Debênture Cemig GT – DEZ/2021

Debênture Cemig GT – DEZ/2021

  • Vencimento 23/12/2021
  • Rentab. -
  • Liquidez -
  • Juros -
  • Rating -
  • Risco (0 - 100) - Risco Indisponível

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  • Preço Unitário R$ 10.000,00

Análise do Emissor

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A Cemig é garantidora das dívidas da Cemig Distribuição S.A. Portanto, ao avaliar o risco de crédito da subsidiária, o ideal é fazê-lo através da análise de risco consolidado da Cemig.

Destaques positivos

  • Uma das maiores distribuidoras de energia do Brasil.
  • Diversificação de segmentos.
  • Boas métricas operacionais (DEC e FEC).
  • Melhora recente na gestão.

Pontos de atenção

  • Sujeita a riscos regulatórios e políticos.
  • Exposta a risco hidrológico (geração).
  • Perdas ainda elevadas.
  • Alavancagem alta e lentidão na venda de ativos.
  • Controlador com saúde financeira frágil.

Quem é a Cemig?

História

A Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) foi fundada em 1952, então nomeada como Centrais Elétricas de Minas Gerais, pelo governador Juscelino Kubitschek, que visava dobrar a produção de energia em Minas durante a sua gestão. Sendo assim, a companhia se torna a primeira estatal de energia fundada no Brasil, em âmbito estadual.

As três primeiras usinas hidrelétricas da Cemig foram construídas entre os anos de 1955 e 1956: Tronqueiras, Itutinga e Salto Grande. Em 1960, a Cemig inicia operações de transmissão e distribuição.

Em sequência, a expansão da Cemig é intensificada por meio da incorporação de companhias regionais e municipais, aumentando sua base de clientes dentro do estado de Minas Gerais.

Em 1969, se torna uma empresa de economia mista, ao capitalizar-se através da participação de pequenos acionistas nas cidades onde iria atuar.

No ano de 1973, a Cemig incorpora a Companhia Força e Luz de Minas Gerais e assume a distribuição de energia em Belo Horizonte. Sua maior hidrelétrica, São Simão, é inaugurada em 1978.

A Cemig torna-se Companhia Energética de Minas Gerais em 1984, refletindo a abertura da sua atuação em múltiplas fontes de energia. Em 1986, é incorporada a Companhia Geral de Eletricidade, presente no Sul de Minas, e é inaugurada a Gasmig, empresa dedicada a explorar, produzir, armazenar e distribuir gás natural e seus subprodutos e derivados, sob controle da Cemig.

As ações da empresa começam a ser negociadas na Bolsa de Nova York em meados dos anos 1990. Em 2002, a companhia é listada na Bolsa de Madri.

No ano de 2005, ocorre uma reestruturação corporativa da companhia e a Cemig é organizada como holding, com duas subsidiárias integrais: a Cemig Distribuição e a Cemig Geração e Transmissão.

Em 2006, a Cemig tornou-se controladora de 26,06% da Light Rio, ampliando sua participação no estado do Rio de Janeiro. No final da década de 2000, a Cemig adquire linhas de transmissão da italiana Terna no Brasil, que passam a formar a Transmissora Aliança de Energia Elétrica (Taesa).

No ano de 2017, a hidrelétrica de São Simão foi vendida para a estatal chinesa State Power Investment Corporation (SPIC) por R$ 7,2 bilhões.

Em julho de 2019, a Cemig reduziu sua participação na companhia elétrica Light, de 49,99% para 22,6%. A oferta negociou 33,33 milhões de papéis detidos pela Cemig, a R$ 18,75 por ação.

Atuação

A Cemig é considerada a maior empresa integrada do setor de energia elétrica do Brasil, com mais de 60 subsidiárias.

A companhia é um dos maiores grupos geradores no país, com capacidade instalada de 6,1 GW e 117 ativos (82 usinas hidrelétricas, 32 eólicas, 1 solar e 2 térmicas).

É também o maior grupo distribuidor do Brasil, com 568 mil km de linhas de distribuição, e a maior fornecedora de energia para clientes livres do país, com 25% do mercado. Em Minas Gerais, responde por 96% da área de concessão, com mais de 8 milhões de consumidores em 774 municípios.

Seus 8,2 km de linhas de transmissão fazem com que a companhia seja a segunda maior transmissora do país.

No campo de gás natural, a Cemig atua através da Gasmig (Companhia de Gás de Minas Gerais), a distribuidora exclusiva de gás natural canalizado em todo o território mineiro, atendendo aos segmentos industrial, residencial, comercial, gás natural comprimido (GNC), gás natural liquefeito (GNL), automotivo (GNV), e termelétrico.

