Resumo
Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump indicou Kevin Warsh para a presidência do Fed (banco central). A autoridade monetária manteve a taxa de juros de referência no intervalo entre 3,50% e 3,75%, em linha com o esperado.
O ouro chegou a ultrapassar US$ 5.500 por onça troy pela primeira vez na história, em meio à intensificação das tensões geopolíticas e à fraqueza do dólar. Em reposta, a taxa de câmbio atingiu US$/R$ 5,18, mas voltou para US$/R$ 5,25.
No Brasil, o Copom manteve a taxa Selic em 15,00%. O comunicado pós-reunião indicou que a política monetária pode se tornar menos contracionista à frente, considerando a melhora recente no cenário de inflação.
O IPCA-15 de janeiro ficou em linha com as expectativas, subindo 0,20% ante dezembro e 4,50% em relação ao ano anterior, mas com composição mista. Por fim, o desemprego atingiu 5,1%, reforçando a resiliência no mercado de trabalho, e a dívida do governo recuou para 78,7% do PIB.
Gráfico da Semana
Veja na seção “Copom mantém juros em 15% e sinaliza início de flexibilização”

Cenário Internacional
Fed mantém juros e adota tom mais conservador; Trump anuncia novo presidente para o Fed
O comitê de política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) manteve a taxa de juros de referência no intervalo entre 3,50% e 3,75%, conforme amplamente esperado. Mais uma vez, a decisão foi dividida, com dez membros votando pela manutenção e dois optando por uma redução de 0,25 p.p. (Stephan Miran e Christopher Waller). O comunicado pós-decisão trouxe importantes ajustes de redação, adotando um tom mais conservador (hawkish). A autoridade monetária destacou que a atividade econômica vem crescendo em ritmo “sólido”, ao invés da avaliação anterior de expansão em ritmo “moderado”. Apesar de reiterar que a geração de empregos continua fraca, o Fed salientou que a taxa de desemprego tem apresentado “sinais de estabilização”.
Na coletiva de imprensa, o Presidente do Fed, Jerome Powell, afirmou que a taxa de juros pode estar próxima ao seu nível neutro ou em patamar um pouco restritivo. Além disso, Powell classificou o caso de Lisa Cook como “talvez o mais importante da história do Fed”, mas evitou responder a questões relacionadas ao processo do Departamento de Justiça sobre sua gestão e a respeito de intervenções no mercado de câmbio.
Buscando um Fed mais alinhado com a sua visão, Donald Trump anunciou a indicação de Kevin Warsh (leia mais aqui) para presidir o Federal Reserve, substituindo Jerome Powell a partir de maio. Ex‑membro do Conselho de Governadores do Fed e ex‑assessor de George W. Bush, Warsh tem trajetória no mercado financeiro e vinha sendo apontado como favorito, inclusive após reunião recente com Trump. Ele é visto como um nome relativamente menos radical entre os cotados, por defender maior controle do balanço do Fed, mas também favorável a cortes de juros, alinhando‑se às críticas do presidente sobre a gestão de Powell. A indicação depende da aprovação do Senado.
Continuamos a projetar apenas um corte de 0,25 p.p. na taxa básica de juros em 2026, devido sobretudo à força da atividade econômica local. O mercado precifica corte de 0,45 p.p. este ano, ou seja, quase duas reduções de 0,25 p.p..
Ouro atinge patamar histórico enquanto dólar enfraquece
O ouro chegou a ultrapassar US$ 5.500 por onça troy pela primeira vez na história, impulsionado pela busca por ativos de proteção em meio à intensificação das tensões geopolíticas e à fraqueza do dólar, mas recuou para baixo de US$ 5.000 após o anúncio de Warsh para o Fed (ver acima). O metal valorizou cerca de 10% em janeiro. O movimento surge na esteira de ameaças tarifárias feitas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, contra aliados europeus que elevaram a volatilidade nos mercados financeiros, movimento que vem favorecendo o ouro e enfraquecendo o dólar.
Por sua vez, o índice do dólar (DXY, em inglês) chegou a atingir 96,3 pontos, o menor valor em 4 anos. Em entrevista, Donald Trump respondeu que não está preocupado com a queda do dólar e que, na verdade, a moeda “está indo muito bem”. Em relação ao real, a taxa de câmbio recuou para US$/R$ 5,18, menor valor desde maio de 2024, mas voltou para US$/R$ 5,25.
