DEB Raizen – JUN/2030

DEB Raizen – JUN/2030

  • Vencimento 17/06/2030
  • Rentab. -
  • Liquidez -
  • Juros -
  • Rating AAA(bra)
  • Risco (0 - 100) 24 Risco Médio

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  • Preço Unitário R$ 1.000,00

Análise do Emissor

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O Grupo Raízen é o maior grupo de combustível integrado do mundo, atuante desde a produção de cana-de-açúcar até a distribuição de combustíveis. Além disso, é o principal fabricante de etanol de cana-de-açúcar do país e o maior exportador individual de açúcar de cana no mercado internacional. No início de 2020, a empresa foi negativamente afetada pelo avanço da pandemia da covid-19 e das medidas de distanciamento social, que foram responsáveis pela redução do consumo de etanol e contração das suas cotações. Porém, a recuperação da atividade econômica a partir de meados de maio foi responsável pelo aumento da demanda por combustíveis no país, ajudando na retomada dos resultados da empresa. Em 2020, a Raízen apresentou expansão de 4,3% em seu EBITDA ante o acumulado em 2019, para R$ 6,8 bilhões. A dívida líquida totalizou R$ 18,1 bilhões e a relação Dívida Líquida / EBITDA atingiu 2,7x ao fim de dezembro, ante 2,6x em dezembro de 2019. A empresa possui covenant de alavancagem de 3,5x.

Destaques positivos

  • Maior produtor de cana de açúcar global em volume de moagem.
  • Segunda maior distribuidora de combustíveis no Brasil.
  • Verticalização dos negócios de etanol e diversificação das operações.

Pontos de atenção

  • Suscetível a quebras de safra.
  • Dependência de fornecedores.
  • Produto principal é commodity.
  • Eletrificação da rede de carros.

Quem é a Raízen?

História

A Raízen Energia foi fundada em 2011, por meio da integração de parte dos negócios da Cosan, até então maior produtora mundial de açúcar e álcool, e da operação brasileira da Shell. A nova empresa assumiu as unidades da Cosan responsáveis pelas atividades de produção de açúcar e etanol e cogeração de energia e as operações de distribuição e comercialização de combustíveis de ambas as companhias.

Em 2012, a Raízen consolidou parceria com a rede de postos Mime, original de Santa Catarina, reforçando sua presença no sul do Brasil.

O primeiro duto para transporte exclusivo de etanol do mundo foi inaugurado em 2013 pela empresa Logum, a qual a Raízen possui participação. O empreendimento transporta o álcool da cana entre os centros produtores e consumidores de Goiás, Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro.

A primeira emissão de debêntures da companhia ocorreu em 2013, com captação de R$ 750 milhões.

A empresa adquiriu os ativos de refino e distribuição de combustíveis da Shell na Argentina em 2018, primeiro passo para a internacionalização das suas operações.

Em fevereiro de 2021, a Raízen anunciou acordo para aquisição da Biosev, uma das líderes mundiais no setor sucroalcooleiro, com 13 unidades produtoras no país. A transação envolve a emissão de novas ações e o desembolso de R$ 3,6 bilhões, para refinanciamento da dívida da controladora, e foi aprovada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) no último mês de março.

Atuação

O Grupo Raízen é o maior grupo de combustível integrado do mundo, atuante desde a produção de cana-de-açúcar até a distribuição de combustíveis. Além disso, é o principal fabricante de etanol de cana-de-açúcar do país e o maior exportador individual de açúcar de cana no mercado internacional.

A empresa possui capacidade instalada para moagem de 73 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, que produzem cerca de 2,5 bilhões de litros de etanol por ano e 4,2 milhões de toneladas de açúcar.

Com a concretização da aquisição da Biosev, a Raízen aumentará seu número de usinas produtivas no Brasil de 26 para 35. À nível de grandeza, essas 35 usinas juntas foram responsáveis pela moagem de 105 milhões de toneladas de cana na safra 2019/20, o que correspondeu a 17,8% da produção da região Centro-Sul do Brasil.

