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Por dentro dos ETFs: destaques para cada classe 

A estratégia vem antes. O ETF é a ferramenta que executa a alocação.

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Por dentro dos ETFs: destaques para cada classe 

Um ETF, por mais eficiente que seja, é uma ferramenta, não um objetivo em si. Investir bem tem menos a ver com encontrar o “melhor ativo” e mais com respeitar uma ordem: primeiro vêm os objetivos e o horizonte. Deles nasce a estratégia. Da estratégia, a alocação entre as classes de ativos, e só então entra a escolha do veículo que vai ocupar cada espaço da carteira.  

Invertida essa ordem, o produto vira um fim e a carteira perde eficiência. 

Essa é a sequência lógica que organiza as nossas recomendações de ETFs. Ela parte da leitura de cenário, que define as premissas macroeconômicas. Passa pela alocação, em que se estimam retorno e riscos esperados para cada classe em busca de uma combinação eficiente. E chega à seleção de ativos: o momento de identificar, dentro de cada classe, o ETF que melhor traduz essa visão com o melhor retorno ajustado ao risco. 

Dessa forma, o ETF cumpre o papel de veículo dessa última etapa: reúne uma classe inteira em uma única cota, com diversificação, liquidez e transparência de preço.  

As escolhas a seguir são o resultado desse processo e compõem as recomendações da nossa carteira Brasil ETFs: os ETFs que, neste mês, melhor expressam a leitura para cada classe.  

A seguir, explicamos a função de cada ativo na carteira e porque ele faz parte da nossa estratégia.  

Renda fixa Pós-fixada 

É o pilar das carteiras: cumpre o papel de carrego, liquidez e proteção num ambiente em que a Selic deve seguir historicamente alta. Quatro ETFs dividem esse espaço, cada um com uma função. 

LFTX11 replica o Índice Tesouro Selic Low Turnover B3, que dá exposição direta à taxa Selic por meio de Letras Financeiras do Tesouro (LFTs). É o ativo de liquidez e preservação de capital por excelência: pós-fixado soberano, de risco de crédito praticamente nulo e volatilidade mínima, que acompanha a Selic no dia a dia sem sofrer marcação a mercado relevante. Funciona como o caixa remunerado da carteira, com taxa de administração de 0,14% ao ano.  

LTBX11 investe em títulos públicos pós-fixados (LFTs), com um adicional de Tesouro IPCA+, replicando o Índice Teva ITBR Target 760. Ocupa a parcela de caráter mais defensivo: preservação de capital, gestão de caixa e colchão de liquidez em cenários de maior incerteza, combinando baixa volatilidade e baixo risco de crédito. Sua eficiência tributária é um destaque: IR de 15%, sem IOF, sem come-cotas e sem DARF, com taxa de administração de 0,14% ao ano. 

NLFA11 acompanha o ILFA, índice de letras financeiras seniores da Anbima, e ocupa uma função mais defensiva. É o ativo de gestão de caixa e formação de colchão de liquidez: baixa volatilidade, eficiência tributária e risco de crédito baixo, por se tratar de emissões bancárias seniores. Em um ambiente de Selic em patamares historicamente elevados, os pós-fixados seguem relevantes, acompanha a alta dos juros sem exposição relevante à marcação a mercado. 

Marcação a mercado: Por que a Renda Fixa varia? 

A marcação a mercado é o ajuste do preço de um título de renda fixa diariamente com base nas condições do mercado. Quando falamos de Renda Fixa, essas condições são especialmente impactadas por movimentos das taxas de juros, tanto de curto prazo (taxa Selic), quanto de longo prazo (a chamada curva DI). 

Esse ajuste está relacionado ao cálculo do valor presente do título. 

Como é calculado o preço de um título de Renda Fixa? 

O preço de um título de renda fixa é calculado como o valor presente dos fluxos futuros de pagamento (juros e principal) desse título, descontados pela taxa de juros vigente no mercado

Quando a taxa de juros sobe, o desconto aplicado aos fluxos futuros aumenta, reduzindo o valor presente do título, ou seja, seu preço. Por outro lado, quando a taxa de juros cai, o desconto aplicado diminui, aumentando o valor presente (ou seja, seu preço). 

GICP11 reflete o Índice Teva Debêntures DI Quality High Beta, composto por debêntures indexadas ao DI mais spread, com foco em alta duration e elevada qualidade de crédito. É uma opção para quem busca retorno acima do CDI mantendo um perfil de risco controlado, adicionando carrego e diversificação à parcela de renda fixa, em linha com a recomendação de seletividade e cautela em crédito privado. 

Renda fixa Inflação 

A classe protege o poder de compra no longo prazo. Com os juros reais entre os mais altos do mundo, ela combina ganho acima da inflação via carrego e potencial valorização com o fechamento da curva de juros reais. A parcela é calibrada para uma duration média em torno de seis anos. Para atingir esse prazo, ponderamos dois títulos de diferentes vencimentos. 

XB3511 acompanha um título público indexado à inflação com vencimento em 2035 (índice Idex NTN-B 35) e reinveste os cupons semestrais automaticamente. Está entre os destaques na renda fixa doméstica, diante do cenário inflacionário atual: com taxas reais historicamente elevadas, o carrego tende a entregar ganho acima da inflação no longo prazo, e há espaço para ganho adicional caso a curva de juros reais feche em relação ao momento da compra. A duration do ativo também combina com essa estratégia e o peso da alocação. Somam-se as vantagens operacionais e tributárias, isenção de come-cotas e de IOF, com IR retido na fonte fixo de 15%, sem necessidade de DARF. 

