa água agora, reduzindo custos imediatos, mas diminuindo a margem de segurança para o futuro. Reservatórios não são apenas “estoque de energia barata”. Eles são o principal mecanismo de flexibilidade do sistema elétrico brasileiro. Em um contexto de crescimento de fontes renováveis variáveis, como eólica e solar, essa função se torna ainda mais relevante. Essas fontes são essenciais para a expansão da matriz, mas não substituem o papel dos reservatórios na garantia de flexibilidade e segurança do sistema. É justamente aí que eles entram, funcionando também como uma espécie de seguro operacional. (CNN Brasil)
Consulta pública discute tratamento de créditos expirados da MMGD
A diretoria da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) decidiu pela abertura de uma consulta pública para discutir o tratamento regulatório e contábil dos créditos de micro e minigeração distribuída (MMGD) em benefício da modicidade tarifária, com período para recebimento de contribuições entre 30 de abril e 15 de junho de 2026. A MegaWhat apurou que há interesse do Ministério de Minas e Energia (MME) em acelerar a discussão para ajudar a reduzir as tarifas ainda em 2026, depois que os planos de uma Medida Provisória (MP) para viabilizar um empréstimo e adiar reajustes tarifários foram suspensos. A abertura da CP foi aprovada no circuito deliberativo da Aneel desta terça-feira, 28 de abril. O voto da diretora Agnes da Costa, relatora do processo, relacionou a urgência da regulamentação à pressão sobre as tarifas de energia elétrica. “Considerando diversos fatores exógenos, muitos decorrentes da implantação de políticas públicas que alocam custos sobre os consumidores de energia elétrica (e não sobre os contribuintes), e que têm pressionado as tarifas dos consumidores de energia elétrica nos últimos anos, defendo também a urgência na definição da forma de repasse desses créditos expirados em prol da modicidade tarifária”, afirmou a diretora no voto. O tratamento proposto foi elaborado pela Superintendência de Gestão Tarifária e Regulação Econômica (STR) e pela Superintendência de Fiscalização Econômica, Financeira e de Mercado (SFF), em nota técnica conjunta publicada em março. A Lei 14.300/2022, que instituiu o marco legal da MMGD, estabelece que os créditos de energia elétrica expiram em 60 meses após a data do faturamento em que foram gerados. Depois desse prazo, devem ser revertidos em prol da modicidade tarifária, sem que o consumidor tenha direito a qualquer forma de compensação. (Megawhat)
Armazenamento de energia e uso da rede: o teste da coerência regulatória
O avanço da regulação do armazenamento de energia no Brasil representa, ao mesmo tempo, um salto institucional e um teste de coerência do próprio modelo setorial. A recente discussão no âmbito da ANEEL sobre o uso da rede por sistemas de armazenamento autônomos (SAE-A) expõe com clareza esse dilema: regular o novo sem distorcer o existente — e sem perder de vista os fundamentos jurídicos que estruturam o setor elétrico. A maturidade do debate é evidente. A construção regulatória envolveu múltiplas áreas técnicas da Agência e resultou em análises aprofundadas, refletindo o reconhecimento de que o armazenamento deixou de ser uma adaptação marginal e passou a exigir tratamento próprio. Essa mudança de paradigma é, por si só, um marco. Como bem aponta a evolução normativa recente, não se trata mais de “encaixar” o armazenamento em categorias pré-existentes, mas de reconhecê-lo como uma atividade com identidade funcional própria. É justamente nesse ponto que emerge a principal tensão jurídica: quais são os limites da regulação tarifária aplicável ao uso da rede por esses sistemas? Historicamente, o modelo tarifário brasileiro se estruturou sobre uma separação clara entre consumo e geração. Essa distinção orienta não apenas a cobrança pelo uso da rede, mas também a lógica de alocação de custos e sinalização econômica. (Jota Info)
Projetos de energia solar com baterias crescem 400% no Brasil