As atividades voltadas à produção e comercialização de açúcar, etanol e cogeração de energia a partir do bagaço de cana-de-açúcar estão ligadas à Raízen Energia (42,7% do EBITDA da Safra 2019/20), enquanto as atividades de distribuição de combustíveis sob a marca Shell, suprindo rede de postos de serviços, bases em aeroportos e clientes B2B no Brasil e na Argentina, estão ligadas à Raízen Combustíveis (57,3% do EBITDA da Safra 2019/20).

Presença

A Raízen conta com 26 unidades produtivas na região Centro-Sul do Brasil, localizadas nos estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul e Goiás. A empresa também opera duas unidades na cidade de Buenos Aires (Argentina).

Entre as unidades produtivas e os postos de combustíveis, a companhia conta com 62 terminais de distribuição espalhados ao redor do país para dar vazão à sua produção. Na Argentina, a Raízen possui três depósitos e dois terminais em aeroportos.

Na frente de distribuição de combustíveis, a companhia atua no Brasil por mais de 5.000 postos e na Argentina por mais de 1.000, ambos sob a bandeira Shell.

Quem são seus acionistas?

Shell (50,0%): multinacional anglo-holandesa. Atua nos segmentos de energia (petróleo, gás natural e bioenergia) em mais de 130 países. É uma das maiores empresas do mundo em receita bruta.

Cosan (50,0%): é uma das maiores empresas do país, com investimentos nos setores de agronegócio, distribuição de combustíveis e gás natural e lubrificantes. Seus principais negócios são: Raízen, Comgás e Moove. A Cosan S.A. é listada na B3 no mais alto nível de governança corporativa (“Novo Mercado”).

A Raízen é uma empresa de capital fechado, ou seja, ao contrário de uma empresa de capital aberto, suas ações não são comercializadas em bolsas de valores ou mercado de balcão. O capital social representado pelas ações é dividido entre poucos acionistas.

Principais fatores do crédito

Para melhor entendimento, esclarecemos que a nomenclatura “3T21” significa “terceiro trimestre da safra 2020/2021”, período de outubro a dezembro de 2020. Suas variações também se aplicam (ex: 4T20 seria o quarto trimestre da safra de 2019/2020, intervalo de janeiro a março de 2020).

Fonte: XP Investimentos, Raízen.

Cenário atual

Com o avanço da pandemia da covid-19 no Brasil no início da safra 2020/2021 e, por consequência, das medidas de distanciamento social, o consumo de combustíveis foi reduzido, elevando sua oferta e reduzindo, portanto, os preços.

1T21 (abril – junho de 2020): As vendas de combustíveis no Brasil reagiram rapidamente a essa nova dinâmica, contraindo 16,5% ante o registrado no 1T20, segundo dados da Agência Nacional de Petróleo (ANP).

2T21 (julho – setembro de 2020): A flexibilização das medidas de isolamento social, intensificada naquele trimestre, permitiu o crescimento de 19,2% no volume total comercializado no Brasil ante o trimestre anterior. Porém, na comparação anual, houve queda na demanda de 6,2% ante o 2T20.

3T21 (outubro – dezembro de 2020): A tendência de recuperação da atividade econômica permaneceu, levando a aumento da demanda por combustíveis no país, que cresceu 6% frente ao trimestre anterior, ainda que não tenha atingido o patamar pré-crise. Nota-se que a demanda para o diesel permaneceu aquecida mesmo com as medidas de restrição, em linha com a maior atividade industrial e agrícola.

Os dados mensais de vendas dos derivados combustíveis de petróleo pelas distribuidoras em 2020 e 2021, segundo a ANP, foram organizados em gráfico anexo ao fim do relatório.