Presença

A Cemig é responsável pelo atendimento de cerca de 33 milhões de pessoas em 805 municípios em Minas Gerais e Rio de Janeiro (incluindo a Light) e pela gestão da maior rede de distribuição de energia elétrica da América do Sul, com mais de 525.224 quilômetros de extensão.

Fonte: Cemig

Para melhor entendimento, esclarecemos que a nomenclatura “2T20” significa “segundo trimestre de 2020”. Suas variações também se aplicam (ex: 1T20 seria o primeiro trimestre de 2020). 

Principais fatores do crédito

Fonte: Cemig, XP Investimentos.

Cenário atual

Uma das principais discussões acerca da Cemig tem sido a possibilidade de privatização, especialmente com a eleição de Romeu Zema ao governo de MG, que tinha como uma de suas principais bandeiras de campanha a venda de empresas públicas, apontada como primordial para o equilíbrio fiscal de MG.

O estado, por sua vez, atravessa uma grave situação financeira, com projeção de déficit fiscal de R$ 6 bilhões em 2020 e R$ 17,3 bilhões no orçamento de 2021, segundo estimativas do próprio governo mineiro.

Porém, a dificuldade para a privatização da empresa reside na Constituição do Estado de Minas Gerais, que demanda a aprovação por 3/5 dos deputados da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, seguido de uma confirmação por referendo popular. Sendo assim, consideramos a privatização da Cemig bastante improvável, uma vez que a população do estado se mostra contrária à proposta..

Além desse contexto, as consequências econômicas da pandemia do covid-19 prejudicaram o desempenho das companhias elétricas no primeiro semestre de 2020, devido à queda de demanda de energia e ao aumento da inadimplência.

Visando reduzir o impacto dos efeitos financeiros da pandemia no segmento de distribuição de energia, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou a regulamentação de uma linha de crédito específica, denominada conta-covid, no último dia 23 de junho.

A ata de reunião do Conselho de Administração da empresa do dia 1º de julho aprovou a captação de recursos. No dia 9 de julho, a Aneel informou que o montante a ser destinado à Cemig D seria de R$ 1,4 bilhão, sendo que R$ 1,2 bilhão foi recebido em 31 de julho, e os R$ 217,8 milhões restantes serão repassados em 6 parcelas entre agosto de 2020 e janeiro de 2021.

Destaques operacionais

Em seu informe de resultados do 2T20, a Cemig afirmou que a pandemia teve grande impacto no volume de energia distribuída no trimestre: A energia faturada aos clientes cativos e a energia transportada para clientes livres e distribuidoras com acesso às redes da Cemig D totalizaram 10.526 GWh, queda de 6,0% em relação ao mesmo período de 2019.

Como consequência do período de isolamento social, o consumo residencial teve um acréscimo de 4,3% frente ao mesmo período de 2019. Por outro lado, todas as outras classes foram impactadas pela pandemia e pela restrição de funcionamento de estabelecimentos.

A energia distribuída para os clientes industriais no 2T20 teve redução de 6,5% em relação ao mesmo período do ano anterior. A energia distribuída para a classe comercial apresentou redução de 21,4% frente ao 2T19. Enquanto isso, o segmento rural sofreu menor impacto que outras classes, com redução de 1,8%.

A Cemig GT reportou expansão na energia faturada de 5,4% em relação ao 2T19. Embora os clientes industriais tenham tido variação anual negativa de 18,87% no consumo, o resultado geral positivo foi devido à pela expansão de 51,69% nos contratos livres. O aumento nas vendas no Ambiente de Contrato Livre (ACL) pode ser explicado pelo maior volume de vendas de curto prazo para comercializadoras e menor destinação de energia para liquidação na CCEE.

Destaques financeiros

Rentabilidade

O EBITDA ajustado da Cemig no trimestre foi de R$ 921,4 milhões, redução de 11,3% em comparação com o 2T19, ao passo que a margem EBITDA passou de 19,02% para 17,10% no período.

Ao analisarmos os últimos 12 meses, a receita líquida acumulada pela companhia foi de R$ 24,45 bilhões, retração de 3,69% ante 2019. Enquanto isso, o EBITDA do mesmo período, ajustado para a exclusão de eventos não recorrentes, foi de R$ 3,4 bilhões – valor 22% inferior ao montante acumulado durante o ano de 2019.

