CRA Klabin – JUN/2029

CRA Klabin – JUN/2029

  • Vencimento 15/06/2029
  • Rentab. -
  • Liquidez -
  • Juros -
  • Rating AAA(bra)
  • Risco (0 - 100) 24 Risco Médio

    A nova pontuação de risco leva em consideração critérios de risco, mercado e liquidez. Para saber mais, clique aqui.

  • Preço Unitário R$ 1.000,00

Análise do Emissor

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A Klabin é a maior produtora e exportadora de papéis para embalagens do Brasil. Além disso, atua na comercialização de madeira em toras e fornece três diferentes tipos de celulose: fibra curta, fibra longa e fluff. O contexto internacional segue desfavorável para o setor de celulose, dado que a cotação da commodity continua abaixo do custo marginal de produção e da média histórica. Contudo, a recente aceleração do comércio eletrônico, grande consumidor de embalagens de papel, e a desvalorização cambial, beneficiaram as operações da empresa, que apresentou crescimento de 7% no volume total de vendas em 2020 ante 2019. Como consequência, o EBITDA ajustado avançou 14% no mesmo período, para R$ 4,9 bilhões. A dívida líquida/EBITDA foi de 4,6x ao fim de 2020 – não há covenants financeiros.

Destaques positivos

  • Líder de mercado no setor brasileiro de embalagens.
  • Operação geograficamente diversificada.
  • Estrutura verticalizada.

Pontos de atenção

  • Exposição à ciclicidade da indústria.
  • Exposição cambial.

Quem é a Klabin?

História

O início do Grupo Klabin remete a 1889, com a chegada da Família Klabin à capital paulista. Após o desembarque, Maurício Freeman Klabin cria a M.F. Klabin e Irmão em 1990, empresa de tipografia.

Dez anos depois da chegada de Maurício, ele e seus irmãos Salomão e Hessel, mais seu cunhado Miguel Lafer, fundam a Klabin Irmãos e Cia. (KIC) ao incorporar a antiga tipografia a novos negócios: um braço de importação de artigos de escritório, loja e oficina de fabricação.

Em 1902, ao arrendar a Fábrica de Papel Paulista, em Vila do Salto de Itú, a KIC inicia as atividades de produção de papel. Com o fim do contrato de arrendamento em 1907, a companhia decide por constituir sua primeira fábrica própria em 1909.

Na década de 1930, a empresa passa a ser administrada pela segunda geração da família (Maurício faleceu em 1923). Nesse período, houve a compra da Fazenda Monte Alegre no Paraná em 1934 e em 1941 a Indústria Klabin de Papel e Celulose S.A é constituída.

Com a ascensão de Getúlio Vargas e a implantação de políticas desenvolvimentistas, a Indústria Klabin é impulsionada, se tornando uma das principais companhias produtoras de papel e celulose do território brasileiro.

Em 1952, o grupo começa a produzir papelão ondulado por meio da Companhia Fabricadora de Papel. Dado o sucesso do segmento, é criada a Unidade de Del Castilho, no Rio de Janeiro.

Na década de 1960, a Klabin identificou uma oportunidade para intensificar a produção de papel jornal, dado que a produção de papel imprensa doméstica supria apenas um terço do mercado nacional. Sendo assim, foram constituídas nesse intervalo a fábrica Papel e Celulose Catarinense, a Unidade de Vila Anastácio e a Papelão Ondulado do Nordeste (PONSA).

A expansão do conglomerado direcionou a adoção de uma profissionalização administrativa, como a criação de uma holding para cada família, visando determinar um integrante para representá-los no conselho de administração, e a abertura de capital na Bolsa de Valores de São Paulo em 1979.

Ao adquirir a Companhia de Papeis em 1990, o grupo se torna o maior produtor de papeis sanitários do Brasil. Em sequência, a instalação da unidade fabril da Celucat no Parque Industrial Pilar, na Argentina, permite à companhia ampliar suas atividades na produção de papel kraft, envelopes e sacos na América Latina.

Em 1998, se torna a primeira empresa do setor de papel e celulose das Américas a ter suas florestas certificadas pelo FSC® – Forest Stewardship Council® FSC-C022516.

Na virada do milênio, a companhia passa por uma reestruturação: é fundada a Klabin S.A. e a produção de papel jornal e papeis descartáveis é descontinuada, visando restringir suas atividades ao segmento de embalagens e relacionados.

Atuação

A Klabin é a maior produtora e exportadora de papéis para embalagens do Brasil. Sua atuação engloba a produção de papéis e cartões para embalagens, embalagens de papelão ondulado, sacos industriais, e a comercialização de madeira em toras. Além disso, a Klabin fornece três diferentes tipos de celulose: fibra curta, fibra longa e fluff.

A empresa conta com 258 mil hectares de florestas plantadas de pínus e eucalipto nos estados de Santa Catarina, Paraná e São Paulo, utilizados como fonte de matéria-prima para seus produtos.

