IBOVESPA +0,61% | 101.135 Pontos
CÂMBIO -0,6% | 4,15/USD
O que pode impactar o mercado hoje
Apesar da volatilidade observada na semana passada, o Ibovespa fechou com alta de 3,55%, em 101.134 pontos. Nesta manhã, futuros dos EUA operam em leve alta, com liquidez mais baixa devido ao feriado do dia do trabalho, enquanto bolsas na Europa e na Ásia tiveram sessões positiva e mista, respectivamente, durante a noite.
As novas tarifas que os Estados Unidos e a China impuseram sobre os produtos uns dos outros começaram a ser efetivas ontem, reforçando as preocupações dos investidores em relação a desaceleração global, sem um fim claro em vista para a guerra comercial. No entanto, os dois lados ainda se reunirão para conversas este mês, disse o presidente dos EUA, Donald Trump, o que trouxe um certo alívio aos mercados.
Destacamos a queda no índice oficial de gerentes de compras (PMI) na China no sábado, que mostrou as pressões que a segunda maior economia do mundo vem enfrentando devido à escalada das tensões comerciais.
A Argentina anunciou a implementação de controles de capital no domingo, depois de um endurecimento para os bancos locais distribuírem dividendos e rebaixamento de crédito das três agências. As medidas não devem ser recebidas como uma surpresa, mas a velocidade na qual a deterioração do quadro institucional e econômico da Argentina ocorre foi subestimada. Do total de US$ 57 bilhões de reservas internacionais, apenas US$ 15 bilhões são líquidas e passíveis de serem usadas pelo governo.
Do lado das commodities, o pétroleo opera em queda de -2% nessa manhã de segunda-feira, em US$59,1/barril, frente ao receio dos impactos do furacão Dorian na região da Flórida e preocupações com o crescimento global. Por outro lado, os preços de minério recuperaram parte dos ganhos após alta de 3,5%, para US$89/t.
Na agenda doméstica, a reforma da previdência deve ser votada nessa quarta-feira na CCJ do Senado. A PEC paralela proposta pelo relator, Tasso Jereissati, sofre resistência na Casa, em especial no que diz respeito às medidas que gerariam aumento de arrecadação.
O presidente Jair Bolsonaro defendeu uma nova reforma trabalhista, que começa a ser desenhada pelo secretário Rogério Marinho, e quando questionado sobre a tributária, afirmou que está resoluto em não reintroduzir a CPMF.
Por fim, publicamos nosso Panorama de Mercado para setembro. Agosto foi um mês desafiador para o Ibovespa, com incertezas no cenário externo bastante elevadas. Do lado positivo, a agenda doméstica permanece robusta e avança, o que vemos como transformacional. Esperamos aceleração da atividade econômica e juros baixos por mais tempo, levando a uma aceleração dos lucros das empresas.
Por isso, continuamos a ver a Bolsa como o melhor ativo a se investir no Brasil. Realizamos três trocas na nossa carteira Top 10 ações XP: (i) trocamos Bradesco por Itaú e (ii) substituímos IRB e Grupo Pão de Açúcar por B2W e Iguatemi.
Tópicos do dia
Panorama de mercado
- Bolsa em setembro – O que você precisa saber para investir
Brasil
- Política Brasil: Reforma da previdência deve ser votada nessa quarta-feira na CCJ do Senado
- Taxa de desemprego brasileira apresenta queda em julho
Internacional
- Argentina anuncia implementação de controle de capitais
- Dados da indústria refletem uma economia internacional mista em agosto
Empresas
- Frigoríficos: Empresa americana, Tyson Foods, anuncia compra de 40% do grupo brasileiro Vibra
- Siderurgia: Compra de aços planos recua 2,7% A/A em julho; Ambiente continua desafiador
Renda Fixa
- Eneva planeja emitir R$1 bilhão em debêntures
- Estoque de etanol cai e consumo avança no país
Veja todos os detalhes
Panorama de mercado
Bolsa em setembro – O que você precisa saber para investir
- Agosto foi um mês desafiador para o Ibovespa. As incertezas no cenário externo, com destaque para as preocupações com o crescimento global, pesaram nos mercados ao redor do mundo, e o Brasil não saiu ileso. O índice acumulou queda de -0,7%, com forte alta do dólar também em destaque, que fechou em R$4,14/USD;
- A agenda doméstica permanece robusta e avança, o que vemos como transformacional. Neste contexto, apesar da incerteza externa, esperamos aceleração da atividade econômica e dos lucros das empresas, com juros na mínima histórica e rumando para níveis ainda inferiores. Continuamos a ver a Bolsa como o melhor ativo a se investir no Brasil;
- Após a recente queda, o Ibovespa negocia a 11,4x preço / lucro, abaixo da média histórica de 12,3x. Nos patamares atuais, vemos um risco-retorno assimétrico para cima, com projeção de 140 mil pontos para final de 2020. Realizamos três trocas na nossa carteira Top 10 ações XP: (i) trocamos Bradesco por Itaú e (ii) substituímos IRB e Grupo Pão de Açúcar por B2W e Iguatemi. Clique aqui para acessar o conteúdo completo.
