Eleições alemãs – o mapa eleitoral

Destaques Neste domingo (26), os alemães devem ir às urnas para eleger o sucessor de Angela Merkel, que pela primeira vez em 16 anos não disputa uma eleição no país. As pesquisas hoje apontam a liderança de moderados. Após oscilações, o tradicional partido de centro-esquerda SPD está na primeira colocação, seguido pelo conservador CDU/CSU, o […]


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Destaques

Neste domingo (26), os alemães devem ir às urnas para eleger o sucessor de Angela Merkel, que pela primeira vez em 16 anos não disputa uma eleição no país. As pesquisas hoje apontam a liderança de moderados. Após oscilações, o tradicional partido de centro-esquerda SPD está na primeira colocação, seguido pelo conservador CDU/CSU, o Partido Verde, e o liberal FDP na quarta colocação.

Apesar do SPD, e o seu candidato Olaf Scholz, serem os favoritos, a tendência é que nenhum dos partidos tenha maioria suficiente para governar sem formar coalizão com as outras siglas. Significa dizer que o 26 de setembro não dará ponto final na história de definição do próximo governo, mas sim o início de um processo que pode levar semanas ou meses.

Os quatro são partidos centristas, que não devem levar a grandes mudanças na política ou visão econômica do país. No entanto, a saída do CDU/CSU da liderança do governo pode implicar o início de uma tendência levemente mais expansionista na seara fiscal e de consolidação da integração econômica e política com a Europa, além de maior peso para a agenda ambiental da região.

O recente crescimento do SPD nas pesquisas amplia o risco da participação do partido Die Linke (A Esquerda) em uma coalizão do governo. Este partido defende uma agenda mais agressiva de tributação, maior gasto público e a diluição da OTAN. De todo modo, nosso cenário base não inclui a participação do partido no futuro governo alemão.

O que mostram as pesquisas

Após uma corrida mais sinuosa do que de costume, as pesquisas hoje mostram liderança do tradicional partido de centro-esquerda, SPD, seguido pelo partido de Angela Merkel, o CDU/CSU. O Partido Verde, de cunho ambientalista, que chegou a ocupar a primeira colocação na disputa, ocupa agora o terceiro posto. Um pouco mais para atrás, o liberal FDP ganha espaço na disputa, consolidando a quarta posição na corrida.

O sistema de coalizões

Devido a fragmentação da política alemã e normas do sistema parlamentarista, coalizões geralmente precisam ser formadas pelos partidos eleitos ao Bundestag, o Parlamento do país, para obter a maioria necessária para governar. Ou seja, não é apenas relevante observar que partido obtêm o maior número de votos na eleição, mas também o alinhamento dos blocos.

Em nossa consideração, as coalizões com maior chance de chegar ao governo são a coalizão ‘semáforo’ e ‘Alemanha’.

A coalizão ‘semáforo’ – referência às cores dos partidos SPD, Verdes e FDP – é considerada uma das mais prováveis alianças após a eleição, particularmente devido às existentes tensões entre o SPD e CDU após anos de aliança governista. O FDP, que tem menor apoio, pressionaria os Verdes por mais austeridade nos gastos – e vice-versa.

A coalizão ‘Alemanha’’ – referência as cores dos partidos CDU/CSU, SPD e FDP – teria chance de se materializar se o CDU tiver desempenho acima do esperado pelas pesquisas e pudesse chegar a acordo com o antigo aliado, SPD.

Outra possibilidade seria a ‘Jamaica’.  Poderia ser formada na hipótese de forte desempenho do CDU, seguido pelo Partido Verde, e desempenho mais fraco dos partidos de esquerda. O FDP, de cunho liberal, poderia se juntar ao CDU e Verdes se os partidos precisassem de mais números para formar maioria. No entanto, não esperamos que esse seja o caso devido ao crescimento do SPD nos últimos meses.