O mercado fotovoltaico passa por uma fase de transformação, com a demanda por sistemas de armazenamento avançando de forma acelerada em diversas regiões do país. Um estudo divulgado pela Solfácil mostra que o número de projetos de energia solar com baterias cresceu mais de 400% nos últimos dois anos no Brasil. No mesmo período, a procura por sistemas híbridos também registrou forte avanço, com alta de 250%. O levantamento foi apresentado nesta segunda-feira (27), durante o Solfácil Summit – evento técnico da empresa realizado em Fortaleza (CE), que reuniu integradores e especialistas para discutir soluções híbridas e sistemas de energia solar com baterias. De acordo com Eduardo Neubern, COO da Solfácil, o avanço do armazenamento ocorre em um contexto de queda de preços, que tem tornado os sistemas híbridos e com baterias mais acessíveis e reduzido uma das principais barreiras de entrada do mercado. Segundo o executivo, essas tecnologias estão cerca de 30% mais baratas em relação aos últimos anos. “Mas o preço, sozinho, não explica esse avanço”, afirma. “O que vemos na prática é uma mudança no perfil da demanda: o consumidor de sistemas híbridos busca, antes de tudo, confiabilidade e autonomia energética, especialmente em regiões com maior instabilidade na rede, e não apenas economia na conta de luz”, ressalta. (Canal Solar)
Cade aprova parceria de US$ 500 milhões entre Casa dos Ventos e Ascenty
O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou o acordo de autoprodução de energia eólica e solar entre a Casa dos Ventos e a Ascenty, empresa de infraestrutura de data centers controlada pela canadense Brookfield e pela Digital Realty. A parceria foi anunciada em janeiro deste ano pelas companhias.A operação, estimada em US$ 500 milhões, prevê o fornecimento de 110 MW médios para abastecer as operações de centros de dados da Ascenty, que detém 20 data centers em operação e outros oito em construção distribuídos nos estados do Ceará, Rio de Janeiro e São Paulo. O modelo contratual estabelece a participação societária da Ascenty em dois empreendimentos da Casa dos Ventos, atualmente em fase de desenvolvimento, com previsão de entrada em operação em 2027. Juntos, os projetos que estão localizados nas regiões Nordeste e Centro-Oeste, somam mais de 1,5 GW de capacidade instalada e devem somar cerca de R$ 7,5 bilhões em investimentos. Para o Cade, a Ascenty informou que a autoprodução possibilitará redução nos seus custos com energia elétrica e ganhos de sustentabilidade. Por sua vez, a Casa dos Ventos destacou a oportunidade de retorno para seus investimentos em projetos de geração de energia renovável no Brasil. (Megawhat)
‘Lei de Responsabilidade Tarifária’ na energia
A lei nº 15.269/2025 criou um teto para os gastos da CDE (Conta de Desenvolvimento Energético), a ser atualizado anualmente. Trata-se de uma providência salutar. Hoje a CDE funciona como um fundo extraorçamentário de aproximadamente R$ 50 bilhões —ordem de grandeza comparável aos recursos destinados às emendas parlamentares. Essas duas “montanhas de dinheiro” —a CDE e as emendas parlamentares— servem, frequentemente, para custear iniciativas de duvidosa racionalidade. Em ação complementar, o deputado Arnaldo Jardim apresentou o PLP (projeto de lei complementar) 100/2026, que dificulta a criação de novos subsídios no setor elétrico. É uma espécie de “Lei de Responsabilidade Tarifária”, hierarquicamente superior à lei ordinária, inspirada na Lei de Responsabilidade Fiscal. A exposição de motivos do projeto é precisa ao destacar que o Brasil assiste a uma escalada insustentável de custos que corrói a competitividade da indústria e onera o orçamento das famílias, que já percebem a energia como um dos gastos de maior impacto em suas finanças. O retrocesso é nítido quando olhamos pelo retrovisor. O orçamento da CDE em 2025 foi cerca de oito vezes maior, em termos reais, que o de 2008, meu último ano como diretor-geral da Aneel. Esse crescimento descomunal foi impulsionado pela força política de setores beneficiados, sem a devida atenção ao impacto nas contas de luz. Por isso os reajustes tarifários têm sido sistematicamente maiores que a inflação. (Folha)
Brasil e Argentina avançam na integração energética com publicação de relatório técnico bilateral