Brasil
Política Brasil: Reforma da previdência deve ser votada nessa quarta-feira na CCJ do Senado
- Reforma da previdência deve ser votada nessa quarta-feira na CCJ do Senado. A PEC paralela proposta pelo relator, Tasso Jereissati, sofre resistência na Casa, em especial a parte que gera aumento de arrecadação;
- O presidente Jair Bolsonaro defendeu uma nova reforma trabalhista, que começa a ser desenhada pelo secretário Rogério Marinho, e quando questionado sobre a tributária, afirmou que “CPMF não dá; é uma ideia carimbada já”;
- Datafolha mostra reprovação de Bolsonaro em 38% e aprovação em 29%. A pesquisa XP/Ipespe mais recente, do início de agosto, já mostrava a desaprovação em 38%. Aqueles que consideravam o governo ótimo ou bom eram 33%.
Taxa de desemprego brasileira apresenta queda em julho
- A taxa de desemprego brasileira passou de 11.9% em junho para 11.8% em julho de 2019, dando continuidade a uma série de seis meses consecutivos de queda, mas ainda mostrando um nível elevado de desocupados no Brasil;
- O resultado de julho veio em linha com a mediana das expectativas de mercado coletadas pela Bloomberg e indicou a continuidade do processo de recuperação gradual da força de trabalho brasileira;
- Na nossa visão, a taxa de desemprego brasileira continuará apresentando leve trajetória de queda nos próximos meses, corroborando o argumento de que a economia brasileira continua em ritmo gradual de crescimento. Clique aqui para ver mais detalhes sobre o desempenho do mercado de trabalho brasileiro em julho.
Internacional
Argentina anuncia implementação de controle de capitais
- A Argentina anunciou a implementação de controles de capital no domingo, depois de um endurecimento para os bancos locais distribuírem dividendos e rebaixamento de crédito das três agências. As medidas não devem ser recebidas como uma surpresa, mas a velocidade na qual a deterioração do quadro institucional e econômico da Argentina ocorre foi subestimada. Do total de US$ 57 bilhões de reservas internacionais, apenas US$ 15 bilhões são líquidas e passíveis de serem usadas pelo governo;
- Embora Fernandez tenha declarado várias vezes que seria contra a implementação do controle de capital, é muito possível que siga o fazendo. Ainda assim, o FMI reconheceu a medida como gerenciamento do fluxo de capital e “continuará a apoiar a Argentina durante esses tempos difíceis”;
- O Fundo conversou com autoridades no domingo e ainda está revisando mais detalhes. No entanto, o desembolso de 15 de setembro parece ainda menos provável nesse cenário e uma renegociação quase certa. Do ponto de vista macro, a Argentina está em retrocesso com a alta possibilidade de ter um governo intervencionista e populista.
Dados da indústria refletem uma economia internacional mista em agosto
- O PMI industrial da China passou de 49,9 em julho para 50,4 em agosto. Com o resultado acima dos 50 pontos, a indústria chinesa voltou a apresentar expansão, mas o nível geral de demanda por produtos chineses continuou baixo, refletindo a intensificação da disputa comercial com os Estados Unidos;
- O PMI industrial da Zona do Euro também apresentou expansão na passagem de julho (46,5) para agosto (47), em linha com as expectativas do mercado. Por outro lado, a leitura abaixo dos 50 pontos marcou contração na manufatura do bloco pelo sétimo mês consecutivo. Já no Reino Unido, o PMI do setor industrial caiu de 48 em julho para 47,4 em agosto, atingindo o menor nível desde julho de 2012;
- Por fim, o PMI do setor industrial no Japão caiu de 49,4 em julho para 49,3 em agosto, refletindo o crescimento mais fraco do continente Asiático ao longo do mês.
