IPCA de abril apresenta deflação de 0,31% e surpreende as expectativas


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Em abril de 2020, o IPCA registrou contração de 0,31%, surpreendendo tanto a nossa expectativa (-0,47%) quanto as expectativas de mercado coletadas pela Bloomberg (-0,24%). No acumulado de 12 meses, a inflação desacelerou de 3,30% para 2,40%.

O indicador, coletado de forma remota pelo IBGE (internet e telefone), trouxe alguns destaques que continuaram mostrando os impactos do coronavírus sobre a economia brasileira.

A inflação de bens não duráveis aumentou consideravelmente na passagem de março para abril, refletindo a rápida e intensa busca por alimentos durante o isolamento social, principalmente de cereais e leguminosas (+6,95%), tubérculos (+12,82%), hortaliças e verduras (+7,66%), frutas (+5,91%), aves e ovos (+2,55%), leites e derivados (+3,83%) e sal e condimentos (+6,17%).

Também chamou a atenção o aumento da inflação apresentada por artigos de Tv, som e informática entre março (+0,05%) e abril (+0,72%), com destaque para televisores (+0,63%) e videogames (+2,29%), e da alimentação fora do domicílio (+0,76%), com destaque para lanches (+3,07%) e vinhos (+0,64%).

Os bens duráveis, por sua vez, mostraram boa descompressão na passagem de março (-0,20) para abril (-0,87), com destaque para as categorias de mobiliário (-2,92%) e eletrodomésticos (-3,58%).

A inflação de serviços também surpreendeu as expectativas ao apresentar expansão de 0,25% no mês, puxada principalmente pela inflação de serviços médicos e dentários (+0,23%), laboratoriais e hospitalares (+0,10%) e pessoais (+0,19%), que já esboçam a retomada parcial de algumas atividades da economia. Ainda assim, continuamos com o entendimento de que o setor será um dos mais prejudicados pela pandemia do coronavírus e pelo isolamento social.

A desinflação de transportes (-2,66%) evitou um avanço mais significativo da inflação de serviços no mês.

Todas as principais medidas de núcleo de inflação, que em linhas gerais expurgam os itens com mais volatilidade, recuaram em abril e permaneceram em patamares historicamente baixos.

O resultado reforçou o nosso entendimento de que a inflação deve arrefecer tanto em 2020 quanto em 2021, uma vez que os efeitos da desaceleração econômica e da retração dos preços de commodities devem prevalecer sobre os efeitos inflacionários advindos do câmbio e do choque negativo de oferta global.

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