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IFRS S1 e S2 na prática: Principais lições dos primeiros adotantes

Tudo sobre nossa reunião com as empresas que aderiram o IFRS S1 e S2

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Destaques da B3, Lojas Renner, JHSF e Irani sobre a jornada de implementação

As mensagens foram consistentes entre as empresas. Apesar das diferenças no nível de maturidade dos relatórios e nos cronogramas de publicação, as quatro empresas compartilharam experiências e desafios bastante semelhantes na implementação das normas IFRS S1 e S2, sugerindo que as principais lições aprendidas não são específicas de cada companhia, mas refletem, de forma mais ampla, a realidade da adoção dessas normas:

(i) Maior valor vem da integração. As empresas destacaram que um dos principais benefícios das normas IFRS S1 e S2 surgiu do próprio processo de implementação, que promoveu um maior alinhamento entre as equipes de sustentabilidade, riscos, finanças, contabilidade e estratégia. Na visão delas, as normas fortaleceram as estruturas de governança, aprimoraram a integração entre diferentes áreas e ajudaram a incorporar considerações de sustentabilidade na tomada de decisão estratégica e financeira.

(ii) Quantificação financeira continua sendo o principal desafio na implementação. As empresas apontaram a quantificação de riscos e oportunidades de sustentabilidade como um dos aspectos mais complexos da implementação. Entre os obstáculos comuns, destacam-se a escassez de dados, as dificuldades de atribuição, as exigências de validação externa e a necessidade de conciliar conceitos tradicionais de sustentabilidade com a abordagem de materialidade do ISSB, voltada para os investidores. Contudo, olhando para frente, as companhias observaram que a adoção crescente e o surgimento de referências setoriais (benchmarks) devem melhorar a comparabilidade e apoiar o aprimoramento contínuo de metodologias e modelos financeiros.

(iii) Adesão dos investidores ainda está em desenvolvimento. Ao discutir a percepção do mercado sobre os relatórios, as empresas observaram que o engajamento dos investidores permanece em um estágio inicial, abaixo das expectativas iniciais. Porém, ao mesmo tempo, existe o reconhecimento de que, assim como as próprias companhias, os investidores enfrentam uma curva de aprendizado para compreender as divulgações e incorporar essas informações em suas decisões de investimento. Espera-se que, com o tempo, uma maior familiaridade do mercado e um diálogo contínuo entre empresas e investidores favoreçam uma utilização mais ampla dessas divulgações.

Adoção voluntária se mantém, apesar da mudança de diretriz da CVM. Ao serem questionadas se a retirada da obrigatoriedade de adoção por parte da CVM afetaria os planos de seguir com a divulgação adiante, as empresas foram unânimes em ressaltar o valor das normas IFRS S1 e S2 para aumentar a transparência, reduzir assimetrias de informação e fortalecer a conexão entre questões de sustentabilidade e a tomada de decisão financeira. Nesse contexto, Renner, JHSF e Irani manifestaram a intenção de continuar divulgando as informações de forma voluntária, ao mesmo tempo em que a B3 indicou que sua abordagem para futuras divulgações permanece sujeita aos seus processos internos de governança.

Uma análise mais detalhada da implementação por cada uma das empresas. Nos quatro relatórios, os riscos climáticos físicos foram o tema mais recorrente, destacando-se a exposição a eventos climáticos extremos, como tempestades, inundações, ondas de calor, secas e incêndios florestais. No que diz respeito às oportunidades, as divulgações apontaram para a possibilidade de criação de valor a partir da transição para uma economia de baixo carbono, incluindo a demanda por produtos e serviços sustentáveis, bem como por soluções de gestão de energia e de carbono. Abaixo, apresentamos um resumo dos principais destaques de cada companhia.

A B3 publicou seu primeiro relatório alinhado às normas IFRS S1 e S2 em agosto de 2026, identificando como principais riscos: ataques cibernéticos e vazamentos de dados, impactos de eventos climáticos extremos em suas próprias operações e em fornecedores críticos, além de riscos associados à transição para uma economia de baixo carbono. A empresa também identificou duas oportunidades principais: a ampliação do acesso de investidores de varejo ao mercado de capitais e o crescimento das receitas provenientes de produtos e serviços relacionados à agenda ESG, incluindo a oferta de títulos temáticos. Embora nenhum desses temas tenha atingido o limiar de materialidade financeira definido pela B3, o exercício ajudou a esclarecer a exposição da companhia a riscos e oportunidades ao longo de diferentes horizontes temporais. Quanto aos desafios de implementação, dois se destacaram: (i) a gestão de múltiplas estruturas de reporte, uma vez que a B3 precisa continuar produzindo divulgações baseadas em impactos, exigidas por agências de classificação ESG e provedores de dados, ao mesmo tempo em que adota a abordagem de materialidade financeira do ISSB (focada em investidores), o que eleva a complexidade e os custos sem substituir as exigências preexistentes; e (ii) a disponibilidade e a atribuição limitada de dados, visto que, embora a empresa consiga monitorar eventos operacionais, como interrupções em data centers, ainda enfrenta dificuldades para vinculá-los a fatores climáticos específicos, o que reduz a precisão das avaliações financeiras. Segundo a B3, o engajamento dos investidores também tem sido modesto: apesar de um número relativamente expressivo de downloads do relatório, o retorno recebido de analistas e investidores permanece limitado. Quanto à continuidade da divulgação voluntária, a decisão ainda depende de aprovação formal pelos comitês de governança da companhia.

