Debênture Light Serviços de Eletricidade – ABR/2024

Debênture Light Serviços de Eletricidade – ABR/2024

  • Vencimento 15/04/2024
  • Rentab. -
  • Liquidez -
  • Juros -
  • Rating -
  • Risco (0 - 100) 24 Risco Médio

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  • Preço Unitário R$ 1.000,00

Análise do Emissor

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A Light S.A. é uma holding integrada de energia elétrica no Brasil, atuante nos setores de geração, distribuição, comercialização e soluções de energia. A área de concessão da Light representa cerca de 26% do estado do Rio de Janeiro e 64% de sua população. Apesar do histórico de elevado nível de perdas de energia, desde meados do ano passado a Light dá indícios de que irá reforçar seu processo de melhora operacional, com novo plano de ação para combate de perdas. O recente aumento de capital, realizado em janeiro de 2021, trouxe fôlego na alavancagem, com queda de 21% no endividamento líquido no 1T21 ante o 4T20, enquanto a relação Dívida Líquida/EBITDA caiu de 1,73x para 1,4x no mesmo período (vs. covenant de 3,75x). Além disso, melhorou a estrutura de capital da empresa, com novos acionistas de maior porte para sustentar o processo de recuperação dos ativos.

Destaques positivos

  • Área de concessão importante.
  • Nova administração e acionistas.
  • Indicadores de qualidade (DEC e FEC) de acordo com padrões regulatórios.

Pontos de atenção

  • Elevados índices de perdas em região desafiadora.
  • Vencimento da concessão em 2026.
  • Riscos regulatórios.

Quem é a Light S.A.?

História

Fonte: XP Investimentos.

Como destaques mais recentes, em julho de 2019, o Conselho de Administração da Light aprovou follow-on ao preço de R$ 18,75/ação, sendo a oferta de distribuição primária e secundária. A Cemig reduziu sua participação na companhia de 49,9% para 22,6% e a BNDESPar de 9,4% para 6,3%. Assim, a Light se tornou uma corporation, empresa com capital pulverizado. Em outubro do mesmo ano, a Light Energia zerou sua participação na Renova, repassando ao fundo de investimento CG I.

A Cemig alienou o total de sua participação remanescente de 22,6% no capital social da Light em janeiro de 2021, por meio de oferta pública de distribuição primária e secundária, movimentando aproximadamente R$ 2,7 bilhões no total.

Atuação

A Light S.A. é uma holding integrada de energia elétrica no Brasil, atuante nos setores de geração, distribuição, comercialização e soluções de energia. Suas principais controladas diretas são a Light Serviços de Eletricidade S.A. (Light SESA), que concentra as operações de distribuição, e Light Energia S.A., de geração.

Suas outras controladas diretas são: LightCom Comercializadora de Energia S.A. (comercialização de energia), Light Conecta Ltda (geração de energia e serviços), Light Soluções em Eletricidade Ltda. (serviços) e Instituto Light (institucional).

Além disso, a empresa também atua por meio de suas controladas em conjunto: Lightger S.A. (responsável pelo empreendimento PCH Paracambi), Amazônia Energia Participações S.A. (para participação no projeto da UHE Belo Monte), Axxiom Soluções Tecnológicas S.A. (serviços de TI) e Energia Olímpica S.A. (constituída para a implantação da subestação Vila Olímpica e de duas linhas subterrâneas de 138 kV).

Presença

A área de concessão da Light representa cerca de 26% do estado do Rio de Janeiro (11.307 mil km²) e 64% de sua população (11 milhões de pessoas), com uma base de cerca de 4,3 milhões de clientes.

Sua presença ocorre em 31 municípios: Barra do Piraí, Barra Mansa, Belford Roxo, Carmo (abrangência parcial), Duque de Caxias (abrangência parcial), Engenheiro Paulo de Frontin, Itaguaí, Japeri, Comendador Levy Gasparian, Mendes, Mesquita, Miguel Pereira, Nilópolis, Nova Iguaçu, Paracambi, Paraíba do Sul (abrangência parcial), Paty do Alferes, Pinheiral, Piraí, Quatis, Queimados, Rio Claro, Rio das Flores, Rio de Janeiro, São João de Meriti, Sapucaia, Seropédica, Três Rios (abrangência parcial), Valença, Vassouras e Volta Redonda.

Fonte: Light.

Quem são seus acionistas?

As ações da Light são negociadas na B3 por meio do ticker LIGT3, admitidas à negociação no Novo Mercado, nível mais elevado de práticas diferenciadas de governança corporativa.

FIA Samambaia (20,0%): veículo de investimentos do banqueiro Ronaldo Cezar Coelho.

Santander PB FIA (10,2%): fundo de investimentos em ações de propriedade do Banco Santander Brasil.

