No dia 24 de abril, a Ecopetrol S.A. assinou um Contrato de Compra e Venda de Ações (SPA) para a aquisição de 26% do capital social total da Brava Energia S.A., por meio da compra de participações detidas pelos acionistas Somah Printemps Quantum Group, Jive Group, Yellowstone e outros investidores com participações individuais inferiores a 5%. A efetivação da transação está condicionada, principalmente, à obtenção de 51% das ações com direito a voto. Para isso, a Ecopetrol pretende lançar uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) voluntária e parcial, com objetivo de assumir o controle da companhia. Adicionalmente, a operação depende da aprovação do CADE e da obtenção de waivers junto aos credores, em linha com cláusulas de mudança de controle.
A Ecopetrol
A Ecopetrol é a maior empresa de energia da Colômbia, operando como um grupo integrado de energia, cuja atuação foi ampliada para além de óleo & gás após a aquisição da ISA. Trata-se de uma companhia de capital misto, com a República da Colômbia detendo 88,5% do capital, enquanto o free float está amplamente distribuído entre investidores institucionais e de varejo. Essa estrutura introduz um componente político relevante na estratégia corporativa. Nos últimos anos, a empresa tem executado uma agenda de diversificação geográfica e setorial, com o objetivo de reduzir a dependência estrutural do upstream. No Brasil, a Ecopetrol possui, até então, uma presença limitada em exploração offshore e, por meio da ISA, controle de ativos de transmissão de energia.
Apesar da diversificação, o upstream permanece como principal driver de resultados, respondendo por cerca de 51% do EBITDA, com ativos majoritariamente concentrados na Colômbia e caracterizados por um portfólio maduro, sujeito a declínio natural de produção e à necessidade constante de reposição de reservas. A produção consolidada gira em torno de 750 kbopd. No segmento de óleo & gás, midstream e downstream representam aproximadamente 24% e 6% do EBITDA, respectivamente, desempenhando papel complementar na integração da cadeia produtiva. A aquisição de 51,4% da ISA (Interconexión Eléctrica S.A.), em 2021, adicionou um pilar relevante de transmissão de energia, com receitas reguladas e previsíveis, reduzindo a volatilidade do fluxo de caixa. Em conjunto com ativos de rodovias, esses negócios representam cerca de 19% do EBITDA do grupo.
Em termos financeiros, a Ecopetrol apresenta uma estrutura de dívida alongada, com vida média de 8,3 anos e baixa pressão de amortizações no curto prazo, concentradas majoritariamente a partir de 2029. A companhia possui amplo acesso ao mercado de capitais, tanto via emissões de bonds quanto por dívidas bancárias. A alavancagem líquida ex-ISA vem se mantendo em torno de 1,6x, enquanto, no consolidado do grupo, situa-se em aproximadamente 2,0x.
A Brava Energia
A Brava Energia, por sua vez, é uma operadora independente de óleo e gás, formada a partir da fusão entre 3R Petroleum e Enauta, com foco predominante em upstream, tanto offshore quanto onshore. No offshore, destaca-se a operação de campos relevantes, com maior complexidade técnica e potencial de geração de caixa, enquanto, no onshore, a companhia atua de forma mais integrada, incluindo produção, processamento e comercialização da produção própria. A produção atual da Brava é da ordem de 81 kboed, refletindo um portfólio diversificado por bacias e perfis de ativo. Do ponto de vista financeiro, a companhia apresenta alavancagem líquida ao redor de 2,16x, ainda elevada para pares independentes, mas em trajetória de desalavancagem ancorada na maturação de projetos offshore e na geração de caixa operacional.
Perspectiva de Crédito da operação
Sob a perspectiva de rating, como ambas as companhias possuem emissões de bonds em dólares, a comparação pode ser feita pela escala global. A Ecopetrol, potencial controladora, possui ratings na faixa BB / BB- / Ba1, enquanto a Brava Energia é atualmente avaliada em BB- / B+ / n.a., o que implica que a nova controladora apresenta um perfil de risco de crédito cerca de um notch melhor do que o da empresa-alvo.
Vale mencionar que a Ecopetrol foi recentemente rebaixada pela Fitch e S&P em decorrência da deterioração do perfil soberano da Colômbia, marcada por riscos fiscais e maior imprevisibilidade de políticas públicas. Nesse contexto, os ratings da companhia permanecem altamente correlacionados ao risco país, apesar de seus fundamentos operacionais.