O Ministério de Minas e Energia (MME) publicou, nesta terça-feira (28/4), o relatório do Grupo de Trabalho Bilateral (GTB) Brasil-Argentina, que reúne as principais análises sobre a integração gasífera dos dois países. O documento apresenta diagnósticos, alternativas de infraestrutura e recomendações para viabilizar o fornecimento de gás natural argentino ao Brasil, com foco na competitividade, segurança energética e desenvolvimento regional. A iniciativa tem origem no Memorando de Entendimento firmado em novembro de 2024 entre Brasil e Argentina, que instituiu o GTB com o objetivo de avaliar caminhos para ampliar a cooperação energética, especialmente a partir da produção de gás natural da formação de Vaca Muerta, na província de Neuquén, na Argentina. Para a organização das atividades, o GTB criou o Comitê Técnico, com participação de equipe técnica dos dois Governos. Ao longo de 2025, o Comitê Técnico realizou uma série de reuniões semanais, além de encontros com agentes do setor e representantes de países vizinhos, como Bolívia, Paraguai, Uruguai e Chile. As discussões foram organizadas em três eixos principais: técnico, regulatório e comercial. O processo também contou com contribuições do setor produtivo e de infraestrutura, consolidando uma visão abrangente das oportunidades e desafios para a integração regional do insumo. (MME Notícias)
Luz para Todos avança em territórios indígenas e leva energia limpa a aldeias isoladas do Pará
O Dia dos Povos Indígenas, celebrado em 19 de abril, marcou o início de uma nova frente de inclusão energética na Amazônia. Na data simbólica, o Ministério de Minas e Energia (MME) deu início a mais uma etapa da implementação da 1ª Tranche Especial Indígena do Programa Luz para Todos (LPT), voltada ao atendimento das aldeias Mapuera, em áreas remotas do Pará. A ação representa um avanço estratégico da política de universalização do acesso à energia elétrica em territórios indígenas isolados e busca beneficiar 2.910 unidades consumidoras. Com investimento avaliado em R$ 129,3 milhões, reforça o compromisso da Pasta em levar energia limpa, dignidade e desenvolvimento social a comunidades onde barreiras geográficas ainda dificultam o acesso a serviços essenciais. O projeto integra a agenda de inclusão energética na Amazônia Legal e fortalece a redução das desigualdades regionais por meio de soluções adaptadas à realidade local. “A ampliação de acesso à energia elétrica nessas comunidades é uma importante marca na promoção de cidadania, educação, saúde e comunicação, além de criar condições para que o desenvolvimento chegue respeitando a cultura e o modo de vida dos povos indígenas. Essa é uma ação que une justiça social, sustentabilidade e presença efetiva do poder público nas regiões onde ele se faz mais necessário”, afirmou o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira. (MME Notícias)
Engie negocia fatia na hidrelétrica de Jirau e acordo de autoprodução
A Engie Brasil Energia avalia a aquisição de uma participação de 40% na hidrelétrica de Jirau (3.750 MW), atualmente detida por sua controladora, e contratou assessoria financeira para definir a estrutura mais adequada para a operação. O empreendimento está localizado no rio Madeira, em Rondônia. Em paralelo, a empresa fechou um contrato de autoprodução por equiparação de longo prazo com o grupo Penha, um dos principais fabricantes de embalagens de papelão ondulado do país. Em dezembro de 2025, o conselho de administração da Engie autorizou a adoção de medidas para avaliar a transferência de participação da usina da Engie Brasil Participações para a Engie Brasil Energia. O acordo intragrupo foi informado à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) em março deste ano. Segundo reportagem da Bloomberg, a Engie Brasil Energia está estruturando, com apoio do Itaú BBA e do Santander Brasil, uma oferta de ações que pode chegar a R$ 10 bilhões. A operação, prevista para este ano e que pode contar com a participação de outras instituições financeiras, teria como principal objetivo financiar a aquisição na Jirau Energia. Em comunicado divulgado ao mercado na noite desta segunda-feira, 27 de abril, a Engie Brasil Energia informou que as análises estão sendo realizadas em conjunto com o Comitê Especial Independente para Transações com partes relacionadas. “Até o momento, não há qualquer decisão tomada quanto à realização de eventual operação, tampouco definição de seus termos e condições, os quais permanecem sujeitos à conclusão das análises internas, às aprovações societárias aplicáveis e às condições de mercado”, diz trecho do comunicado. (Megawhat)