A celulose de fibra longa é retirada de árvores coníferas, como por exemplo o pinus, tem comprimento entre dois e cinco milímetros e é utilizada na fabricação de papéis de maior resistência, como embalagens ou papel cartão.

Já a celulose de fibra curta, com 0,5 a dois milímetros de comprimento, é oriunda de árvores como eucalipto e acácia, sendo adequada para a produção de papéis de impressão, escrita e para fins sanitários.

A celulose do tipo fluff é utilizada, principalmente, nos segmentos de absorventes e fraldas descartáveis.

Presença

A empresa conta com 25 unidades industriais, das quais 24 são localizadas no Brasil, além de uma unidade na Argentina, no Parque Industrial Pilar. No exterior, a Klabin possui escritórios comerciais na Argentina, Estados Unidos e Áustria.

Dada a natureza das atividades, não há barreiras à exportação. Ou seja, a companhia pode exportar para qualquer país. No exercício de 2019, as exportações da empresa tiveram como destino 83 países.

Fonte: XP Investimentos, Klabin.

Quem são seus acionistas?

Os números abaixo entre parênteses são referentes à participação de cada acionista no total de ações com capital votante (ordinárias).

Klabin Irmãos e Cia. (45,4%): holding das famílias Klabin e Lafer, é controladora do Grupo Klabin e acionária da Klabin S.A.

BNDES Participações S.A. (4,0%): braço de investimentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O BNDESPar investe diretamente em empresas, através de compra de ações, títulos e participações societárias.

Grupo Monteiro Aranha (3,8%): holding de investimentos localizada no Rio de Janeiro. É de propriedade das famílias Monteiro de Carvalho e Sousa Aranha.

The Bank of New York Mellon Corporation (2,9%): companhia americana de serviços bancários e financeiros, sendo resultado da fusão do Bank of New York com a Mellon Corporation.

Blackrock, Inc (2,0%): maior gestora de recursos do mundo, com US$ 7,2 trilhões sob gestão. É sediada em Nova York, com escritórios espalhados ao redor do planeta.

Outros (41,9%).

Fatores ambientais, sociais e de governança (ESG)

Fonte: MSCI Inc.

A MSCI ESG Ratings avalia a empresa com nota BBB (os ratings variam de CCC à AAA, de pior para melhor), em que se situam 33% das 12 empresas do setor de embalagens sob a cobertura internacional da agência, com destaque positivo para a gestão de resíduos, dado que 72% da receita da Klabin é proveniente de produtos com pegada de carbono limitada.

Além disso, a segurança na utilização de produtos químicos também é ressaltada, com esforços robustos para minimizar os danos potenciais de substâncias químicas em relação aos pares no setor, assim como a eficiência hídrica, com esforços aplicados para a redução do uso de água.

Vale destacar: (i) o compromisso da Klabin com a sustentabilidade de suas operações, por meio da compra responsável de madeira e certificação FSC para a maioria de seus produtos; e (ii) o monitoramento da cadeia de suprimentos.

Do lado negativo, a agência cita a questão da governança, exemplificado por meio de falhas no controle de estoque  e a ausência de especialistas da indústria em seu comitê de auditoria.

No âmbito de corrupção e instabilidade, a companhia é penalizada pelas operações no Brasil, país classificado com moderado nível de corrupção e à ausência de programas específicos anticorrupção na relação com fornecedores.

Vale ressaltar que a avaliação é comparativa e leva em consideração empresas do setor de embalagens de diversos países diferentes.

Principais fatores do crédito

Para melhor entendimento, esclarecemos que a nomenclatura “4T20” significa “quarto trimestre de 2020”. Suas variações também se aplicam (ex: 3T20 seria o terceiro trimestre de 2020).

Fonte: XP Investimentos, Klabin.

Cenário atual

Os preços da celulose aumentaram consideravelmente nos anos de 2017 e 2018 devido a interrupções na oferta e pela demanda sólida. No entanto, a demanda começou a desacelerar em 2019, em um cenário de tensões causadas pela guerra comercial entre Estados Unidos e China, e estocagem recorde dos produtores. Como consequência, as cotações da celulose caíram para níveis abaixo do custo marginal e permanecem inferiores à média histórica desde então.

No tocante à Klabin, embora a crise da covid-19 tenha afetado, em maior ou menor grau, todos os setores da economia em 2020, as vendas da empresa se mostraram resilientes nesse contexto de incertezas.

As medidas de restrição adotadas em resposta à pandemia aceleraram a participação de mercado dos canais de comércio digitais, o que impactou positivamente o volume de vendas de embalagens de papéis. Além disso, o fornecimento de pacotes para os segmentos de primeira necessidade, como higiene pessoal e alimentos e bebidas, auxiliou a estabilização dos volumes de vendas da empresa.

Como exemplo, é possível citar a expansão de 6% na expedição de caixas de papelão ondulado em 2020 em comparação com o mesmo período de 2019, de acordo com a Empapel, antiga Associação Brasileira de Papelão Ondulado (ABPO).

