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Economia em Destaque: Alta do petróleo eleva incertezas sobre inflação e juros

Seu resumo semanal de economia no Brasil e no mundo

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Resumo

A escalada do conflito no Irã pressionou os mercados nesta semana. O preço do petróleo apresentou forte volatilidade, e o ambiente de incerteza reforçou a busca por proteção, fortalecendo o dólar. No Brasil, as expectativas de juros voltaram a subir, enquanto a taxa de câmbio voltou ao patamar de 5,30 reais por dólar.

Nos indicadores, a segunda estimativa para o PIB dos Estados Unidos do 4º trimestre de 2025 trouxe revisão baixista, enquanto a inflação ao consumidor segue persistentemente acima da meta. Esse quadro antecede a recente disparada dos preços do petróleo, que deve exercer pressão adicional sobre os preços e reduzir o espaço para cortes de juros.

No Brasil, o IPCA de fevereiro veio acima das expectativas, com abertura desfavorável. Além disso, indicadores de atividade econômica reforçaram nossa visão de aceleração da demanda no início de 2026. Por fim, o governo anunciou um pacote de medidas para conter o impacto da alta do petróleo sobre os preços do diesel.

Gráfico da Semana

Veja na seção “Guerra no Oriente Médio mantém preços do petróleo pressionados

Cenário Internacional

Guerra no Oriente Médio mantém preços do petróleo pressionados

A escalada do conflito no Irã pressionou os mercados globais ao longo desta semana. O preço do petróleo apresentou forte volatilidade, e agora se estabiliza em torno de 100 dólares por barril. Em resposta ao choque, a Agência Internacional de Energia anunciou a maior liberação de reservas estratégicas já realizada (400 milhões de barris). A iniciativa busca mitigar os efeitos do quase fechamento do Estreito de Ormuz, responsável por cerca de 20% do fluxo global de petróleo. Paralelamente, o Irã endureceu o discurso e intensificou ataques a navios na região.

O ambiente de incerteza reforçou a busca por proteção e resultou no fortalecimento do dólar dos Estados Unidos, impactando negativamente moedas de países emergentes.

Inflação segue acima da meta; petróleo é risco para os preços adiante

Nos indicadores, a segunda estimativa para o PIB dos Estados Unidos do 4º trimestre de 2025 trouxe revisão baixista de 1,4% para 0,7% (crescimento ante o 3º trimestre), refletindo principalmente o impacto da paralisação do governo no final do ano passado – a mais longa da história do país. Ao mesmo tempo, a inflação voltou a mostrar resistência. Os preços ao consumidor (medidos pelo deflator do PCE, o indicador de inflação favorito do Fed, banco central) acumularam alta de 2,8% nos 12 meses até janeiro, acima da meta de 2%. Na mesma linha, o núcleo – que exclui itens com preços voláteis – atingiu 3,1% na comparação anual.

A inflação parece ter se estabilizado acima do objetivo do Fed. Esse quadro antecede a recente disparada dos preços do petróleo, que deve exercer pressão adicional sobre a inflação. Diante de um cenário de atividade mais moderada e inflação persistentemente acima da meta, o Fed deve adotar uma postura mais cautela na próxima reunião de política monetária. Esperamos taxa de juros inalterada por período prolongado.

Enquanto isso, no Brasil…

Intensificação do conflito geopolítico tem impacto negativo nos ativos brasileiros

Com a escalada das tensões no Irã (ver acima), os ativos brasileiros acompanharam o movimento global de aversão ao risco. As expectativas de juros, por exemplo, mostraram forte reprecificação. Antes do conflito, o mercado atribuía cerca de 80% de probabilidade a um corte de 0,50 p.p. na próxima reunião do Banco Central. Com o potencial choque inflacionário gerado pela alta do petróleo, a probabilidade desde movimento caiu para 10%. Em contrapartida, tanto o cenário de corte de 0,25 p.p. quanto o de manutenção da taxa Selic ganharam tração. As chances de redução de menor magnitude subiram de 14% para 49%, enquanto a hipótese de estabilidade avançou de 2% para 39%.

