A Carteira de Fundos Listados Renda Total tem como objetivo proporcionar aos investidores retornos superiores ao índice de referência IMA-B 5+ no longo prazo. Para isso, seu mandato contempla investimentos em diversas classes de fundos listados em bolsa, como FIIs, Fiagros e FI-Infras. A composição é revisada mensalmente pela equipe de análise, podendo ser ajustada conforme as condições de mercado e as oportunidades identificadas.
A carteira apresenta perfil de risco moderado e adota uma estratégia mista, combinando ativos voltados à geração de renda recorrente com oportunidades de ganho de capital. A alocação entre ativos e classes de fundos é definida com base nas oportunidades identificadas pela equipe, considerando perspectivas macroeconômicas, setoriais e específicas de cada ativo.
O IMA-B 5+ é um índice desenvolvido pela ANBIMA, composto por títulos públicos indexados à inflação medida pelo IPCA, especificamente as NTN-Bs (Tesouro IPCA+) com vencimento igual ou superior a cinco anos. Faça seu login e confira o conteúdo completo.
1. Performance e resultados do mês
Em junho, a carteira recuou 1,76%, desempenho superior ao do IMA-B 5+, que apresentou queda de 2,05% no período. Além disso, gerou um dividend yield mensal de 1,05%, equivalente a 12,6% em termos anualizados. Com isso, a carteira acumula valorização de 12,9% nos últimos 12 meses, correspondendo a 238,9% do retorno do IMA-B 5+.
Data Base: índice até fechamento 02/07/2026.
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2. Panorama econômico
No cenário internacional, junho foi marcado por decisões relevantes de política monetária, em meio aos desdobramentos da crise geopolítica no Oriente Médio. Apesar dos avanços nas negociações entre Estados Unidos e Irã, que contribuíram para a queda dos preços do petróleo nas últimas semanas, os mercados passaram a incorporar os efeitos de segunda ordem do conflito sobre a inflação global.
Nos Estados Unidos, a primeira reunião do Federal Reserve (Fed), sob a presidência de Kevin Warsh, adotou um tom mais duro do que o esperado, sinalizando a manutenção de juros elevados por mais tempo. Essa leitura, aliada às pressões inflacionárias decorrentes da expansão dos investimentos em inteligência artificial, contribuiu para a valorização do dólar. Outros bancos centrais também adotaram postura mais cautelosa na condução da política monetária: Europa e Japão elevaram juros, enquanto o Banco da Inglaterra apresentou maior divisão interna em suas decisões.
No Brasil, o Copom deu sequência ao ciclo de afrouxamento, com novo corte de 0,25 ponto percentual na Selic, levando a taxa básica para 14,25% ao ano. Apesar da redução, o comunicado adotou um tom mais cauteloso ao reconhecer a aceleração da atividade econômica e da inflação, com projeções se afastando do centro da meta. O cenário-base de nossa equipe econômica contempla um ajuste final de 0,25 ponto percentual na próxima reunião, levando a Selic a 14,0% ao ano, seguido de uma pausa para avaliação. Ainda assim, diante da deterioração recente do quadro inflacionário, a manutenção da taxa em 14,25% ao ano em agosto permanece como uma possibilidade relevante.
No campo dos indicadores econômicos, o IPCA-15 avançou 0,41% em junho, desacelerando 0,21 p.p. em relação a maio (0,62%). No acumulado do ano, o índice sobe 3,45% e, em 12 meses, 4,80%, acima dos 4,64% registrados no período imediatamente anterior.
O IGP-M, por sua vez, recuou 0,50% em junho, após alta de 0,84% em maio. Com isso, acumula variação positiva de 3,27% no ano e de 3,16% em 12 meses. Em junho de 2025, o índice havia recuado 1,67%, acumulando alta de 4,39% em 12 meses.
Já o INCC-M registrou alta de 0,85% em junho, acima da variação de 0,77% no mês anterior. Em 12 meses, o índice acumula avanço de 6,71%, indicando desaceleração em relação a junho de 2025, quando registrava alta de 7,19% no mesmo período.
