Bom dia! Neste relatório diário publicado todas as manhãs pelo time ESG do Research da XP, buscamos trazer as últimas notícias para que você comece o dia bem informado e fique por dentro do tema ESG – do termo em inglês Environmental, Social and Governance ou, em português, ASG – Ambiental, Social e Governança.
Quais tópicos abordamos ao longo do conteúdo? (i) Notícias no Brasil e no mundo acerca do tema ESG; (ii) Performance histórica dos principais índices ESG em diferentes países; (iii) Comparativo da performance do Ibovespa vs. ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial, da B3); e (iv) Lista com os últimos relatórios publicados pelo Research ESG da XP.
Principais tópicos do dia
• O mercado fechou a semana passada em território negativo, com o IBOV recuando 1,52% e o ISE caindo 2,51%. No pregão de sexta-feira, o Ibovespa e o ISE registraram leves quedas de 0,39% e 0,44%, respectivamente.
• Na COP30, (i) a cúpula terminou neste sábado com a aprovação de 29 textos negociados ao longo das duas semanas de conferência na Belém, mas sem incluir o roadmap para a transição global dos combustíveis fósseis e para deter o desmatamento – esses dois temas não estavam na agenda oficial, mas tornaram-se centrais durante o evento; e (ii) um dos objetivos centrais da COP30 era aprovar indicadores globais e mais dinheiro para que o mundo possa se adaptar às mudanças climáticas – Belém entregou 59 indicadores para acompanhar o progresso de medidas de adaptação e triplicou a promessa de recursos dos países ricos para os pobres se adaptarem à nova realidade do clima.
• No internacional, líderes do Grupo dos 20 aprovaram no sábado uma declaração abordando a crise climática e outros desafios globais, apesar das objeções dos EUA, levando a Casa Branca a acusar a África do Sul de usar sua liderança do grupo como arma este ano.
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Brasil
Empresas
Com R$ 430 milhões, Fundo Vale na Amazônia investe em restauração, conectividade e bioeconomia
“A Vale, uma das maiores mineradoras de minério de ferro do mundo, investiu mais de R$ 430 milhões, por meio do Fundo Vale, em projetos socioambientais na Amazônia nos últimos 16 anos. Os recursos, segundo a companhia, financiaram 146 iniciativas ligadas à restauração florestal, conservação e apoio a comunidades tradicionais. Parte desse dinheiro foi destinada a startups de recuperação ambiental que já restauraram 18,4 mil hectares na Amazônia e em outros três biomas brasileiros. A empresa tem a meta de proteger 400 mil hectares e recuperar outros 100 mil hectares até 2030. De acordo com seu relatório, investiu R$ 7,4 bilhões em ações de descarbonização entre 2020 e 2024, sendo R$ 1,38 bilhão no ano passado. Atualmente, a empresa apoia cerca de 35 iniciativas na Amazônia com investimento de R$ 50 milhões de forma não reembolsável, de acordo com Márcia Soares, gerente de Amazônia e parcerias do Fundo Vale. Entre as iniciativas apoiadas está a Rede Conexão Povos da Floresta, que alcançou 2 mil comunidades indígenas, quilombolas, ribeirinhas e extrativistas na Amazônia Legal, beneficiando mais de 160 mil pessoas. Em dois anos, o Fundo Vale investiu R$ 10 milhões no projeto. A rede instala equipamentos de internet nas comunidades e oferece formação para que moradores administrem a rede local.”
Fonte: Valor Econômico; 22/11/2025
Política
Belém aprova indicadores e triplica financiamento para adaptação – com ressalvas
“Um dos objetivos centrais da COP30 era aprovar indicadores globais e mais dinheiro para que o mundo possa se adaptar às mudanças climáticas, diante da realidade de que os eventos climáticos extremos já estão entre nós. Belém entregou 59 indicadores para acompanhar o progresso de medidas de adaptação e triplicou a promessa de recursos dos países ricos para os pobres se adaptarem à nova realidade do clima. A aprovação desse pacote na plenária de encerramento da conferência foi uma das mais aplaudidas, mas também foi a que mais recebeu protestos, de Panamá, Uruguai, Serra Leoa e Colômbia. De forma geral, pode-se dizer que a aprovação foi uma vitória, mas que seus termos foram conservadores, o que costuma ser comum para se obter o consenso de mais de 190 países. No quesito financiamento, o ponto positivo é que as nações concordaram em triplicar os recursos para adaptação – o dinheiro fornecido pelos países ricos aos vulneráveis – em relação a 2025, chegando a “pelo US$ 120 bilhões por ano”. Mas a promessa contém uma pegadinha, já que o prazo para que isso comece a valer foi empurrado de 2030 para 2035.”
