Roberto de Oliveira Campos Neto: Perspectivas e desafios da economia e da política monetária no Brasil

Presidente do Banco Central do Brasil falou sobre o que esperar sobre a política monetária brasileira para os próximos meses


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Principais mensagens do painel

De forma geral, acreditamos que as principais mensagens compartilhadas pelo Presidente do Banco Central foram: (i) o pano de fundo fiscal hoje está próximo às expectativas no período pré-pandemia, com uma relação dívida/PIB e déficits primários muito menores do que se projetava no início deste ano (e não apenas pelo efeito do aumento da inflação; (ii) o Banco Central tem atuado fortemente no controle da inflação, e também elevado o grau de transparência sobre seu processo de tomada de decisão; além de que, na visão da autoridade monetária, as expectativas para 2022 subiram por efeito da sequência de choques que atingiram 2021, sendo válido destacar que as expectativas de 2023 seguem ancoradas; e (iii) ruídos fiscais explicam grande parte da piora das expectativas inflacionárias dos agentes de mercado no período recente (levando a pequeno descolamento entre projeções do BCB e do mercado desde a última reunião do COPOM), e que estes “podem olhar além do ruído” (isto é, o cenário todo).

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Aceleração da imunização no Brasil deve ultrapassar em breve os Estados Unidos

Em relação à dinâmica da pandemia, o Presidente do BCB destacou a aceleração na campanha de imunização no Brasil, que deve ultrapassar em breve os Estados Unidos no que diz respeito ao percentual da população adulta com pelo menos uma dose de vacina. A proporção de rejeição à vacinação mais baixa no Brasil ante a maioria dos países desenvolvidos, bem como a estratégia de diversificação dos fornecedores de imunizantes, vem mostrando resultados favoráveis. A autoridade monetária também ressaltou o aumento expressivo de novos casos de Covid-19 em algumas regiões do mundo, tais como o Reino Unido, mas pontuou que a taxa de mortalidade está menor.

Panorama econômico global: China e Estados Unidos superando os níveis de atividade do pré-pandemia

Sobre a recuperação da economia global, Roberto Campos Neto mencionou que os atuais níveis de atividade da China e dos Estados Unidos superam aqueles observados no pré-pandemia. O desempenho do país asiático surpreendeu positivamente já em 2020, pois não houve recessão e sim uma recuperação rápida. E, no caso americano, os estímulos adotados pelo governo (transferências diretas de renda como exemplo citado) foram importantes para impulsionar o consumo das famílias. As economias do Reino Unido e da zona do euro, por sua vez, seguem abaixo dos patamares pré-crise sanitária, mas também mostram retomada importante da atividade. De forma geral, os países que implementaram programas mais robustos de enfrentamento aos efeitos da pandemia mostram recuperação relativamente mais rápida e sólida. Como consequência dessas ações, os níveis de endividamento público (tanto em economias avançadas quanto emergentes) subiram bastante desde o início da pandemia, ponto que precisa ser acompanhado daqui para frente.

Inflação e juros: o cenário mais provável do Banco Central é de juros baixos em economias desenvolvidas ainda por um bom tempo

No campo inflacionário, o Presidente do BCB enfatizou o conjunto de vários choques observados desde o ano passado sobre a maioria das economias, tanto a nível de preços ao produtor (mais intenso neste caso) quanto a nível de preços ao consumidor. Isto posto, o cenário visto como mais provável pelo banco central brasileiro compreende juros baixos nas principais economias desenvolvidas ainda por um bom tempo; no caso das economias emergentes, a apresentação frisou que algumas autoridades monetárias já vêm promovendo ajustes de alta nas taxas de juros. Ainda sobre a elevação dos preços mundo afora, Roberto Campos Neto expressou que o tema de ruptura em cadeias de suprimentos precisa ser olhado com bastante cautela, dado que a produção dos bens mais diretamente relacionada à escassez de matérias-primas não foi interrompida no período recente. Ainda assim, a autoridade comentou sobre a existência de atrasos na entrega de insumos e a elevação de custos de produção e distribuição em muitos setores. De forma semelhante, houve comentários sobre incertezas relativas a eventuais efeitos estruturais do deslocamento de maior proporção do consumo privado do mercado de bens para o setor de serviços em meio ao processo de reabertura econômica. A chamada “Inflação Verde” também foi abordada pelo dirigente do BCB. A demanda das sociedades pelo crescimento econômico mais sustentável tem pressionado para cima os preços de muitos metais, o que contribui para o aumento da inflação.   

Recuperação da atividade e inflação persistentemente alta no Brasil

Em relação à economia brasileira, Roberto Campos Neto destacou a recuperação da atividade nos últimos trimestres, que surpreendeu positivamente as expectativas originais do mercado e da própria autoridade monetária (houve menção ao movimento de “retomada em V” do PIB Brasileiro). Sobre o mercado de trabalho doméstico, a autoridade lembrou da discrepância entre os setores formais e informais, além de compartilhar a expectativa de melhoria gradual do componente sem carteira assinada em meio à recuperação dos segmentos de serviços. No que diz respeito à inflação, o dirigente expressou que o Brasil teve choques bastante intensos em 2021 (mais acentuados do que a média global), e exemplificou com a crise hídrica (pressão sobre preços de energia elétrica) e alimentos mais caros. Segundo Roberto Campos Neto, esses choques vêm gerando certo descolamento das expectativas inflacionárias. As projeções do mercado para a variação de preços em 2021 tem sido fortemente revisadas para cima, e há alguma contaminação sobre as projeções referentes a 2022. Sobre a percepção da população, o palestrante salientou que as classes de baixa renda sofrem mais com a alta de preços, e isso estaria relacionado aos níveis de confiança mais deprimidos apresentados pelos consumidores de tais estratos.

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Perguntas e Respostas: choques na oferta agregada global e piora das expectativas de inflação

Ao fim do painel, e após toda a apresentação previamente resumida por nós nesta publicação, o Presidente Roberto Campos se posicionou frente às perguntas feitas pelos palestrantes na Expert, que convergiram principalmente entre (i) os temas de choques duradouros na oferta agregada global e (ii) expectativas de inflação elevadas para 2022. Sobre o primeiro assunto, na opinião do Presidente, a pergunta relevante é se existe ou não a partir de agora uma mudança estrutural no comportamento e consumo de bens versus serviços. O que vimos durante boa parte da pandemia foi uma migração “natural” do consumo de serviços para bens, segundo o dirigente, principalmente motivada pelas restrições de locomoção impostas frente à Covid-19. Logo, a questão importante daqui para frente, de acordo com Roberto Campos Neto, é entender se efetivamente esse processo de mudança faz com que a volta do consumo de serviços não seja homogênea, além da necessidade de segmentar o hiato do produto (medida de ociosidade na economia) daqui para frente.

Falando sobre as expectativas inflação elevadas para 2022, o Presidente do BCB expressou que houve um descolamento entre as expectativas de mercado e do Banco Central desde a última reunião do COPOM, motivada principalmente por ruídos da agenda fiscal do governo. O dirigente reconheceu os impactos adversos dos ruídos fiscais e a alta sensibilidade do mercado em relação ao assunto, mas defendeu que é de extrema importância olhar para além desses eventos e movimentos de curto prazo, em referência ao pano de fundo fiscal que tem se mostrado melhor que o esperado inclusive no período pré-pandemia. Por fim, a autoridade voltou a declarar que o Banco Central tem procurado ser bastante transparente em suas diretrizes de condução de política monetária, com foco em trazer a inflação à meta, e que tem tomado suas decisões com base nas informações disponíveis até o momento.

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