Endividamento e alavancagem

No dia 30 de junho de 2020, a Cemig possuía uma dívida total de R$ 15,9 bilhões, o que representou uma expansão de 7,35% ante a posição de R$ 14,8 bilhões ao fim de 2019. A maior parte da dívida é de responsabilidade da Cemig GT, a qual possui 60% de participação no consolidado, enquanto a Cemig D representa 33% do total.

A expansão da dívida e a contração do EBITDA no trimestre foram responsáveis pelo aumento da alavancagem da Cemig, medida pela relação Dívida Líquida / EBITDA, que avançou de 3,08x ao fim do ano de 2019 para 3,3x em junho.

O incremento da dívida bruta teve como efeito a desvalorização cambial no período, dado que 52% da dívida da empresa é denominada em dólar. Não foram obtidos novos empréstimos no intervalo e foram amortizadas dívidas no total de R$ 1 bilhão.

Pontos de atenção

Riscos regulatórios e políticos

O serviço público de energia no Brasil é regido pela Aneel, que possui as funções de regulação, fiscalização, mediação e definição de tarifas, para garantir o equilíbrio do mercado. Logo, alterações nas legislações e portarias já existentes, podem impactar o fluxo de caixa das companhias elétricas. Como exemplo, é possível citar as atuais discussões de reforma tributária ou da reforma do setor elétrico (Projeto de Lei do Senado nº 232/2016).

Dentre os três principais segmentos do setor de energia elétrica (geração, transmissão e distribuição), os serviços de distribuição estão mais expostos aos riscos, já que as tarifas dos projetos de geração e transmissão já são acordadas nos leilões, ao passo em que as audiências de revisões tarifárias das distribuidoras ocorrem a cada cinco anos em geral.

O controlador da Cemig é o estado de Minas Gerais, ente público portanto, o que abre espaço para o risco de ingerência política, como tomada de decisões a despeito da lucratividade da empresa, como a entrada em leilões pouco atrativos e a execução de negócios deficitários.

Exposta a risco hidrológico

Na frente de geração de energia, as hidrelétricas dependem da água das chuvas e força da água dos rios para operarem normalmente. Quando a sazonalidade climática não é favorável, ou as turbinas não passam por manutenção adequada, a usina pode gerar abaixo de suas garantias físicas.

As atuais regulamentações apontam que os contratos de fornecimento de energia devem ser cumpridos, independentemente da geração da empresa ser ou não suficiente. Logo, caso uma usina hidrelétrica gere energia abaixo de suas garantias, ela deve comprar energia no mercado spot para honrar os contratos, o que pode penalizar a empresa caso os preços praticados naquele momento sejam mais elevados do que aqueles de seus contratos.

Perdas ainda elevadas

No segmento de distribuição, as perdas se referem à energia elétrica recebida pelas redes de distribuição que não são comercializadas, podendo ser técnicas – parte da energia dissipada no processo de transporte, em decorrência das leis da física – ou não técnicas – as quais possuem origem nos furtos, fraudes, erros de leitura, medição e faturamento.

As perdas reais da distribuidora não são repassadas para a tarifa de energia em sua totalidade, visto que a Aneel estipula um limite regulatório para os níveis de perdas, que são analisados durante as audiências de revisões tarifárias das distribuidoras, para cada distribuidora. No caso da Cemig D, as perdas de energia encontram-se constantemente acima do limite regulatório da Aneel, o que pode pressionar a rentabilidade da empresa.

Alavancagem alta e lentidão na venda de ativos

A alavancagem da empresa, situa-se constantemente em patamar superior a 3x. Com o intuito de reduzir o peso de sua dívida no balanço, a Cemig anunciou em seu Investor Day de 2019 um robusto programa de desinvestimentos, mirando participações em subsidiárias e controladas de transmissão e de geração, ativos eólicos e pequenas hidrelétricas, além de empresas de gás.

Apesar das intenções, a companhia não anunciou operações relevantes nos últimos trimestres e tal atraso limita a capacidade de geração de caixa oriunda dessas vendas pra pagamento de dívida.

Controlador com saúde financeira frágil

Conforme mencionado anteriormente, o Governo de Minas Gerais atravessa uma situação de calamidade financeira. Em cenários de estresse, um controlador pode exigir que a empresa controlada transfira recursos, como juros sobre capital próprio ou dividendos, o que fragilizaria a flexibilidade financeira da própria companhia.

Na ponta contrária, um controlador com saúde financeira frágil ficaria impossibilitado de prestar socorro para a controlada em um caso de necessidade.

Saiba nossa visão sobre os impactos do covid-19 sobre os setores e empresas

Veja mais

Fontes

Aneel

Cemig

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