08/06, 19h30 | Mercado de bonds: um mundo muito maior que a Selic

A preocupação com o aumento da inflação nos Estados Unidos e seu impacto na política monetária americana e no início da retirada dos estímulos será o grande driver para as alocações em renda fixa nos próximos anos. Nesse cenário, Tony Crescenzi, vice-presidente executivo e gestor de portfólio da Pimco, uma das maiores gestoras do mundo com USD 2,16 trilhões sob gestão em março, e o head de gestão de portfólio global para renda fixa da Goldman Sachs Asset Management, Mike Swell, discutiram as oportunidades no mercado global de bônus. Veja a live e o confira os principais destaques do painel.

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Redução de estímulos não terá mesmo impacto que em 2013

A esperada redução dos programas de estímulos adotados pelos bancos centrais para apoiar a retomada da atividade econômica não deve gerar o mesmo impacto nos mercados como verificado em 2013, na visão dos gestores da Pimco e da Goldman Sachs.

Naquele momento, o banco central americano, Federal Reserve , anunciou a redução dos programa de flexibilização quantitativa, que consistia na compra de títulos para dar maior liquidez aos mercados, o que ficou conhecido como taper tantrum.

O aumento da inflação nos mercados globais tem alimentado a preocupação em relação à política de taxa de juros baixas, sobretudo nos Estados Unidos.

Para o vice-presidente da Pimco, o desembolso do pacote de USD 2 trilhões anunciado pelos Estados Unidos para incentivar a economia deve ser diluído ao longo do tempo. “As taxas de inflação devem alcançar o pico daqui alguns meses nos EUA, devemos passar os 3%, mas vemos um aumento potencial da produção que vai diminuir a pressão da inflação”, diz Crescenzi.

O head de gestão da Goldman Sachs lembra que o mais importante não são os picos de inflação, mas a expectativa de inflação para os próximos dois anos. “Vamos ver a inflação acelerar nos EUA e Europa, mas os bancos centrais vão querer mitigar”, diz Swell.

Mas, diferente de 2013, Crescenzi acredita que hoje a comunicação do Fed está muito melhor. “A gente pensa que hoje os mercados estão mais preparados, diferente de 2013, quando o Bernanke [Ben Bernanke ex-presidente do Fed] pegou as pessoas de surpresa”, diz Crescenzi.

O executivo da Pimco espera que o Fed pode começar a retirada do programa de estímulos de USD 230 bilhões  em dezembro ou janeiro de 2022 até o fim do ano que vem, e começar a subir os juros a partir da segunda metade 2023.

Essa retirada do dinheiro barato deve melhorar os retornos para os investidores no mercado de bônus, espera o executivo da Pimco.

Recuperação mais lenta da economia na Europa

Enquanto os Estados Unidos apresentam um forte crescimento econômico, na Europa essa retomada deve ser mais lenta, principalmente diante das divergências das economias regionais, afirma o gestor da Goldman. “Há desafios na região Sul da Europa, como na Espanha e em Portugal, e essas economia não vão ser levantadas por políticas fiscais e de curto prazo”, diz Swell.

Essas divergências também trazem oportunidades de investimento como no mercado de crédito corporativo, dívidas subordinadas, papéis de bancos como os “CoCo bonds (contingent convertible bonds) e na parte mais longa da curva de juros.

O vice-presidente da Pimco também vê oportunidade nos papéis bancários na Europa (Coco bonds). “Os bancos estão indo muito bem e é uma classe de ativos que tem bastante dinheiro”, diz.

Brasil deve se beneficiar da recuperação de emergentes

Apesar dos desafios de curto prazo em relação à situação da pandemia, que atrasou a recuperação econômica,  e das questões políticas, o gestor da Goldman vê os ativos brasileiros como atrativos quando olha para os títulos de dívida emitidos por empresas brasileiras em dólar e também os papéis soberanos emitidos pelo governo brasileiro. “Vamos ver uma melhora nos mercados emergentes e isso vai acontecer também com o Brasil. Vemos uma estabilização política na América Latina e isso traz atraentes oportunidades”, diz Swell.

O gestor afirma que os portfólios dos Estados Unidos têm comprado títulos de dívida brasileira em dólar dada a confiança na retomada das economias emergentes.

O vice-presidente da Pimco também vê as taxas de juros locais de mais curto prazo, até 2024, com prêmios atrativos.

Crescenzi destaca que os investidores de renda fixa também estão olhando para as questões de ESG – ligadas a fatores, sociais, ambientais e de governança – em seus investimentos.

Apesar da tendência de um dólar mais fraco, os gestores ainda preferem títulos de dívida emitidos na moeda americana, pois oferecem maior proteção para os portfólios geridos por eles.

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