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Eleições na Colômbia redesenham o mapa político para a disputa presidencial

A Colômbia realizou neste domingo (8) eleições legislativas e primárias presidenciais que redefinem a dinâmica da disputa pelo poder no país, lembrando que o país deve ainda realizar uma eleição presidencial com primeiro turno marcado para o dia 31 de maio. Com os resultados preliminares já publicados, a senadora Paloma Valencia, vencedora da primária da […]

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  • A Colômbia realizou neste domingo (8) eleições para renovar seu Congresso e primárias presidenciais, que ajudam a definir o cenário para a disputa presidencial de 31 de maio;
  • A senadora Paloma Valencia venceu a primária da coalizão de centro-direita Gran Consulta por Colômbia;
  • A candidata surge como alternativa no espaço da direita, redesenhando um cenário eleitoral  candidata numa corrida até então dominado por Iván Cepeda (esquerda) e Abelardo de la Espriella (direita).

A Colômbia realizou neste domingo (8) eleições legislativas e primárias presidenciais que redefinem a dinâmica da disputa pelo poder no país, lembrando que o país deve ainda realizar uma eleição presidencial com primeiro turno marcado para o dia 31 de maio. Com os resultados preliminares já publicados, a senadora Paloma Valencia, vencedora da primária da coalizão de centro-direita Gran Consulta por Colombia, se consolida como um nome de peso na corrida presidencial, adicionando um novo fator a uma disputa até então marcado por um cenário de polarização entre Iván Cepeda (Pacto Histórico), candidato de esquerda apoiado pelo presidente Gustavo Petro, e o candidato outsider de direita Abelardo de la Espriella.

O resultado pode contribuir para uma maior fragmentação do campo da direita no primeiro turno. Sinais desse movimento já começam a aparecer no mercado de apostas, onde a vitória de Valencia na consulta de centro-direita tem levado a ajustes nas probabilidades atribuídas aos principais candidatos. As dinâmicas eleitorais ainda devem evoluir ao longo das próximas semanas, e as campanhas permanecem atentas a possíveis mudanças no equilíbrio da disputa. Para Abelardo de la Espriella, que vinha consolidando espaço como principal nome da direita, o novo cenário impõe o desafio de preservar sua base de apoio diante da entrada de uma candidatura com maior capacidade de articulação partidária e estrutura política.

Além de projetar um novo nome no campo da direita, os resultados da votação deste domingo (8) também reforçam duas tendências já presentes na política colombiana. O Pacto Histórico, coalizão governista, confirma sua posição como principal força da esquerda. Ao mesmo tempo, os resultados parlamentares voltam a apontar para um Legislativo fragmentado, no qual nenhum partido deve alcançar maioria própria e os partidos de centro tendem novamente a desempenhar um papel decisivo como fiéis da balança.

As consultas (primárias)

Na Colômbia, as chamadas consultas interpartidárias funcionam como primárias abertas e voluntárias realizadas paralelamente às eleições parlamentares. Eleitores podem escolher participar de uma das consultas disponíveis para ajudar a definir o candidato presidencial de uma coalizão.

Neste domingo, cerca de 6,5 milhões de eleitores participaram dessas primárias — número inferior aos aproximadamente 12 milhões registrados nas consultas realizadas no ciclo eleitoral de 2022.

Dentro desse universo, o principal destaque foi a primária da coalizão de centro-direita Gran Consulta por Colombia. Com cerca de 87% dos votos apurados, a consulta mobilizou aproximadamente 5 milhões de eleitores, um nível de participação acima das expectativas.

A vencedora foi a senadora Paloma Valencia, do partido Centro Democrático, que obteve cerca de 46% dos votos. Ela superou um campo amplo de concorrentes que incluía Juan Daniel Oviedo, Juan Manuel Galán, Juan Carlos Pinzón, Vicky Dávila, Aníbal Gaviria Correa, Enrique Peñalosa, David Luna e Mauricio Cárdenas.

Além da vitória em si, o número de eleitores mobilizados pela consulta é relevante. Nas primárias de 2022, por exemplo, a coalizão de direita liderada por Federico Gutiérrez reuniu cerca de 3,9 milhões de votos, enquanto a consulta do Pacto Histórico de Gustavo Petro mobilizou aproximadamente 5,6 milhões. O resultado deste domingo sugere que a nova coalizão de centro-direita conseguiu ativar um eleitorado significativo, projetando Valencia como uma candidata mais competitiva na disputa presidencial do que esperado.

Esse movimento já aparece inclusive em mercados de apostas políticas. Após a divulgação dos resultados preliminares, a probabilidade implícita de vitória de Valencia praticamente dobrou na plataforma Polymarket, passando de cerca de 11% antes da votação para aproximadamente 20%. Ainda assim, ela permanece atrás de dois candidatos considerados favoritos: Iván Cepeda Castro, com cerca de 42%, e Abelardo de la Espriella, com aproximadamente 26%.

Outro aspecto relevante das consultas foi a forte concentração do eleitorado na primária da centro-direita. Aproximadamente 83% dos votos registrados nas consultas foram para a Gran Consulta por Colombia. As demais primárias registraram participação significativamente menor. A coalizão de centro-esquerda Frente por la Vida reuniu cerca de 509 mil eleitores e escolheu o ex-presidente do Senado Roy Barreras como candidato. Já a Consulta de las Soluciones, vencida pela ex-prefeita de Bogotá Claudia López, contou com aproximadamente 540 mil votos.

A baixa mobilização nessas consultas, combinada com o desempenho eleitoral do Pacto Histórico nas eleições legislativas, reforça a percepção de que o campo da esquerda tende a permanecer concentrado em torno da coalizão governista na disputa presidencial.

A eleição parlamentar

Paralelamente às primárias presidenciais, os colombianos também foram às urnas para renovar integralmente o Congresso Nacional, composto por 103 cadeiras no Senado e 183 na Câmara dos Representantes.

Os resultados preliminares apontam ao partido de esquerda do atual presidente Gustavo Petro, o Pacto Histórico, como a força política mais votada. A coalizão registra cerca de 22,9% dos votos para o Senado e aproximadamente 21% para a Câmara dos Representantes, números em linha com as projeções das pesquisas pré-eleitorais.

O Centro Democrático surge como o principal partido da direita tradicional, com cerca de 15% dos votos para o Senado nas apurações iniciais.

Ao mesmo tempo, partidos tradicionais continuam ocupando uma parcela relevante do sistema político colombiano. Partido Conservador Colombiano, Partido Liberal Colombiano e Partido de la U devem concentrar juntos aproximadamente 30% das cadeiras nas duas casas do Congresso.

No conjunto, os resultados confirmam uma característica persistente da política colombiana: a fragmentação partidária. Nenhuma força política deve controlar mais de um quarto das cadeiras do Congresso, o que significa que o próximo presidente inevitavelmente terá de construir coalizões multipartidárias para governar e aprovar reformas.

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