XB3011 replica o Índice Idex NTN-B 30, de Tesouro IPCA+ com vencimento em 2030. Com duration de quatro anos, funciona como o complemento mais curto da parcela de inflação: mantém a proteção contra a alta de preços com menor sensibilidade às oscilações de juros do que os vencimentos longos, equilibrando a duration média da classe (taxa de 0,20% ao ano). 

Renda fixa prefixada 

A visão para os prefixados é positiva, mas com cautela: as taxas seguem historicamente elevadas, ao passo que o risco inflacionário tende a elevar a volatilidade no curto prazo. Neste cenário, recomendamos manter a duration mais curta. 

PREX11 replica o Índice ANBIMA IRF-M P2, composto por Letras do Tesouro Nacional (LTN) e NTN-F, com prazo médio próximo a dois anos. A classe tende a se beneficiar tanto do carrego dos títulos, se mantidos até o vencimento, quanto de eventual queda da Selic, via marcação a mercado; o prazo intermediário reduz a sensibilidade a oscilações de juros frente a estratégias mais longas. Soma ainda vantagens tributárias: isenção de come-cotas e de IOF, com IR retido na fonte, sem DARF (taxa de 0,15% ao ano). 

Renda fixa global 

No exterior, a leitura é de dualidade: risco geopolítico e preocupações fiscais pressionam as taxas longas, elevando ao mesmo tempo o prêmio e a volatilidade. Por isso, a recomendação é manter a duration equilibrada em menor prazo. 

HGBR11 acompanha um índice de crédito global de grau de investimento com proteção cambial (iBoxx USD Liquid Investment Grade, na versão BRL Hedge Carry), investindo em títulos corporativos e soberanos de alta qualidade. É a forma de acessar risco de crédito global de boa qualidade com previsibilidade, diluindo riscos concentrados em uma única região. 

Renda variável Brasil 

Após um período de correção, a bolsa brasileira mostra sinais de retomada, o prêmio de risco frente às NTN-Bs voltou a subir e está próximo das médias históricas, mas o curto prazo ainda pede cautela e foco em qualidade. 

DIVO11 reflete o IDIV, índice de dividendos da B3, que reúne empresas de destaque na remuneração ao acionista via dividendos e juros sobre capital próprio. Entra como a exposição à bolsa com foco em geração de renda e menor volatilidade relativa ao mercado amplo, tornando-se um ativo mais defensivo, de fluxos mais previsíveis, que tende a ser favorecido quando empresas maduras, com geração de caixa sólida e forte capacidade de distribuição, ganham demanda. 

Renda variável global 

A bolsa global segue sustentada pela dinâmica de resultados, com destaque para a tecnologia. Contudo, o protagonismo volátil do tema e o cenário de juros altos por mais tempo devem ser acompanhados diante dos riscos e oportunidades. 

SPXH11 acompanha o S&P 500 com proteção cambial, acrescido do diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos. Amplia a exposição à renda variável global pelo principal índice de ações americano, sem o risco de variação do câmbio. Num cenário macro ainda incerto, os fundamentos das empresas voltaram ao centro, o que favorece as líderes globais, como as Big Techs e as companhias ligadas à inteligência artificial, amplamente representadas no S&P 500. 

Fundos listados 

XFIX11 replica o IFIX-L, que acompanha os fundos imobiliários mais líquidos da B3. Mesmo em meio à volatilidade global, os FIIs vêm mostrando resiliência relativa: a menor correlação com os mercados internacionais e a baixa dependência de fluxo estrangeiro sustentam o papel da classe como beneficiária relativa nesse contexto, com destaque para o reinvestimento dos rendimentos na captura do carrego via distribuições

Alternativos 

Os alternativos entram pela baixa correlação com as demais classes, sendo complementar e fundamental para a diversificação. Em um ambiente de maior incerteza, reduzem o risco agregado e reforçam a resiliência do portfólio. 

GOLX11 dá exposição ao ouro sem variação cambial (Índice Futuro de Ouro B3), incorporando o diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos. Historicamente, o ouro atua como proteção contra a inflação no longo prazo e como porto seguro em momentos de risco geopolítico elevado, e sua baixa correlação reduz o risco total da carteira; por ser hedgeado, isola o comportamento da commodity do efeito do câmbio, reduzindo a exposição ao dólar diante da possível volatilidade cambial perto das eleições. 

BCOM39 replica o S&P GSCI Dynamic Roll, com exposição diversificada a commodities (energia, metais e agrícolas) por meio de contratos futuros que rolam dinamicamente. Além da diversificação, funciona como proteção adicional diante do risco geopolítico, sobretudo pelo canal do petróleo, e concentra a exposição cambial (ao dólar) da carteira. 

Para além da seleção 

Vista em conjunto, a seleção representa menos recomendações isoladas e mais uma combinação de papéis: proteção contra a inflação e liquidez na renda fixa doméstica, crédito de qualidade no exterior, renda e defensividade na bolsa brasileira, crescimento em teses globais, ouro e commodities como contrapeso. 

É um conjunto em blocos, cada um com uma função definida. Suas escolhas acompanham o cenário e pode ser revista à medida que ele muda. Por isso, é importante revisar a carteira mensalmente. 

Ainda assim, apesar de ser destaque em nossas recomendações, por si só, não quer dizer que ele seja adequado para todos os investidores. A decisão de incluí-lo na carteira deve considerar os objetivos do investidor, seu perfil de risco e horizonte de investimento, além da função que o ativo desempenha na estratégia como um todo. 

Para consultar o mapa completo de recomendações e as análises de cada classe, incluindo ETFs e ETFs UCITS, acesse a Bússola dos ETFs. 

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