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IPCA de fevereiro: Inflação recua para 3,81%, mas com composição desfavorável

Índice avança 0,70% ante janeiro, levemente acima das projeções. Mesmo assim, índice recua de 4,44% para 3,81% na no acumulado em 12 meses. Com o petróleo nos atuais níveis, nossa projeção de 3,8% em 2026 tem viés de alta.

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Conforme divulgado pelo IBGE, o IPCA de fevereiro avançou 0,70% na comparação mensal, ligeiramente acima da nossa projeção (0,65%) e do consenso Bloomberg (0,64%). Mesmo com a aceleração no mês, a inflação acumulada em 12 meses recuou de 4,44% para 3,81%. A leitura confirmou a composição desfavorável já antecipada pelo IPCA‑15 de fevereiro (a maior surpresa altista da série), com reaceleração dos serviços subjacentes e bens industriais mais firmes. Em relação ao nosso cenário, os principais desvios vieram de alimentação no domicílio — com altas disseminadas em bebidas, frango e frutas — e de eletricidade.

O regime de metas de inflação é parte do que chamamos de política monetária – a política responsável pelo controle da quantidade de moeda em determinada economia, que fica sob a responsabilidade do Banco Central. 

Esse regime determina uma meta de inflação explícita e numérica (% ao ano), a ser perseguida pelo Banco Central. No caso brasileiro, a meta de inflação atual é de 3,0%. Isso significa que o Banco Central tem a responsabilidade de controlar a alta de preços de maneira contínua, de modo que se mantenha no ritmo de 3,00%. 

O modelo brasileiro também inclui uma banda de tolerância de 1,50 pontos percentuais para cima e para baixo. Essa “banda” serve para acomodar eventuais choques, como por exemplo uma seca que afete a produção de alimentos e eleve a inflação além do controle do Banco Central, ou uma pandemia que derrube os preços. 

Caso o IPCA se mantenha acima do limite de 4,5% por seis meses consecutivos, o presidente do Banco Central deve enviar uma carta ao Presidente da República indicando: i) os motivos do não atingimento da meta; ii) medidas planejadas para que a inflação retome à meta; e iii) o tempo projetado para que isso se concretize.

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Núcleos de serviços seguem com dinâmica desafiadora

Os serviços subjacentes avançaram 0,64% na comparação mensal, levemente acima da nossa projeção (0,60%). O desvio altista veio sobretudo de serviços bancários e conserto de automóveis, enquanto o seguro de automóveis — já sinalizado pelo IPCA‑15 — subiu 5,6%, revertendo parte do alívio do fim de 2025. Em compensação, a alimentação fora do domicílio cresceu 0,34%, abaixo do esperado (0,58%), mesmo com o Carnaval, reduzindo a inércia desse item no curto prazo. Com isso, o núcleo de serviços em 3M SAAR – média móvel dos últimos três meses, dessazonalizada e anualizada subiu de 4,7% para 5,4%. Essa métrica suaviza o “ruído” mensal e funciona como um termômetro da tendência de curto prazo.

Ainda refletindo mercado de trabalho aquecido, os serviços intensivos em mão de obra avançaram 0,68%, acima da nossa projeção (0,63%). Apesar disso, o 3M SAAR desacelerou de 7,3% para 7,0%, movimento que alivia na margem sem descaracterizar o quadro de patamar elevado. Em outras palavras: fevereiro trouxe pressão na fotografia do mês, mas não desmontou a leitura de moderação gradual para 2026, desde que não haja novos choques.

Bens industrializados apresenta alta moderada e tendência um pouco menos benigna

Os bens industrializados subiram 0,33%, em linha com nossa projeção (0,35%). O 3M SAAR do grupo acelerou de 2,9% para 3,5%, sinalizando perda de moderação na margem. A decomposição mostra higiene pessoal mais pressionada e surpresa altista em vestuário. Olhando à frente, vemos um balanço de riscos assimétrico:

  • (1) Pressões potenciais — estoques mais baixos na indústria em um contexto de demanda resiliente, insumos e commodities industriais mais caros (incluindo componentes para eletrônicos) e petróleo em alta, que encarece fretes/insumos;
  • (2) Amortecedores — câmbio relativamente estável, mesmo com o ambiente geopolítico, e desinflação externa de bens ainda presente (embora menos intensa), em especial nos preços de exportação da Ásia.

