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Vale (VALE3) | Resultados do 4º trimestre de 2022 em linha, com dividendos decentes, embora FCF discreto

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A Vale (VALE3) reportou resultados em linha no 4T22. O EBITDA Proforma ajustado foi de US$ 5,0 bilhões, acima de nossas estimativas e consenso em 3,0% e 0,4%, respectivamente. O FCF chegou a quase zero, reduzido pelo consumo de capital de giro de US$ 1,8 bilhão. A Vale anunciou dividendos + JCP de R$ 2,12/ação (~2,4% dividend yield no 4T, ou 9,5% anualizado) a serem pagos no dia 22 de março. Os maiores preços realizados de minério de ferro, níquel e cobre, apesar dos custos estáveis de C1 para o minério de ferro, foram os destaques. Ainda gostamos da tese de investimento de longo prazo da Vale e é por isso que mantemos nossa recomendação de compra, mas no curto prazo estamos receosos com a discrepância da alta do preço do Minério de Ferro em relação a outras commodities (principalmente petróleo).

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Confira todos os resultados do 4º trimestre de 2022

O EBITDA Proforma ajustado foi de US$ 5,0 bilhões, acima de nossas estimativas e consenso em 3,0% e 0,4%, respectivamente. A Receita Líquida da Vale foi de US$ 11,9 bilhões, ligeiramente acima (3%) de nossas estimativas. Apesar disso, o FCF das operações chegou a US$ 13 milhões, impactado principalmente pelo capital de giro (-US$ 1,8 bilhão), capex (-US$ 1,8 bilhão) e desembolsos de Brumadinho (-0,6 bilhão). O FCF chegou a quase zero, reduzido pelo consumo de capital de giro de US$ 1,8 bilhão. A Dívida Líquida Expandida foi de US$ 14,1 bilhões, superior em US$ 856 milhões no trimestre, mas principalmente na faixa intermediária da meta (US$ 10-20 bilhões). A empresa destacou que o programa de recompra de ações estava 43% concluído, com cerca de 213 milhões de ações recompradas (US$ 3,4 bilhões). A Vale também anunciou dividendos + juros sobre capital próprio de R$ 2,12/ação (~2,4% dividend yield no 4T, ou 9,5% anualizado) a serem pagos no dia 22 de março, negociando ex-dividendos no dia 14 de março.

O EBITDA de minério de ferro chegou a US$ 4,7 bilhões (+25% no trimestre), devido a maiores vendas de Minério de Ferro e pelotas (+16Mt no trimestre) e menores custos totais impulsionados pelos menores custos de frete. O preço médio de referência do Minério de Ferro caiu 4% no trimestre (de US$ 103/t para US$ 99/t), mas os preços CFR/FOB da Vale ficaram em US$ 95,6, com um desconto de 3% sobre o preço de referência IO 62% Fe (vs 10% no 3T22). A principal razão para os preços realizados mais elevados foi devido a um efeito positivo do mecanismo de preços. Os custos C1 (excluindo compras de terceiros) ficaram em US$ 19,5/t, estáveis no trimestre, explicados principalmente por (i) menor diluição de custos fixos devido à menor produção, (ii) maiores custos de serviços no Sistema Sul, parcialmente compensados por ( i) consumo de estoques com custos menores, e (ii) menores custos de diesel. O custo unitário do frete marítimo da Vale foi de US$ 18,8/t no Q$, US$ 3,6/t abaixo do 3T, impulsionado por: menores custos de combustível de bancas (US$ 2,8/t) e afretamento spot sazonalmente menor. O ebitda/t de break-even para finos de minério de ferro da Vale (com capex de manutenção e não contabilizando pelotas) chegou a US$ 61/t vs. US$ 64/t, explicado principalmente pelos menores custos de frete.

O EBITDA da divisão de metais básicos foi de US$ 775 milhões (+115% T/T). Para o níquel, os maiores preços realizados (+13% no trimestre) devido aos maiores preços de referência do níquel LME (+15%) foram parcialmente compensados por prêmios mais baixos devido a: (i) maior participação de produtos Classe II; (ii) maiores vendas de FeNi para a Ásia com maiores descontos; e (iii) prêmios mais baixos em todos os setores. Além disso, o EBITDA do cobre chegou a US$ 165 milhões (+6% no trimestre), melhorando em relação ao terceiro trimestre, principalmente devido aos preços realizados mais altos.

Nossa opinião: a Vale reportou resultados em linha, sem grandes surpresas. Maiores preços realizados de minério de ferro, níquel e cobre, com custos C1 estáveis para o minério de ferro foram os destaques na frente operacional. A Vale continua comprometida com a disciplina de capital, com a maior parte de sua geração de caixa retornando aos acionistas. Os principais temas a serem observados a partir daqui são (i) os riscos do aumento das taxas de royalties no Brasil; (ii) até onde (e por quanto tempo) durará a alta do preço de Minério de Ferro; (iii) monetização nas operações de metais básicos; (iv) influência da Cosan na próxima AGO sobre a nova Diretoria a ser eleita, e; (iv) Demanda chinesa de aço após o fim dos bloqueios. Ainda gostamos da tese de investimento de longo prazo da Vale e é por isso que mantemos nossa recomendação de compra, mas no curto prazo estamos receosos com a discrepância da alta do preço de IO em relação a outras commodities (principalmente petróleo).

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