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Economia em Destaque: IPCA reforça início de corte de juros

Seu resumo semanal de economia no Brasil e no mundo

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Resumo

Nos Estados Unidos, a inflação ao consumidor caiu para 2,4%, em linha com o esperado, atingindo o menor nível desde março de 2021. Em contraste, o mercado de trabalho surpreendeu positivamente: 130 mil vagas de emprego foram criadas em janeiro, o dobro do esperado, levando a taxa de desemprego a 4,3%. O mercado espera que o próximo corte de juros nos EUA ocorra em junho.

Na China, o índice de preços ao consumidor avançou menos do que o esperado em janeiro, caindo para 0,2% no acumulado em 12 meses. A inflação ao produtor, por sua vez, seguiu em território negativo. Os dados reforçam a persistente desaceleração da economia chinesa.

No Brasil, o IPCA avançou 0,33% em janeiro comparado com dezembro. No geral, resultados reforçaram nossa visão de que a inflação de curto prazo seguirá bem-comportada. Portanto, o Copom deve iniciar um ciclo de cortes de juros em março, reduzindo a taxa Selic em 0,50 p.p. Por fim, prevemos inflação de 3,8% em 2026.

Do lado da atividade, as vendas no varejo e setor de serviços tiveram desempenho abaixo do esperado em dezembro, mas devem retomar fôlego em 2026, frente ao aumento de renda e de medidas governamentais.

Gráfico da Semana

Veja na seção “Inflação de janeiro reforça início do ciclo de cortes de juros”

Cenário Internacional

Nos Estados Unidos, mercado de trabalho sólido e inflação em queda

A inflação nos Estados Unidos voltou a perder força em janeiro. O índice de preços ao consumidor (CPI) recuou para 2,4% no acumulado em doze meses, após duas leituras em 2,7%. O núcleo de inflação– que exclui os itens mais voláteis – caiu para 2,5%, o menor nível desde março de 2021. No mercado de trabalho, surpresa positiva, com o relatório de emprego (payroll) registrando criação de 130 mil vagas, acima das 65 mil esperadas, e levando a taxa de desemprego a 4,3% (antes 4,4%). Por fim, as vendas no varejo ficaram estáveis em dezembro, abaixo da expectativa de alta de 0,4%, mas ainda cresceram 2,4% na comparação anual.

Diante do combo de dados da semana, o mercado segue esperando que o Fed – banco central dos EUA – reduza os juros em mais duas reuniões neste ano, retomando o ciclo de cortes em junho.

Vitória política permite primeira-ministra japonesa avançar com agenda econômica e migratória

A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, anunciou uma guinada política após a vitória de seu partido nas eleições legislativas. Os planos incluem aumentar os gastos com defesa, revisar a Constituição pacifista e endurecer as regras migratórias, além de lançar um amplo pacote econômico. O programa soma cerca de ¥21,3 trilhões (aproximadamente US$ 135 bilhões), combinando ¥17,7 trilhões em despesas orçamentárias — o maior volume desde a pandemia — com ¥2,7 trilhões em cortes tributários, incluindo a suspensão temporária do imposto sobre alimentos. Na semana, os juros de longo prazo nos títulos do governo japonês (JGBs) subiram levemente, enquanto o iene se valorizou cerca de 3%, alcançando ¥152,90 por dólar.

Inflação desacelera na China, refletindo a fraca demanda doméstica

Na China, o índice de preços ao consumidor subiu 0,2% em janeiro ante dezembro, ligeiramente abaixo da expectativa de mercado (0,3%). Assim, o índice acumulado em 12 meses cedeu de 0,8% para apenas 0,2%. A medida de núcleo do CPI, que exclui itens de alimentos e energia, avançou 0,8% na base anual, arrefecendo ante a alta de 1,2% na leitura anterior. Enquanto isso, o índice de preços ao produtor (PPI) permaneceu em terreno deflacionário, ao passar de -1,9% em dezembro para -1,4% em janeiro. A demanda doméstica na China segue fraca, sobretudo em função da crise no setor de construção e da baixa confiança do consumidor.

