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Economia em Destaque: Dólar enfraquece com ameaças de Trump à Groenlândia

Seu resumo semanal de economia no Brasil e no mundo

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Resumo

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que seu governo definiu estratégia para futuro acordo em relação à Groenlândia. Apesar do alívio, a semana foi marcada por um ambiente de elevada incerteza nos mercados globais, com aumento da aversão ao risco diante da imprevisibilidade da política econômica dos Estados Unidos.

No Japão, os juros dos títulos públicos sobem para maior patamar em 30 anos, com deterioração das expectativas fiscais. Na China, o PIB de 2025 cresceu 5%, atingindo a meta definida por Pequim. Por fim, a semana também trouxe suspensão do acordo do Mercosul e União Europeia, que foi encaminhado ao Tribunal de Justiça da UE para uma revisão de legalidade.

No Brasil, o governador Tarcísio de Freitas confirmou pré-candidatura ao governo de São Paulo.

Gráfico da Semana

Veja na seção “Donald Trump discute acordo sobre Groenlândia”

Cenário Internacional

Donald Trump discute acordo sobre Groenlândia

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que seu governo definiu estratégia para futuro acordo com a OTAN em relação à Groenlândia e região do Ártico. A proposta envolveria bases militares e acesso às terras raras da Groenlândia. Ademais, Trump afirmou que não aplicará tarifas (a oito países europeus contrários à anexação da Groenlândia) que estavam programadas para entrar em vigor em 1º de fevereiro, e declarou ter descartado o uso da força para tomar o território. A decisão reduziu tensões, num momento em que a União Europeia avaliava medidas de retaliação comercial contra os Estados Unidos. Ainda assim, o Parlamento Europeu decidiu suspender os trabalhos sobre o acordo comercial entre as duas regiões.

Apesar do alívio, a semana foi marcada por um ambiente de elevada incerteza nos mercados globais, com aumento da aversão ao risco diante da imprevisibilidade da política econômica dos Estados Unidos. Esse quadro levou a um movimento de realocação de portfólios, com saída de capitais de ativos norte-americanos, enquanto ativos considerados porto seguro, como o ouro, valorizaram. Nesse contexto, o índice DXY, que mensura o desempenho do dólar frente a uma cesta de moedas de países desenvolvidos, atingiu o menor nível desde setembro, sinalizando perda de força da moeda americana. No Brasil, o cenário favoreceu os ativos locais, com apreciação do real, e valorização do Ibovespa, que avançou cerca de 7,7% e renovou sua máxima histórica.

Inflação nos Estados Unidos corrobora postura cautelosa do banco central

A inflação ao consumidor, medida pelo índice de preços das Despesas de Consumo Pessoal (PCE, em inglês), avançou 0,2% entre outubro e novembro, com a variação em 12 meses alcançando 2,8%. Excluindo alimentos e energia, o núcleo do PCE também registrou alta mensal de 0,2% e variação anual de 2,8%, mantendo-se acima da meta de 2% do Federal Reserve. O núcleo de inflação é o indicador preferido do Fed (banco central dos Estados Unidos). O resultado, no entanto, tem que ser analisado com cautela, uma vez que a coleta de dados do indicador foi afetada pela paralisação do governo dos Estados Unidos, que comprometeu a coleta de dados.

O mercado espera reaceleração da inflação em dezembro, reforçando a necessidade de cautela pelo banco central. Reforçamos a expectativa de que o Fed (banco central) manterá sua taxa básica de juros na faixa de 3,50% – 3,75% na próxima reunião de política monetária.

Juros dos títulos japoneses sobem para maior patamar em 30 anos, com deterioração das expectativas fiscais

Os juros dos títulos do governo japonês de longo prazo avançaram após notícias de que o governo pretende eliminar o imposto de 8% sobre alimentos. A medida reduziria a arrecadação em cerca de 5 trilhões de ienes por ano. O anúncio ocorreu às vésperas da eleição antecipada convocada pela primeira‑ministra Sanae Takaichi. O mercado passou a precificar maior expansão fiscal em caso de vitória eleitoral. O prêmio de risco da dívida pública aumentou. Os rendimentos atingiram níveis elevados históricos. A taxa do título de 10 anos chegou a 2,38%, o maior patamar em quase 30 anos. O rendimento do título de 30 anos alcançou 3,88%.

O Banco do Japão manteve a taxa básica de juros em 0,75%. A autoridade reforçou o viés mais duro. Novas altas dependem da confirmação do cenário de crescimento e inflação. No relatório trimestral, o banco revisou para cima as projeções de crescimento para 2025 e 2026. A inflação subjacente de 2026 também foi elevada, para 1,9%. Por fim, a autoridade alertou para os riscos associados à alta dos rendimentos dos títulos. O banco seguirá monitorando os efeitos sobre as condições financeiras.