Fonte: Capital Reset; 22/11/2025
Internacional
Política
Sem ‘roadmap’ para fim dos combustíveis fósseis, adaptação é protagonista nos textos finais da COP30
“Após impasses e uma longa plenária de encerramento, a COP30 terminou neste sábado com a aprovação de 29 textos negociados ao longo das duas semanas de conferência na Belém — mas sem incluir o roadmap para a transição global dos combustíveis fósseis e para deter o desmatamento. Esses dois temas não estavam na agenda oficial, mas tornaram-se centrais durante a Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas. A ausência dos “mapas do caminho” fez com que as decisões sobre adaptação ganhassem destaque, especialmente pela consolidação de indicadores globais. O “mapa do caminho” para a transição fora dos combustíveis fósseis, apoiado por mais de 80 países, acabou excluído do texto final da COP30 depois de forte resistência de grandes produtores de petróleo, especialmente a Arábia Saudita. O mesmo ocorreu com a proposta de um plano de implementação para deter e reverter o desmatamento até 2030, que teve de mais de 90 países. Diante do bloqueio, o presidente da COP30, André Corrêa do Lago, anunciou que conduzirá, por iniciativa própria da Presidência brasileira da COP, consultas ao longo do próximo ano para elaborar dois roadmaps: um sobre desmatamento e outro sobre a transição justa, ordenada e equitativa para longe dos combustíveis fósseis.”
Fonte: Valor Econômico; 22/11/2025
“O primeiro projeto de carvão para produtos químicos da China, integrando hidrogênio verde, iniciou operações comerciais na quinta-feira, segundo um relatório da CCTV, estatal de segurança. Operado pelo grande produtor estatal de energia Datang Group, o projeto deve produzir 70,59 milhões de metros cúbicos de hidrogênio anualmente, disse o gerente da emissora, Cao Guoan, à CCTV. Ele não informou quanto a planta está produzindo atualmente ou se também geraria outros derivados químicos. Usinas químicas de carvão normalmente convertem carvão em gás de síntese – uma mistura de monóxido de carbono e hidrogênio – que pode ser posteriormente transformado em produtos como amônia, metanol e olefinas. A usina, localizada em Duolun, na Mongólia Interior, inclui uma usina eólica e solar de 150 megawatts que também envia seu excedente de eletricidade para a rede, segundo o relatório. A usina foi designada pelo regulador de energia como um projeto nacional de demonstração de hidrogênio e “fornece um modelo replicável para a transformação verde da indústria química do carvão”, disse a CCTV. A China é um dos poucos países que transforma o carvão em produtos químicos, petróleo e gás em larga escala, uma indústria em crescimento que está ajudando a reduzir a dependência chinesa de importações que poderiam ser cortadas em um conflito.”
Fonte: Reuters; 21/11/2025
Artigo 6: trocas de carbono entre países causa discórdia na COP30
“Considerado um capítulo “fechado” do Acordo de Paris, o Artigo 6, que dispõe sobre os mercados internacionais de carbono e a troca de créditos entre os países, voltou a causar discórdia na COP30. O que deveria ser apenas uma fase técnica em Belém resultou em duas semanas de discussões acaloradas. Não foram reabertos pontos já acordados, mas foram apontados problemas que podem colocar em risco a credibilidade do sistema mesmo antes de ele engrenar e cumprir seu papel de aceleração da transição climática. Um dos pontos críticos levantados em Belém foi em relação ao chamado artigo 6.2, que envolve trocas de reduções de emissões entre países, ou ITMOs (sigla em inglês para resultados de mitigação transferidos internacionalmente). Essas transações são feitas diretamente entre duas nações. Eis um exemplo hipotético: as emissões evitadas por um projeto de energias renováveis no Senegal podem ser vendidas para Singapura. Esse comércio bilateral está apenas iniciando, mas os relatórios técnicos enviados à Convenção do Clima para documentar essas primeiras trocas apresentam inconsistências técnicas. Isso poderia matar a credibilidade do sistema antes mesmo que ele ganhe corpo, diz Juliana Marcussi, especialista em mercados de carbono da Laclima, uma entidade que reúne advogados da América Latina. “É a confiabilidade dos ITMOs que está em jogo”.”
Fonte: Capital Reset; 22/11/2025
Cúpula do G20 na África do Sul adota declaração apesar do boicote e oposição dos EUA
“Líderes do Grupo dos 20 aprovaram no sábado uma declaração abordando a crise climática e outros desafios globais, apesar das objeções dos EUA, levando a Casa Branca a acusar a África do Sul de usar sua liderança do grupo como arma este ano. A declaração, que foi redigida sem participação dos Estados Unidos, “não pode ser renegociada”, disse o porta-voz do presidente sul-africano Cyril Ramaphosa a repórteres, refletindo tensões entre Pretória e a administração do presidente dos EUA, Donald Trump, que boicotou o evento. Tivemos o ano inteiro trabalhando para essa adoção e a última semana foi bastante intensa”, disse o porta-voz Vincent Magwenya. Horas depois, a Casa Branca disse que Ramaphosa estava “se recusando a facilitar uma transição suave da presidência do G20″ após inicialmente ter dito que passaria o martelo para ‘uma cadeira vazia’.” “Isso, junto com o esforço da África do Sul para emitir uma Declaração dos Líderes do G20, apesar das objeções consistentes e robustas dos EUA, ressalta o fato de que eles usaram sua presidência do G20 como arma para minar os princípios fundadores do G20”, disse a porta-voz da Casa Branca, Anna Kelly. Trump espera “restaurar a legitimidade” do grupo no próximo ano, quando os EUA assumirem a presidência rotativa.”
