Resumo
No cenário internacional, mesmo com a extensão do cessar-fogo no Oriente Médio, o cenário geopolítico segue tenso e o petróleo voltou a superar 100 dólares por barril.
Nos Estados Unidos, a sabatina de Kevin Warsh para a presidência do Fed (banco central) foi marcada por tom cauteloso e defesa da independência da instituição.
No Brasil, o governo enviou ao Congresso um projeto que permite reduzir temporariamente a tributação sobre combustíveis, sobretudo gasolina e etanol, como resposta à alta do petróleo causada pelo conflito no Oriente Médio.
O Boletim Focus mostrou deterioração nas expectativas de inflação e juros. O choque global de custos e a atividade doméstica ainda aquecida diminuem o espaço para cortes de juros à frente, exigindo postura mais cautelosa do Banco Central. Esperamos que o Copom reduza a taxa Selic em 0,25 p.p. na próxima semana.
Gráfico da Semana
Veja na seção “Mesmo com extensão do cessar-fogo no Oriente Médio, preços do petróleo voltam a superar 100 dólares”

Cenário Internacional
Mesmo com extensão do cessar-fogo no Oriente Médio, preços do petróleo voltam a superar 100 dólares
No início desta semana, Trump anunciou a prorrogação indefinida do cessar-fogo com o Irã, informando que os ataques militares serão suspensos até que Teerã apresente uma “proposta unificada” de paz. Em paralelo, Trump anunciou a extensão por três semanas do cessar-fogo entre Israel e Líbano, após reunião no Salão Oval com os embaixadores dos dois países. No entanto, o cenário segue tenso. Ao longo da semana, o Presidente dos Estados Unidos ordenou à Marinha que ataque qualquer embarcação tentando lançar minas no Estreito de Ormuz. Do lado iraniano, a agência de notícias local informou que os sistemas de defesa aérea foram ativados em partes de Teerã para combater “alvos hostis”. O preço do petróleo (Brent) subiu cerca de 10% nesta semana, superando novamente a marca de 100 dólares por barril.
Warsh nega compromisso com cortes de juros e reforça independência do Fed
Durante sua sabatina no Senado, Kevin Warsh — indicado por Donald Trump para a presidência do Fed (banco central dos Estados Unidos) — afirmou que não assumiu qualquer compromisso com o presidente para reduzir juros, destacando que as decisões de política monetária permanecerão condicionadas aos dados e à atuação colegiada do Comitê. A sinalização ocorre em meio à pressão pública da Casa Branca por uma flexibilização monetária e foi interpretada pelo mercado como tentativa de preservar a credibilidade institucional do Fed e afastar dúvidas sobre sua independência. Além disso, Warsh evitou indicar apoio imediato a cortes, reforçando um viés mais cauteloso diante de um cenário ainda marcado por inflação acima da meta e mercado de trabalho resiliente.
Dados mistos reforçam postura cautelosa do Fed
Cenário de atividade ainda resiliente nos Estados Unidos. As vendas no varejo surpreenderam positivamente em março, impulsionadas sobretudo pelo forte aumento nos preços de combustíveis — o que elevou a receita nominal, mas com contribuição mais moderada nos demais segmentos. Já as sondagens com empresas (PMIs) indicaram aceleração da atividade em abril, com destaque para a indústria, que atingiu o maior nível em quase dois anos, em parte refletindo a recomposição de estoques diante de riscos geopolíticos. Por outro lado, o avanço expressivo do componente de preços pagos sugere intensificação das pressões inflacionárias. No mercado de trabalho, os pedidos de seguro-desemprego seguem em trajetória de leve alta, sinalizando uma desaceleração gradual, ainda que em níveis historicamente baixos.
Os dados reforçam o quadro de atividade resiliente, inflação pressionada e mercado de trabalho ainda sólido, o que tende a sustentar uma postura cautelosa por parte do Fed (banco central), reduzindo o espaço para cortes de juros no curto prazo.
Juros estáveis na China, em meio a incertezas geopolíticas e atividade mais forte
O banco central da China (PBoC) manteve as taxas de referência de crédito pelo 11º mês consecutivo, em linha com as expectativas de mercado. A taxa de empréstimo de referência de 1 ano (LPR) permaneceu em 3,0%, e a de 5 anos — principal balizador dos financiamentos imobiliários — foi mantida em 3,5%. A decisão reflete uma postura cautelosa diante das incertezas geradas pelo conflito no Oriente Médio, mesmo com o crescimento resiliente no início do ano: o PIB chinês avançou 5,0% no 1T26, acima dos 4,5% registrados no trimestre anterior e dentro da meta do governo para o ano.
