Debênture Light Serviços de Eletricidade – OUT/2025

Debênture Light Serviços de Eletricidade – OUT/2025

  • Vencimento 15/10/2025
  • Rentab. IPC-A + 5,15%
  • Liquidez No Vencimento
  • Juros Semestral
  • Rating -
  • Risco (0 - 100) 31 Risco Alto

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  • Preço Unitário R$ 1.339,42

Análise do Emissor

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A Light S.A. é uma holding integrada de energia elétrica no Brasil, atuante nos setores de geração, distribuição, comercialização e soluções de energia. A área de concessão da Light representa cerca de 25% do estado do Rio de Janeiro e 65% de sua população. Apesar do histórico de elevado nível de perdas de energia, desde meados de 2020 a Light dá indícios de que irá reforçar seu processo de melhora operacional, com novo plano de ação para combate de perdas. A companhia apresentou crescimento na receita líquida de 13% em 2021, para R$ 13,9 bilhões. Já o EBITDA caiu cerca de 23% na comparação com o ano anterior, devido a efeitos não recorrentes em 2020 que inflaram o indicador naquele ano. A dívida líquida cresceu para R$ 7,4 bilhões em 2021, com alavancagem, medida por dívida líquida/EBITDA, de 3,48x, em conformidade com seu covenant de 3,75x.

Destaques positivos

  • Área de concessão importante.
  • Nova administração e acionistas.
  • Indicadores de qualidade (DEC e FEC) de acordo com padrões regulatórios.

Pontos de atenção

  • Elevados índices de perdas em região desafiadora.
  • Vencimento da concessão em 2026.
  • Riscos regulatórios.

Quem é a Light S.A.?

História

Fonte: XP Investimentos.

Como destaques mais recentes, em julho de 2019, o Conselho de Administração da Light aprovou follow-on ao preço de R$ 18,75/ação, sendo a oferta de distribuição primária e secundária. A Cemig reduziu sua participação na companhia de 49,9% para 22,6% e a BNDESPar de 9,4% para 6,3%. Assim, a Light se tornou uma corporation, empresa com capital pulverizado. Em outubro do mesmo ano, a Light Energia zerou sua participação na Renova, repassando ao fundo de investimento CG I.

A Cemig alienou o total de sua participação remanescente de 22,6% no capital social da Light em janeiro de 2021, por meio de oferta pública de distribuição primária e secundária, movimentando aproximadamente R$ 2,7 bilhões no total.

Atuação

A Light S.A. é uma holding integrada de energia elétrica no Brasil, atuante nos setores de geração, distribuição, comercialização e soluções de energia. Suas principais controladas diretas são a Light Serviços de Eletricidade S.A. (Light SESA), que concentra as operações de distribuição, e Light Energia S.A., de geração.

Suas outras controladas diretas são: LightCom Comercializadora de Energia S.A. (comercialização de energia), Light Conecta Ltda (geração de energia e serviços), Light Soluções em Eletricidade Ltda. (serviços) e Instituto Light (institucional).

Além disso, a empresa também atua por meio de suas controladas em conjunto: Lightger S.A. (responsável pelo empreendimento PCH Paracambi), Amazônia Energia Participações S.A. (para participação no projeto da UHE Belo Monte), Axxiom Soluções Tecnológicas S.A. (serviços de TI) e Energia Olímpica S.A. (constituída para a implantação da subestação Vila Olímpica e de duas linhas subterrâneas de 138 kV).

Presença

A área de concessão da Light representa cerca de 26% do estado do Rio de Janeiro (11.307 mil km²) e 64% de sua população (11 milhões de pessoas), com uma base de cerca de 4,3 milhões de clientes.

Sua presença ocorre em 31 municípios: Barra do Piraí, Barra Mansa, Belford Roxo, Carmo (abrangência parcial), Duque de Caxias (abrangência parcial), Engenheiro Paulo de Frontin, Itaguaí, Japeri, Comendador Levy Gasparian, Mendes, Mesquita, Miguel Pereira, Nilópolis, Nova Iguaçu, Paracambi, Paraíba do Sul (abrangência parcial), Paty do Alferes, Pinheiral, Piraí, Quatis, Queimados, Rio Claro, Rio das Flores, Rio de Janeiro, São João de Meriti, Sapucaia, Seropédica, Três Rios (abrangência parcial), Valença, Vassouras e Volta Redonda.

Fonte: Light.

Quem são seus acionistas?

As ações da Light são negociadas na B3 por meio do ticker LIGT3, admitidas à negociação no Novo Mercado, nível mais elevado de práticas diferenciadas de governança corporativa.

FIA Samambaia (20,0%): veículo de investimentos do banqueiro Ronaldo Cezar Coelho.

