Debênture Engie Brasil Energia – JUL/2023

Debênture Engie Brasil Energia – JUL/2023

  • Vencimento 15/07/2023
  • Rentab. -
  • Liquidez -
  • Juros -
  • Rating AAA(bra)
  • Risco (0 - 100) 2 Risco Baixo

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  • Preço Unitário R$ 1.000,00

Análise do Emissor

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A Engie é a maior geradora privada de energia elétrica do Brasil. São 10,2 GW de capacidade instalada, composta por 61 usinas, o que representa 6,3% da produção nacional. No ano de 2020, a empresa registrou avanço de 25,0% na receita líquida para R$ 12,3 bilhões e 25,7% no EBITDA para R$ 6,5 bilhões. A expansão foi direcionada pela recente aquisição da Transportadora Associada de Gás (TAG) da Petrobras e da repactuação do risco hidrológico. A alavancagem (Dívida Líquida/EBITDA), encerrou o exercício em 1,8x, confortavelmente abaixo de seu covenant mais restritivo de endividamento, de 3,5x.

Destaques positivos

  • Maior geradora privada de energia elétrica no Brasil.
  • Setor perene e de alta previsibilidade de receita.
  • Ótima estratégia de comercialização de energia.
  • Recente diversificação de negócios, com entrada no segmento de transmissão e transporte de gás.

Pontos de atenção

  • Sujeita a riscos regulatórios.
  • Sujeita a riscos hidrológicos.
  • Risco de menores preços de energia no longo prazo para futuros contratos.
  • Crescimento da concorrência no mercado de consumidores livres.

Quem é a Engie?

História

O início das operações da Engie data-se de 1994 com a criação da Nacional Energética pelo Banco Nacional para a realização das obras da Usina Serra da Mesa, no Rio Tocantins. No ano seguinte, a companhia forma uma parceria público-privada (PPP) com a Furnas Centrais Elétricas para a conclusão das obras.

Em sequência, a Tractebel Electricty and Gas International, braço internacional da belga Tractebel, aterrissa no Brasil, formando a Tractebel Brasil Ltda. Mais tarde, a Tractebel incorpora a Nacional Energética.

Em 1998, a Tractebel adquire a concessão da Usina Hidrelétrica Cana Brava, no Rio Tocantins, com 450 MW. No mês de setembro, a companhia venceu o leilão de privatização da Gerasul (geradora de energia da Eletrobras na região sul), com capacidade instalada de 3.719 MW, além de duas usinas hidrelétricas em construção.

O contexto de crise energética de 2001, fenômeno também conhecida como “Apagão”, dado o risco iminente de corte de energia elétrica no Brasil, possibilitou que a Tractebel colocasse em operação a Usina Termelétrica William Arjona (MS), que havia sido recém-adquirida. A usina se tornou a primeira a usar gás natural do Gasoduto Bolívia Brasil.

No ano de 2002, a Tractebel realizou o primeiro leilão de venda de energia elétrica no país. No mesmo ano, vence em consórcio o leilão de concessão da Hidrelétrica Estreito, no Rio Tocantins. Já em 2003, as operações da Unidade de Cogeração Lages (SC) são iniciadas, sendo a primeira usina a ser registrada pela companhia no Mecanismo de Desenvolvimento Limpo da ONU.

Em 2004, a Tractebel consolida sua participação no mercado livre de fornecimento de energia elétrica.

A abertura de capital na Bolsa de Valores de São Paulo ocorreu em 2005, sendo listada no Novo Mercado.

A Tractebel International foi renomeada em 2008 para SUEZ, e em sequência, realizou fusão com a estatal francesa Gaz de France, formando o grupo GDF SUEZ.

A alteração da razão social do braço nacional da companhia ocorreu em 2016, após a entrada da inglesa International Power na GDF SUEZ. A companhia tornou-se Engie Brasil Energias S.A.

Ainda em 2016, a Engie Brasil entrou no mercado fotovoltaico, no nicho de Geração Fotovoltaica Distribuída.