Reajuste tarifário da Equatorial Alagoas fica em 5,42%
A diretoria da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou o reajuste tarifário anual da Equatorial Alagoas, com efeito médio de 5,43% a partir de 3 de maio de 2026. Para os consumidores atendidos em alta tensão, o aumento médio será de 7,80%, enquanto os de baixa tensão terão alta de 4,71%. O resultado foi atenuado pela antecipação de recursos de Uso do Bem Público (UBP), que ajudou a conter a alta nas tarifas. A distribuidora incorporou ao processo a antecipação de R$ 147 milhões em UBP, com impacto de -4,93% no reajuste. Além da UBP, outros fatores contribuíram para reduzir o índice, como a quitação da Conta Escassez Hídrica (-4,14%) e a recomposição de diferimento tarifário (-5,95%). Também houve alívio com a reversão de risco hidrológico (-1,99%). Do lado da alta, os financeiros vieram puxados pela Conta de Compensação de Valores (CVA), com impacto positivo de 4,68% em energia, além de efeitos em transporte (+1,70%) e encargos (+1,50%), refletindo diferenças entre custos estimados e realizados no ciclo anterior. Os encargos setoriais foram outro vetor relevante de pressão, com impacto de 2,09% no efeito médio, puxados principalmente pela CDE. Os custos de transmissão também avançaram, com alta de 15% e impacto de 1,51%. Já os custos com compra de energia contribuíram com 1,42%, refletindo mudanças no mix de contratação e aumento do custo médio da energia. (Megawhat)
Diretor-geral da Aneel nega recurso da Enel e mantém processo de caducidade
O diretor-geral da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), Sandoval Feitosa, negou o pedido da Enel Distribuição São Paulo para suspender os efeitos da decisão que abriu o processo administrativo que pode levar à caducidade da concessão da companhia na Região Metropolitana de São Paulo. A decisão foi tomada no âmbito do pedido de reconsideração apresentado pela distribuidora contra o Despacho nº 1.214/2026, que determinou a instauração do procedimento de caducidade e suspendeu a análise da renovação da concessão. Segundo o despacho, a qual a CNN teve acesso, o pedido foi conhecido, mas negado por ausência de “aparência do bom direito” e de “perigo na demora”. Na decisão, Feitosa afirma que a abertura do processo de caducidade não representa prejuízo à empresa, mas uma nova etapa procedimental, com renovação do contraditório e da ampla defesa. “A marcha processual não impõe gravame à distribuidora, pelo contrário, inaugura nova oportunidade para que a Recorrente exerça o contraditório e a ampla defesa”, escreveu. A Enel alegava que a decisão da Aneel produzia efeitos imediatos relevantes, ao instaurar o processo de caducidade e suspender a análise da renovação da concessão. A agência, porém, entendeu que o efeito suspensivo não teria utilidade prática, porque a renovação já está suspensa por decisão liminar em ação civil pública movida pelo Município de São Paulo. (CNN Brasil)
Enel restabelece energia de imóveis no centro de SP; concessionária culpa Sabesp
Mais de 6 mil imóveis na região central de São Paulo ficaram sem energia elétrica na manhã desta terça-feira, 29. Segundo a distribuidora de energia Enel, o problema teve relação com uma escavação da Sabesp na rua Itacolomi, perto da rua Higienópolis. Ruas como Paim, Frei Caneca e Augusta foram afetadas e ficaram sem energia durante a madrugada até o início da manhã. Ao todo, 6.800 clientes foram atingidos. Em nota, a concessionária informou que, por volta das 14h00, o serviço foi restabelecido para 100% dos clientes: “Equipes da distribuidora seguem atuando no local, com acompanhamento da Sabesp”. Já a Sabesp informou que enviou equipe ao local para verificar se o problema foi causado por ela. Em nota, a companhia afirmou que “tomará as medidas necessárias para solucioná-lo caso o problema seja de responsabilidade da empresa”. Um outro “apagão” afetou parte do centro em fevereiro. Um problema em uma instalação subterrânea da rua Paim foi responsável pela falta de energia elétrica que deixou 20 mil pessoas com instabilidade no abastecimento entre 4 e 7 de fevereiro. (Estadão)
Neoenergia vende 49% de sete ativos de transmissão em acordo com fundo da GIC