Clique aqui para acessar o relatório IFRS 2025 da B3

O reporte da Renner segundo a norma IFRS S2 tem como base um trabalho relacionado ao clima iniciado em 2019, com a divulgação de informações conforme as recomendações do TCFD, e com avaliações de riscos climáticos realizadas em 2022. Em seu segundo ciclo de reporte, a empresa ampliou a análise de riscos físicos para incluir tempestades e inundações, somando-se a ondas de calor, incêndios florestais e secas, e avaliou um risco de transição relacionado aos seus compromissos com a iniciativa SBTi, bem como às exigências crescentes referentes a fornecedores e matérias-primas. Vale destacar que esse processo evoluiu para além da simples divulgação, passando a influenciar decisões de negócio. As avaliações de riscos climáticos estão agora integradas aos planos de expansão de lojas, às decisões sobre a localização de centros de distribuição e aos processos de gestão de estoques. Do ponto de vista metodológico, a empresa ressalta que os riscos climáticos são avaliados por meio das mesmas metodologias aplicadas às análises financeiras tradicionais, incluindo modelos de valuation e impairment, o que ajuda a garantir consistência e comparabilidade ao longo do tempo. A Renner também revisa sua materialidade, considerando um conjunto de temas mais focado e aprofundado, orientado pela abordagem de riscos e oportunidades da IFRS. Além disso, a companhia dialogou com os investidores antes da publicação de seu primeiro relatório, recebendo a recomendação de tornar as divulgações mais concisas e úteis para a tomada de decisão. Como resultado, a Renner concentrou-se em simplificar a comunicação dos principais riscos e de suas respectivas implicações financeiras. Olhando adiante, a administração reafirmou seu compromisso de continuar divulgando informações em conformidade com as normas IFRS S1 e S2.

Clique aqui para acessar o relatório IFRS 2025 da Lojas Renner

O primeiro relatório da JHSF alinhado com as normas IFRS S1 e S2 reflete os desafios de aplicar esses padrões a um portfólio diversificado, que abrange shopping centers, varejo, aeroportos, hotelaria e incorporação imobiliária. Entre os riscos climáticos avaliados, tempestades, ventos fortes e ondas de calor mostraram-se os mais relevantes do ponto de vista financeiro. Embora análises adicionais tenham sido realizadas internamente, a administração optou por divulgar apenas aquelas consideradas maduras e fundamentadas. A JHSF também destacou oportunidades relacionadas ao clima, com ênfase na estratégia de gestão de carbono de seu aeroporto executivo e na Sustenta Energia, sua unidade de comercialização de energia. Um dos principais desafios apontados pela empresa foi encontrar o equilíbrio entre o cumprimento dos requisitos técnicos de divulgação das normas IFRS S1 e S2 e a elaboração de um relatório que permanecesse claro, coeso e acessível a um público mais amplo. Olhando adiante, a companhia avalia que uma adoção mais abrangente dessas normas pelo mercado dependerá de uma maior comparabilidade entre pares e de uma maior familiaridade dos investidores com as informações divulgadas. A JHSF já decidiu manter a elaboração voluntária de relatórios seguindo as normas IFRS S1 e S2.

Clique aqui para acessar o relatório IFRS 2025 da JHSF

O primeiro relatório da Irani nas normas IFRS S1 e S2 dá continuidade a um longo histórico de relatórios de sustentabilidade, marcando 20 anos desde a publicação do primeiro Relatório de Sustentabilidade auditado da empresa. Refletindo a natureza de seu negócio de base florestal, o relatório concentra-se, em grande parte, nos riscos climáticos físicos, incluindo eventos climáticos extremos, incêndios florestais e rompimento de barragens. A empresa também divulgou um risco financeiro relacionado à atividade florestal, embora este estivesse abaixo de seu limiar de materialidade. Um avanço importante foi a quantificação de oportunidades relacionadas ao clima. Pela primeira vez, a Irani divulgou publicamente o impacto financeiro estimado do aumento da demanda por papel e embalagens sustentáveis, da valorização de seus ativos florestais, da autossuficiência energética e de um melhor acesso ao capital. De forma semelhante às demais, a Irani também reconheceu que a adoção dos relatórios pelo mercado ainda se encontra em estágio inicial, demandando um trabalho adicional de conscientização e educação sobre o tema. Ainda assim, a companhia considera as normas IFRS S1 e S2 uma ferramenta valiosa para incorporar uma perspectiva voltada ao futuro ao seu planejamento estratégico e à comunicação com investidores. Olhando para frente, a Irani acredita que a demanda por informações confiáveis e específicas de cada empresa continuará crescendo, à medida que bancos e outros provedores de capital passem a considerar, cada vez mais, as questões climáticas em suas análises de crédito e avaliações de risco. Empresas que divulgam dados consistentes e submetidos a uma verificação independente tendem a estar melhor posicionadas para reduzir assimetrias de informação, o que pode resultar em condições de financiamento mais favoráveis ao longo do tempo. Por fim, a empresa decidiu manter a divulgação voluntária adiante, enxergando as normas IFRS S1 e S2 como uma ferramenta de gestão estratégica, e não apenas como um exercício de conformidade.

Clique aqui para acessar o relatório IFRS 2025 da Irani

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