No conjunto, mantemos a projeção de 2,1% para industrializados em 2026, mas com viés altista, à medida que esses choques de custos se propagam.

Alimentos: alta disseminada, mas ainda com pano de fundo benigno

Os alimentos subiram 0,23%, acima da nossa projeção (0,06%). A alta foi disseminada em bebidas, aves e frutas, sugerindo um choque amplo no mês. Ainda assim, mantemos a avaliação de que a inflação de alimentos em 12 meses deve permanecer baixa nos próximos meses, ancorada pelo atacado (queda recente do IPA‑M em ‑3,0% na margem). Um ponto de atenção é o custo de transporte: diesel mais caro eleva frete e logística, podendo encurtar a defasagem entre atacado e varejo.

Monitorados: transporte público pressiona; combustíveis aliviam, mas riscos adiante

Os monitorados avançaram 0,17% em fevereiro, impulsionados por reajustes no transporte público e por taxa de água/esgoto, com alívio parcial da gasolina (deflação no mês). Para a frente, incorporamos um reajuste de 20% no diesel, já na próxima semana, compensada pelo fim do PIS/Cofins e subsídio anunciado pelo governo. Para gasolina, consideramos um aumento de 8% no fim de março, impactando o IPCA de abril. Em contrapartida, incluímos um efeito baixista em eletricidade a partir de junho (uso de recursos de hidrelétricas para modicidade tarifária, o “Uso do Bem Público”), o que ajuda a limitar a inércia do grupo e preserva nossa projeção de IPCA 2026 em 3,8% — por ora.

Inflação subjacente piora na margem

A média dos núcleos avançou 0,62% na comparação mensal, ligeiramente acima do nosso 0,60%. O 3M SAAR dos núcleos subiu de 4,1% para 4,4%, interrompendo a acomodação vista no fim de 2025 e nublando o quadro de curto prazo. Núcleos são métricas que excluem itens muito voláteis (ou aplicam filtros estatísticos) para captar a tendência subjacente; por isso, importam para o Copom mais do que o cheio do mês isolado. Em 12 meses, os núcleos permaneceram em 4,5%, ainda no topo do intervalo de tolerância em torno da meta (3,0% ± 1,5 p.p.), o que exige cautela da política monetária.

Nossa visão

Em linha com o IPCA‑15, fevereiro mostrou reaceleração da inflação subjacente, com serviços em patamar elevado e industrializados menos benignos na margem. O ambiente externo adiciona riscos altistas — tensões no Oriente Médio, petróleo mais caro e cadeias industriais com custos pressionados —, sugerindo menos folga para a desinflação de curto prazo. Mantemos 3,8% para 2026, mas reavaliaremos o cenário nos próximos dias para mensurar o tamanho dos choques e o grau de contaminação da tendência captada pelo 3M SAAR dos núcleos e de serviços. Em termos de política monetária, a mensagem é de cautela: a fotografia mensal piorou, ainda que o filme de 12 meses permaneça comportado.

Como se proteger da alta de preços? 

Como vimos, a inflação segue como um dos principais motivos de cautela e atenção para a economia brasileira.  Assim, proteger seu patrimônio contra a alta de preços se torna ainda mais essencial.   

Títulos indexados à inflação (como o título público NTN-B 2030), emissões bancárias de instituições sólidas e com boa classificação de risco, debêntures incentivadas (sem cobrança de Imposto de Renda ao investidor) e fundos de investimento com gestão ativa em renda fixa são ótimas alternativas. Falamos mais das melhores oportunidades de renda fixa aqui.

Outra classe de ativos que pode ajudar o investidor a se proteger da inflação são os fundos imobiliários.  Apesar de estarem sofrendo diante de expectativas de juros mais altos adiante, os  FIIs  podem ser aliados do investidor em um cenário cauteloso de alta de preços, por serem muitas vezes atrelados a índices de inflação. Aqui te indicamos nossa carteira recomendada de Fundos Imobiliários. 

Mas não só de proteção contra a inflação devem viver os investimentos nesse momento. Por isso, confira o detalhe das nossas recomendações de investimento atualizadas de acordo com o seu perfil de investidor no “Onde Investir”

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