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Ata do Copom: Reforçando corte de juros em março

Em nossa avaliação, o Comitê apresentou sinais favoráveis a iniciar o ciclo de corte de juros em março.

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O Banco Central divulgou, nesta manhã, a ata da última reunião do Copom (janeiro). O documento reforça a orientação já sinalizada no comunicado pós-reunião, no sentido de que um ciclo cauteloso de flexibilização monetária deverá ter início em março, caso o cenário evolua conforme o esperado. Em nossa avaliação, a ata de hoje é consistente com o nosso cenário de corte de 0,50 p.p. na taxa Selic em março. Projetamos cinco cortes consecutivos de 0,50 p.p., levando a Selic a 12,50%.

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Cenário internacional

Segundo a autoridade, o ambiente externo “ainda se mantém incerto”. Entre os riscos, a ata citou a conjuntura e a politica econômica nos Estados Unidos, que têm reflexos nas condições financeiras globais e exigem “cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por tensão geopolítica” (p.1).

Entretanto, o Comitê reconhece uma melhora no cenário, sugerindo um arrefecimento na incerteza. A autoridade enfatiza que, nesse ambiente, “os preços das principais commodities permaneceram contidos e as condições financeiras, favoráveis.” (p.4).

Cenário doméstico

O documento destacou que a atividade econômica está evoluindo conforme o esperado pelo Comitê. Segundo a nota, a “manteve trajetória de moderação no crescimento, tal como antecipado pelo Comitê” (par. 5). A inflação, por sua vez, apresentou arrefecimento, “tanto o índice cheio quanto em aberturas e medidas subjacentes” (par. 9). Além disso, as expectativas de inflação estão agora “menos distantes da meta” (par. 14).

Sobre a inflação de curto prazo, as leituras recentes indicam arrefecimento. O Copom afirmou que a “combinação de um câmbio mais apreciado e um comportamento mais benigno das commodities contribuiu para redução nas inflações de bens industrializados e alimentos” (p.9). A ata acrescenta que “a inflação de serviços também apresentou algum arrefecimento, ainda que mais resiliente, respondendo a um mercado de trabalho que segue dinâmico e a uma atividade que tem apresentado moderação gradual”.

O Comitê interpreta essa evolução como evidência de que o mecanismo de transmissão da política monetária está funcionando. Diante desse pano de fundo, o Copom discutiu os próximos passos da política monetária e concluiu ser “adequado sinalizar o início de um ciclo de redução da taxa de juros em sua próxima reunião” (par. 15).

Com relação ao balanço de riscos para a inflação, o Comitê destacou que tanto os riscos de alta quanto os de baixa seguem elevados, mas “com alguma redução das incertezas concentradas nos horizontes mais próximos” (par. 12) . Entre os riscos de alta, destaca-se: “(i) uma desancoragem das expectativas de inflação por período mais prolongado; (ii) uma maior resiliência na inflação de serviços do que a projetada em função de um hiato do produto mais positivo; e (iii) uma conjunção de políticas econômicas externa e interna que tenham impacto inflacionário maior que o esperado, por exemplo, por meio de uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada.” Por outro lado, os riscos de baixa são: “(i) uma eventual desaceleração da atividade econômica doméstica mais acentuada do que a projetada, tendo impactos sobre o cenário de inflação; (ii) uma desaceleração global mais pronunciada decorrente do choque de comércio e de um cenário de maior incerteza; e (iii) uma redução nos preços das commodities com efeitos desinflacionários” (p.12).

Considerando que o cenário segue desafiador, o Copom evitou sinalizar o tamanho e a intensidade do ciclo de afrouxamento à frente, ressaltando que essas informações “serão determinadas ao longo do tempo, à medida que novas informações forem incorporadas” (par. 16). A ata destacou, contudo, que a taxa de juros deverá permanecer em nível contracionista “até que se consolide não apenas o processo de desinflação como também a ancoragem das expectativas à meta” (par. 15).

Entendemos que esses sinais pouco acrescentam ao que já havia sido comunicado no pós-reunião. Assim, a ata divulgada hoje deve ser interpretada como “neutra” pelos participantes do mercado.

Dito isso, o documento trouxe uma discussão interessante sobre o mercado de trabalho e seus impactos sobre a inflação (par. 6). Por um lado, o Copom afirmou que a “rendimentos reais médios têm mantido a tendência de elevação acima do crescimento da produtividade do trabalho” – avaliação de viés mais hawkish (firme), em nossa leitura. Por outro, destacou a necessidade de mais análises “para a avaliação dos padrões de transmissão dos níveis de ocupação para os rendimentos do trabalho e, finalmente, para os preços dos diversos setores da economia” – avaliação de viés mais dovish (brando), em nossa interpretação.

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Nosso cenário

Em nossa avaliação, a ata de hoje é consistente com o nosso cenário de corte de 0,50 p.p. na taxa Selic em março. Projetamos cinco cortes consecutivos de 0,50 p.p., levando a Selic a 12,50% em 2026. Em termos reais, a taxa de juros ficaria em torno de 8,0% — acima do que consideramos o nível neutro — refletindo os desafios fiscais esperados para o próximo mandato presidencial.

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