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Óleo e Gás | O preço do alívio – Pacote de combustíveis renovado

Veja os impactos das novas medidas de combustíveis para o setor de Óleo e Gás.

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Pacote de combustíveis renovado. Novo subsídio reduz o PPI do diesel abaixo dos preços da Petrobras. Potencialmente negativo para Petrobras e distribuidoras

O Governo Federal anunciou um novo pacote de medidas para amenizar os impactos dos preços mais altos dos combustíveis sobre os consumidores. Em destaque, o governo (i) ampliou a desoneração tributária da gasolina para -R$0,89/l (vs. -R$0,63/l anteriormente) e (ii) aumentou em +R$1,40/l o subsídio ao diesel para importadores. Neste relatório, analisamos as medidas e avaliamos os principais impactos para as empresas sob nossa cobertura. Em nossa visão, o pacote é negativo para as refinarias domésticas (incluindo a Petrobras), uma vez que o subsídio adicional ao diesel não se aplica aos produtores domésticos. A medida também é potencialmente negativa para Vibra e Ultrapar, pois transforma uma vantagem de preço em uma desvantagem de custo para distribuidoras com maior participação de produtos oriundos da Petrobras em seu mix de suprimento. Os fornecedores estruturais do mercado, como as grandes distribuidoras, dependem mais de produtos adquiridos em refinarias domésticas do que de importações oportunísticas. O principal ponto positivo é que tanto a Petrobras quanto as distribuidoras também atuam como importadoras.

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Gasolina: tributos federais zerados. Na sexta-feira (9), o Governo Federal reduziu PIS/Cofins e Cide sobre a gasolina a zero, ampliando a desoneração total para -R$0,89/l (vs. -R$0,63/l anteriormente). A medida permanecerá em vigor por 30 dias, de 9 de outubro até 7 de novembro. Para preservar a competitividade do etanol, o governo prorrogou a desoneração de -R$0,19/l sobre o etanol hidratado e elevou o subsídio para R$0,43/l (vs. R$0,25/l anteriormente). As medidas utilizam a Lei Complementar dos Combustíveis (LC 235), que permite compensar reduções tributárias com receitas relacionadas ao petróleo. A medida tem potencial para reduzir os preços nas bombas em cerca de R$0,17/l (c.-2,5%). Não esperamos impactos relevantes para as companhias listadas, além de uma perda moderada de estoques para as distribuidoras (ordem de grandeza de c.R$5/m³).

Diesel: novo subsídio de R$1,40/l para importadores. A medida mais relevante envolveu o diesel. Também na sexta-feira (9), o governo anunciou um subsídio adicional de R$1,40/l para importadores de diesel (com destaque para o fato de que o benefício é exclusivo para importadores). O novo subsídio será somado ao subsídio já existente de R$2,12/l, elevando o total disponível para importadores a R$3,52/l. A medida permanecerá vigente por 30 dias e será reavaliada mensalmente. O subsídio para produtores domésticos permanece inalterado em R$2,12/l, incluindo a maior parte da produção da Petrobras, Acelen e outros agentes.

Onde está o diesel doméstico? No momento da publicação deste relatório, estimamos um Preço Paridade de Importação (PPI) do diesel de R$6,27/l antes dos subsídios, o que coloca o preço da Petrobras na refinaria (R$3,33/l) com desconto de -R$2,94/l (-47%). No entanto, o subsídio de R$3,52/l disponível aos importadores reduz o custo efetivo do diesel importado. Como resultado, o PPI ajustado pelos subsídios cai para R$2,75/l, transformando o desconto da Petrobras em um prêmio de +R$0,58/l (+21%). Devido ao caráter assimétrico do subsídio, esse prêmio ocorre mesmo com o preço da Petrobras (considerando o subsídio de R$2,12/l) permanecendo -R$0,82/l abaixo dos preços internacionais.

