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Como os gestores estão investindo na reta final de 2022?

Trouxemos os principais pontos abordados na última rodada de reuniões com gestores locais.

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Nas últimas semanas, realizamos várias reuniões com gestores locais. Em geral, vimos sentimentos mistos em relação à Bolsa brasileira. Alguns estavam mais otimistas vendo os níveis de valuation como baratos (embora nem todos compartilhassem dessa visão). Outros concordaram conosco que as taxas de juros não deveriam ter mais espaço para correção e que não é hora de adicionar mais risco. Também vimos alguns mais neutros, sem posições vendidas, mas também sem comprar. Quanto aos mercados globais, a maioria compartilhou nossa visão de que o cenário macro continua complexo com riscos negativos, e que o Brasil está, no relativo, melhor posicionado. Abaixo, compartilhamos as principais conclusões das discussões, com destaque para: i) incerteza em torno de eleições e companhias estatais, especialmente Petrobras; ii) a maioria dos gestores posicionada em Óleo & Gás (Petrobras e empresas juniores do setor), Bancos (Banco do Brasil e Itaú), Elétricas (Eletrobras) e alguns nomes de Varejo (Grupo Soma, Arezzo e Assaí); e iii) alguns outros nomes amplamente discutidos: Iguatemi, Hapvida, Localiza e Vamos.

Muita incerteza em torno das eleições e do rumo das ações das empresas estatais

Um dos principais temas discutidos, como esperado, foram as próximas eleições no Brasil e o impacto nas empresas estatais. Petrobras e Banco do Brasil foram os nomes mais citados pelos gestores, que enxergam um movimento de preços muito binário no curto prazo, dependendo do resultado da eleição. Não houve realmente um consenso sobre como se posicionar, principalmente, em Petrobras.

Alguns nomes do setor de Elétricas, como Sabesp, foram mencionados como tendo risco político de eleições estaduais. Ainda no setor, e apesar de hoje privatizada, vale mencionar que Eletrobras também foi consenso entre os gestores, com um ou dois contrários a essa visão, alertando o excesso de capacidade de geração e o potencial de preços de energia caindo mais do que o esperado.

Em commodities, o consenso é sobre Óleo & Gás

Há muita incerteza em torno do cenário macro devido aos riscos de recessão, mas ainda assim, a maioria dos gestores está posicionada em Óleo & Gás. Além de Petrobras, que foi amplamente discutida no tema das eleições, empresas menores do setor como PetroRio, 3R e PetroReconcavo foram citadas por muitos como exposição ao setor sem risco político, mas há preocupação com riscos de execução.

No setor de Mineração e Siderurgia, a desaceleração econômica na China ainda é uma preocupação, com a maioria ainda com baixa exposição ao setor nas carteiras, mas alguns mencionando uma redução no viés negativo com potencial aumento de estímulos na China. Alguns gestores também afirmaram ter visão positiva sobre alumínio.

Já para Papel e Celulose, nenhum gestor mencionou posição relevante devido à falta de catalisadores.

Outro consenso foi Bancos

A maioria dos gestores mostrou otimismo em relação aos Bancos, visto como um setor que poderia ter um bom desempenho independentemente dos resultados eleitorais. Os nomes que mais gostam são Itaú e Banco do Brasil, e, embora este último tenha riscos políticos, são considerados papéis baratos. Um ou dois gestores mencionam que gostam de Bradesco. Temas como financial deepening (aprofundamento de serviços financeiros) e fintech não são vistos como atrativos no momento.

Os gestores ainda veem um cenário macro difícil para o Consumo

As taxas de juros já estão altas o suficiente no Brasil e aumentos adicionais não devem impactar mais, porém, nestes patamares, ainda é um cenário desafiador para empresas de consumo em geral. O consenso está em varejistas de alta renda: Arezzo, Grupo Soma e Vivara, mas esse último há preocupações de liquidez. Assaí também é um consenso entre os gestores.

Sobre Lojas Renner, as visões são mistas, com alguns gestores com posições vendidas devido ao menor crescimento. A varejista Petz também foi amplamente discutida, com a maioria com uma visão negativa devido ao alto valuation, questões sobre o uso de capital na Zee Dog, entre outras questões.

Ambev também foi discutida, com muitos gestores mantendo uma visão positiva no curto prazo (recuperação de market share, Copa do Mundo, correção de preços de commodities, distribuição de benefícios sociais), mas concordam que a perspectiva de longo prazo é mais difícil.

Outras ações que foram mencionadas: Iguatemi, Hapvida, Localiza, Vamos

Localiza e Vamos foram consenso entre a maioria dos gestores. Um ou outro mostraram uma visão contrária e preferiram Movida – comparado a Localiza – vista como tendo um risco menor no ciclo de renovação da frota com preços de carros mais altos. Educação e Tecnologia, Mídia e Telecom quase não foram mencionados em nenhuma das reuniões, sugerindo que a maioria dos gestores não devem estar olhando esses setores de perto no momento.

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