A taxa de câmbio também refletiu a incerteza externa. A moeda retomou o patamar de 5,30 reais por dólar, após forte oscilação ao longo da semana. Entenda o impacto do preço do petróleo na inflação, contas públicas, balança comercial, política monetária e PIB do Brasil aqui.

Inflação de fevereiro mostra composição desfavorável

O IPCA de fevereiro avançou 0,70% em relação a janeiro, acima das expectativas. Com isso, a inflação acumulada em 12 meses atingiu 3,81%. Apesar da surpresa altista, a média dos núcleos de inflação – que exclui os itens com preços voláteis – subiu 0,62% em fevereiro, com a média móvel de três meses dessazonalizada e anualizada (um indicador de tendência) atingindo 4,4%, próxima ao topo da banda de tolerância que contém a meta de inflação.

Em suma, fevereiro mostrou inflação de serviços em patamar elevado e preços dos bens industrializados menos benignos. Em termos de política monetária, a mensagem é de cautela. Mantemos nossa projeção de 3,8% para o IPCA deste ano. No entanto, o aumento do preço do petróleo com as tensões no Oriente Médio adiciona risco de alta às nossas projeções.

Governo anuncia pacote de medidas para conter o impacto da alta do petróleo sobre o diesel

O governo anunciou um pacote de medidas para conter o impacto da alta do petróleo sobre o diesel. As ações incluem um decreto que zera as alíquotas de PIS/Cofins sobre o combustível e uma Medida Provisória que prevê o pagamento de subvenção a produtores e importadores. As iniciativas somadas devem gerar um alívio de R$ 0,64 por litro de diesel nas bombas, segundo estimativas do Palácio do Planalto. Como fonte de compensação, o governo criará um imposto temporário sobre as exportações de petróleo, com alíquota de 12%.

Estimamos um custo fiscal total de R$ 15,9 bilhões decorrente do subsídio e da redução de PIS/Cofins, contra um ganho de receita de R$ 12,9 bilhões com a tributação das exportações de petróleo bruto e diesel, de modo que as medidas não seriam fiscalmente neutras. Para mais informações, clique aqui

Atividade econômica recupera fôlego no início do ano

Os indicadores de atividade econômica de janeiro mostraram recuperação da atividade doméstica. As vendas no varejo ampliado cresceram 0,9% ante dezembro, acima das expectativas. O resultado compensou a queda de 1,0% registrada na leitura anterior. Na mesma linha, a receita real do setor de serviços aumentou 0,3%, também acima das estimativas.

Acreditamos que a atividade doméstica deve ganhar fôlego no primeiro semestre deste ano após o desempenho fraco observado no final do ano passado. A economia brasileira perdeu força na segunda metade de 2025, sobretudo em função da política monetária contracionista. Ainda assim, temos destacado a presença de fatores de amortecimento para o consumo no curto prazo. Em primeiro lugar, o mercado de trabalho permanece robusto, com a taxa de desemprego em níveis historicamente baixos e crescimento consistente da renda real. Além disso, medidas de estímulo — impulsos de renda e crédito — devem adicionar cerca de 1,0 p.p. ao crescimento do PIB neste ano. Projetamos que o PIB crescerá 2,0% em 2026.

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Destaques da próxima semana   

No cenário internacional, os principais bancos centrais decidirão sobre a taxa de juros e a expectativa é que todos entreguem manutenção. Destaque para Estados Unidos, China, Zona do Euro, Reino Unido e Japão. Além disso, a agenda americana contará com a divulgação do índice de preços ao produtor (PPI) e a produção industrial, ambos referentes a fevereiro. Na China, dados de atividade econômica de fevereiro serão publicados no final de semana.

No Brasil, todas as atenções estarão voltadas ao Copom. O mercado segue dividido sobre o próximo passo para a taxa Selic e nosso cenário, que pode ser revisto até 2ª-feira, segue antevendo queda de 0,50 p.p. para 14,50%. Além disso, o Banco Central divulgará o IBC-BR de fevereiro, índice mensal de atividade econômica Veja nossas projeções abaixo.

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