A Neoenergia anunciou nesta terça-feira (28) a expansão de sua parceria estratégica com a GIC (fundo soberano de Cingapura), por meio de um acordo com o fundo Unique Power, envolvendo uma participação de 49% em sete ativos de transmissão. O valor acordado é de R$ 2,4 bilhões, na data-base de 30 de setembro de 2025, sujeito aos ajustes usuais até a conclusão da transação. Os ativos contemplados são: Neoenergia Guanabara; Neoenergia Vale do Itajaí; Potiguar Sul; Neoenergia Morro do Chapéu; Neoenergia Estreito; Neoenergia Alto Paranaíba; e Neoenergia Paraíso. A operação representa o terceiro acordo entre as partes no segmento de transmissão, após a constituição da Neoenergia Transmissão. Também pelo acordo, a Neoenergia adquirirá 1% das ações ordinárias atualmente detidas pelo Unique Power na Neoenergia Transmissão. Em contrapartida, a Neoenergia venderá ao Unique Power 49% de novas ações da Neoenergia Transmissão, que serão emitidas devido ao aumento de capital a ser realizado pela Neoenergia. Como resultado da transação, a Neoenergia será titular de 51% do capital social total de Neoenergia Transmissão, passando a deter seu controle, que desde setembro de 2023 vinha sendo compartilhado com o Unique Power e a sua gestora Warrington. (Valor)
Tarifa da Neoenergia Pernambuco sobe 4,25% com alívio da UBP
O reajuste tarifário anual da Neoenergia Pernambuco foi aprovado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) com efeito médio de 4,25% a partir de 29 de abril de 2026, impactando cerca de 4,23 milhões de unidades consumidoras no estado. O resultado só não foi significativamente maior por conta da antecipação de recursos de Uso do Bem Público (UBP), que ajudou a conter a alta para os consumidores de baixa tensão. Para os consumidores atendidos na alta tensão, o aumento médio será de 7,19%, enquanto os da baixa tensão terão aumento médio de 3,41%. Sem a estimativa de repasse da UBP, o aumento médio das tarifas chegaria a 9,53%, mais que o dobro do índice homologado. A distribuidora incorporou ao processo a antecipação de R$ 411 milhões, refletindo diretamente ne modicidade tarifária no ciclo. Além da antecipação de UBP (-5,44%), outros fatores contribuíram para conter a alta na tarifa, como a devolução de créditos de PIS/Cofins aos consumidores (-5,44%) e a reversão de valores associados ao risco hidrológico (-2,25%). Ainda assim, houve também efeitos positivos dentro dos financeiros, principalmente ligados à Conta de Compensação de Valores (CVA), em +3,35%, que refletiu diferenças entre custos estimados e realizados em energia, transporte (+1,59%) e encargos ao longo do ciclo anterior (+1,73%). (Megawhat)
Lucro líquido da Iberdrola caiu 15%, para 1,71 bilhão de euros, no 1º trimestre
A Iberdrola elevou suas projeções para o ano todo após divulgar um lucro ajustado maior no primeiro trimestre, impulsionado pelo desempenho de sua unidade de redes. A empresa espanhola de energia elétrica afirmou nesta quarta-feira que agora espera um crescimento do lucro líquido ajustado superior a 8% neste ano, excluindo ganhos de capital com a venda de ativos, acima da projeção anterior de um aumento de cerca de 6%. Para 2025, a empresa reportou um lucro líquido ajustado de 6,23 bilhões de euros (US$ 7,30 bilhões). A Iberdrola afirmou que um sólido resultado no primeiro trimestre e a expectativa de um forte desempenho para o restante do ano impulsionaram a revisão para cima das projeções. A empresa disse que possui uma exposição mínima a commodities, já que repassa os custos aos clientes, e que não espera um impacto significativo no curto prazo devido à volatilidade nos mercados de combustíveis fósseis. No primeiro trimestre, a Iberdrola obteve um lucro líquido ajustado de 1,865 bilhão de euros, um aumento de 11% em relação ao ano anterior. A empresa afirmou que o desempenho de seu negócio de redes foi um fator-chave para os lucros ajustados. Em termos reportados, o lucro líquido da empresa caiu 15%, para 1,71 bilhão de euros. A receita caiu 4,5%, para 12,02 bilhões de euros. (Valor)
De saída do trading, Trinity diz que operação balanceada foi surpresa
A Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) incluiu a Trinity Energias Renováveis em regime de operação balanceada, em reunião realizada na última sexta-feira, 24 de abril. A empresa afirma ter sido surpreendida pela medida e diz que já vinha descontinuando sua atuação em trading de energia, em meio à piora das condições do mercado livre. “Fomos pegos de surpresa, não estava no nosso radar entrar em operação balanceada”, disse o CEO e fundador da Trinity, João Sanches, em entrevista à MegaWhat. Segundo ele, a companhia não registrou inadimplência nem problemas com contrapartes e atualmente mantém volume residual de operações no segmento. De acordo com Sanches, a decisão de reduzir a atuação em comercialização começou ainda em 2024, diante da sequência de defaults e da perda de liquidez no mercado. “O risco-retorno ficou desinteressante. A gente corria risco de contraparte sem ter visibilidade e com retorno baixo”, afirmou. Hoje, as operações de trading representam cerca de 5% do volume que a empresa mantinha em 2024 e devem ser praticamente encerradas até o fim de 2026. “A gente já vinha reduzindo bastante, com operações basicamente de ajuste de portfólio”, disse. A companhia agendou reunião com a CCEE para esta quarta-feira, para entender os fundamentos da decisão. Com a mudança de estratégia, a Trinity passou a concentrar seus investimentos em geração distribuída. Atualmente, a empresa possui cerca de 83 MW de capacidade instalada, sendo aproximadamente 70 MW em operação em projetos solares. (Megawhat)
Justiça manda CCEE manter contratos da Electra após ajustes por falta de garantias
A Electra Comercializadora de Energia obteve nova decisão judicial para preservar o registro e a contabilização de seus contratos já existentes na Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), após a câmara fazer ajustes nos registros contratuais em razão do não aporte de garantias financeiras pela empresa. A decisão também suspendeu o processo de desligamento da comercializadora até completar 60 dias do ajuizamento da ação, mas manteve a Electra em Operação Balanceada. A decisão foi proferida na segunda-feira, 27 de abril, pela juíza Mariana Gluszcynski Fowler Gusso, da 1ª Vara Estadual de Falências e Recuperação Judicial de Curitiba. A magistrada deferiu parcialmente o pedido da Electra e determinou “a manutenção do registro e contabilização dos contratos já existentes”. Na semana passada, a Electra conseguiu uma cautelar para suspender execuções de dívida durante o período de mediação com contrapartes e impedir penalidades pelo não aporte de R$ 140 milhões em garantias na CCEE referentes às operações no mercado de energia do mês de março. Mesmo assim, a MegaWhat apurou que a CCEE passou a adotar medidas sobre os registros contratuais da comercializadora, por entender que a liminar impedia apenas a aplicação de penalidades, como multas e abertura do processo de desligamento, mas não afastava medidas operacionais relacionadas à contabilização e ao controle de exposição. A Electra alegou descumprimento da decisão anterior e voltou à Justiça pedindo a extensão da cautelar. A empresa também pediu a suspensão da Operação Balanceada, regime aprovado pela diretoria da CCEE na sexta-feira, 24 de abril, após o não aporte da garantia. (Megawhat)
A busca por segurança energética em um cenário geopolítico cada vez mais conturbado abre oportunidades para países da América Latina se posicionarem como fornecedores de gás natural liquefeito (GNL) no mercado internacional, avalia Lino Cançado, CEO Eneva. Durante o CEO Talks nesta terça (28/4), na gas week 2026, o executivo observou que países e empresas tendem a buscar carteiras mais diversificadas de fornecimento, ao passo em que novos players devem começar a aparecer. Ele citou o exemplo da Argentina, que já tem dois navios de GNL sendo desenvolvidos no país. “Acho que vai ter uma diversificação maior das carteiras para você ficar menos dependente de um outro fornecedor numa zona que, desde antes de Jesus Cristo, está meio em conflito”, afirmou. Lino Cançado também defendeu a necessidade de desconcentração do mercado de gás no Brasil, atualmente dominado por um único agente com fatia de 70% a 80% do mercado. “Para quem estudou um pouco a economia, sabe que o mercado perfeito tem um número muito grande de agentes vendendo e um número muito grande de agentes comprando. Se você não tem isso, é difícil chamar de mercado”, afirmou. (Eixos)
Bahiagás lança chamada pública para contratação de gás natural e redes locais