Fonte: Reuters; 22/11/2025
Coalizão de mercados de carbono proposta pelo Brasil ganha força, enquanto iniciativa da ONU trava
“A proposta do Brasil de criar uma coalizão de mercados regulados para comercializar créditos de carbono internacionalmente ganhou força, tendo conseguido adesão de 19 países desde seu anúncio em Belém na semana retrasada. A agenda de criação de um sistema similar sancionado pela Convenção do Clima da ONU (UNFCCC), enquanto isso, enfrenta atrasos. Com a adesão de China, União Europeia (UE) e Rússia, o Ministério da Fazenda, que arquitetou a iniciativa brasileira, afirma que já vê nesse projeto a capacidade “magnética” de atrair novos membros para começar a tirá-lo do papel. Mercados de Carbono são, essencialmente, um esquema em que governos ou instituições permitem que empresas comprem e vendam créditos representando o direito de emitir certa quantidade de CO₂. Por exemplo, um projeto de reflorestamento que absorve carbono pode vender créditos para uma fábrica de aço que tenha dificuldade em cortar emissões. A Coalizão Aberta de Mercados Regulados de Carbono lançada pelo Brasil engloba mercados considerados “regulados”, em que o preço da tonelada de carbono é definido num sistema de cap-and-trade (limitar e comercializar). Nesse arranjo, uma autoridade estabelece um teto de emissão para cada ator do mercado e o incentiva a negociar créditos para ficar abaixo desse limite obrigatório.”
Fonte: Globo; 22/11/2025
Empresas americanas mantêm a linha nas negociações climáticas apesar de Trump
“Apesar do governo dos EUA ter se despreocupado com a agenda climática global antes da cúpula COP30, as empresas americanas não hesitaram. Uma análise da Reuters das listas de participantes mostra que havia 60 representantes de empresas da Fortune 100 no evento no Brasil, em comparação com 50 no ano passado em Baku, Azerbaijão. Outros ainda participaram de eventos pré-conferência no polo financeiro brasileiro São Paulo e no Rio de Janeiro. Empresas de tecnologia, incluindo a Microsoft (MSFT. O) e Google (GOOGL. O), empresa de energia Occidental Petroleum (OXY. N), abre nova aba, montadora General Motors (GM. N) e o credor Citigroup (C.N) estavam entre os representados em uma lista provisória da ONU de participantes da cúpula oficial. “Não vimos nenhuma mudança perceptível no engajamento das empresas americanas com a política climática ao longo deste ano. E isso certamente se refletiu nos níveis de frequência”, disse Andrew Wilson, secretário-geral adjunto de políticas da Câmara Internacional de Comércio. “Também estamos vendo uma preocupação crescente em toda a indústria com os custos crescentes de eventos climáticos extremos — ressaltando a necessidade de respostas políticas eficazes.” Executivos disseram que não acham que agora seja um bom momento para sair da conversa sobre o clima, com o aumento das temperaturas liberando cada vez mais ameaças às fábricas, cadeias de suprimentos e aos resultados financeiros.”
Fonte: Reuters; 24/11/2025
Índices ESG e suas performances


(1) O Índice ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial da B3) tem como objetivo ser o indicador do desempenho médio das cotações dos ativos de empresas com reconhecido comprometimento com o desenvolvimento sustentável, práticas e alinhamento estratégico com a sustentabilidade empresarial.
(2) O Índice S&P/B3 Brasil ESG mede a performance de títulos que cumprem critérios de sustentabilidade e é ponderado pelas pontuações ESG da S&P DJI. Ele exclui ações com base na sua participação em certas atividades comerciais, no seu desempenho em comparação com o Pacto Global da ONU e também cias sem pontuação ESG da S&P DJI.
(3) O ICO2 tem como propósito ser um instrumento indutor das discussões sobre mudança do clima no Brasil. A adesão das companhias ao ICO2 demonstra o comprometimento com a transparência de suas emissões e antecipa a visão de como estão se preparando para uma economia de baixo carbono.
(4) O objetivo do IGCT é ser o indicador do desempenho médio das cotações dos ativos de emissão de empresas integrantes do IGC que atendam aos critérios adicionais descritos nesta metodologia.
(5) A série de índices FTSE4Good foi projetada para medir o desempenho de empresas que demonstram fortes práticas ambientais, sociais e de governança (ESG)..
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