O risco à esquerda

Na discussão sobre coalizões, a possibilidade da participação do partido Die Linke (A Esquerda) ganhou alguma força com crescimento do SPD nas pesquisas. No entanto, parlamentares do partido indicam que Olaf Scholz não estaria estudando essa opção.

Diferentemente dos partidos na liderança, o Die Linke defende mudanças mais significativas na direção da política e economia do país. Entre algumas das suas propostas mais controversas, está a diluição da OTAN. O partido defende ainda tributação mais agressiva, especialmente dos mais ricos, regulação mais forte do mercado e maiores gastos para o combate da pobreza.

Vale ressaltar que tanto o SPD quanto o Partido Verde rejeitaram alianças com partidos que não rejeitam o OTAN. Portanto, uma aliança com o partido teria que contemplar certa suavização de sua agenda.

Conheça os partidos

Os partidos com maior apoio nas pesquisas são aqueles que hoje compõe o Bundestag (Parlamento). Confira abaixo a distribuição de assentos no Parlamento e alinhamento ideológico dos agrupamentos.

Bundestag

Resumo das propostas econômicas

Os principais candidatos


Armin Laschet
(CDU/CSU)

Olaf Scholz
(SPD)

Annalena Baerbock
(Partido Verde)
2021-
Líder do CDU

2017-
Primeiro-ministro de Renânia do Norte-Vestfália

2012 –
Líder do CDU em Renânia do Norte-Vestfália

2012-2021
Vice-líder do CDU

2005 -2010
Ministro do governo de Renânia do Norte-Vestfália

1999—2005
Membro do Parlamento Europeu

1994-1998
Representante no Bundestag
2018 –
Vice-Chenceler da Alemanhã
Ministro das Finanças

2009-2019
Vice-líder do Partido Social Democrata (SPD)

2011-2018
Prefeiro de Hamburg

2009-2018
Líder do SPD em Hamburg

2007-2009
Ministro do Trabalho

2005-2007
Whip do SPD no Bundenstag (Parlamento)

2002-2011
Representante pelo SPD no Bundenstag
2018-
Líder do Partido Verde (com Robert Habeck)

2013 –
Representante pelo Partido Verde no Bundenstag (Parlamento)


2009 – 2013
Líder do Partido Verde em Brandenburg


2005 –
Tornou-se membro do Partido Verde









O sistema eleitoral

A Alemanha é uma república federativa e tem sistema de governo parlamentarista no qual o chefe-de-governo, o chanceler, é eleito pelo Bundestag (Parlamento). 

1. Primeira votação parlamentar

O Parlamento alemão é eleito por voto direto e representação partidária. Em uma primeira votação, os eleitores votam por um candidato especifico para representar seu distrito eleitoral. No total são 299 distritos, ou seja, 299 representantes parlamentes são eleitos dessa forma. 

2. Segunda votação parlamentar

Em uma segunda votação, os eleitores escolhem um partido. Aqueles partidos que obtiverem 5% ou mais votos são eleitos ao Parlamento. Em teoria, outros 299 representantes seriam eleitos dessa forma, no entanto, para garantir que distribuição de partidos no Legislativo seja equivalente aos resultados da segunda votação, o número de assentos pode ser ampliado. 

Ou seja, o Bundenstag não um número fixo de vagas. No mínimo são 598 representantes, mas o número pode ser ampliado. O número recorde de representantes foi registrado em 2017, quando 709 parlamentares foram eleitos. 

3. Formação de coalizões 

Uma vez eleitos, os parlamentares elegem o chanceler por votação secreta. O candidato precisa de maioria absoluta para ser eleito, o que geralmente significa que seu partido tem que se aliar a outros e formar uma coalizão para somar os votos necessários

4. Eleição do chanceler 

Após a formação da coalizão, os partidos aliados usam sua maioria para eleger o chefe de governo. 

*O chanceler tem mais poderes que o presidente. O presidente indicado pelo partido, ou coalizão, com maior número de votos no Bundestag.

É por conta desse processo de coalizões que negociações continuarão nas semanas e meses a frente.

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