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IPCA-15 de janeiro: Sinais mistos reforçam corte de juros em março

Primeira leitura do IPCA em 2026 leva inflação de volta ao topo do intervalo da meta.

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O IPCA‑15 avançou 0,20% em janeiro, praticamente em linha com a projeção da XP (0,22%) e do consenso de mercado. Em 12 meses, a inflação passou de 4,41% para 4,50%. O mês trouxe surpresas pontuais em itens voláteis: alimentos no domicílio vieram mais fracos por conta da queda mais intensa do que esperávamos para o leite, enquanto bens industrializados surpreenderam para cima, com altas proeminentes em perfumes e aparelhos telefônicos.

Um dos destaques de todo IPCA-15 de janeiro é o subitem ‘emplacamento e licença’, o famoso IPVA, uma vez que a variação apresentada no mês se repete para todos os IPCAs do ano. Dessa vez, o preço do subitem cedeu 0,15% na comparação mensal e contribuiu para reduzir nossa projeção anual para o IPCA em 0,04 p.p. A deflação se deveu, sobretudo, pelo desconto de 50% do imposto no Paraná. De antemão, afirmamos que a composição do IPCA-15 não altera nossa avaliação de que a convergência plena da inflação para a meta seguirá desafiadora, sobretudo nos serviços, que apresentaram sinais mistos.

O regime de metas de inflação é parte do que chamamos de política monetária – a política responsável pelo controle da quantidade de moeda em determinada economia, que fica sob a responsabilidade do Banco Central. 

Esse regime determina uma meta de inflação explícita e numérica (% ao ano), a ser perseguida pelo Banco Central. No caso brasileiro, a meta de inflação atual é de 3,0%. Isso significa que o Banco Central tem a responsabilidade de controlar a alta de preços de maneira contínua, de modo que se mantenha no ritmo de 3,00%. 

O modelo brasileiro também inclui uma banda de tolerância de 1,50 pontos percentuais para cima e para baixo. Essa “banda” serve para acomodar eventuais choques, como por exemplo uma seca que afete a produção de alimentos e eleve a inflação além do controle do Banco Central, ou uma pandemia que derrube os preços. 

Caso o IPCA se mantenha acima do limite de 4,5% por seis meses consecutivos, o presidente do Banco Central deve enviar uma carta ao Presidente da República indicando: i) os motivos do não atingimento da meta; ii) medidas planejadas para que a inflação retome à meta; e iii) o tempo projetado para que isso se concretize.

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Inflação de serviços segue consistentemente acima da meta

A inflação de serviços subjacentes avançou 0,53%, abaixo das expectativas. Serviços subjacentes representam o conjunto de serviços menos voláteis — como aluguel, condomínio, mão de obra doméstica e seguro de automóveis — e são importantes por refletirem a tendência estrutural da inflação ligada ao mercado de trabalho e renda. A surpresa baixista veio novamente do seguro de automóveis, que segue em trajetória de queda desde o segundo semestre de 2024 e, portanto, suavizou a média do grupo.

Com isso, o indicador 3M SAAR dos serviços subjacentes recuou de 5,5% para 5,1%. O 3M SAAR (média móvel trimestral anualizada com ajuste sazonal) capta a velocidade recente da inflação, projetada para um ritmo anual, já descontando efeitos sazonais. Ou seja, ele mostra se a inflação está acelerando ou perdendo força na margem — e, neste caso, houve leve desaceleração.

Já os serviços intensivos em mão de obra, que dependem diretamente do custo e da disponibilidade de trabalhadores em setores como restaurantes, salões de beleza, educação e serviços pessoais, subiram 0,74%, acima do esperado. Seu 3M SAAR acelerou para 8,0%, maior nível desde o fim de 2022, refletindo o mercado de trabalho ainda aquecido, com desemprego baixo e renda real elevada. Mesmo com esse quadro, projetamos desaceleraçãoda inflação de serviços de 6,0% em 2025 para 5,3% em 2026 (muito acima da meta de 3%), apoiada principalmente pela melhora das expectativas.