Na frente sucroalcooleira, apesar dos preços do etanol terem reagido ao excesso de oferta no 1T21, suas cotações também voltaram a registrar maior valorização a partir do 3T21, beneficiadas por menor disponibilidade de etanol (mix voltado para o adoçante nesta safra), bem como do preço elevado da gasolina (manutenção de câmbio depreciado).

O fator cambial também tornou o cenário mais atrativo para a produção de açúcar. Embora suas cotações tenham atravessado um choque no primeiro semestre do ano, passando de R$ 1.500,00/tonelada em fevereiro para R$ 1.150,00/tonelada no auge da pandemia em abril, a recuperação da demanda e a desvalorização do real frente ao dólar foram responsáveis por uma escalada nos preços do açúcar em reais, que chegaram a atingir R$ 1.850/tonelada em novembro. O preço acima dos R$ 1.300/tonelada já é muito positivo para o setor, remunerando melhor as usinas.

Contudo, o cenário favorável para o setor pode vir a ser influenciado negativamente pelo clima seco. A menor ocorrência de chuvas, já observada durante o ano de 2020, também ocorreu no período de entressafra, o que pode comprometer a produtividade da safra seguinte (2021/2022).

Destaques operacionais

O processamento de cana no acumulado de nove meses da safra 2020/2021 atingiu 61,4 milhões, valor 3% superior ao acumulado no mesmo período da última safra. Nesse intervalo, sua produção seguiu voltada para o açúcar, com 53% da cana processada sendo voltada ao processamento do adoçante, em função da melhor dinâmica de preços. Nos primeiros nove meses da safra 2019/2020, o mix de produção foi de 49% para o açúcar vs. 51% para o etanol.

A expansão da moagem foi consequência do aumento da produtividade agrícola, que passou de 9,6 ATR/ha no 9M20 para 10,2 ATR/ha no 9M21, decorrente de maiores investimentos em manejo, plantio e trato.

Na operação de distribuição de combustíveis, o volume de ciclo Otto vendido nos primeiros nove meses da safra 2020/2021 sofreu queda de 15% ante o 9M19, sendo afetado pelas restrições de mobilidade. Enquanto isso, o volume de diesel apresentou estabilidade, beneficiado pelo forte desempenho do agronegócio.

A matriz de combustíveis do Ciclo Otto (etanol hidratado e gasolina) é utilizada na frota de veículos de passeio e carga leve.

Destaques financeiros

Receita líquida e EBITDA

A Raízen apresentou receita líquida de R$ 34,1 bilhões no 3T21, crescimento de 6,7% frente à receita do mesmo período do ano anterior, explicado pela recuperação da atividade econômica. Por outro lado, os R$ 118,9 bilhões acumulados nos últimos 12 meses encerrados em dezembro representaram contração de 7,2% ante os 12 meses imediatamente anteriores.

Enquanto isso, o EBITDA registrou expansão de 4,3% para R$ 6,8 bilhões, reflexo de ganhos de eficiência em custos. A margem dos últimos 12 meses foi de 6,14%, ante 5,69% em 2019.

Endividamento e alavancagem

A dívida líquida ajustada no 3T21 totalizou R$ 18,1 bilhões, expansão de 7,9% frente ao apurado no 3T20,  decorrente do maior endividamento em moeda estrangeira.

Enquanto isso, a relação Dívida Líquida / EBITDA atingiu 2,7x ao fim de dezembro, ante 2,6x no mesmo período do ano anterior. A empresa possui covenant de alavancagem de 3,5x.

A Raízen encerrou o exercício com disponibilidades totalizando R$ 3,4 bilhões, valor inferior aos vencimentos previstos para o ano de 2021, os quais somam R$ 5,3 bilhões. Porém, a menor posição de caixa no período é esperada dada a sazonalidade da cultura, já que as safras de cana de açúcar costumam ser encerradas em dezembro, portanto, a empresa possui maior estoque.

No mais, não enxergamos riscos do não cumprimento de obrigações, devido à disponibilidade de US$ 1 bilhão em linha de crédito rotativa, ao fácil acesso ao mercado de capitais e à forte geração de caixa da companhia. É esperado que com a colocação do estoque no mercado, a Raízen normalize sua posição de caixa.