Empresas
Frigoríficos: Empresa americana, Tyson Foods, anuncia compra de 40% do grupo brasileiro Vibra
- A Tyson Foods, maior companhia de carnes dos EUA, adquiriu 40% do grupo brasileiro Vibra, que produz e exporta produtos avícolas com as marcas Nat e Avia;
- Segundo Donnie King, presidente da Tyson Foods, o investimento permitirá acessar o suprimento de aves no Brasil para atender às crescentes necessidades dos clientes do país e dos mercados na Ásia, Europa e Oriente Médio. Os termos e valores do negócio não foram divulgados, mas a expectativa é que ele seja concluído este ano, depois de aprovado pelo CADE;
- Se aprovada, a aquisição pode ser vista como maior concorrência para a BRF, cujas ações recuaram -1,9% na sexta-feira. De qualquer modo, a peste suína na China é positiva para o setor como um todo e ainda vemos a BRF como bem posicionada para ganhar com isso. Além disso, a empresa está em busca de uma parceria na Arábia Saudita, que, se concluída, também vemos como positivo para a BRF. Mantemos Compra, preço-alvo de R$47/ação.
Siderurgia: Compra de aços planos recua 2,7% A/A em julho; Ambiente continua desafiador
- De acordo com dados do Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda), as compras de aços planos no mês de julho caíram 2,7% A/A, para 276,6 mil toneladas. As vendas, por sua vez, somaram 288 mil toneladas, o que representou alta de 4,3% A/A;
- As importações em julho chegaram a 97,2 mil toneladas, uma queda de 12,7% A/A. Com isso, os estoques finalizaram em 762,7 mil toneladas, um recuo de 1,5% M/M;
- De acordo com a entidade, agosto deve manter o ritmo de vendas e compras de aços planos “sem nenhuma alteração”. Com sinais ainda marginais de uma recuperação na demanda de aço, vemos um ambiente bastante desafiador ao longo do próximo ano, com demanda fraca e dificuldade para aumento de preços. No nosso último relatório destacamos uma visão cautelosa para o setor (link para relatório), mantendo Gerdau como preferida dentre as siderúrgicas, rebaixando a CSN de Compra para Neutro e mantendo Neutro para Usiminas.
Renda Fixa
Eneva planeja emitir R$1 bilhão em debêntures
- Segundo informações do Valor Econômico, a Eneva, maior geradora termelétrica privada do Brasil, pode emitir R$1 bilhão em debêntures de infraestrutura (com isenção de imposto de renda). Os recursos seriam utilizados para exploração e produção de gás natural na Bacia do Parnaíba e no projeto de Jaguatirica II (RR), termelétrica que será abastecida com gás natural do campo de Azulão (AM);
- A Eneva fechou o segundo trimestre de 2019 com dívida líquida de R$3,9 bilhões e alavancagem (medida por dívida líquida/EBITDA) de 2,7x. A empresa possui como covenant mais restritivo limitação de alavancagem até 3,0x.
Estoque de etanol cai e consumo avança no país
- Segundo dados do Ministério da Agricultura, os estoques de etanol atingiram 7,11 bilhões de litros no dia 15 de agosto, volume 19,3% menor do que na mesma data em 2018. Enquanto o estoque cai, o consumo dispara, com as vendas das distribuidoras aos postos atingindo 12,6 bilhões de litros, crescimento de 30% entre janeiro e julho de 2019 em comparação com o mesmo período de 2018;
- Segundo o Estadão, não há receio de desabastecimento de etanol no país, uma vez que as usinas estão em plena safra e os estoques devem crescer. Já do lado da demanda, as altas no preço e consequente substituição pela gasolina devem desacelerar o consumo;
- O jornal comentou também que o Bancoob espera concessão de R$16 bilhões em empréstimos ao setor rural na safra 2019/2020. O banco atende principalmente pequenos e médios produtores e vê com otimismo a safra maior de grãos. Cerca de um terço do montante vem hoje de LCAs (Letras de Crédito do Agronegócio).
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