Os fundos imobiliários encerraram o mês com desempenho negativo de 1,21%, refletindo um ambiente de maior aversão ao risco, em meio à reprecificação das curvas de juros futuros — tanto domésticas quanto externas —, ao aumento da volatilidade associado à agenda política doméstica e a eventos geopolíticos no exterior.
Entre os principais fatores no radar dos investidores, destacam-se a inflação corrente elevada no Brasil, as revisões altistas para o IPCA projetado e os questionamentos quanto à sustentabilidade fiscal do país, diante da expansão de gastos e do crédito em meio ao calendário eleitoral. No cenário internacional, a volatilidade permanece elevada, em função das oscilações nas expectativas para a política monetária norte-americana, das mudanças na comunicação do Fed e da persistência de riscos geopolíticos — especialmente no Oriente Médio —, com potenciais impactos sobre o petróleo e a inflação global.
Diante desse conjunto de fatores, o mercado passou a discutir a possível interrupção do ciclo de cortes da Selic, com a curva de juros precificando mais um corte de 25 bps, abaixo dos mais de 300 bps projetados há meses. Como consequência dessa reprecificação, observam-se níveis elevados de juros nominais futuros e das taxas das NTN-Bs, o que pressiona a precificação dos ativos de risco domésticos, incluindo os fundos imobiliários. Ainda assim, entendemos que o movimento reflete um ajuste no prêmio de risco exigido pelos investidores, não estando necessariamente associado a uma deterioração efetiva dos fundamentos do mercado imobiliário.
Do ponto de vista setorial, os fundos de recebíveis apresentaram desempenho relativamente mais resiliente, reforçando seu caráter defensivo em ambientes de maior incerteza. Fundos indexados ao IPCA seguem se beneficiando da inflação elevada, sustentando distribuições mais robustas no curto prazo. Por outro lado, observou-se maior dispersão de desempenho, com destaque para a volatilidade e o desempenho negativo entre fundos high yield, o que reforça nossa preferência por veículos com exposição a operações de baixo e moderado risco.
Os fundos de tijolo, por sua vez, apresentaram desempenho inferior, refletindo maior sensibilidade às taxas de juros. Apesar da pressão sobre as cotas desses fundos, os fundamentos operacionais dos principais segmentos permanecem resilientes.
No segmento de lajes corporativas, observamos demanda consistente por espaços em São Paulo, impulsionada pelo retorno ao trabalho presencial, com maior absorção em ativos de alto padrão. Regiões fora dos eixos mais consolidados, como Vila Olímpia e Chucri Zaidan, também ganham relevância como alternativas mais competitivas.
No segmento logístico, apesar do desempenho negativo no período, os fundamentos permanecem sólidos, sustentados por demanda resiliente — especialmente de players de e-commerce — e por oferta relativamente controlada. Ainda assim, o setor negocia com prêmios de risco historicamente mais comprimidos, o que pode limitar o potencial de reprecificação no curto prazo.
Os fundos de fundos (FOFs) e multiestratégia continuam negociando com descontos relevantes em relação ao valor patrimonial. Apesar da maior volatilidade, entendemos que os níveis atuais de preço e prêmio de risco oferecem oportunidades atrativas no segmento, sobretudo em veículos com maior exposição a crédito e capacidade de sustentar os atuais níveis de rendimentos, sem dependência de ganhos de capital.
No campo institucional, destacamos a criação da Latin America REITs Association (LAREAL), iniciativa voltada a ampliar a visibilidade da indústria de FIIs junto a investidores internacionais, com potencial para impulsionar o mercado no médio e longo prazo.
Por fim, mantemos uma postura cautelosa nas carteiras recomendadas, priorizando a alocação em ativos menos sensíveis ao risco de taxa de juros e com maior previsibilidade de renda. Ao mesmo tempo, entendemos que o cenário atual começa a gerar oportunidades atrativas, especialmente em fundos com fundamentos sólidos que passaram a negociar a preços mais descontados sob diversas métricas de avaliação.