Santander PB FIA (10,2%): fundo de investimentos em ações de propriedade do Banco Santander Brasil.

Verde (5,0%): Fundada em 2015, a Verde Asset Management tem mais de R$ 46 bilhões em ativos sob gestão, com atuação nas estratégias de Multimercados, Ações e Internacionais.

Outros (64,8%).

Principais fatores do crédito

Para melhor entendimento, esclarecemos que a nomenclatura “4T21” significa “quarto trimestre de 2021”. Suas variações também se aplicam (ex: 4T20 seria o quarto trimestre de 2020).

Fonte: XP Investimentos, Light, Bloomberg.

Cenário atual

O Rio de Janeiro é um estado com grandes desigualdades sociais e alto índice de violência, observado com maior intensidade na região metropolitana. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o estado possuía 12,63% de seus domicílios em aglomerados subnormais em 2019.

Por causa desses desafios, a área de concessão da Light enfrenta um elevado nível de perdas. Seu combate é dificultado em áreas dominadas por milícias e facções criminosas, uma vez que colocam em risco a vida de funcionários que realizariam operações necessárias, como blindagem e troca de medidores para aumentar a eficiência das medições (e do faturamento).

Por outro lado, desde meados de 2020, a Light dá indícios de que irá reforçar seu processo de melhora operacional, com novo plano de ação para combate de perdas de energia.

O aumento de capital, realizado em janeiro de 2021, trouxe fôlego na alavancagem e melhorou a estrutura de capital da companhia, com novos acionistas de maior porte para sustentar o processo de turnaround.  

De acordo com Nonato Castro, diretor-presidente do Conselho de Administração, melhorias já foram realizadas, como intensificação de inspeção em clientes maiores e recuperação em “áreas possíveis”, que não são consideradas de risco. Porém, os resultados mais significativos deverão ser consolidados daqui a quatro ou cinco anos, segundo a empresa.

Destaques operacionais

Em 2021 a LightCom (braço de comercialização de energia) comercializou 667 MWm de energia, 6,4% acima do volume de 2020. Esse crescimento é resultado da maior eficiência nas negociações intra-ano com agentes de mercado (geradoras e comercializadoras). Outro fator foi o fechamento de novas operações com clientes finais, o que contribuiu também para o aumento da carteira de clientes da LightCom.

O consumo de clientes cativos da Light totalizou 3.762 GWh no 4T21, contração de 14,7% no trimestre, justificado pela lenta recuperação da economia, com destaque para a classe Comercial, e das temperaturas médias historicamente baixas verificadas (o que prejudica o consumo). Já o uso de rede teve aumento de 5,4%, influenciado pelos clientes livres, resultado da migração dos clientes de grande e médio portes.

O consumo das concessionárias, que representa apenas a energia transportada pela rede e que será consumida em outras concessões que fazem fronteira com a da Light, foi reduzido em 118 GWh, resultando em uma retração anual de 39,8%.

O mercado total de energia da Light em 2021 foi de 25.082 GWh, 2,4% inferior ao registrado no ano anterior. O volume de venda no ACL foi de 455 MWh, -14,3% se comparado a 2020 e a compra no ACL foi de 74 MWh, -21,3%. Essa redução no volume de transação ocorreu em virtude da estratégia de sazonalização da garantia física e da menor necessidade de compra no ACL.

Qualidade

Fonte: Companhia. Elaboração: XP.

A perda total dos últimos 12 meses encerrados em dezembro de 2021 foi de 9.105 GWh vs. 8.992 GWh em dezembro de 2020. O indicador de perda total sobre a carga fio encerrou 2021 em 26,63% contra 25,92% no final de 2020.

Em 2021, a Light alcançou os valores de 6,34 horas no DECi e 3,44x no FECi da Companhia, representando uma redução de 9,9% e 26,2%, respectivamente, na comparação com o mesmo período do ano anterior. A Light continua com excelentes resultados operacionais, sendo, em 2021, a 3ª melhor distribuidora do País em termos de FECi e a 4ª melhor no DECi.

Destaques financeiros

Receita líquida e EBITDA

Fonte: Companhia. Elaboração: XP.

Em 2021, a Light apresentou uma receita líquida de R$13,9 bilhões, 13% acima do realizado em 2020. Esse aumento se deu majoritariamente pelo reajuste tarifário realizado em março de 2021, mesmo com a lenta recuperação do mercado.

Em 2021, o EBITDA Ajustado foi de R$1,9 bilhão, uma redução de 23% em relação ao apurado em 2020. Essa retração foi devido a lançamentos não-recorrentes em 2020, que impactaram o EBITDA Ajustado em +R$323,3 milhões naquele ano, referentes ao acordo para encerrar a demanda judicial indenizatória contra Furnas (R$ 394 milhões) e aos efeitos da decisão judicial sobre à limitação de ICMS sobre o Ativo Fixo (-R$ 71 milhões). Tal impacto foi parcialmente compensado pela redução das provisões, que apresentaram saldo positivo de R$150,3 milhões entre os anos.

