Os gestores da Solana Capital e RPS Capital contam como vão as chamadas estratégias long & short no mercado de ações

Os gestores Cláudio Delbrueck (Solana Capital) e Paolo Di Sora (RPS Capital) trazem suas avaliações e perspectivas de mercado


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Hoje os gestores Cláudio Delbrueck, da Solana Capital, e Paolo Di Sora, da RPS Capital, tiveram a oportunidade de trazer suas avaliações e perspectivas para estratégias de valor relativo em ações, o que chamamos de long & short. Confira a seguir a transmissão realizada pelo canal da XP no Youtube e um resumo dos principais pontos abordados pelos gestores.

O que são as estratégias long short?

Segundo Paolo, estratégias long short buscam capturar ganhos por meio de operações de valor relativo em ações, em que há simultaneamente compra e venda de papéis. Assim, é possível ganhar em momentos de queda de mercado, desde que os ganhos da parcela vendida superem as perdas da ponta comprada. Para montar posições vendidas, é necessário realizar o aluguel da ação, para então vendê-la. É uma operação relativamente comum na bolsa.

Existem alguns tipos de estratégias long short: (i) o long short intersetorial, quando a aposta de valor relativo está associada a diferentes setores. Diz-se que há o risco setorial nessa operação, ou ainda um “duplo alpha”. É a estratégia mais comum na RPS. Há também (ii) a estratégia intrassetorial, com foco em análise fundamentalista – aqui, não há risco setorial, mas é caracterizada pela aposta de que uma empresa A tem valor maior do que uma empresa B dentro de um mesmo setor.

Entre as estratégias long short, há também a distinção entre um long short neutro, em que as operações compradas possuem exposição equivalente às de operações vendidas, e um long short direcional, em que que há um balanço positivo para uma das pontas (comprada ou vendida). Na RPS, os fundos long short são direcionais.

Por que os fundos long short da Solana são neutros e por que seus benchmarks são o CDI?

Cláudio explica que os produtos long short da Solana buscam sempre a exposição direcional neutra. Nas estratégias, podem fazer intersetorial, intrasetorial, ou mesmo operações relacionadas a uma mesma companhia – o que chamamos de “intracompany”, capturando operações de valor relativo entre ações, como ON x PN ou Holding x Operadora.

Historicamente, a Solana possui um histórico maior com pares intrassetoriais. Com o conhecimento aprofundado das empresas, é possível reconhecer fatores de risco comuns a empresas de um setor específico e neutralizá-los por meio da operação long short.

Dado que as ações compradas são financiadas pelo recurso obtido pela venda de outras ações, o patrimônio líquido do fundo fica investido em títulos públicos, por isso o benchmark CDI.

Qual é o universo de investimento na RPS?

Os fundos long short da gestora são globais, portanto investem não só no Brasil, mas também em países da América Latina e nos EUA, por exemplo. Historicamente, 80% do valor investido e dos ganhos dos fundos vieram da bolsa brasileira, mas a parcela internacional é relevante, principalmente em momentos desafiadores para a economia brasileira. Para isso, é fundamental ter uma visão macro, top-down, que parte da avaliação de crescimento econômico, taxa câmbio, taxa de juros, entre outras variáveis macroeconômicas, para então construir o portfólio.

Como os fundos da Solana estão posicionados?

A gestora é especializada em Brasil, mas podem investir esporadicamente em alguma empresa no exterior. Quanto à avaliação de mercado, Cláudio comenta que, em um primeiro momento da crise, o pânico domina os investidores, fundamentos deixam de existir e mecanismos de venda forçada são acionados. No Brasil, devido ao universo de cobertura limitado, é comum que os fundos de ações estejam investidos nos mesmos papéis e, quando o mercado entra em crise, os movimentos são amplificados. Por conta de fluxo, a estratégia long short pode ser prejudicada, mas distorções no mercado geram oportunidades. O fundo da casa foi impactado negativamente na crise, mas vem recuperando o retorno.

Hoje a gestora está se preparando para uma “fase 2” da crise, após movimento de pânico e venda generalizada de posições, em que o mercado se depara com um novo estado normal, que pode desfavorecer segmentos de consumo na economia. No horizonte de curto prazo, a gestora tem buscado investir em empresas que possuam recorrência maior de receita, como em setor elétrico (transmissoras, geradoras, distribuidoras), saúde e resseguros.

Para a RPS, o momento é muito incerto e é muito difícil ser acurado quanto a cenário. Uma das poucas convicções maiores é que a recuperação no pós-crise será muito lenta. Parte de serviços da economia retomará muito lentamente, tomando como base exemplo da China.

Além disso, a sazonalidade da doença preocupa a gestora, dado que estamos entrando no inverno, sobretudo se país sair do confinamento de maneira precoce, com uma infraestrutura de saúde precária. É possível termos uma segunda onda da doença. No Brasil, há também a fragilidade fiscal, país saiu há poucos anos de outra crise, além das brigas existentes entre os poderes políticos.

As ações caíram muito drasticamente, mas viveremos período de grande dificuldade macroeconômica. A RPS tem focado em empresas mais defensivas, menos cíclicas e menos dependentes de aceleração do PIB na economia. Exemplos são exportadoras, que se beneficiam de câmbio desvalorizado e retomada da China, além de empresas de alimentos, mineração, proteínas e saúde.

No nível de preços atuais, um cenário negativo já não está precificado?

Para a RPS, as ações estão bem precificadas se considerado um cenário base de que economia se recuperará no segundo semestre e crescimento retomará em 2021, mas o que preocupa é a deterioração desse cenário, como em possível movimento de uma segunda onda do coronavírus.

Do lado positivo, a posição técnica do mercado está mais favorável, dado que os fundos macro estão menos posicionados em bolsa, o investidor estrangeiro retirou recursos de forma expressiva e os investidores pessoa física têm se mostraram resilientes.

Segundo a Solana, se o investidor tem consciência de que posição será mantida pelos próximos anos, os preços são bastante atraentes e dificilmente perderá dinheiro. Mas é preciso estar preparado para quedas de curto prazo. Na Solana, horizontes são mais voltados para o curto prazo e a gestão procura se posicionar rapidamente, com operações táticas. Cláudio está um pouco mais desconfortável quanto a cenário, dado que poderemos ter muitas semanas pela frente de disseminação do vírus. Uma das grandes questões que ficará é a mudança de hábitos da população.

Por fim, os gestores reforçam a mensagem de que em momentos de pânico, surgem grandes oportunidades, um território de compra, mas é preciso realizar movimentos de forma cauteloso. Além disso, as estratégias long short, pela natureza de valor relativo, servem como um complemento ao portfólio do investidor, aumentando potencialmente a diversificação da carteira.

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