Pontos de atenção

Suscetível a quebras de safra

O Brasil atravessa períodos de estiagem com uma certa recorrência, o que prejudica a agropecuária na região como um todo. Já que a cana demanda alta disponibilidade de água para seu desenvolvimento, a estiagem atrapalha o desenvolvimento da cana, podendo ocorrer quebra de safra.

Durante a safra 2018/19, por exemplo, a região de Ribeirão Preto sofreu quebra de safra de cerca de 20% da produção decorrente de estiagem.

Dependência de fornecedores de carna

No processo produtivo da cana-de-açúcar, a cana a ser processada pode ser de cultivo próprio da usina ou comprada de fornecedores terceiros. Das 26 usinas da Raízen, 24 utilizam metade de cana própria e metade de fornecedores. As duas usinas restantes possuem participação inferior de terceiros.

Portanto, afirma-se que as operações da Raízen são altamente dependentes de terceiros. Sendo assim, a empresa fica exposta aos riscos da rescisão de contratos com fornecedores e da negociação de novos contratos, que, devido à concorrência, pode não conseguir atingir taxas comparáveis.

Além disso, os contratos possuem prazos longos de vigência e preços fixos, o que, por um lado, protege a empresa de possíveis altas de custos, mas, por outro, pode diminuir os ganhos financeiros em períodos de desvalorização da cana.

Produto principal é commodity

Os produtos comercializados pela Raízen (açúcar e combustível) estão sujeitos a variação de preços que pode afetar o desempenho financeiro da empresa. Ambas as commodities estão expostas às oscilações naturais de preço por dinâmica de oferta e demanda.

No caso do açúcar, os valores de referência no mercado local também são afetados pelos preços em dólar praticados no exterior. Quanto ao mercado de etanol, sua cotação é influenciada pela dinâmica de preços da gasolina.

Visando reduzir a volatilidade, são executadas estratégias de hedge cambial, de açúcar e etanol, que podem ter efeitos adversos nos resultados.

Eletrificação da rede de carros

A produção de carros movidos a energia elétrica se acelera pelo mundo, provocando mudanças na indústria automobilística, mobilidade urbana e dinâmica de combustíveis. Na Europa, continente onde os carros elétricos são bem presentes, países como Noruega, Irlanda, Holanda, França e Reino Unido anunciaram a proibição da venda de carros movidos por motor a combustão em prazos que variam de 2025 a 2040.

No Brasil, a adoção em massa de veículos elétricos ainda é uma realidade distante. Em 2020, segundo dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), o mix é de apenas 1% do setor automotivo.

Contudo, mesmo que em um horizonte maior, a eletrificação da rede de carros no Brasil reduziria a demanda por combustíveis de maneira significativa, o que afetaria negativamente as vendas da Raízen, seu resultado operacional e desempenho financeiro.

Anexo

Fonte

ANP

Raízen

Veja mais

Em atendimento à Instrução CVM nº 598, de 3 de maio de 2018, informamos que a XP Investimentos CCTVM S.A. e/ou suas afiliadas (“XP Investimentos” ou “XP”) mantém relacionamento comercial com a Raízen, inclusive prestando serviços de assessoria com interesses financeiros e comerciais relevantes. Assim, o leitor deve ter ciência de tal informação e fazer sua própria análise e julgamento sobre eventual existência de conflito de interesses ou sobre a imparcialidade deste relatório. Cabe ressaltar que, opiniões emitidas anteriormente sobre a sociedade não estão abarcadas pelo posicionamento vigente, a cobertura da companhia emissora está suspensa por ora, mas o que foi publicado até então não perde sua validade ou eficácia. A XP Investimentos, expressamente, se limita e reserva o direito de recusar-se a atender qualquer solicitação baseada no conteúdo de informações especulativas sobre o relacionamento comercial com a referida sociedade.

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