Senado americano bloqueia pacote de financiamento e aumenta risco de shutdown
O Senado dos Estados Unidos bloqueou o avanço de um amplo pacote de financiamento do governo, aumentando o risco de um shutdown parcial nos próximos dias, após todos os democratas e sete republicanos votarem contra a proposta em uma votação de 55 a 45. O impasse está concentrado no financiamento do Departamento de Segurança Interna (DHS), que inclui o ICE – polícia de imigração -, já que os democratas exigem separar esse orçamento do restante do pacote para renegociar políticas migratórias. Sem acordo, áreas como Defesa, Saúde, Educação, Trabalho e Transporte podem ficar sem recursos. Negociações de última hora discutem um arranjo temporário para financiar as demais agências até setembro, enquanto o orçamento do DHS seria prorrogado por curto prazo, na tentativa de evitar a paralisação do governo federal.
União Europeia e Índia anunciam acordo comercial; Trump volta a ameaçar com aumento de tarifas
A Comissão Europeia e o governo indiano anunciaram um acordo histórico de livre comércio entre a União Europeia e a Índia após a conclusão das negociações iniciadas em 2007. O documento ainda depende de aprovação interna das partes e não entrou em vigor. A notícia ocorre em um cenário de instabilidade no comércio internacional, caracterizado pelo avanço do protecionismo e pelo uso mais frequente de medidas tarifárias unilaterais. Em contraste, Donald Trump elevou as tarifas sobre produtos da Coreia do Sul de 15% para 25%, sob a alegação de descumprimento de um acordo comercial firmado em julho do ano passado. O presidente também ameaçou impor tarifas de 100% ao Canadá, caso o país avance na assinatura de um acordo comercial com a China.
Enquanto isso, no Brasil…
Copom mantém juros em 15% e sinaliza início de flexibilização
O Copom manteve a taxa Selic em 15,00%, em linha com a expectativa da maioria dos participantes do mercado. O comunicado pós-reunião indicou que a política monetária pode se tornar menos contracionista à frente, considerando a melhora recente no cenário de inflação. A sinalização foi inequívoca: “O Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária”. No entanto, o comunicado reforçou que as expectativas inflacionárias seguem desancoradas (acima da meta), a atividade econômica desacelera gradualmente e o mercado de trabalho continua resiliente. Assim, o Comitê destacou que “manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”.
No geral, a decisão e a comunicação vieram em linha com o que esperávamos. Portanto, mantivemos o cenário de cinco cortes consecutivos de 0,50 p.p., levando a taxa Selic para 12,50% no 3º trimestre deste ano. Em termos reais, a taxa básica ficaria em torno de 8,0%, ainda acima do que consideramos como taxa neutra, refletindo os desafios fiscais esperados para o próximo mandato presidencial. De acordo com a sondagem pós-Copom, realizada pelo time de Estratégia Macro da XP, cerca de 70% dos respondentes (amostra total de 78 instituições) preveem redução de 0,50 p.p. na taxa Selic em março, enquanto 30% esperam corte de 0,25 p.p. Para mais informações, leia nosso relatório aqui.
Prévia da inflação avança em linha com o esperado, mas com sinais mistos
O IPCA-15 de janeiro ficou em linha com as expectativas, subindo 0,20% ante dezembro e 4,50% em relação ao ano anterior, mas com composição mista. Preços de alimentos surpreenderam para baixo, muito por conta da queda acentuada nos preços de leites e derivados. A inflação de bens industrializados, porém, subiu 0,64% em relação ao mês anterior, com os bens duráveis se recuperando após cinco leituras negativas. Já o núcleo de serviços – que retira os itens mais voláteis, como passagens aéreas – avançou 0,53% em relação ao mês anterior, um pouco abaixo das projeções, mas os serviços intensivos em mão de obra aceleraram ainda mais, refletindo o mercado de trabalho aquecido. Em média, as medidas de núcleo de inflação em 12 meses caíram para 4,33%, o menor desde novembro de 2024.
No geral, os dados apoiam a postura cautelosa do Banco Central em relação à desinflação dos serviços, mas, combinados com o arrefecimento das expectativas de inflação e uma tendência desinflacionária nos bens, permanecem consistentes com o início de um ciclo de flexibilização monetária em março. Nossa projeção para o IPCA de 2026, atualmente em 4,0%, tem viés de baixa. Para mais informações, leia nosso relatório aqui.
Mercado de trabalho segue resiliente com desemprego nas mínimas históricas
A divulgação da PNAD Contínua mostrou que o mercado de trabalho permanece bastante apertado. A taxa de desemprego recuou de 5,2% para 5,1% em dezembro, em linha com as expectativas e mantendo‑se em níveis historicamente baixos. A população ocupada alcançou 102,4 milhões de pessoas, com alta de 1,1% na comparação com dezembro de 2024 e crescimento acumulado de 1,9% em 2025. Em sentido oposto, a força de trabalho diminuiu 0,2% em relação ao mês anterior, para 108,1 milhões, e a taxa de participação caiu para 61,9%, o menor nível desde novembro de 2023 e abaixo do patamar pré‑pandemia.