A Bahiagás, segunda maior distribuidora do país em volume distribuído, lançou duas chamadas públicas para contratação de gás natural durante a arena gas match, na gas week 2026 em Brasília, nesta terça (28/4). A primeira chamada tem como objeto a aquisição de gás natural na modalidade firme, a partir de 1º de janeiro de 2027. As propostas comerciais iniciais não são vinculantes e servem para manifestação de interesse. A proposta definitiva, por sua vez, terá caráter vinculante e deverá ter validade até 31 de dezembro de 2026. O ponto de entrega será na rede da Transportadora Associada de Gás (TAG) ou em local que atenda os pontos de saída da Bahia. A segunda chamada pública é para redes locais nos municípios de Brumado (lote 1) e Juazeiro (lote 2). O objeto é a aquisição de gás natural ou biometano por meio de projeto estruturado, em conformidade com a Resolução nº 42/2024 da Agerba, órgão regulador baiano. A proposta deverá apresentar fórmula detalhada para cálculo da depreciação dos ativos e a opção de compra dos equipamentos pela distribuidora após o encerramento do contrato. (Eixos)
Cegás lança chamada pública para negociação de gás spot na plataforma Open Gás
A Cegás lançou uma chamada pública para negociação de gás natural na modalidade spot durante a arena gas match, na gas week 2026 em Brasília, nesta terça (28/4). A distribuidora utiliza a plataforma Open Gás para registrar, publicar e negociar transações spot com carregadores conectados à malha da Transportadora Associada de Gás (TAG). A companhia mantém 15 contratos flexíveis para negociações diárias na quantidade não contratada firme de seu portfólio. Segundo a empresa, a flexibilidade diária permite otimizar custos, gerar receita e garantir segurança ao suprimento dos clientes. A Cegás é a primeira distribuidora a operar simultaneamente como carregadora de transporte e comercializadora, além de ter vendido gás para um fornecedor (Galp), para outra distribuidora (Sergás) e para um transportador (TAG). A empresa também foi a primeira a injetar biometano diretamente na rede de distribuição, detendo o maior percentual de gás natural renovável injetado no Brasil e o segundo maior globalmente. (Eixos)
Gás do Povo teve 8,5 milhões de recargas, segundo MME
O programa Gás do Povo chegou a 8,5 milhões de recargas esta semana, anunciou o Secretário de Petróleo e Gás do Ministério de Minas e Energia (MME), Renato Dutra, na gas week 2026, evento promovido pela agência eixos na terça-feira (28/4) em Brasília. “Esse processo está em curva de crescimento exponencial”, afirmou. Sancionado em fevereiro, o Gás do Povo substitui o Vale-Gás e pretende beneficiar 15,5 milhões de famílias brasileiras com renda per capita de até meio salário-mínimo, garantindo carga 100% gratuita do botijão de 13 kg, retirada diretamente em revendas credenciadas. O benefício está sendo implantado desde novembro. O orçamento de 2026 prevê R$ 4,7 bilhões para a política, valor 30,6% superior ao destinado no ano de 2025 (R$ 3,6 bilhões). A meta do governo é viabilizar cerca de 65 milhões de recargas por ano. Em março, o programa já atendia quase 15 milhões de famílias em todos os municípios do Brasil. (Eixos)
Veolia e White Martins avançam com joint venture para venda de biometano
Os grupos Veolia Serviços Ambientais Brasil e White Martins Gases Industriais avaliam a formação de uma joint venture para viabilizar a comercialização de biometano no Brasil. O biocombustível será produzido a partir do biogás gerado no aterro sanitário São Paulo Eco Park, em Guarulhos, ativo pertencente ao grupo Veolia. O aterro foi inaugurado em 2024 e tem capacidade de processar 10 toneladas de resíduos por hora. A parceria foi aprovada nesta terça-feira, 28 de abril, pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), mas ainda depende do aval da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). A participação das empresas e o valor da operação não foram divulgados. Em manifestação ao Cade, as empresas justificaram a operação pela complementaridade de suas competências: de um lado, o grupo Veolia, conta com expertise em tratamento e destinação de resíduos sólidos, viabilizando a geração de biogás; de outro, a White Martins, com atuação na produção e comercialização de gases. Para as companhias, a parceria tende a fortalecer a atuação no mercado de biometano, segmento em que a Veolia ainda não atua e no qual a White Martins possui participação residual. (Megawhat)
