Este é o nosso Preview do 4T25 para Financials Non-Banks sob nossa cobertura. O Nubank deve entregar mais um trimestre forte, apoiado pela contínua expansão no México, menores custos de funding e tendências resilientes no cartão no Brasil, resultando em um crescimento robusto de receita e lucro líquido. O Inter também deve apresentar um resultado sólido, com expansão da carteira de crédito, NIM mais forte e qualidade de ativos saudável, resultando em crescimento de lucros de dois dígitos. O BTG deve divulgar outro conjunto forte de resultados, com atividade saudável em DCM, fluxos resilientes de clientes em S&T e contínua expansão de AuM/AuA. A B3 deve apresentar melhora nos volumes de Renda Variável e Derivativos, força consistente em Renda Fixa, custos controlados e uma alíquota efetiva de imposto menor, apoiando um crescimento significativo dos lucros. O BR Partners deve se beneficiar da melhora na atividade de Mercado de Capitais. Os resultados do PagBank devem ser neutros, com o TPV melhorando modestamente e pressão na take-rate devido ao mix, enquanto a carteira de crédito segue em expansão com qualidade estável, sustentando um crescimento do lucro líquido na faixa de dígitos médios. Enquanto isso, a Stone deve enfrentar um trimestre mais pressionado, com TPV mais lento, compressão sazonal de take-rate e pressão de despesas. A Caixa Seguridade deve entregar um trimestre estável, com tração operacional contínua, índices de sinistralidade controlados e resultados financeiros em linha, levando a um lucro líquido amplamente estável. No geral, consideramos o NU como o destaque da temporada de resultados de Financials Non-Banks.
Confira a análise dos resultados das empresas da Bolsa referentes ao 3º trimestre de 2025
Nubank
Esperamos mais um trimestre sólido para o NU, à medida que o momentum no México segue se fortalecendo, em paralelo a um desempenho resiliente no Brasil. No México, os resultados devem refletir uma fase saudável de escala da operação, apoiada por entradas de depósitos impulsionadas pela sazonalidade de dezembro e pelo amplo espaço para continuar expandindo a carteira de crédito. Também esperamos novas reduções no custo de funding, decorrentes do repricing dos depósitos ao longo do 4T, enquanto a qualidade de crédito deve permanecer bem comportada (veja aqui nosso relatório recorrente de dados do NU México).
No Brasil, o desempenho do cartão de crédito deve continuar melhorando à medida que as atualizações de limites se normalizam e o negócio se beneficia da sazonalidade típica do 4T. Já o crédito com garantia tende a refletir menor originação na linha de crédito FGTS. O custo de funding deve se beneficiar tanto da força sazonal dos depósitos quanto da curva de adoção gradualmente declinante das “Caixinhas”. As despesas operacionais devem seguir os padrões usuais do 4T, levando a um Índice de Eficiência mais pressionado no curto prazo, que deve permanecer amplamente estável.
Como resultado, estimamos que a Receita Total avance 55,6% a/a (+11,4% t/t) para R$4,7 bilhões, com Lucro Bruto atingindo R$2,1 bilhões (+51,1% a/a; +13,5% t/t). Essa dinâmica deve levar o Lucro Líquido a R$905 milhões (+63,7% a/a; +15,6% t/t), implicando um ROE de 32,9% (+180 bps t/t).
Inter
Esperamos um 4T positivo para o Inter. Projetamos que a carteira de crédito encerre o ano com crescimento em torno de 30% a/a, puxado principalmente por forte expansão em crédito imobiliário, cartões de crédito e consignado privado. O saldo de consignado privado deve terminar 2025 próximo de R$2,0 bilhões. Além disso, esperamos NIM e NIMAL (margem financeira após perdas) mais altos. Como resultado, as receitas devem atingir R$2,4 bilhões (+9% t/t; +28% a/a).
Em custo de risco, antecipamos mais um trimestre pressionado, sobretudo devido à evolução do consignado privado. A qualidade de ativos segue saudável, apesar de uma deterioração marginal em cartão de crédito. As receitas de tarifas devem manter a tendência mais fraca observada ao longo do ano. Do lado do índice de eficiência, estimamos um número praticamente estável, com aumento de despesas de pessoal devido à maior participação nos lucros e ao reajuste anual do acordo coletivo.