O governo já havia reduzido a meta de crescimento para 2026 para a faixa de 4,5% a 5%, a menos ambiciosa desde os anos 1990. Como maior importador global de combustíveis e economia orientada para exportações, o país segue exposto ao choque do petróleo – que já vem pressionando custos e elevando a incerteza global.
Desaceleração do PMI e pressão de custos deve manter BCE em espera
A primeira leitura do PMI Composto de abril na zona do euro recuou para 50,1 pontos (ante 50,7 em março), sinalizando a expansão mais fraca em quase um ano. O resultado foi puxado pela primeira contração do setor de serviços em 14 meses, com o índice de atividade do setor caindo para 49,7. A indústria manufatureira registrou 51,2 pontos, ainda em território de expansão. A deterioração da atividade econômica na zona do euro junto com o aumento das pressões de custo com o choque do petróleo coloca o Banco Central Europeu em posição de cautela.
Enquanto isso, no Brasil…
Governo envia projeto para reduzir tributação sobre combustíveis
O Governo Federal enviou à Câmara dos Deputados um Projeto de Lei Complementar (PLP) que autoriza a redução de alíquotas de PIS/Cofins e Cide sobre combustíveis durante o período do conflito no Oriente Médio, condicionada à disponibilidade de receitas extraordinárias decorrentes da alta nos preços do petróleo. Uma vez aprovado o PLP, o governo pretende propor, via decreto presidencial, redução parcial dos tributos sobre gasolina e etanol pelo prazo de dois meses. Os quatro combustíveis elegíveis são gasolina, etanol, diesel e biodiesel. Como diesel e biodiesel já são isentos de cobrança de PIS/Cofins, o mecanismo viabiliza principalmente a desoneração de gasolina e etanol, além de abrir caminho para eventual prorrogação das isenções vigentes sobre os demais. O governo buscará aprovação em regime de urgência, com o texto previsto para ser discutido pelos líderes da Câmara dos Deputados na próxima terça-feira.
Mercado projeta inflação e juros mais altos
O Boletim Focus mostrou deterioração nas expectativas de inflação e juros. A mediana das expectativas para o IPCA subiu tanto para 2026 (de 4,71% para 4,80%) quanto para 2027 (de 3,91% para 3,99%). No fim de fevereiro, o mercado esperava inflação de 3,91% este ano e 3,79% no ano que vem. A piora das previsões reflete, principalmente, a alta recente dos preços do petróleo. Consequentemente, o mercado espera um ciclo de cortes de juros menor. A mediana das projeções de taxa Selic no final de 2026 aumentou de 12,50% na semana passada para 13,00% nesta semana. A expectativa para o final de 2027 também subiu, de 10,50% para 11,00%. O atual choque de oferta – marcado pela elevação dos custos de produção – e a atividade doméstica ainda aquecida tendem a exigir uma postura mais cautelosa do Banco Central. Na prática, isso significa menor espaço para flexibilização da política monetária em comparação ao cenário vigente antes do conflito.
EUA avaliam tarifa de até 30% sobre produtos brasileiros em nova ofensiva comercial
Segundo a CNN, os Estados Unidos estudam impor tarifas de cerca de 30% sobre produtos brasileiros, no âmbito de uma investigação sobre práticas consideradas desleais. A medida, que pode ser anunciada nos próximos meses, tende a excluir itens com impacto direto na inflação americana — como café, carne e suco de laranja. Entre as críticas ao Brasil estão o funcionamento do Pix, alegações de falhas na proteção à propriedade intelectual e questões ambientais.
Propostas que extinguem escala 6×1 avançam na Câmara
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara aprovou a admissibilidade da PEC que extingue a escala de trabalho 6×1, permitindo que a proposta avance para uma comissão especial, onde será debatida e, se aprovada, seguirá a plenário.
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Destaques da próxima semana
No cenário internacional, o destaque fica para as decisões de política monetária nos Estados Unidos, na Zona do Euro, no Reino Unido e no Japão – o mercado projeta manutenção das taxas de juros em todos esses bancos centrais. Ainda nos Estados Unidos, serão divulgados o PIB do 1º trimestre de 2026 e o índice de preços PCE de março, o principal indicador de inflação do país. Na Zona do Euro, conheceremos o índice de preços ao consumidor (CPI) e o PIB do 1º trimestre.
No Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidirá sobre a taxa Selic, para a qual se espera, quase unanimemente, uma redução de 0,25 p.p., para 14,50%. Pelo lado da inflação, o IPCA-15 de abril será divulgado e deverá mostrar forte elevação nos preços de combustíveis e alimentos. Em relação ao mercado de trabalho, serão publicados a PNAD Contínua e o Caged de março. Por fim, do Banco Central divulgará as estatísticas fiscais e de crédito referentes ao último mês. Veja as nossas projeções abaixo.

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