Enquanto isso, no Brasil…

Inflação de janeiro reforça início do ciclo de cortes de juros

O IPCA avançou 0,33% em janeiro comparado com dezembro, em linha com as expectativas. A inflação acumulada em 12 meses subiu de 4,26% para 4,44%, por conta de efeito de comparação desfavorável com janeiro de 2025 – esperamos que o índice recue para próximo a 3,5% em março. Em relação aos dados desagregados, os preços de alimentos registraram a menor taxa de variação para janeiro desde 2006. O grupo de bens industrializados apresentou alta mensal acima do previsto, puxada sobretudo por itens voláteis. Apesar disso, a recente apreciação da taxa de câmbio, combinada à queda dos preços ao atacado, sugere desaceleração desse grupo nos próximos meses. Enquanto isso, a inflação de serviços subjacentes permaneceu elevada (5,6% em 12 meses), refletindo a taxa de desemprego nas mínimas históricas e a contínua expansão dos salários reais. Por fim, projetamos inflação de 3,8% em 2026, após 4,3% em 2025.

Os resultados do IPCA de janeiro reforçaram nossa visão de que a inflação de curto prazo seguirá bem-comportada. Portanto, seguimos antevendo que o Copom iniciará um ciclo de flexibilização monetária em março, reduzindo a taxa Selic em 0,50 p.p. (de 15,00% para 14,50%). Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, reforça nosso cenário ao afirmar “Antevíamos, em se confirmando o cenário, essa calibragem da política monetária a partir de março, justamente para que a gente consiga reunir mais confiança para iniciar este ciclo”. Para uma análise completa sobre o IPCA de janeiro, clique aqui.

Governo zera tarifas de importação para produtos que não são produzidos localmente

O governo decidiu zerar a tarifa de importação para 1.059 produtos, sendo 421 bens de capital e de informática e 638 autopeças, todos sem produção nacional equivalente. Além disso, também foram zeradas as alíquotas de importação de 20 insumos industriais e agropecuários, beneficiando setores como saúde, eletrodomésticos, energia, automotivo e alimentação animal. A mesma reunião aprovou ainda medidas antidumping contra produtos siderúrgicos e dispositivos médicos provenientes da China, com vigência de até cinco anos.

Dados de atividade frustraram no final de 2025, mas esperamos reaceleração no 1º semestre

O setor de serviços registrou queda de 0,4% em dezembro, ligeiramente abaixo das expectativas. Quatro das cinco grandes categorias cresceram no quarto trimestre, com Transportes e Armazenagem contraindo. No entanto, projetamos que a receita real de serviços avance 3,0% em 2026, após alta de 2,8% em 2025, sustentada por um mercado de trabalho aquecido, maiores transferências fiscais, os efeitos da reforma do IRPF e a expansão do crédito. As vendas no varejo ampliado – que inclui automóveis, materiais de construção e o atacarejo – recuaram 1,2% em dezembro, interrompendo cinco meses consecutivos de alta, enquanto o varejo restrito caiu 0,4%, ambos resultados um pouco piores do que o previsto. Após a perda de fôlego observada no segundo semestre de 2025, a atividade doméstica deve ganhar tração no início de 2026, apoiada especialmente pelo aumento da renda real e pela resiliência dos setores mais sensíveis ao consumo. Estimamos que o PIB tenha crescido 2,3% em 2025 e que medidas de estímulo via renda e crédito levem para um crescimento 2,0% em 2026.

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Destaques da próxima semana   

No cenário internacional, os destaques serão a divulgação do PIB do 4º trimestre dos Estados Unidos e o índice de preços PCE de janeiro, o principal indicador de inflação do país. Além disso, o Fed – banco central americano – publicará a ata da última reunião de política monetária, realizada há três semanas. Por fim, PMIs das principais economias serão divulgados ao longo da semana – lembrando que PMIs são sondagens empresariais que visam a captar o pulso da atividade econômica.

No Brasil, a semana será curta por conta do Carnaval. Destaque apenas para a divulgação do IBC-BR de dezembro, o indicador de atividade econômica do Banco Central. Veja nossas projeções abaixo.

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