No consolidado, projetamos lucro líquido recorrente (ex-minoritários) de R$376 milhões (+12% t/t; +28% a/a), implicando ROE de 15,7% (+120 bps t/t; +220 bps a/a).
BTG Pactual
Esperamos que o BTG entregue mais um conjunto sólido de resultados no 4T25. O Investment Banking (IB) deve registrar R$600 milhões em receitas no trimestre (-7% t/t, mas +18% vs. 4T24), refletindo a atividade ainda aquecida em DCM. O corporate lending deve manter crescimento de dois dígitos a/a. Em S&T, esperamos volumes positivos de clientes combinados com otimização de VaR, sustentando crescimento acima de 20% a/a.
Apesar de menos dias úteis, esperamos que Asset Management e Wealth Management mantenham o momentum positivo, sobretudo devido a maiores AuM/AuA e WuM. No consolidado, projetamos Receita Total de R$9,0 bilhões (+33% a/a e +2% t/t). Também esperamos que as despesas permaneçam praticamente estáveis como percentual das receitas.
Com isso, o BTG deve reportar lucro líquido recorrente de R$4,6 bilhões (+41% a/a e +2% t/t) e uma queda de 30 bps t/t no ROE (+470 bps em 2025 vs. 2024).
B3
Esperamos um 4T sólido para a B3. Renda Variável deve mostrar sinais iniciais de recuperação após vários trimestres de atividade mais fraca no mercado de capitais, enquanto Derivativos deve melhorar vs. 3T, embora ainda limitado pela base de comparação mais difícil vs. 4T24 e pela recuperação gradual dos volumes de futuros de cripto. Além disso, esperamos força contínua em Renda Fixa e em outras linhas de receita, sustentando um aumento de 6,8% a/a (+3,1% t/t) na Receita Líquida, para R$2,6 bilhões no trimestre.
Do lado de custos, esperamos despesas bem controladas, ajudando a sustentar a rentabilidade. Esses fatores combinados apontam para uma margem EBITDA de 67% (+20 bps a/a). O principal destaque do trimestre deve ser a menor alíquota efetiva de imposto, impactada pelo anúncio extraordinário de Juros sobre Capital Próprio (JCP) feito em dez/25. Para 2026 e 2027, a B3 poderia distribuir um adicional de aproximadamente R$4,0 bilhões, o que deve compensar temporariamente a alíquota maior de CSLL. Como resultado, o lucro líquido deve atingir R$1,6 bilhão (+38,2% a/a; +30,7% t/t).
BR Partners
Esperamos um trimestre saudável para o BR Partners. Para o 4T, projetamos que o Investment Banking (IB) apresente sinais de recuperação, apoiado pela melhora da atividade de mercado ao longo do trimestre. Ainda assim, o reconhecimento das receitas dos deals tende a ocorrer com defasagem, algo inerente ao modelo de negócios. Enquanto isso, DCM segue forte, à medida que a companhia atrai mais clientes recorrentes. Na frente de Tesouraria, o 4T deve continuar positivo. Em Wealth, vemos a empresa ainda em fase de ramp-up da operação e esperamos que mantenha desempenho semelhante ao dos últimos trimestres.
As receitas de capital devem continuar se beneficiando de juros mais altos, o que deve ser parcialmente compensado por menor contribuição de Equities, em função da antecipação de dividendos. Como resultado, esperamos que a Receita Total caia 4,6% a/a (+3,0% t/t). O lucro operacional deve atingir R$66 milhões (+2,5% t/t), pois antecipamos uma leve melhora no Índice de Eficiência, apesar de maiores despesas com pessoal. Por fim, projetamos lucro líquido de R$43 milhões (+2,7% a/a; +2,5% t/t), implicando ROAE de 20,8% (+40 bps a/a; -10 bps t/t).
PagBank
Esperamos resultados neutros para o PagBank no 4T. Após um 3T mais fraco, a companhia deve encerrar o ano mostrando sinais iniciais de recuperação. A Receita e Renda Totais devem alcançar R$5,4 bilhões (+6,3% a/a; +6,5% t/t). Em um ambiente macro mais desafiador, o TPV deve continuar apresentando contração de volumes a/a, ainda que em ritmo mais moderado do que no 3T. Do lado de preços, esperamos pressão na take-rate, impulsionada por um mix menos favorável à medida que Pix e Débito ganham participação.
