Relatório Semanal de Política 24/03/2019: Reforma da previdência sofre atraso na CCJ

O Relatório Semanal de Política apresenta os principais destaques da semana e nossa perspectiva para a semana seguinte.


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Reforma da Previdência sofre atraso na CCJ em meio a cenário político deteriorado por atritos entre poderes e pela prisão do ex-presidente Michel Temer.


Nos últimos dias a política – ou ausência dela – encaminhou o governo de Jair Bolsonaro para uma encruzilhada: ou o presidente toma a decisão de fazer alguma articulação com parlamentares, contrariando apoiadores na internet e parte do discurso adotado na campanha, ou continuaremos a ver uma sucessão de adiamentos na tramitação da reforma da Previdência e a paralisação do governo.

O Congresso quer garantias de acesso a uma fatia de poder e também busca dividir o ônus de defender perante mudanças duras e impopulares.

A resistência de Bolsonaro em se relacionar com o Congresso foi agravada pela prisão do ex-presidente Michel Temer e do ex-ministro Moreira Franco, símbolos da chamada “velha política”.

Nos últimos dias, a decisão de Maia de adiar a tramitação do pacote anticrime criou uma onda de críticas de militantes bolsonaristas nas redes sociais e culminou em um desentendimento público entre os dois.

Maia chegou a ameaçar um racha definitivo, mas transigiu e não pretende virar as costas para a reforma da Previdência, principalmente por estar convicto de sua importância e, claro, pelo ganho político pessoal que isso representará.

Em provocação mais que direta para Bolsonaro, Rodrigo Maia afirmou que o presidente “precisa ter mais tempo para cuidar da previdência e menos tempo para ficar cuidando do Twitter”.

Simultaneamente, o Supremo Tribunal Federal, também pressionado pela ferocidade das críticas e ataques online, entrou em rota de colisão com o Ministério Público Federal e com a Lava Jato. As decisões de investigar quem ataca o STF nas redes e de enviar à Justiça Eleitoral casos de corrupção geraram atritos e desaprovação por parte do Congresso e do Executivo.

Somado a todo esse contexto, a pesquisda XP/Ipespe, depois corroborada pelo Ibope, mostrou a queda na popularidade de Jair Bolsonaro. O números indicam que, com menos de 100 dias de mandato, a lua de mel do presidente recém eleito dá sinais e estar chegando ao fim.

Cada vez que é instado a tomar decisões, ante o crivo da dicotomia entre “velha” ou “nova” política, o presidente tem hesitado em recorrer a uma postura pragmática.

Essa falta de articulação e a urgência por resultados na área econômica fazem o Congresso enxergar na reforma uma espécie de referendo do governo Bolsonaro. Os parlamentares sabem que, se votada a reforma, o Brasil e consequentemente o governo deslancham e querem ter garantias de que participarão desse sucesso no futuro, em suas bases eleitorais.

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