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Crédito privado em 2026: XP convida Fitch Ratings

Confira a visão da Fitch sobre o crédito privado em 2026, em especial dos setores de energia, saneamento e proteínas.

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Aconteceu nesta sexta-feira (06) o evento “Crédito Privado em 2026 com a Fitch Ratings”, realizado na Arena XP. O encontro reuniu Nathalia Seoane (Country Head no Brasil), Mauro Storino (Diretor Sênior – Corporates), Wellington Senter, Gustavo Mueller e Flávio Fujihira (Diretores – Corporates), com mediação de Mayara Rodrigues (Analista de Renda Fixa no Research da XP).

O painel discutiu as perspectivas para empresas não financeiras em 2026, com destaque para os setores de energia elétrica, saneamento e proteínas – alguns dos mais representativos do mercado de capitais. Os executivos da Fitch trouxeram leituras sobre risco corporativo, dinâmica operacional e tendências regulatórias que devem moldar o cenário de crédito ao longo do próximo ciclo.

Confira a seguir os destaques do evento.

Panorama das empresas brasileiras

Mauro Storino | Fitch Ratings

Na abertura, Mauro Storino destacou que, em 2025, apesar da pressão dos juros sobre o caixa das empresas e de um ambiente de maior incerteza no exterior, o cenário doméstico contou com demanda interna sustentada pela baixa taxa de desemprego, o que ajudou a preservar receitas em diversos setores. Ao mesmo tempo, a alta liquidez no mercado de capitais desempenhou um papel relevante ao reduzir riscos de refinanciamento e permitir o alongamento de passivos.

Ao comentar sobre os rebaixamentos de notas de crédito recentes, Storino ressaltou que o fluxo de caixa e a alavancagem seguem como os principais direcionadores das ações de rating, refletindo o impacto direto do custo da dívida sobre as companhias. Com juros mais altos, uma parcela maior do EBITDA foi direcionada ao serviço da dívida. No entanto, Storino observou que muitas empresas responderam com maior disciplina financeira, ajustando níveis de investimento e contribuindo para uma melhora gradual do fluxo de caixa livre, que deve se aproximar do equilíbrio ao longo de 2026.

Na visão da agência, a expectativa de queda da taxa de juros tende a trazer alívio adicional ao crédito, reforçando a capacidade de pagamento das empresas. Além disso, os níveis de liquidez seguem confortáveis, especialmente entre companhias de melhor rating: cerca de 40% das empresas AAA possuem caixa superior a três vezes a dívida de curto prazo, um importante colchão de segurança.

Por fim, Storino destacou os principais vetores a serem acompanhados em 2026:

Os ratings atuais já refletem o cenário-base de juros mais baixos e que eventuais cortes adicionais podem abrir espaço para movimentos positivos. A antecipação de captações diante do ano eleitoral, a moderação da demanda e o ambiente global mais desafiador seguem no radar, mas dentro de um contexto de melhoria da perspectiva de crédito devido à expectativa de cortes.

Setores em foco

1. Energia elétrica

Wellington Senter | Fitch Ratings

Wellington Senter apresentou a visão para o setor elétrico, destacando que o segmento permanece como um dos pilares do mercado de crédito, sustentado por receitas reguladas, contratos de longo prazo e amplo acesso ao mercado local, fatores que garantem resiliência e previsibilidade. Atualmente, o setor conta com 69 emissores avaliados, distribuídos em 26 grupos, dos quais 60% possuem rating AAA(bra) e 84% têm perspectiva estável.

A Fitch classifica o risco setorial como baixo a moderado, favorecido pelo papel estratégico da energia elétrica e pela predominância de custos e dívidas em moeda local. Embora existam desafios regulatórios e a necessidade recorrente de investimentos, o histórico do setor mostra capacidade consistente de adaptação.

Entre os temas recentes, Senter comentou o avanço do curtailment – desperdício forçado de geração elétrica – em fontes intermitentes, como solar e eólica. Segundo ele, apesar de o tema exigir atenção, os grupos avaliados têm gerenciado bem esse risco, sem impactos relevantes nos ratings até o momento. Iniciativas como leilões de baterias e reserva de capacidade tendem a contribuir para uma melhor monetização da geração ao longo do tempo.

Na segmentação de risco, a transmissão permanece como o segmento mais previsível, com elevadas margens operacionais, baixo capex de manutenção e receitas estáveis. Distribuição e geração apresentam maior complexidade, mas dentre os fatores de avaliação dos ratings são analisados mecanismos regulatórios e estratégias de diversificação que ajudam a mitigar riscos operacionais, hidrológicos e de demanda.

Para 2026, a Fitch acompanha de perto temas como ajustes regulatórios, novos leilões, ciclos de concessão e a evolução dos investimentos.

2. Saneamento

Gustavo Mueller | Fitch Ratings

No setor de saneamento, Gustavo Mueller destacou os fundamentos defensivos e de longo prazo, apoiados em demanda previsível e resiliente. Atualmente, a Fitch acompanha 16 companhias, majoritariamente classificadas entre AAA e AA, com 88% apresentando perspectiva estável.

O segmento atravessa um ciclo robusto de investimentos, essencial para o avanço das metas de universalização. Esse movimento pressiona o fluxo de caixa livre no curto prazo, mas é sustentado por flexibilidade financeira adequada, bom acesso ao mercado de capitais e expectativa de crescimento relevante no médio e longo prazo.

Mueller ressaltou ainda o aumento consistente da participação de players privados, tendência que deve continuar e contribuir para ganhos de eficiência operacional. A análise de crédito da Fitch considera aspectos como cobertura dos serviços da dívida, eficiência de custos, risco hidrológico e capacidade de execução dos planos de investimento, especialmente em cenários adversos.

Para 2026, os principais pontos de acompanhamento incluem a evolução dos reajustes tarifários, a manutenção de alavancagem compatível com o ciclo de capex, a expansão do setor privado, incluindo potenciais IPOs, e o avanço gradual dos indicadores de cobertura, dentro de um contexto regulatório ainda em processo de amadurecimento.

3. Proteínas

Flávio Fujihira | Fitch Ratings

Encerrando o painel, Flávio Fujihira apresentou a visão da Fitch para o setor de proteínas, que possui 6 empresas sob cobertura, sendo 4 classificadas como AAA e 100% com perspectiva estável. Em meio a um segmento naturalmente mais volátil, a Fitch destaca que escala e diversificação são fatores cruciais para uma melhor classificação do crédito.

O Brasil mantém posição de destaque no setor no mercado global, como maior exportador de proteínas e um dos principais produtores mundiais. Em 2025, o grupo figurou como o quarto maior grupo de produtos nas exportações brasileiras, com crescimento consistente dos volumes exportados.

Do ponto de vista de crédito, o EBITDA em escala, aliado à diversificação geográfica e de produtos, permite maior estabilidade de margens e absorção de choques. Segundo Fujihira, as empresas brasileiras do setor estão bem posicionadas e competitivas frente aos pares globais.

Em síntese, a combinação de disciplina financeira, liquidez confortável e expectativa de queda dos juros sustenta uma perspectiva construtiva para o crédito corporativo em 2026. Com ratings já refletindo um cenário-base de custos menores, os setores analisados — energia elétrica, saneamento e proteínas — tendem a preservar resiliência, impulsionados por receitas reguladas, execução de investimentos e posicionamento competitivo global. Ainda que a antecipação de captações em ano eleitoral, a moderação da demanda e o ambiente externo sigam no radar, o balanço de riscos permanece equilibrado e favorece um viés positivo para o perfil de crédito em geral.

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