O grande desafio do Agronegócio é ter Tecnologia e Crédito para todos os produtores

Em painel sobre o agronegócio Mariana Vasconcelos, Marcello Britto e Fernanda Mello falam de tecnologia, crédito e sustentabilidade no setor.


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Estamos em um ano bastante complicado, que ficará marcado na história como o ano do coronavírus. É fato que no mundo inteiro e em todas as economias iremos observar uma contração importante que não era vista desde a segunda guerra mundial, uma complexidade de cenário sem precedentes principalmente pela natureza da crise. Um setor como o Agronegócio, que poderia não ser tão impactado por uma crise com origem no mercado financeiro, como a de 2008, agora sobre como vários outros setores por ser uma crise de saúde que interfere diretamente na economia real.

A projeção da equipe econômica da XP é que o PIB brasileiro caia em torno de 6% neste ano e os setores mais afetados serão o industrial, de serviços e principalmente de varejo por ser uma crise que é caracterizada pelo fechamento de vários negócios. Mas quando olhamos dados econômicos do agronegócio a expectativa é que o setor cresça 1,5% neste ano. Isso pode parecer pouco mas num cenário de queda de todas as economia e grandes setores é um ótimo resultado. Além disso o setor do agronegócio também representa 25% do PIB Brasileiro.

Mas qual será o cenário para o setor nesse ano de crise? Essa expectativa de crescimento é real? E quais são os grande desafios do setor pensando não apenas na crise do coronavírus mas também no futuro do desenvolvimento dessa cadeia?

Esse foi o tema do painel de uma das Lives de estreia da Expert XP 2020, no terceiro dia do maior evento de investimentos do mundo, que teve como palestrantes Mariana Vasconcelos, Co-fundadora e CEO da Agrosmart, Marcello Britto, presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG) e Fernanda Mello, CEO da DuAgro. A mediação foi feita pela especialista em economia da XP, Rachel de Sá.

Acesse a página do evento Jornada do Investidor

As diferenças entre os pequenos e grandes produtores

O Brasil demostra ter uma grande agricultura tecnificada e que está se desenvolvendo cada vez mais. Mas quando olhamos especificamento do ponto de vista de tecnologia existe duas diferenças bastante grandes.

De acordo com dados citados por Marcello Britto temos, atualmente, em torno de 5,3 milhões de propriedades rurais mas apenas 850 mil possuem acesso a tecnologias de ponta. Os demais produtores não têm acesso por falta de recurso, de acesso ou até mesmo de conhecimento. É como se tivéssemos dois agronegócios no Brasil: um bastante produtivo e com muito acesso a tecnologia de ponta, geralmente os grandes produtores, e o outro agro representado pelos médios e pequenos produtores com várias dificuldades para expandir sua produção.

Outra informação importante dada por Britto é que 85% da renda do agronegócio brasileiro é gerada por apenas 16% das propriedades rurais. Ou seja: é um setor que cresceu muito mas ainda é muito concentrado. Em algum momento nesse processo de expansão do setor é muito importante que toda a tecnologia que existe no Brasil também esteja disponível para os demais produtores. Precisamos aplicar as tecnologias aliadas à produtividade com o resultado dessas tecnologias de impacto na sociedade, o que os japoneses chamam hoje de sociedade 5.0

Porque a tecnologia muda o agronegócio?

De acordo com Mariana Vasconcelos coletar dados em campo pode ajudar muito os produtores a entender melhor o microclima da região, melhorar a irrigação e até prever surtos de pragas antes que eles se alastrem por toda a propriedade. É uma movimentação cada vez mais um portante porque os produtores estão tendo que se adaptar muito para aumentar suas produções especialmente com as mudanças climáticas cada vez mais frequentes.

Mas toda essa preocupação precisa também estar em toda a cadeia produtiva. Além da propriedade o agricultor também precisa ter dados de quais são as melhores sementes e insumos para a sua propriedade, por exemplo. Esses dados ajudam muito a ter mobilidade e planejamento para que as cadeias produtivas não sejam interrompidas.

Embora cada vez mais os produtores usem celulares para acompanhar dados sobre suas propriedades existem questões importante quanto ao acesso de internet e rede ainda no Brasil. 50% do país ainda não consegue se conectar e isso faz com que essas tecnologias cheguem com alguma dificuldade para os produtores. Talvez com a chegada do 5G essa realidade mude mas é um grande desafio para que a produção agrícola possa aumentar dentro das mesmas áreas existentes.

Outra questão importante passa pela diversificação da produção. Atualmente o Brasil exporta muito mas um número pequeno de produtos. Somos referência na produção de soja ou milho, por exemplo, mas também podemos ser na produção e exportação de frutas ou flores. Mas pra isso é importante ter inteligência estratégica entre o governo e a academia para que outros produtores, além dessas grandes commodities, também tenham acesso a qualidade de pesquisa, desenvolvimento e linhas de crédito que esses grande produtos possuem.

Acesse a página do evento Jornada do Investidor

O Crédito também não está disponível para todos

O mercado de capitais possui um grande desafio e uma grande oportunidade com relação ao crédito para o agronegócio. Fernanda Mello, que participou da primeira oferta pública de CRAs do Brasil, comentou demorou muito tempo para a operação sair mesmo sendo um título que, para o investidor, era isento de imposto de renda. E isso aconteceu muito porque o investidor está muito longe do setor do agronegócio. Ele têm bastante familiaridades com fundos imobiliários, por exemplo, mas desconhece bastante de como funciona a cadeia produtiva dos produtos o que torna o investimento mais difícil.

Algo importante que poderia mudar esse cenário, de acordo com Fernanda, é trazer o financiamento para toda a cadeia e não apenas as cooperativas financiarem os produtores. Hoje o número de emissões de CRAs aumentou muito, em torno de R$15 bilhões. Mas a maior parte desse valor ainda são títulos de grande empresas. Então, novamente aqui temos uma dificuldade importante dos pequenos e médios produtores de conseguirem crédito.

Sustentabilidade para o presente

Geralmente o agronegócio abraça a ciência quando ela ajuda no crescimento da sua produção e melhora da sua logística mas tem pavor da ciência que fala do controle e responsabilidade da produção. Mas é impossível pensar em cadeias produtivas hoje sem essa responsabilidade e no valor que a sustentabilidade por trazer para os negócios.

Produzir os melhores produtos no pais sempre vai ser importante mas se não tivermos cuidados ambientais teremos um problema de valor importante no mercado internacional além da responsabilidade de manter nosso clima possível para produção. A Amazônia é o grande depósito de valor do agronegócio.

Temos uma grande oportunidade de desenvolvimento relacionado principalmente ao mercado verde, como os créditos de carbono, por exemplo. E claro, para isso iremos precisar cada vez mais de dados e tecnologia no campo para que todos tenha acesso, não somente aos green bonds, mas também a possibilidade de continuar suas produções por muito mais tempo.

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