O comportamento dos fundos quantitativos durante a crise

Os retornos das estratégias quantitativas têm variado entre fortes ganhos e fortes perdas


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Os fundos quantitativos possuem um comportamento peculiar – seja em condições normais de mercado ou em períodos de crise, explicar o que está acontencendo com o fundo pode parecer uma tarefa árdua ou pouco intuitiva.

Alguns podem achar que são fundos que se beneficiam de períodos de alta volatilidade ou crise nos mercados – o que nem sempre é verdade – ou ainda afirmar que são fundos geridos por robôs – aqui, eu diria que a gestão é um pouco mais “humana”.

O conceito de quantitativo ou sistemático está muito mais associado ao “como” do que o “o que” no que tange a classificação da estratégia do fundo. Assim como existem os multimercados que realizam operações nos mercados de juros, moedas, ações e commodities ao redor do mundo, existem os fundos quantitativos que atuam nos mesmos mercados, com suas respectivas abordagens sistemáticas. Tal qual os fundos de ações, também existem os quantitativos que só compram ativos de renda variável.

Por trás de todo fundo quantitativo, existem equipes de gestão e pesquisa (humanos!), cuja função é, em resumo, desenvolver algoritmos para o fundo atuar em diferentes mercados (o escopo da equipe é mais abrangente e envolve criar bases de dados, realizar simulações para os algoritmos desenvolvidos, acompanhar se o que está sendo executado pelo fundo condiz com o que havia sido idealizado pela equipe, entre outras funções).

Para os gestores de fundos quantitativos, assim como para os demais gestores, é fundamental a experiência no mercado financeiro (que resulta na intuição de mercado), a fim de que o gestor consiga parametrizar efetivamente a sua estratégia de atuação em algum mercado, na forma de um modelo.

Independentemente do comportamento dos fundos quantitativos em águas calmas ou turbulentas de mercado, o fato é que eles possuem uma correlação muito baixa com os demais multimercados da indústria. Assim, esses produtos são um elemento interessante de diversificação para a carteira do investidor.

A seguir, trazemos uma breve descrição das estratégias quantitativas que temos na plataforma da XP e como os fundos têm se comportado no período da crise atual.

Canvas Capital

O fundo Canvas Vector apresenta a estratégia quantitativa / sistemática da Canvas, que, além desse multimercado, conta também com produtos de estratégia macro e de crédito high yield. Segundo a gestora explica, o fundo busca, a partir de abordagem sistemática, investir globalmente em ativos que possuam alto rendimento (yield), como é o caso de ações com dividendos altos, títulos de renda fixa com taxas elevadas ou moedas com juros altos.

Em outras palavras, o fundo pode ser entendido como um portfólio comprado em bolsas globais, aplicado (apostando na baixa) em taxas de juros globais e com posições relativas entre países emergentes e desenvolvidos. É um maneira de simplificar uma carteira que, no geral, contém diversas classes de ativos e opera em vários países.

Em 2020, o fundo acumula fortes perdas, e a explicação vem do impacto negativo e generalizado que a crise atual teve nos ativos de risco ao redor do planeta. Durante esse período, o fundo reduziu o tamanho de suas posições, mas não se desfez dos ativos. O que acontece, como nos títulos de renda fixa, é que à medida que o ativo é desvalorizado, a sua taxa corrente aumenta, de forma que o retorno projetado é maior, para compensar a perda e “chegar” ao mesmo valor final da dívida. Assim, as taxas pagas pelos ativos do portfólio do Canvas Vector estão muito mais atrativas após a deterioração dos mercados.

Giant Steps

A Giant Steps é uma das poucas – podemos contar nos dedos de uma mão – gestoras 100% dedicadas a estratégias quantitativas e possui na plataforma da XP os fundos Giant Zarathustra (assim como o Giant Darius, de mesma estratégia e 60% do risco), Giant Sigma e Giant Quant Select Prev, fundo de previdência que é uma combinação das estratégias do Zarathustra e Sigma.

Zarathustra / Darius: essa família atua nos mercados de juros, moedas, ações e commodities em mais de 20 países. Os fundos possuem uma parcela minoritária da estratégia composta por modelos intradiários – aqueles em que as posições duram menos que 1 dia na carteira – e o grosso da estratégia em modelos variados, que incluem, por exemplo, os chamados trend followers (seguidores de tendência). Em meio à crise, os produtos acumulam ganhos expressivos em 2020, e uma das razões foi pelo viés pessismista que os fundos vinham carregando com a economia local, que resultou em alocação baixa na bolsa brasileira. Além disso, a presença de uma estratégia de proteções (hedge) tem ajudado o fundo a navegar por esse ambiente de mercados deteriorados.

Sigma: o fundo investe em diferentes classes de ativo ao redor do mundo de forma estatisticamente balanceada, e a sua principal diferença em relação ao Zarathustra e Darius é o fato de só apresentar posições compradas (long only), além de performar melhor em ambientes de mercados racionais. No decorrer da crise, houve um movimento generalizado de queda dos ativos de risco no mundo, o que prejudicou a estratégia, que acumula perdas no ano. Nesse período, o comportamento do fundo foi de reduzir o tamanho de suas posições, de forma que hoje está com utilização de risco mais baixa.

Giant Quant Select Prev: para o produto previdenciário da Giant, a combinação das estratégias do Zarathustra e Sigma tem resultado em um saldo de retorno positivo tanto no mês quanto no ano.

Kadima

Assim como a Giant Steps, a Kadima é uma gestora 100% focada em estratégias quantitativas e tem, na plataforma da XP, os multimercados Kadima II e Kadima Prev.

Kadima II: para o fundo, os modelos mais importantes são os que buscam seguir tendências de curto prazo (trend following), principalmente nos mercados de dólar e contrato futuro de DI, mas também no índice Ibovespa e em commodities. A estratégia atua ainda no mercado de ações com foco em capturar vetores de crescimento dos preços dos papéis – os chamados fatores – além de distorções entre grupos de papéis, por meio de valor relativo (long short).

No mês de março, o retorno do Kadima II está levemente negativo, mas no ano de 2020 acumula ganhos. A estratégia que busca seguir tendência de curto prazo do dólar contribuiu positivamente, assim como as posições de valor relativo (long short) em ações. Do lado negativo, as posições no mercado de DI e a estratégia de fatores trouxeram perdas para o fundo.

Kadima Prev: comparado ao Kadima II, os modelos seguidores de tendência da estratégia previdenciária dão peso maior ao mercado de juros (em contratos futuros de DI) e peso menor no dólar, assim como são mais expostos à estratégia de fatores. Dada essa combinação de pesos atribuídos às estratégias, o fundo sofre em 2020, acumulando perdas no ano.

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