Além disso, destaca-se o movimento de recuperação dos setores mais impactados pela pandemia a partir do 3T20, como materiais de construção, o que impulsionou a venda de sacos industriais da companhia. Nesse sentido, dados do Sindicato Nacional da Indústria de Cimento (SNIC) revelam aumento de 11% no consumo de cimento no país em 2020.

Destaques operacionais

O volume de vendas no 4T20 (excluindo madeira) atingiu 942 mil toneladas, crescimento de 2% em relação ao mesmo período do ano anterior. O indicador no trimestre foi alavancado pelo adicional de 74 mil toneladas das fábricas adquiridas da International Paper. O crescimento se deu mesmo com a queda de 15% no volume de vendas da fábrica de celulose da empresa, ocasionada pela menor disponibilidade de fibras devido à parada programada de manutenção em dezembro.

Enquanto isso, o volume total de vendas no ano avançou 7,0% em comparação com 2019, para 3,6 milhões de toneladas. A produção de celulose permaneceu estável nessa janela.

O custo-caixa unitário de produção de celulose, que contempla os custos de produção das fibras curta, long e fluff, no 4T20 foi de R$ 755/t, aumento de 10% em relação ao mesmo período de 2019 e 1% inferior ao 3T20. A companhia afirma que a expansão dos custos de produção é resultado da realização de intervenções para manutenção, menor geração e venda de energia e do aumento do custo com produtos químicos.

Destaques financeiros

Receita líquida e EBITDA

A Klabin reportou receita líquida de R$ 3,3 bilhões no 4T20, montante 22% superior ao apurado no mesmo trimestre de 2019, explicado pelo aumento do volume de vendas, elevação dos preços da celulose e a desvalorização cambial. O valor representou recorde histórico para a empresa em um trimestre.

Vale lembrar que a desvalorização do real frente ao dólar torna o preço das embalagens da Klabin mais competitivo nos mercados internacionais.

No acumulado do ano, a companhia gerou receita líquida de R$ 11,9 bilhões, crescimento de 16% em comparação com o registrado no exercício de 2019.

Por fim, o EBITDA ajustado para o trimestre foi de R$ 1,3 bilhão, aumento de 6% em comparação com o registrado no 4T19. Para o ano, a métrica atingiu R$ 4,9 bilhões, alta de 14% frente 2019 – margem de 41%.

Endividamento e alavancagem

O endividamento bruto da Klabin fechou 2020 em R$ 26,3 bilhões, aumento de 9,35% em relação ao observado ao fim de 2019. O movimento é explicado em maior parte pela variação cambial, dado que 79% do endividamento atual da companhia foi contraído em moeda estrangeira.

Apesar da dolarização do endividamento, é importante lembrar que a receita da Klabin também possui alta exposição ao dólar, sendo este hedge natural um mitigante para os efeitos da variação cambial – ou seja, ao mesmo tempo em que parte da dívida varia com o câmbio, uma parcela da sua geração de caixa também.

Já a dívida líquida avançou 37,8% no mesmo intervalo, de R$ 14,3 bilhões para R$ 19,8 bilhões, impulsionado pela menor posição de caixa ao fim do exercício.

A alavancagem (dívida líquida/EBITDA) também registrou expansão no mesmo intervalo, de 3,3x ao fim de 2019 para 4,6x ao fim do 4T20. Não há covenants financeiros.

Quanto ao cronograma de endividamento, a Klabin possui R$ 6,6 bilhões em disponibilidades, montante suficiente para suportar os vencimentos de dívidas até meados de 2025.

O prazo médio dos financiamentos da companhia ao fim de dezembro era de 9,7 anos.

Pontos de atenção

Exposição à ciclicidade da indústria

A demanda pela celulose da Klabin é dependente do cenário econômico. Um declínio contínuo no nível de atividade poderá afetar negativamente a demanda e o preço dos produtos da empresa, prejudicando sua rentabilidade.

Como exemplo dessa característica, é possível citar o cenário atual com volume de vendas recorde e cotações da celulose pressionada. Além disso, o arrefecimento da economia brasileira poderia impactar a demanda por embalagens, impulsionada recentemente pelo desempenho do e-commerce.

Exposição cambial

Dado que grande parte da operação da Klabin é dolarizada (41% da receita líquida de 2020 foi advinda de outros países) e a formação do preço da celulose é realizada nos mercados internacionais, os investimentos da companhia em reais estão expostos ao risco de mercado, que remete ao risco da variação da cotação da moeda.

Nesse sentido, o operacional da empresa é beneficiado com o dólar em níveis mais elevados, o que é atenuado pelo alto endividamento em moeda estrangeira. Por outro lado, a valorização do real frente ao dólar pode tornar os preços dos produtos da Klabin menos atrativos nos mercados internacionais.

Veja também

Fonte

Klabin

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