Através da aquisição da Transportadora Associada de Gás (TAG) da Petrobras em 2019, a Engie Brasil entra no segmento de transporte de gás natural.

Atuação

A Engie é a maior geradora privada de energia elétrica do Brasil. São 10,2 GW de capacidade instalada, composta por 61 usinas, representando 6,3% da produção nacional.

Cerca de 90% da energia é gerada a partir de fontes renováveis, sendo a produção predominantemente hidrelétrica (73,4% do total produzido). Do lado de geração, a companhia também atua por meio de termelétricas, assim como gás natural.

Por meio de seu parque gerador, a Engie comercializa energia pelo mercado regulado e pelo mercado livre.

Mercado regulado: a venda de energia é realizada diretamente para as distribuidoras por meio de leilões públicos regulados pela Aneel, conhecidos como leilões regulados.

Mercado livre: os contratos de venda, com seus respectivos preços, garantias, condições de pagamento e prazos de entrega são formalizados e estruturados diretamente com empresas e indústrias.

Nos últimos anos a companhia adentrou gradativamente no segmento de transmissão e gás, o que tem sido interessante para diversificar suas operações. A aquisição da TAG, em 2019, permitiu que a Engie entrasse no setor de transporte de gás natural, contando com a mais extensa malha de transporte de gás natural do país, com 4.500 km.

Presença

Fonte: XP Investimentos, Engie.

Quem são seus acionistas?

Engie Brasil Participações Ltda (68,7%): acionista controladora, é a subsidiária brasileira da multinacional francesa Engie, que atua em 70 países.

Banco Clássico S.A. (9,9%): banco de investimento fundado em 1987 com sede no Rio de Janeiro. Possui participação relevante em grandes empresas brasileiras, como Petrobras e Cemig.

Outros (21,4%).

A Engie Brasil é listada no segmento Novo Mercado da B3, apenas com ações ordinárias (EGIE3). A companhia é reconhecida pelo seu excelente histórico de governança corporativa, adotando a maioria das práticas previstas no Código Brasileiro de Governança Corporativa.

Principais fatores do crédito

Para melhor entendimento, esclarecemos que a nomenclatura “4T20” significa “quarto trimestre de 2020”. Suas variações também se aplicam (ex: 3T20 seria o terceiro trimestre de 2020).

Fonte: XP Investimentos, Engie.

Cenário atual

A aquisição de participação na TAG em 2019 marcou uma nova fase para a companhia, que busca diversificar suas operações. É esperado que, com isso, a Engie Brasil intensifique suas atividades no setor, por meio do desenvolvimento de termelétricas a gás natural, por exemplo.

Além disso, também é destaque a sanção da Lei 14.052/2020, que dá tratamento aos débitos do risco hidrológico, reconhecendo o direito de compensação às geradoras após as externalidades que agravaram o setor nos últimos anos. Como consequência, a Engie embolsou R$ 967,7 milhões no quarto trimestre.

Apesar das medidas de restrições impostas pela pandemia da covid-19, a empresa planeja a entrada em operação comercial de três projetos em 2021, conforme seu cronograma original: o Conjunto Eólico Campo Largo II, localizado na Bahia; o Sistema de Transmissão Novo Estado, na Região Norte; e o Sistema de Transmissão Gralha Azul, no Paraná.

Em relação ao último projeto, os pedidos de Suspensão de Liminar e de Sentença, que paralisaram parte das obras em 2020, foram deferidos.

Destaques operacionais

A Engie Brasil reportou produção de energia de 4.628 MW médios no 4T20, resultado 10,7% inferior ao registrado no mesmo período do ano anterior. A redução da geração total se deve, principalmente, às condições hidrológicas menos favoráveis, que impactaram o desempenho das usinas hidrelétricas. A geração hidrelétrica representou 70% da geração total no trimestre.

Já no ano de 2020, houve redução de 20,4% na produção de energia, para 4.003 MW médios, como consequência da pandemia da covid-19. A venda de energia, na mesma janela, caiu 1,3%, para 4.485 MW médios.