Atmos Capital (6,3%): gestora carioca fundada em 2009, contando com US$ 8,3 bilhões em ativos sob gestão em 2020.

Outros (63,6%).

Principais fatores do crédito

Para melhor entendimento, esclarecemos que a nomenclatura “1T21” significa “primeiro trimestre de 2021”. Suas variações também se aplicam (ex: 4T20 seria o quarto trimestre de 2020).

Fonte: XP Investimentos, Light, Bloomberg.

Cenário atual

O Rio de Janeiro é um estado com grandes desigualdades sociais e alto índice de violência, observado com maior intensidade na região metropolitana. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o estado possuía 12,63% de seus domicílios em aglomerados subnormais em 2019.

Por causa desses desafios, a área de concessão da Light enfrenta um elevado nível de perdas. Seu combate é dificultado em áreas dominadas por milícias e facções criminosas, uma vez que colocam em risco a vida de funcionários que realizariam operações necessárias, como blindagem e troca de medidores para aumentar a eficiência das medições (e do faturamento).

Por outro lado, desde meados de 2020, a Light dá indícios de que irá reforçar seu processo de melhora operacional, com novo plano de ação para combate de perdas de energia.

Destacam-se:

  • A entrada do investidor Ronaldo Cezar Coelho na composição acionária da companhia por meio do FIA Samambaia, em janeiro de 2020. O ex-banqueiro também possui cerca de 20% de participação na Energisa, empresa com bons indicadores operacionais nas subsidiárias detidas há mais tempo.  
  • Em setembro, o executivo Firmino Sampaio renunciou ao Conselho da Equatorial Energia e foi indicado para o cargo de presidente do conselho de administração da Light.
  • Em outubro, o conselho de administração da empresa elegeu Nonato Castro como diretor-presidente, executivo com passagem pela diretoria das distribuidoras Cepisa, Celpa e Cemar, empresas que também possuíam ativos estressados e atravessaram processos de turnaround com resultados satisfatórios.

O recente aumento de capital, realizado em janeiro de 2021, trouxe fôlego na alavancagem e melhorou a estrutura de capital da companhia, com novos acionistas de maior porte para sustentar o processo de turnaround.  

De acordo com Nonato Castro, melhorias já foram realizadas, como intensificação de inspeção em clientes maiores e recuperação em “áreas possíveis”, que não são consideradas de risco. Porém, os resultados mais significativos deverão ser consolidados daqui há quatro ou cinco anos, segundo a empresa.

Destaques operacionais

O consumo de clientes cativos da Light totalizou 16.621 GWh em 2020, contração de 7,6% ante 2019, justificado em sua maior parte pela retração da classe Comercial. Já o consumo dos clientes livres totalizou 7.285 GWh, relativamente em linha em comparação com o último ano.

O consumo das concessionárias, que representa apenas a energia transportada pela rede e que será consumida em outras concessões que fazem fronteira com a da Light, foi de 1.798 GWh, retração anual de 25,6%.

O mercado total de energia da Light em 2020 foi de 25.703 GWh, 7,1% inferior ao registrado no ano anterior. O mercado livre finalizou o exercício representando 30,7% do mercado total da distribuidora.

Já no primeiro trimestre de 2021, o mercado total de energia da distribuidora somou 7.071 GWh, retração de 1,7% ante o apurado no 1T20. O consumo dos clientes cativos contraiu 2,0%, enquanto o consumo dos clientes livres aumentou 7,3%.

As perdas aumentaram 3% no acumulado de 12 meses terminados no 1º trimestre de 2021 frente ao período findo no 1T20. O indicador de perda total sobre a carga fio encerrou o intervalo em 27,18%, 1,74 ponto percentual superior na mesma janela. A métrica permanece acima do teto regulatório (19,3%).

Apesar disso, a Light continuou a registrar melhora na qualidade dos serviços prestados. O indicador DEC (Duração Equivalente de Interrupção por Unidade Consumidora) foi de 6,95 horas em nos últimos 12 meses encerrados no 1T21, redução de 10,7% frente ao período de 12 meses imediatamente anteriores, enquanto o FEC (Frequência Equivalente de Interrupção por Unidade Consumidora) foi de 4,41x, redução de 7,7% no mesmo intervalo. Ambos os indicadores vieram abaixo dos limites máximos estabelecidos pela Aneel.

Destaques financeiros

Receita líquida e EBITDA

Apesar da retração no consumo de energia em 2020, a Light S.A. apresentou variação positiva de 2,7% na receita líquida recorrente em relação ao ano anterior, totalizando R$ 11,9 bilhões. Enquanto isso, o EBITDA recorrente totalizou R$ 2,1 bilhões no ano, montante 28,3% superior ao apurado em 2019, e margem EBITDA de 18%.