Já o CAGED, divulgado pelo Ministério do Trabalho, indicou fechamento líquido de 618,2 mil vagas em dezembro, resultado pior do que o esperado e influenciado por fatores sazonais. No acumulado de 2025, houve criação líquida de 1,28 milhão de empregos, abaixo de 1,68 milhão registrado em 2024, sinalizando uma desaceleração gradual. Em média, a criação mensal recuou de cerca de 135 mil postos no primeiro semestre de 2025 para 80 mil no segundo semestre, em linha com o arrefecimento da atividade econômica e escassez de oferta de trabalhadores.
Em suma, os dados da PNAD Contínua e do CAGED indicam que o emprego segue em trajetória de expansão, ainda que em ritmo mais moderado, com taxa de desemprego historicamente baixa, sustentando a demanda doméstica. Projetamos que a taxa de desemprego encerre em 5,7% este ano e atinja 6,2% no fim de 2027, enquanto a criação líquida de empregos formais deve alcançar cerca de 900 mil vagas em 2026.
Governo Central tem piora no resultado
O setor público consolidado registrou superávit primário de R$ 6,3 bilhões em dezembro, acima das expectativas. Em 2025, houve déficit primário de R$ 55,0 bilhões (0,43% do PIB), maior que o registrado em 2024 (R$ 47,6 bilhões; 0,40% do PIB). No ano, o governo central concentrou a piora fiscal, com déficit de R$ 58,7 bilhões (0,5% do PIB), enquanto os governos regionais apresentaram superávit de R$ 9,5 bilhões (0,1% do PIB) e as estatais, déficit de R$ 5,9 bilhões. A dívida bruta do governo geral recuou para 78,7% do PIB, mas mantém a trajetória de alta. A piora do resultado do governo central refletiu desempenho mais fraco das receitas não tributárias e maior gasto com previdência, benefícios sociais e precatórios. Apesar de leve melhora em relação a 2024, os resultados das estatais tendem a piorar, com destaque para o pagamento de passivos dos Correios.
Para 2026, projetamos déficit de R$ 48,8 bilhões do governo central, uma leve melhora frente a 2025, sustentada por medidas de arrecadação aprovadas no ano anterior. Ainda assim, o setor público consolidado deve registrar déficit primário próximo de R$ 55,1 bilhões (0,4% do PIB), com a dívida bruta alcançando cerca de 83,5% do PIB, mantendo o cenário fiscal desafiador.
Importações recordes impulsionam déficit nas contas externas
Em 2025, o déficit em transações correntes foi de US$ 68,8 bilhões (–3,02% do PIB), próximo aos US$ 66,2 bilhões de 2024 (–3,03% do PIB). A piora marginal foi explicada principalmente pelo enfraquecimento da balança comercial. O forte crescimento das importações foi o principal fator, enquanto o desempenho robusto das exportações limitou um desequilíbrio maior. Por sua vez, os ingressos líquidos de Investimento Direto no País totalizaram US$ 77,7 bilhões (3,41% do PIB), superando os US$ 74,1 bilhões registrados em 2024. Os dados anuais indicam que os setores de Extração de Minerais Metálicos, Celulose, Transporte e Armazenagem estão entre os principais destinos dos investimentos estrangeiros.
Para 2026, projetamos um déficit em conta corrente de US$ 73,3 bilhões (3,0% do PIB). Pelo lado positivo, as exportações devem seguir firmas, diante de mais uma safra recorde de grãos e volumes expressivos de petróleo bruto e carnes. Pelo lado negativo, preços baixos do petróleo podem afetar as exportações, enquanto a recuperação do PIB cíclico deve pressionar as importações e elevar remessas de lucro ao exterior. Por fim, projetamos ingressos de IDP de US$ 75,0 bilhões em 2026 (3,1% do PIB). Essa perspectiva é sustentada por oportunidades de investimento em minerais críticos e data centers.
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Destaques da próxima semana
No cenário internacional, destaque para indicadores de mercado de trabalho de janeiro nos Estados Unidos, especialmente para o Nonfarm Payroll na 6ª-feira. Na Zona do Euro e no Reino Unido, haverá decisões de política monetária – para ambas as regiões, o mercado espera manutenção nas taxas básicas de juros. Por fim, índices PMIs serão divulgados em todas as principais economias – lembrando que PMIs são sondagens empresariais que visam aferir o pulso da atividade econômica.
No Brasil, o foco se voltará para a ata do Copom. O mercado tentará extrair indícios sobre a magnitude do corte de juros anunciado para março. Além disso, o IBGE divulgará a produção industrial de dezembro, cujos resultados devem reforçar a tendência de enfraquecimento do setor no último ano. Por fim, as estatísticas da balança comercial de janeiro serão publicadas pelo MDIC. Veja nossas projeções abaixo.

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