Destaques financeiros

Receita líquida e EBITDA

A receita operacional líquida registrada pela Engie em 2020 foi de R$ 12,3 bilhões, expansão de 25,0% em comparação com os R$ 9,8 bilhões registrados em 2019. A expansão é decorrente da compensação do risco hidrológico, da contribuição da TAG e do segmento de transmissão.

Os R$ 6,5 bilhões de EBITDA registrados no exercício representaram avanço de R$ 25,7% em relação a 2019. A margem EBITDA no intervalo foi de 52,9%.  

Endividamento e alavancagem

Ao fim de 2020, a Engie Brasil possuía R$ 16,7 bilhões em endividamento bruto, aumento de 15,5% em comparação ao saldo de dezembro de 2019. O avanço, em sua maior parte, foi direcionado por saques junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), captação de empréstimos e emissão de debêntures.

Já a dívida líquida encerrou o exercício em R$ 11,8 bilhões. O caixa fechou em R$ 5,46 bilhões,  suficientes para o cumprimento do cronograma de amortização de dívidas até meados de 2023.

Como resultado, a alavancagem medida pelo indicador Dívida Líquida/EBITDA, encerrou o ano em 1,8x, 15,6% inferior ao saldo do fim de 2019 e confortavelmente abaixo do covenant mais restritivo de endividamento, de 3,5x.

Apesar de historicamente a Engie ter operado em níveis relativamente baixos de alavancagem, a companhia vem elevando esse nível nos últimos anos por conta de financiamento de seus investimentos.

De todo modo, o indicador de alavancagem da Engie ainda é baixo em comparação com outras empresas do setor, que operam normalmente mais alavancadas, dada a perenidade dos ativos e a previsibilidade das receitas.

Pontos de atenção

Sujeita a riscos regulatórios

O serviço público de energia no Brasil é regido pela Aneel, que possui as funções de regulação, fiscalização, mediação e definição de tarifas, para garantir o equilíbrio do mercado. Logo, alterações nas legislações e portarias já existentes, podem impactar o fluxo de caixa das companhias elétricas. Como exemplo, é possível citar as atuais discussões de reforma tributária ou da reforma do setor elétrico (Projeto de Lei do Senado nº 232/2016).

Sujeita a riscos hidrológicos

Na frente de geração de energia, as hidrelétricas dependem da água das chuvas e força da água dos rios para operarem normalmente. Quando a sazonalidade climática não é favorável, ou as turbinas não passam por manutenção adequada, a usina pode gerar abaixo de suas garantias físicas.

As atuais regulamentações apontam que os contratos de fornecimento de energia devem ser cumpridos, independentemente de a geração da empresa ser ou não suficiente. Logo, caso uma usina hidrelétrica gere energia abaixo de suas garantias, ela deve comprar energia no mercado spot para honrar os contratos, o que pode penalizar a empresa caso os preços praticados naquele momento sejam mais elevados do que aqueles de seus contratos.

Risco de menores preços de energia no longo prazo para futuros contratos

Conforme mencionado anteriormente, a Engie Brasil atua por meio de duas frentes: mercado regulado e mercado livre.

No campo de mercado regulado ocorre a comercialização de energia entre distribuidoras e geradoras, através de contratos de longo prazo com preços fixados, por meio de leilões regulados. Os leilões no país são organizados pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). Ao contrário do modelo tradicional de leilões, no setor de energia no Brasil, vencem os participantes que aceitam receber o menor preço pela energia vendida.

Portanto, em um cenário de preços de energia mais baixos no longo prazo para futuros contratos, o potencial de geração de caixa da companhia seria impactado negativamente.

Crescimento da concorrência no segmento de consumidores livres

Como o mercado livre de energia é regido pela concorrência direta entre geradoras e comercializadoras, o cenário competitivo poderá dificultar o crescimento ou a renovação dos contratos existentes. Caso isso ocorra, as receitas da companhia poderão ser adversamente afetadas.

Veja mais

Fontes

Engie

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