No 1T21, a Light gerou R$ 419,8 milhões em EBITDA, redução anual de 9,9%. A queda foi motivada, principalmente, pela elevação das perdas no período, que impactou o resultado em R$ 161,4 milhões. A piora no índice de perdas na distribuição foi parcialmente mitigada pela melhora nos segmentos de Geração, Comercialização e Outros.

Endividamento e alavancagem

A dívida líquida da Light totalizou R$ 4,3 bilhões ao fim do 1T21, 21% abaixo da posição registrada ao fim de 2020. O menor endividamento líquido é resultado da maior robustez de caixa da companhia, que encerrou o intervalo em R$ 4 bilhões, reflexo do follow-on realizado no último mês de janeiro, no valor de R$ 1,34 bilhão.

A relação Dívida Líquida/EBITDA totalizou 1,4x, consideravelmente inferior ao índice de 1,73x do 4T20. O indicador é inferior ao covenant da maioria de suas emissões, que é de 3,75x.

Com a recente capitalização da empresa, a Light possui R$ 4 bilhões em caixa (saldo do fim de março), ante investimentos anuais esperados de aproximadamente R$ 1 bilhão e amortizações de dívidas de R$ 2,3 bilhões para os próximos 12 meses. Portanto, a liquidez permanece adequada no curto prazo. Pondera-se, no entanto, que a alavancagem e a liquidez da companhia deverão ser monitoradas nos próximos intervalos, dado que foram beneficiadas por evento não recorrente de liquidez.

Pontos de atenção

Elevados índices de perdas em área de concessão desafiadora

Com base na complexidade de cada concessão de distribuição, medida pelas condições de operação e nível de furtos e fraudes de energia, a Aneel define valores máximos de perdas que poderão ser repassados às tarifas das distribuidoras.

Conforme anteriormente mencionado, a área de concessão da Light é desafiadora, o que acarreta elevado nível de perdas. Em 2020, o indicador de perda total sobre a carga fio atingiu 25,92%, inferior ao patamar de 26,04% apurado em 2019, porém 6,72 pontos percentuais acima do limite de repasse regulatório na tarifa de 19,2%.

A empresa busca reduzir suas perdas nas “áreas possíveis”, que não são consideradas de risco (com maior presença das milícias). Contudo, é possível que a Light não consiga reduzir suas perdas ao limite estabelecido pela Aneel. Caso isso ocorra, a distribuidora não poderá repassar a totalidade dos custos às tarifas, o que pode afetar adversamente o desempenho financeiro da Light.

Vencimento da concessão em 2026

A assinatura do último contrato de concessão do braço de distribuição da Light com o Governo Federal, em julho de 1996, previa prazo de 30 anos para as operações, com vencimento em junho de 2026

O Poder Concedente poderá decidir pela renovação ou não de suas concessões, e a empresa não pode garantir que estas serão renovadas. É possível que a Light esteja sujeita a novas condições para a renovação ou passe por um processo competitivo caso venha a requere-las, assim como qualquer empresa concessionária do setor.

Se suas concessões forem renovadas em termos menos favoráveis, o desempenho financeiro da Light deverá ser afetado negativamente. No caso de não renovação, a Light SESA poderá ser extinta.

Como mitigante, no cenário de perda da concessão, a Light deverá ser ressarcida pelo valor aproximado da sua base de ativos regulatório líquida, o que, em nossa visão, seria suficiente para quitar as atuais obrigações financeiras.

Além disso, aponta-se que a Light SESA aderiu às novas regras impostas pelo governo para o setor de distribuição em março de 2017, as quais são mais rígidas em relação ao cumprimento de indicadores de qualidade de serviço e de sustentabilidade econômico-financeira. O não cumprimento dos indicadores poderá levar à instauração de processo administrativo para extinção da concessão ou abertura de processo de caducidade.

Riscos regulatórios

O serviço público de energia no Brasil é regido pela Aneel, que possui as funções de regulação, fiscalização, mediação e definição de tarifas, para garantir o equilíbrio do mercado. Logo, alterações nas legislações e portarias já existentes, podem impactar o fluxo de caixa das companhias elétricas. Como exemplo, é possível citar as atuais discussões de reforma tributária ou da reforma do setor elétrico (Projeto de Lei do Senado nº 232/2016).

Dentre os três principais segmentos do setor de energia elétrica (geração, transmissão e distribuição), os serviços de distribuição estão mais expostos a riscos, já que as tarifas dos projetos de geração e transmissão são acordadas nos leilões, ao passo em que as audiências de revisões tarifárias das distribuidoras ocorrem a cada cinco anos em geral.

Fonte

Aneel

IBGE

Light

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