Sendo assim, a inflação de serviços deve seguir como um dos principais motivos de cautela adiante.

Bens industrializados sobem acima das expectativas

Os bens industrializados registraram alta de 0,64%, acima da projeção de 0,43%. As surpresas vieram especialmente de perfumes, outros itens de higiene pessoal e aparelhos celulares. Além disso, os bens duráveis (automóveis, linha branca, linha marrom, etc) voltaram a subir 0,42%, interrompendo sequência de cinco leituras negativas, o que impulsionou o grupo.

O 3M SAAR dos bens industrializados acelerou de 0,9% para 2,0%, sinalizando que, na margem, os preços estão avançando mais rapidamente. No entanto, quando se observa o quadro estrutural, a pressão é menor: o comportamento ainda benigno dos preços ao produtor (IPA-FGV) e a apreciação do real devem garantir leituras mais moderadas nos próximos meses.

Os núcleos industriais EX0 e EX3 permanecem em níveis controlados. Esses núcleos excluem itens mais voláteis — EX0 exclui alimentos no domicílio, energia elétrica e combustíveis; EX3 exclui itens administrados, combustíveis e alimentos — permitindo observar uma tendência mais limpa da inflação industrial. Ambos seguem abaixo de 4% na variação anual, compatíveis com um ambiente desinflacionário no setor de bens.

Alimentos surpreendem para baixo, mas clima segue como risco

Os alimentos subiram apenas 0,21%, abaixo da projeção de 0,51%, com forte queda de leite e derivados, que recuaram 3%. Houve alívio também em cereais, ovo de galinha e frango, ajudando a compensar pressões sazonais típicas de início de ano. Apesar da leitura benigna, persistem riscos relacionados ao clima: chuvas intensas e ondas de calor aumentam a volatilidade de hortifrutis, devendo gerar aceleração nos próximos meses. Em 12 meses, alimentação no domicílio segue moderada, em 2,08%, mas com viés de alta.

Administrados recuam e ajudam o índice

Os preços administrados caíram 0,10%, influenciados pela ativação da bandeira verde na energia elétrica (-2,9% m/m) e pelo recuo de 0,15% no licenciamento de veículos, como abordado acima. Essa combinação favoreceu uma leitura mais benigna do índice e contribuiu diretamente para a revisão baixista da projeção para 2026.

O que esperar?

O IPCA‑15 de janeiro veio alinhado ao esperado, com sinais mistos: serviços seguem pressionados pelo mercado de trabalho forte, mas bens e alimentos segue bem-comportados. Projetamos IPCA em 4,0% em 2026 e avaliamos que o Copom deve iniciar o ciclo de cortes em março, sustentado pela melhora das expectativas e pelo comportamento benigno dos bens industriais e alimentícios. Para mais informações, leia nosso Esquenta do Copom.

Como se proteger da alta de preços? 

Como vimos, a inflação segue como um dos principais motivos de cautela e atenção para a economia brasileira.  Assim, proteger seu patrimônio contra a alta de preços se torna ainda mais essencial.   

Títulos indexados à inflação (como o título público NTN-B 2030), emissões bancárias de instituições sólidas e com boa classificação de risco, debêntures incentivadas (sem cobrança de Imposto de Renda ao investidor) e fundos de investimento com gestão ativa em renda fixa são ótimas alternativas. Falamos mais das melhores oportunidades de renda fixa aqui.

Outra classe de ativos que pode ajudar o investidor a se proteger da inflação são os fundos imobiliários.  Apesar de estarem sofrendo diante de expectativas de juros mais altos adiante, os  FIIs  podem ser aliados do investidor em um cenário cauteloso de alta de preços, por serem muitas vezes atrelados a índices de inflação. Aqui te indicamos nossa carteira recomendada de Fundos Imobiliários. 

Mas não só de proteção contra a inflação devem viver os investimentos nesse momento. Por isso, confira o detalhe das nossas recomendações de investimento atualizadas de acordo com o seu perfil de investidor no “Onde Investir”

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