Na frente de crédito, a carteira deve seguir em expansão, especialmente nas linhas de capital de giro, que vêm se tornando cada vez mais relevantes para a companhia. Enquanto isso, os depósitos devem voltar a crescer, ainda que de forma gradual. A qualidade de crédito deve permanecer amplamente estável, embora as provisões provavelmente aumentem, refletindo tanto uma carteira maior quanto um mix com maior risco.
Por fim, do lado de custos, esperamos despesas controladas, sustentando a alavancagem operacional. Como resultado, projetamos lucro líquido de R$623 milhões (+4,0% a/a; +12,4% t/t).
Stone
Esperamos um 4T pressionado para a Stone. O TPV deve desacelerar, refletindo um ambiente macro mais fraco. A take-rate tende a cair na comparação t/t, por conta da sazonalidade típica do 4T e de um mix maior de débito/Pix, em meio a maior liquidez no mercado.
No lado de crédito, a carteira deve seguir crescendo em um trimestre sazonalmente forte, apoiada pelo repricing contínuo conforme o portfólio é renovado a níveis mais altos de yield. As NPLs devem continuar subindo à medida que a carteira amadurece, embora o custo de risco deva permanecer amplamente controlado. Com isso, as receitas devem apresentar crescimento sequencial mais fraco (+2,9% t/t; +11,4% a/a), com o lucro bruto ajustado avançando em termos absolutos (+0,9% t/t; +6,2% a/a), mas com margens praticamente estáveis.
Do lado de despesas, as eficiências em logística obtidas ao longo do ano devem continuar, os custos de atendimento ao cliente devem seguir melhorando, enquanto os gastos com tecnologia tendem a permanecer como fonte de pressão. As provisões devem ser impactadas por maiores chargebacks, impulsionados pela demanda por liquidação imediata, e D&A deve ser o principal vento contrário, à medida que investimentos recentes seguem passando pelo resultado. Por fim, uma alíquota efetiva de imposto ligeiramente melhor vs. 3T deve sustentar crescimento de lucro líquido ajustado na faixa de dígitos médios (no 4T24, a Stone teve um impacto não recorrente ligado ao desinvestimento da Linx).
Caixa Seguridade
Esperamos um 4T25 amplamente estável para a Caixa Seguridade. No segmento de Previdência, o trimestre foi marcado por força sazonal, parcialmente atenuada por efeitos do IOF. Capitalização deve seguir crescendo em ritmo constante, embora esperemos maior nível de provisões, ligado a um saldo em aberto mais maduro. Consórcios deve manter o momentum positivo, ainda que a comparação a/a possa ser impactada pelas campanhas lançadas em 2024. Em 2025, o desempenho ficou mais distribuído ao longo do ano.
Em Riscos, Habitação segue como o principal motor de crescimento, à medida que o funding imobiliário da Caixa e ajustes de apólice sustentam a originação e uma base inicial mais forte para 2026; Residencial deve crescer em patamar de “low to mid teens” nas renovações e recuperar terreno. Em Vida, a companhia vem reconstruindo a oferta em produtos com pagamento mensal, o que limita os prêmios no curto prazo, mas cria base para crescimento de “high single digit” a “low double digit” no futuro; enquanto isso, Vida Crédito deve atingir seu ponto mais fraco no 4T25 devido ao choque do INSS, mas tende a se recuperar sequencialmente ao longo de 2026, apoiado pela tese de consignado privado associada à proteção de renda. Os índices de sinistralidade permanecem bem comportados, as despesas devem ficar amplamente estáveis (com apenas uma leve consultoria em 2026) e o resultado financeiro deve ficar de lado, com a sensibilidade à Selic amortecida pelo volume.
Como resultado, o trimestre deve refletir esses movimentos, com Receita Operacional projetada em R$1,5 bilhão (+6,1% a/a; +0,2% t/t). O Resultado Financeiro, apesar de uma leve queda de 8% t/t, mantém forte alta de 33,9% a/a, enquanto o Lucro Líquido deve atingir R$1,1 bilhão, com desempenho estável t/t e queda de 2,4% a/a. Em resumo, o 4T25 da CXSE deve consolidar uma performance sólida, apoiada por tendências estruturais favoráveis e por ajustes estratégicos que reforçam a capacidade de geração de valor da companhia.
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