Meu fundo está sofrendo! Como descobrir o momento de resgatar?

Confira a explicação da equipe de análise de fundos da plataforma da XP sobre quando resgatar de um fundo


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Foto: Pexels

Selecionar um fundo de investimento não é uma tarefa simples. Em uma outra publicação, explicamos como embasar esse processo pela metodologia dos 6 P’s. De qualquer forma, é desejável que o investidor faça uma reflexão mínima antes de aplicar seus recursos – afinal, todas os nossos investimentos merecem essa atenção.

Por outro lado, o processo contrário – de resgatar os recursos de um fundo – pode ser igualmente complicado e, em diversos casos, é realizado de maneira simplista ou guiada por vieses. Para se evitar que o investidor tome uma decisão equivocada, é esperado que seja feita uma reflexão mínima também no momento do resgate.

A seguir, listamos alguns dos diversos pontos que, em nossa opinião, deveriam ser observados antes de se decidir sobre resgatar ou não de um fundo.

1) Troca do gestor ou de uma parte relevante da equipe de gestão

A gestão de recursos é um negócio muito dependente de pessoas e, entre elas, o gestor é a figura principal. É o profissional responsável por tomar as decisões de investimento e liderar a equipe de analistas, entre outras funções.

Quando ocorre a saída do gestor ou de uma parte relevante da equipe de gestão (dado que existem fundos que possuem vários gestores), é preciso analisar com muita cautela.

Se o novo gestor ou a nova equipe que assume o fundo possuem experiência comprovada gerindo o mesmo tipo de estratégia que o gestor ou a equipe anteriores faziam, desde que o investidor já conheça a nova equipe e tenha conforto com seus resultados, faz sentido manter a alocação.

Na maioria dos casos, no entanto, o que acontece é que a nova equipe precisa “se provar” e a decisão recomendada é aguardar esse período de provação do lado de fora, resgatando os recursos do fundo, principalmente se o investidor não conhecer o histórico profissional dessa nova equipe.

Como mencionado, existem equipes de investimento que possuem mais de um gestor, de forma que o processo de tomada de decisão seja variado. O que vale reforçar é que, quanto mais dependente das decisões de um só gestor for a estratégia do fundo, mais clara fica a decisão de resgatar os recursos, caso ele saia.

Por outro lado, quanto mais processual e menos dependente de uma única pessoa for a estratégia de um fundo, é possível dar tempo para a nova equipe ou gestor mostrar resultados, sem resgatar os recursos.

2) Quebra do mandato do fundo (“style drift”)

Todo fundo possui um processo de investimento e um mandato bem definidos desde sua concepção, isto é, a forma como o gestor gera retorno para a estratégia e o conjunto de mercados e ativos em que atua.

Se, em determinado momento, o gestor passa a investir em mercados que não estavam previstos no mandato do fundo, ou que fogem daquilo que é a sua especialidade, dizemos que há uma quebra de mandato, ou style drift (desvio de estilo). Quando isso acontece, muito provavelmente haverá uma explicação: o gestor pode afirmar que enxergou uma oportunidade pontual ou entendido que tinha capacidade de investir em determinado ativo mesmo não lhe sendo comum historicamente.

De qualquer forma, é recomendado que o investidor avalie com muita atenção, dado que as suas premissas acerca do processo de investimento do gestor – tidas no momento da aplicação no fundo – foram alteradas. Assim, se a justificativa para a quebra do mandato não for convincente para o investidor, é recomendado resgatar os recursos.

Um exemplo de quebra de mandato é o de um fundo de ações focado no investimento em empresas small caps e que com o tempo passa a focar em empresas large caps. Outro caso é o de um fundo multimercado macro que possui gestores especializados no mercado brasileiro, que passa a focar no investimento em ativos no exterior.

3) Rompimento dos limites de risco

Conforme as diferentes estratégias, os fundos de investimento possuem um conjunto de controles, parâmetros e limites de risco, que são monitorados diariamente e devem ser respeitados pela gestão de forma disciplinada. Exemplos comuns (mas não necessariamente válidos para todos os fundos) são:

  • Fundos de crédito: concentração máxima por tipo de ativo, concentração máxima por emissor, caixa mínimo (liquidez), restrição a certos tipos de ativos, etc.
  • Fundos multimercados: limite de drawdown máximo e stop loss, limite de VaR (Value at Risk), limite de Stress, geografias investidas, tipos de ativos investidos, etc
  • Fundos de ações: concentração máxima por setor, concentração máxima por ativo, liquidez mínima das ações investidas, etc

Se tais limites de risco do fundo não forem respeitados em determinado momento, e o gestor não tiver uma justificativa plausível para o evento, perde-se a confiança em sua gestão, de forma que o resgate quase sempre é o melhor caminho.

Vale ressaltar que os fundos considerados arrojados possuem limites de risco mais flexíveis. Assim, em momentos de estresse de mercado, é possível que tais fundos tenham perdas relevantes, o que não implica desrespeito aos limites de risco, justamente por serem parametrizados para que o fundo possa ser mais arriscado, tanto em momentos de ganhos quanto perdas para o investidor.

4) Performance aquém do esperado

Retornos em diferentes janelas de tempo aquém do benchmark e atrás dos concorrentes (fundos de mesma estratégia) são um fator que pode embasar o resgate de um fundo. Afinal, o investidor estaria melhor alocado em fundos igualmente bem avaliados do ponto de vista qualitativo, mas que entregaram maiores retornos historicamente.

Não existe uma regra que determine qual a janela de tempo exata para dizer se é momento ou não de reavaliar um fundo. No entanto, empiricamente, vemos que, dependendo da estratégia do fundo, o horizonte mínimo de observação dos retornos variar de 12 meses, para fundos de renda fixa, a, no mínimo, 24 a 36 meses, para fundos de ações e multimercados.

Vale frisar a importância do período adequado para a janela de análise, visto que mesmo um gestor talentoso e capaz de gerar retornos expressivos no longo prazo pode acabar tendo períodos de dificuldade que frustrem os investidores no curto prazo.

Um exemplo disso é um fundo de uma gestora bem avaliada do ponto de visto qualitativo, que teve dificuldade no ano de 2018, em que o gestor assumiu que errou o cenário macro. O fundo apresentava performance como no gráfico abaixo e foi bastante questionado à época.

Fonte: Economatica / Elaboração: XP

Por outro lado, se fosse analisado historicamente o retorno do fundo, em janelas longas (janelas móveis de 36 meses por exemplo), seria possível concluir que o ano de 2018 foi pontual perto dos retornos expressivos e consistentes que apresentou desde o início:

Fonte: Economatica / Elaboração: XP

Resumindo…

Se o seu fundo estiver apresentando uma performance fraca no curto prazo, mas (i) a equipe de gestão seguir inalterada, (ii) o mandato do fundo não tiver sido quebrado, (iii) os limites de risco não forem rompidos e (iv) a performance estiver em linha com os fundos concorrentes, NÃO vemos motivo para que o resgate seja realizado, com a premissa de que o seu perfil de risco esteja adequado ao nível de risco do fundo e de que houve confiança na gestão no momento da aplicação.

Se algum dos pontos citados no texto for observado, pode ser o momento de realocar os seus recursos.

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