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Brava Energia (BRAV3) | Resultados do 2T26: Resultados em linha. Um novo capítulo à frente

A Brava Energia reportou seus resultados referentes ao 2º trimestre de 2026. Veja nossos comentários.

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Ecopetrol assume o controle. Ações devem se ajustar para baixo após a OPA

A Brava Energia divulgou seus resultados do 2T26 nesta quarta-feira (5), após o fechamento do mercado. O EBITDA ajustado de R$ 1,8 bilhão (US$ 351 milhões) ficou em linha com nossa estimativa (+2% vs. XPe). O EBITDA aumentou +9% t/t, sustentado por preços realizados mais altos de óleo e gás (+23% e +10% t/t, respectivamente) e por spreads mais fortes de derivados, embora parcialmente compensado pelo imposto sobre as exportações de petróleo e pelo maior lifting cost. Vale destacar que as estruturas de hedge da Brava não afetam o EBITDA. O lucro líquido atingiu R$ 871 milhões (-4% vs. XPe), beneficiado por ganhos de marcação a mercado nos hedges de óleo. Também na quarta-feira, a Ecopetrol adquiriu uma participação de c.25% na Brava por meio da oferta pública de aquisição de ações (OPA) e deve assumir o controle da companhia com uma participação de 51%. Apesar dos resultados relativamente neutros, esperamos que as ações da Brava negociem em baixa nos próximos pregões, uma vez que o mercado ainda não refletiu a perda da opcionalidade da OPA a R$ 23/BRAV3.

Pequena redução da dívida líquida. A dívida líquida consolidada, incluindo os earn-outs de aquisições, atingiu US$ 1,63 bilhão ao final do 2T26, uma redução marginal de US$ 13 milhões t/t. A alavancagem aumentou ligeiramente para 1,97x Dívida Líquida/EBITDA LTM (antes 1,84x no 1T26), já incorporando o impacto negativo dos hedges sobre o EBITDA LTM. A modesta redução da dívida líquida foi sustentada pelo reembolso do pagamento de assinatura de Tartaruga Verde (c.US$51 milhões), que havia sido desembolsado no 1T26. Vale destacar que a geração de caixa permaneceu pressionada pelos hedges (c.-US$170 milhões) e pelo capex elevado.

Lifting cost aumenta. O lifting cost consolidado, ex-arrendamentos, aumentou para US$ 16,3/boe (+15% t/t, ou +US$ 2,1/boe). O aumento foi impulsionado pelas operações offshore (US$ 14/boe, +US$ 3,2/boe t/t), refletindo os maiores custos de energia em Papa-Terra e o reconhecimento, em Parque das Conchas, de repasses de custos da operadora relacionados a períodos anteriores (US$ 19,3/boe no trimestre vs. US$ 12/boe LTM). O lifting cost onshore permaneceu amplamente estável em US$ 20,9/boe.

Produção de julho: Queda sequencial. A produção total da Brava atingiu média de 82,6kboed em julho, queda de -1,9kboed m/m. A produção de óleo recuou para 63,5kbpd (-1,4kbpd m/m), enquanto a produção de gás atingiu 19,1kboed (-0,5kboed m/m). A queda sequencial foi impulsionada principalmente pela menor produção em Papa-Terra (-2,4kboed m/m) e Parque das Conchas (-1,6kboed m/m), parcialmente compensada pela maior produção no campo de Atlanta (+2,1kboed m/m), beneficiada por uma base de comparação mais fraca em junho. Potiguar também apresentou uma melhora modesta, para 20,7kboed (+0,4kboed m/m), à medida que a produção continua se recuperando após a interdição da ANP em outubro de 2025. Em 29 de julho, a Brava iniciou a parada programada para manutenção em Papa-Terra, originalmente esperada para o 4T26. A parada deve durar até 12 dias.

Produção do 2T26: Recuperação trimestral. A produção total líquida da Brava atingiu média de 81,7kboed no 2T26, alta de +5,7kboed t/t (+7,5%). A produção de óleo alcançou 63,4kbpd (+2,2kbpd t/t), enquanto a produção de gás aumentou para 18,3kboed (+3,5kboed t/t). A melhora foi impulsionada principalmente por: (i) normalização de Parque das Conchas após a parada programada para manutenção (+2,2kboed t/t); (ii) maior produção de gás em Manati (+1,7kboed t/t); (iii) maior produção em Atlanta (+0,8kboed t/t); e (iv) recuperação gradual de Potiguar ao longo do trimestre, embora a produção permaneça limitada pela interdição da ANP. As vendas de óleo totalizaram 5,8 milhões de barris (+5% t/t), permanecendo amplamente em linha com a produção trimestral.

Hedges limitam o potencial de alta no curto prazo. Ao final do 2T26, a Brava possuía hedge equivalente a 11 milhões de barris para os 12 meses seguintes por meio de NDFs e estruturas de collar, uma redução relevante em relação aos 15,9 milhões de barris ao final do 1T26. Da posição total de hedge, 9 milhões de barris correspondiam a NDFs a um preço fixo médio de US$ 64,5/bbl, enquanto os 2 milhões de barris restantes estavam protegidos por meio de collars, com strike médio das calls de US$ 75,7/bbl. Embora o book de hedges tenha sido reduzido de forma relevante, ele continua limitando a exposição da Brava aos preços mais altos do Brent no curto prazo.

Ecopetrol assume o controle. Nesta quarta-feira (5), a Ecopetrol adquiriu 116,1 milhões de ações BRAV3 no leilão da OPA da Brava, equivalentes a c.25% do capital social da companhia, a R$ 23/ação, implicando um valor total para a transação de R$ 2,67 bilhões. A liquidação financeira está prevista para 17 de agosto. Após a conclusão da OPA, a Ecopetrol deterá 236,9 milhões de ações da Brava, equivalentes a uma participação de 51%, assumindo, assim, o controle da companhia. A participação restante de 26% já havia sido assegurada por meio de um Share Purchase Agreement (SPA).

O que vem pela frente para a Brava? Esperamos que as ações da Brava negociem em baixa nos próximos pregões. Antes do leilão da OPA, as ações BRAV3 eram sustentadas pela possibilidade de os investidores venderem suas ações a R$ 23/ação, nível bem acima dos preços de mercado, embora sujeito a rateio. Com a conclusão do leilão, essa opcionalidade deixou de existir, e as ações devem negociar abaixo dos níveis anteriores à oferta. Contraintuitivamente, BRAV3 encerrou o pregão de quarta-feira em alta de c.+3%, a R$ 19,45/ação. Em nossa visão, esse ajuste ainda não ocorreu.

Mais sobre a Ecopetrol. A produção total da Ecopetrol atualmente alcança c.750kboed. Assim como a Brava, a companhia é verticalmente integrada, com operações nos segmentos de upstream, midstream e downstream. No Brasil, a presença da Ecopetrol é relativamente limitada, principalmente por meio de uma participação não operacional de 30% no projeto Gato do Mato, operado pela Shell, e de sua participação controladora na empresa de utilities ISA. A aquisição da Brava proporcionará uma oportunidade de crescimento em múltiplas plataformas, além de aumentar a exposição a ativos offshore, área em que a Brava possui um posicionamento mais forte, enquanto a expertise da Ecopetrol se concentra principalmente em ativos onshore. Após a conclusão da transação, a Ecopetrol adicionaria reservas 1P pro rata de c.234 milhões de boe, considerando sua participação de 51%, e c.40kboed de produção média anual.

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