Rejeitos viram insumo e nova fonte de receita
A reciclagem de resíduos é um dos nós que a mineração precisa desatar para construir operações cada vez mais sustentáveis. A partir desse cenário, empresas estão desenvolvendo soluções que elegem o reaproveitamento de rejeitos como prioridade. A ideia é encarar dois desafios do setor: o ambiental, com a redução de passivos e emissões; e o financeiro, por meio da geração de valor a partir do tratamento dos dejetos. Há opções para os mercados de alumínio, ferro e brita. Na New Wave, de soluções para o segmento minero-metalúrgico, o destaque é uma tecnologia baseada no uso de micro-ondas para o processamento de resíduos, especialmente da cadeia do alumínio. “O projeto mais avançado está sendo implementado na Wave Aluminium, uma das empresas do grupo, em Barcarena [PA]”, afirma o CEO Gustavo Emina. “Estamos construindo uma planta capaz de transformar resíduos de bauxita em ferro metálico de baixo carbono.” A unidade será instalada na Alunorte, refinaria de alumina da Hydro, com investimentos de R$ 250 milhões. O início da operação está previsto para o último trimestre de 2026. De acordo com o executivo, a tecnologia de micro-ondas é usada para “separar” os componentes dos resíduos. “Depois desse processo, os minerais são transformados em novos produtos industriais [como ferro metálico e sílica, para a indústria de construção civil].” Emina, que fundou a empresa em 2019 em parceria com a gestora de investimentos Lorinvest, argumenta que a inovação é eficiente em custo, escala e proteção ambiental. “É possível produzir ferro metálico a um custo entre US$ 200 e US$ 250 por tonelada, um valor que se encontra no primeiro quartil praticado no mercado para produtos similares”, afirma. (Valor)
Complexo eólico da EDP recebe registro para produção independente
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) autorizou a implantação e exploração das eólicas Asas de Zabelê I a Asas de Zabelê VII, somando 279 MW, sob o regime de Produção Independente de Energia Elétrica (PIE). O aval foi dado à EDP Renováveis Brasil e à DGE Soluções Renováveis, que atuação no desenvolvimento e na estruturação de projetos de energia renovável no Brasil. O produtor independente de energia é a pessoa jurídica ou conjunto de empresas reunidas em consórcio que recebem concessão ou autorização da Aneel para produzir energia elétrica. A produção pode ser destinada ao comércio de toda ou de parte da energia produzida. O produtor independente de energia é a pessoa jurídica ou conjunto de empresas reunidas em consórcio que recebem concessão ou autorização da Aneel para produzir energia elétrica. A produção pode ser destinada ao comércio de toda ou de parte da energia produzida. (Megawhat)
Lucro da Nordex aumenta sete vezes no 1º tri e supera ritmo de vendas
O grupo Nordex divulgou lucro de 53,6 milhões de euros no primeiro trimestre de 2026, quase sete vezes mais do que o resultado de 7,9 milhões de euros registrados um ano antes. O aumento no lucro ocorreu de forma mais acelerada do que as vendas da empresa, que foram de 1,6 bilhão de euros no primeiro trimestre de 2026, com aumento de 10,6% na base anual. Do total de vendas, 1,4 bilhão de euros veio na rubrica de novos projetos, e 218 milhões de euros foram vendidos em serviços. As vendas de novos projetos aumentaram 10,7% em um ano, e as vendas de serviços aumentaram 10,6% no período. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, na sigla em inglês) do primeiro trimestre de 2026 aumentou substancialmente em 64,3%, atingindo 130,7 milhões de euros. No primeiro trimestre de 2026, a Nordex entregou produção de 1.494 MW em turbinas, com aumento de 23,5% em comparação com o ano anterior. Em relação a pás, a produção foi de 1.172 unidades entre janeiro e março deste ano, com ligeira redução frente às 1.188 unidades no ano passado. O grupo conta ter instalado 227 turbinas eólicas em 14 países, totalizando 1.155 MW no primeiro trimestre de 2026. Os montantes representam aumento em relação ao mesmo período de 2025, quando foram instaladas 180 turbinas eólicas em 12 países, com uma produção total de 1.046 MW. (Megawhat)
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