Do ponto de vista da Brava Energia, a transação tende a gerar uma percepção positiva de crédito, ainda que o ativo adquirido seja relativamente pequeno em relação ao tamanho da Ecopetrol. A entrada de uma estatal colombiana de grande porte, com balanço mais robusto, fortalece a importância estratégica do Brasil dentro do portfólio de upstream do grupo e aumenta a expectativa de suporte implícito em cenários de estresse, sobretudo considerando a consolidação integral da Brava no balanço da Ecopetrol após a aquisição do controle. Por outro lado, permanece relevante acompanhar a estratégia da Ecopetrol no Brasil, dado que uma expansão mais agressiva via Brava pode implicar aumento da alavancagem da companhia brasileira, mitigando parte dos benefícios de crédito no médio prazo.
Em termos de posicionamento estratégico, o bloco de acionistas formado por Yellowstone e outros investidores financeiros havia contribuído para maior clareza de foco da Brava em E&P e disciplina na alocação de capital. Com a saída desse bloco e a entrada da Ecopetrol como controladora, a definição do foco estratégico da companhia passa a depender da estratégia do grupo colombiano para sua plataforma no Brasil.
Resultados do 4º trimestre de 2025 | Brava Energia

(Com participação de XP Equity Research)
O 4T25 foi misto para a Brava, com pressão operacional pontual devido a paradas programadas e não programadas na produção, mas sem mudança relevante na qualidade de crédito. A receita líquida totalizou R$ 2,5 bilhões (+31% A/A), o EBITDA ajustado atingiu R$ 808 milhões (+60% A/A) e a margem EBITDA foi de 31,7% (+5,8 p.p. A/A), enquanto o prejuízo líquido foi de R$ 588 milhões.
A receita e a rentabilidade do trimestre refletiram, sobretudo, a queda operacional T/T. A produção total recuou para 76,8 kboed (-16% T/T; +95% A/A), com vendas de 5,5 MMbbl (-13% T/T; +6% A/A), impactadas pela interdição parcial de instalações em Potiguar, paradas programadas em Papa‑Terra e Parque das Conchas e ajustes no FPSO Atlanta.
Nesse contexto, o EBITDA ajustado caiu 38% T/T, embora ainda tenha avançado 30% A/A, enquanto a receita líquida cresceu 15% A/A, evidenciando alguma resiliência do portfólio. O Brent seguiu como fator de suporte, mas o aumento das posições de hedge limitou a captura da alta do preço do petróleo no curto prazo.
A pressão sobre margens decorreu, principalmente, da menor diluição de custos fixos. O lifting cost consolidado subiu para US$ 14,6/boe (+10% T/T), com piora tanto no offshore quanto no onshore, coerente com a menor produção no período. Ainda assim, houve sinais pontuais de melhora operacional, como a redução do lifting cost em Papa‑Terra frente ao 3T25, indicando potencial de recuperação com a normalização da produção.
Do ponto de vista de geração de caixa, o desempenho foi melhor do que o lucro líquido sugeriria, com fluxo de caixa livre positivo no trimestre, apoiado por capital de giro e alienações de ativos. Ajustados esses efeitos, o FCF recorrente ex‑M&A ficou próximo do equilíbrio, refletindo a combinação de menor produção, vendas abaixo do potencial e capex ainda elevado no período.
Do lado financeiro, a Companhia encerrou dezembro de 2025 com caixa de R$ 6,0 bilhões, liquidez corrente de 1,4x e caixa equivalente a 4,9x a dívida de curto prazo, o que evidencia boa capacidade de honrar vencimentos imediatos. O cronograma de amortização indica vencimentos relevantes apenas a partir de 2030, reduzindo pressões de refinanciamento no curto prazo. A alavancagem encerrou o trimestre em 2,2x dívida líquida/EBITDA, abaixo do covenant de 3,0x, sugerindo folga adequada.
No campo estratégico, a Brava tem sinalizado apetite por aquisições seletivas de ativos geradores de caixa, como evidenciado pela tentativa de aquisição de 50% dos campos de Tartaruga Verde e Espadarte – Módulo III, posteriormente inviabilizada pelo exercício do direito de preferência da Petrobras. Apesar de não concluída, a transação reforça o foco da Companhia em crescimento inorgânico disciplinado, priorizando ativos maduros, com produção relevante e perfil de caixa previsível.
Em nossa visão, o perfil de crédito da Brava segue ancorado por liquidez elevada, vencimentos bem distribuídos e alavancagem abaixo dos limites contratuais. Para 2026, além da esperada normalização operacional e do controle de custos, a trajetória financeira da Companhia poderá refletir uma gestão ativa de portfólio, incluindo eventuais aquisições seletivas, mantendo a disciplina financeira e o impacto sobre a alavancagem como eixos centrais da leitura de crédito.
Fonte
Fato Relevante – Iguá Saneamento S.A.
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