Endividamento e alavancagem

Fonte: Companhia. Elaboração: XP.
Obs: Cálculo da alavancagem para efeitos de covenants.

A dívida líquida da Light totalizou R$ 7,4 bilhões ao fim do 4T21, 34% superior à posição registrada ao fim de 2020. A relação Dívida Líquida/EBITDA totalizou 3,48x, superior ao índice de 2,44x do 3T21. O indicador está em conformidade com o covenant da maioria de suas emissões, que é de 3,75x.

A Light encerrou 2021 com posição de caixa de R$ 3,6 bilhões, o que seria suficiente para cumprir com seu cronograma de amortização de dívidas até o fim de 2024.

Investimentos (capex)

Fonte: Companhia. Elaboração: XP.

O valor total de investimentos no ano de 2021 foi de R$1,4 bilhão, 50% acima se comparado ao ano anterior. O segmento de distribuição totalizou R$1,2 bilhão, com destaque para a rubrica de Engenharia, que somou R$556 milhões, associados na sua maior parte a novas ligações, manutenção da rede subterrânea e aumento da capacidade dos ativos de transmissão. Além disso, foram investidos R$461 milhões no programa de combate às perdas e melhoria de arrecadação, com maior foco para as medidas de recuperação de energia decorrentes da intensificação das atividades de blindagem e de normalização de clientes.

Pontos de atenção

Elevados índices de perdas em área de concessão desafiadora

Com base na complexidade de cada concessão de distribuição, medida pelas condições de operação e nível de furtos e fraudes de energia, a Aneel define valores máximos de perdas que poderão ser repassados às tarifas das distribuidoras.

Conforme anteriormente mencionado, a área de concessão da Light é desafiadora, o que acarreta elevado nível de perdas. Em 2020, o indicador de perda total sobre a carga fio atingiu 25,92%, inferior ao patamar de 26,04% apurado em 2019, porém 6,72 pontos percentuais acima do limite de repasse regulatório na tarifa de 19,2%.

A empresa busca reduzir suas perdas nas “áreas possíveis”, que não são consideradas de risco (com maior presença das milícias). Contudo, é possível que a Light não consiga reduzir suas perdas ao limite estabelecido pela Aneel. Caso isso ocorra, a distribuidora não poderá repassar a totalidade dos custos às tarifas, o que pode afetar adversamente o desempenho financeiro da Light.

Vencimento da concessão em 2026

A assinatura do último contrato de concessão do braço de distribuição da Light com o Governo Federal, em julho de 1996, previa prazo de 30 anos para as operações, com vencimento em junho de 2026

O Poder Concedente poderá decidir pela renovação ou não de suas concessões, e a empresa não pode garantir que estas serão renovadas. É possível que a Light esteja sujeita a novas condições para a renovação ou passe por um processo competitivo caso venha a requere-las, assim como qualquer empresa concessionária do setor.

Se suas concessões forem renovadas em termos menos favoráveis, o desempenho financeiro da Light deverá ser afetado negativamente. No caso de não renovação, a Light SESA poderá ser extinta.

Como mitigante, no cenário de perda da concessão, a Light deverá ser ressarcida pelo valor aproximado da sua base de ativos regulatório líquida, o que, em nossa visão, seria suficiente para quitar as atuais obrigações financeiras.

Além disso, aponta-se que a Light SESA aderiu às novas regras impostas pelo governo para o setor de distribuição em março de 2017, as quais são mais rígidas em relação ao cumprimento de indicadores de qualidade de serviço e de sustentabilidade econômico-financeira. O não cumprimento dos indicadores poderá levar à instauração de processo administrativo para extinção da concessão ou abertura de processo de caducidade.

Riscos regulatórios

O serviço público de energia no Brasil é regido pela Aneel, que possui as funções de regulação, fiscalização, mediação e definição de tarifas, para garantir o equilíbrio do mercado. Logo, alterações nas legislações e portarias já existentes, podem impactar o fluxo de caixa das companhias elétricas. Como exemplo, é possível citar as atuais discussões de reforma tributária ou da reforma do setor elétrico (Projeto de Lei do Senado nº 232/2016).

Dentre os três principais segmentos do setor de energia elétrica (geração, transmissão e distribuição), os serviços de distribuição estão mais expostos a riscos, já que as tarifas dos projetos de geração e transmissão são acordadas nos leilões, ao passo em que as audiências de revisões tarifárias das distribuidoras ocorrem a cada cinco anos em geral.

Fonte

Aneel

IBGE

Light

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