Acordo Mercosul–União Europeia avança, mas tramitação é suspensa no Parlamento Europeu

O acordo entre Mercosul e União Europeia avançou para a fase final após a conclusão da revisão legal. Os dois instrumentos jurídicos foram formalmente assinados. As estimativas apontam efeitos moderados, porém positivos, para a economia brasileira no médio e longo prazo. Os ganhos líquidos concentram‑se no agronegócio. Alguns setores industriais tradicionais também se beneficiam, como calçados, metais não ferrosos e produtos de madeira. Para mais informações, acesse nosso relatório.

No Brasil, o acordo ainda depende de aprovação pelo Congresso Nacional. Na União Europeia, o texto requer aval do Parlamento Europeu e ratificação pelos parlamentos nacionais. Apesar do avanço recente, o Parlamento Europeu decidiu suspender a tramitação. O texto foi encaminhado ao Tribunal de Justiça da União Europeia. A medida busca uma revisão de legalidade do acordo comercial.

Apesar da desaceleração, China atinge meta de crescimento econômico

Na China, o PIB cresceu 4,5% no 4º trimestre de 2025, ligeiramente acima do esperado, mas ainda marcando o ritmo mais fraco em três anos. Com esse resultado, o PIB acumulou alta de 5% em 2025, exatamente em linha com a meta definida por Pequim. As autoridades chinesas sinalizam que devem manter a meta de 5% em 2026, apesar das tensões comerciais persistentes com os Estados Unidos, da recuperação doméstica ainda frágil e dos desafios prolongados no setor imobiliário, que segue como um dos principais entraves ao crescimento.

Apesar da desaceleração, o banco central manteve as taxas de empréstimo em 3,0% (1 ano) e 3,5% (5 anos), completando oito decisões consecutivas de estabilidade. A decisão reflete a estratégia de priorizar estímulos direcionados, em vez de um estímulo monetário amplo. Nesse sentido, o Banco Popular da China reduziu os juros de instrumentos estruturais e ampliou programas de crédito direcionado, com foco em pequenas empresas, setor agrícola, inovação tecnológica e no mercado imobiliário comercial. Ainda assim, a demanda por crédito permaneceu fraca, com novos empréstimos atingindo o menor nível em sete anos em 2025.

Enquanto isso, no Brasil…

Tarcísio confirma pré-candidatura ao governo de São Paulo

Tarcísio Gomes de Freitas, governador de São Paulo, confirmou que será pré-candidato à reeleição ao governo estadual. Ainda, reiterou que trabalha por uma direita unida e é leal ao ex-presidente Bolsonaro.

Fernando Haddad defende que Banco Central assuma função de fiscalizar fundos de investimento

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defendeu transferir a regulação e a fiscalização dos fundos de investimento da CVM para o Banco Central, em proposta apresentada ao governo após as revelações do caso Master. Segundo ele, o BC deveria “ampliar seu perímetro regulatório” dada a intersecção entre fundos e o sistema financeiro. A mudança exigiria lei aprovada pelo Congresso e está sendo discutida com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e a Advocacia-Geral da União. O debate ocorre em meio às investigações da Polícia Federal sobre o uso de fundos em fraudes ligadas ao Banco Master, que levaram a liquidações e reforçaram a pressão por ajustes regulatórios.

Arrecadação federal desacelera em 2025

A arrecadação federal atingiu R$ 2.886,7 bilhões em 2025, com crescimento real de 3,7%, desacelerando frente ao avanço de 9,6% observado em 2024. No acumulado de 2025, o crescimento da arrecadação foi liderado pelas contribuições previdenciárias (3,3% A/A), pelo PIS/Cofins (3,0% A/A) e pelo IOF (20,5% A/A).

Esperamos uma redução gradual do ritmo de crescimento da arrecadação, em linha com a moderação da atividade econômica e a desaceleração da inflação. Para 2026, esperamos que a arrecadação continue crescendo acima do PIB, apoiada nas medidas recentes de elevação de receitas, como a limitação da compensação tributária, o aumento da tributação sobre juros sobre capital próprio e a redução das renúncias fiscais. Projetamos arrecadação federal de R$ 3.082,3 bilhões em 2026, equivalente a um crescimento real de 2,8%. Ainda assim, esse montante não é suficiente para o cumprimento da meta de resultado primário do governo central, o que torna necessária a obtenção de receitas extraordinárias, como leilões de petróleo e dividendos de empresas estatais.

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Destaques da próxima semana   

No cenário internacional, o destaque será a decisão de taxa de juros pelo banco central dos Estados Unidos (Fed) – o mercado antecipa estabilidade entre 3,50% e 3,75%. Na China, haverá a publicação dos PMIs de serviços e da indústria – sondagens com empresas que visam medir o pulso da atividade econômica.

No Brasil, todas as atenções estarão voltadas para o Copom – Comitê de Política Monetária do Banco Central. A expectativa é de manutenção da taxa Selic em 15,00%, mas o mercado buscará pistas sobre o início do ciclo de cortes de juros. Além disso, o IBGE divulgará o IPCA-15 de janeiro, que trará itens relevantes que se repetem ao longo do ano, como a taxa de emplacamento e licenciamento (IPVA). Por fim, o Banco Central publicará as estatísticas do setor externo, de crédito e fiscais. Veja nossas projeções abaixo.

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