O que é Risco-País?

Como se mede a desconfiança dos investidores em relação ao Brasil? Saiba a importância do Risco-País e como está esse indicador na atual crise financeira

Durante as últimas semanas, o cenário de instabilidade global, causado principalmente pelo coronavírus, trouxe à tona expressões e termos que geralmente estão restritos ao tecnicismo de economistas e analistas do mercado financeiro. Já falamos de Hedge, do índice VIX e de Circuit Breaker. E, agora, surge de forma intensa nos noticiários novos comentários sobre o chamado Risco-País. Mas, afinal, o que é isso?

Risco-País do Brasil definhou em questão de meses com a crise atual

O que é Risco-País

O Risco-País, que também pode ser chamado de Risco-Brasil ou Risco Soberano, é um conceito econômico que expressa a probabilidade de insolvência de um país frente aos investidores estrangeiros.

Ou seja, quando estrangeiros pensam em investir no Brasil, por exemplo, considera-se o Risco-País um dos termômetros mais fiéis para saber a capacidade de uma nação honrar seus compromissos financeiros e dívidas, sobretudo em momentos de alta incerteza, como o que estamos vivendo.

Dentro desse conceito, fatores externos à economia, como a condução da política nacional ou qualquer agente que cause instabilidade no mundo, são preponderantes para o nível do Risco-País.

Como se mede o Risco-País?

Há dois instrumentos principais para medir o Risco-País: o EMBI+Br e o Credit Default Swap (CDS). Vamos conhecer cada um deles para você entender como os investidores estrangeiros enxergam o risco de se investir no Brasil através dos números.

EMBI+Br

Segundo definição do Banco Central, O EMBI+ (Emerging Markets Bond Index Plus), calculado pelo banco J.P. Morgan Chase, é um índice ponderado composto por instrumentos de dívida externa, ativamente negociados e denominados em dólar, de governos de países emergentes.

Há um EMBI específico para cada país que está no índice. No caso, estamos falando do EMBI+Br. Seu cálculo corresponde à média ponderada dos prêmios pagos pelos títulos da dívida externa brasileira em comparação a papéis de prazo equivalente do Tesouro dos Estados Unidos.

Quanto maior for a pontuação do EMBI+Br, maior será o Risco-País, isto é, o risco de crédito brasileiro. E, conforme os resultados, isso dá parâmetros de negociação no Brasil e também afeta de forma instantãnea na decisão dos investidores de aportar ou não seu capital no país.

CDS

O Credit Default Swap (CDS) é outra forma de medir o Risco-País, mas seu funcionamento é bem diferente em comparação ao EMBI. Basicamente, o CDS é como se fosse um seguro contra eventuais calotes do pagamento de títulos públicos. Por isso, ele funciona como uma medida do Risco-País.

A negociação do CDS é a chave para determinar o nível de risco para se investir no Brasil. Por exemplo, se houver uma indicação de que há uma demanda maior pela compra por CDS e, assim, seu preço for aumentando, isso quer dizer que há mais Risco-País.

Como está o Risco-País do Brasil?

Refletindo o cenário de incertezas e de maior risco às economias do globo, o Risco-País do Brasil, utilizando o CDS como base, atingiu na última semana o seu pico mais alto desde agosto de 2018, no período pré-eleitoral, chegando a mais de 300 pontos. Isso significa que os investidores estão receosos para aplicar dinheiro no Brasil em relação a como o país será impactado pela atual crise.

E em questão de meses, esse indicador definhou de forma muito acelerada. Em dezembro do ano passado, o Risco-País do Brasil, pelo CDS, havia chegado a menos de 100 pontos, o melhor desempenho desde 2010.

No entanto, o impacto da crise do coronavírus ainda não atingiu o mesmo potencial de outros choques que vivemos. Olhando no gráfico acima, é possível perceber que a crise de 2008 foi a que mais elevou o Risco-País e, em segundo lugar, a recessão econômica brasileira entre 2015 e 2016.

Por enquanto, o impacto da atual crise no Risco-País brasileiro, portanto, ainda não atinge os mesmos níveis de outras crises, apesar de ser considerado alto.

Não confunda Risco-País com rating

Apesar de estarem relacionados, Risco-País e rating são coisas distintas, porém complementares. Assim como empresas são avaliadas para o investidor saber como está a saúde financeira dessas companhias, países também estão sob monitoramento das agências classificadoras de risco.

Essas instituições são responsáveis também por avaliar o grau risco de crédito soberano de uma nação, mas por notas, em padrões específicos de cada uma.

Sob o cenário atual, com a nova crise dos mercados, ainda não houve uma atualização do rating soberano do Brasil. A avaliação da S&P Global é a mais recente, do fim de 2019, classificando o país como BB-. Essa nota representa a ideia de que o país ainda não está em grau de investimento, mas, sim, especulativo. Isto é, o Brasil não é considerado um bom pagador referente às suas dívidas.

No entanto, naquela data a agência colocou o país sob perspectiva positiva, indicando que a nota poderia ser elevada dentro de dois anos em caso de melhora da saúde fiscal e do crescimento da economia.

Considerando o atual panorama, assim como houve aumento significativo do Risco-País brasileiro nas últimas semanas, a probabilidade de uma elevação do rating diminui, a depender de como a economia reagirá aos impactos, principalmente, do coronavírus.

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