Um programa assimétrico. Subsidiar combustíveis não é um problema para as petroleiras por si só, desde que o governo financie a política pública com seus próprios recursos. No entanto, esse não é exatamente o caso no novo modelo. Na prática, o governo transferiu parte do custo de subsidiar o mercado para as refinarias domésticas (e para a Petrobras), já que o subsídio adicional se aplica exclusivamente aos importadores e não cobre os produtores domésticos. O benefício total da Petrobras permanece em R$2,12/l, valor R$1,40/l (US$45/barril) inferior aos R$3,52/l disponíveis aos importadores.

Petrobras: custo de oportunidade por vender abaixo da paridade. A realização efetiva da Petrobras no diesel permanece inalterada em R$5,45/l (R$3,33/l na refinaria + R$2,12/l de subsídio). Isso representa -R$0,82/l (c.US$26/barril) abaixo do PPI sem subsídios, de R$6,27/l. Em relação aos preços atuais, estimamos que o potencial não capturado por não elevar as realizações até a paridade represente cerca de US$5,0 bilhões em FCFE anualizado, equivalente a 3,0% do valor de mercado.

Petrobras: prêmio sobre o PPI ajustado cria risco de queda. Além do custo de oportunidade, o novo subsídio efetivamente coloca o preço da Petrobras na refinaria com prêmio de +R$0,58/l frente ao PPI ajustado pelos subsídios. Dessa forma, existe risco de queda adicional caso a Petrobras decida alinhar seus preços ao novo nível de paridade. Estimamos que um ajuste desse porte teria impacto de -US$3,5 bilhões no FCFE anualizado, equivalente a -2,1% do valor de mercado.

Petrobras: importações subsidiadas também geram potencial de alta. O lado positivo é que a Petrobras também deve se beneficiar diretamente do novo subsídio sobre volumes importados no 4T26. Estimamos uma contribuição adicional de aproximadamente US$500 milhões ao FCFE no trimestre, equivalente a 0,3% do valor de mercado. Vale destacar que, segundo notícias publicadas na imprensa, a Petrobras importou ao menos 650 mil m³ (132kbpd) de diesel para outubro.

Preços nas bombas acompanham a paridade de importação. Os preços domésticos do diesel acompanharam a alta dos preços de importação e aumentaram significativamente após o início do conflito entre Estados Unidos e Irã. Como resultado, as margens dos produtos importados permaneceram próximas dos níveis observados antes do conflito.

Margens sobre produtos da Petrobras se expandiram. Os preços do diesel nas bombas aumentaram apesar da estabilidade dos preços da Petrobras. Como consequência, os agentes que compram produtos da Petrobras se beneficiaram de uma expansão significativa de margens.

Subsídio adicional deve reduzir os preços nas bombas… Durante a semana de 4 a 10 de outubro, os preços do diesel nas bombas atingiram média de R$7,40/l no Brasil. Em nossa visão, o subsídio adicional reduz o custo do diesel importado e pode representar uma queda de até -R$1,19/l nos preços ao consumidor. Esperamos que essa redução aconteça gradualmente, mas ela pode eventualmente levar os preços de volta aos níveis pré-conflito, assumindo estabilidade dos preços internacionais.

…e comprimir as margens sobre volumes oriundos da Petrobras. Caso os preços nas bombas recuem conforme esperado sob o modelo atual, as margens dos produtos adquiridos da Petrobras também deverão cair em magnitude semelhante, uma vez que os preços da companhia na refinaria permanecem inalterados.

Gasolina doméstica permanece descontada. No momento da publicação deste relatório, estimamos um PPI da gasolina de R$3,34/l, o que coloca o preço da Petrobras na refinaria (R$3,07/l) com desconto de -R$0,27/l (-8%). Diferentemente do modelo de subsídios ao diesel, a desoneração tributária da gasolina não reduz o custo dos produtos importados.

Preços da gasolina nas bombas também devem cair. Entre 4 e 10 de outubro, os preços da gasolina nas bombas atingiram média de R$6,57/l no Brasil. Em nossa visão, a redução adicional dos tributos diminui o custo total da gasolina e pode se traduzir em uma redução de aproximadamente -R$0,17/l nos preços ao consumidor.

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