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Santander (SANB11): Resultados sólidos, apesar da pressão contínua na NII de Mercado

Revisão dos resultados do 4T25

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O Santander reportou um 4T25 sólido, em linha com nossas estimativas, encerrando o ano com lucro líquido de R$4,1 bn (+6,0% A/A; +1,9% T/T; em linha com a estimativa da XP) e ROAE de 17,6%, praticamente estável T/T. A NII totalizou R$15,3 bn (+0,8% T/T), sustentada por uma margem com clientes resiliente, apesar de um mix de crescimento mais conservador. Por outro lado, a NII de Mercado veio abaixo do esperado, representando o principal vetor negativo de receita no trimestre. A qualidade de ativos seguiu sob controle, apesar de pressões pontuais em cartões de crédito de baixa renda e em SMEs, permitindo melhora no custo do risco, o que resultou em uma expansão maior da NII ajustada ao risco (+6,3% T/T). As receitas de fees apresentaram crescimento sólido, beneficiadas pela sazonalidade do 4T e reforçando a diversificação das receitas. No geral, os resultados reforçam um ROE acima do custo de capital, hoje bem estabelecido nesse patamar, sugerindo que ganhos adicionais devem depender mais da normalização das margens e das condições macroeconômicas do que de novas melhorias de balanço ou de custos.

A carteira de crédito ampliada totalizou R$708,2 bn (+2,8% T/T; +3,7% A/A). O crescimento manteve o ritmo na comparação trimestral e seguiu seletivo, sustentado principalmente por SMEs (+5,8% T/T), ainda apoiadas por linhas de crédito com garantia do governo, e por Consumer Finance (+5,4% T/T). O segmento de Pessoa Física cresceu +1,7% T/T, impulsionado pelo bom desempenho em cartões de crédito e crédito imobiliário, parcialmente compensado por uma dinâmica mais fraca em produtos voltados à baixa renda. No geral, a expansão da carteira reflete um mix mais defensivo, priorizando exposições com garantias e de melhor qualidade, em vez de uma aceleração ampla do risco.

As tendências de qualidade de ativos seguiram desafiadoras, mas em linha com o esperado. A inadimplência inicial aumentou 10 bps T/T, para 4,0%, permanecendo praticamente estável apesar de um cenário macro mais adverso. Por outro lado, o NPL +90 subiu 30 bps T/T, para 3,7%, puxado principalmente pela piora em Pessoa Física de menor renda e em SMEs menores. Um ponto importante é que a gestão destacou que uma reavaliação das estratégias de recuperação para clusters específicos de clientes levou a menores write-offs no trimestre, o que, mecanicamente, elevou o estoque de NPL +90 — sugerindo que parte da deterioração é técnica, e não apenas cíclica.

A NII atingiu R$15,3 bn (+0,8% T/T; -4,0% A/A; -2% vs. estimativa da XP), refletindo a continuidade da divisão observada nos últimos trimestres entre uma NII de Clientes sólida e uma NII de Mercado pressionada. A NII de Clientes somou R$16,8 bn (+6,6% A/A; +1,6% T/T), apoiada pelo crescimento de volumes e pela disciplina de precificação, parcialmente compensada por (i) um mix de crédito mais direcionado a linhas de menor risco, (ii) maiores despesas relacionadas a correspondentes bancários e (iii) menor número de dias úteis no trimestre. A NII de Mercado registrou prejuízo líquido de aproximadamente -R$1,5 bn, piorando na comparação trimestral, refletindo resultados mais fracos de tesouraria e a sensibilidade negativa do banco à variação das taxas de juros.

As receitas de fees atingiram R$5,8 bn (+4,3% A/A; +3,6% T/T). Por ser uma linha sazonal, as fees se beneficiaram de maiores volumes e gastos em Cartões de Crédito (+7,2% T/T), enquanto Seguros foi positivamente impactado por uma originação sólida em financiamentos de veículos (+4,9% T/T). Vale notar que, após o bom desempenho de Consórcios nos últimos trimestres, essa linha apresentou números mais fracos no 4T (-1,0% T/T).

O Custo do Risco ficou em 3,8% no 4T (-10 bps T/T). As provisões para perdas de crédito (PDD) totalizaram R$6,8 bn (-9,9% A/A; -3,5% T/T), refletindo o ambiente macro ainda desafiador e o impacto da Resolução 4.966, parcialmente compensados pela manutenção de uma originação mais seletiva e pela ausência de pressão específica na carteira de Atacado, como já havíamos destacado no 3T. As recuperações de créditos baixados (write-offs) caíram 32,7% A/A (-11,6% T/T), e a razão de baixas sobre a carteira de crédito recuou 5 bps T/T (estável A/A). Com isso, as provisões líquidas fecharam em R$6,1 bn (-4,5% A/A; -6,4% T/T), levando a NII ajustada ao risco para R$9,2 bn (-8,2% A/A; +6,3% T/T).

As despesas gerais somaram R$6,6 bn (-2,0% A/A; +3,3% T/T), pressionando levemente o índice de eficiência, que subiu para 38,8% (+80 bps A/A; +140 bps T/T). O movimento foi puxado principalmente por aumentos sazonais em despesas de tecnologia e marketing no 4T (+18,2% e +82,6% T/T, respectivamente). As despesas com pessoal recuaram na comparação anual (-7,9%), mas ficaram ligeiramente maiores T/T (+1,3%). Além disso, fora dos R$6,6 bn reportados em Despesas Gerais, a linha de Outras despesas também adicionou pressão, totalizando R$2,6 bn (+14,9% A/A; +13,5% T/T), refletindo menor contribuição de atualização monetária e maiores custos ligados a transações.

O Santander registrou um lucro líquido sólido de R$4,1 bn no 4T (+6,0% A/A; +1,9% T/T; em linha vs. estimativa da XP). Destacamos que a linha final foi favorecida por uma menor alíquota efetiva de imposto no trimestre, de 2,5% (-1,9 p.p. T/T; -20,5 p.p. A/A). Com isso, o Santander entregou um ROAE de 17,6% no período (-10 bps A/A; estável T/T). Em capital, o banco encerrou o trimestre com um índice BIS saudável de 15,4% (+20 bps T/T) e CET1 de 11,6% (-20 bps T/T), beneficiados pelo lucro do 4T e pela emissão de letras financeiras que compõem o Tier II.

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