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Preço mais alto do petróleo é risco altista para arrecadação, exportações e inflação no Brasil

Os preços internacionais do petróleo têm oscilado ao longo deste ano, refletindo a intensificação das incertezas geopolíticas e as persistentes preocupações sobre as condições de oferta global.

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Em nosso cenário base, trabalhamos com um preço médio de US$ 60 por barril em 2026. No entanto, além de voláteis, a escalada das tensões geopolíticas manteve os preços de petróleo elevados em relação às nossas premissas de referência. Em particular, o ataque dos Estados Unidos ao Irã aumentou o risco de novas interrupções na oferta mundial, o que pode pressionar as cotações para cima.

Este relatório apresenta as elasticidades associadas a um choque de US$ 10 no preço do petróleo sobre nossas estimativas para as contas fiscais, a inflação e a balança comercial neste ano. Nesse cenário, haveria impacto positivo de aproximadamente R$ 10,7 bilhões nas projeções de arrecadação, de US$ 8,5 bilhões no saldo comercial e de 0,4 p.p. à inflação em 2026.

Confira os detalhes a seguir:

Contas fiscais

Um aumento de cerca de US$ 10 no preço do Brent em relação ao nível atual teria efeitos diretos e indiretos sobre as receitas fiscais:

  • Exploração de recursos naturais: nossa estimativa mais atual aponta para um aumento de cerca de R$ 10,5 bilhões em receitas provenientes de royalties, participações especiais e lucro na venda de petróleo neste ano. Contudo, é importante notar que 55%-60% dessa receita é transferida a estados e municípios; assim, o efeito líquido para o governo federal seria de aproximadamente R$ 4,5 bilhões;
  • Dividendos e participações societárias: assumindo repasse do preço mais alto do petróleo aos preços de combustíveis, calculamos um impacto de R$ 3,7 bilhões em dividendos neste ano. Dividendos e participações societárias não são transferidos a entes subnacionais e devem ser destinados à amortização da dívida pública;
  • Receita tributária: os efeitos seriam observados principalmente em IRPJ/CSLL (vinculados aos lucros das empresas de petróleo). Ainda assim, outras receitas também seriam afetadas. Um aumento de US$ 10 implicaria crescimento de cerca de R$ 5,0 bilhões na arrecadação bruta, ou aproximadamente R$ 2,5 bilhões em termos líquidos.
  • Em suma, um aumento de US$ 10 no preço do petróleo bruto poderia ter um impacto potencial de R$ 10,7 bilhões sobre nossas estimativas de receita líquida e resultado primário neste ano. Assim, nossa projeção para o déficit primário do governo central de R$ 48,9 bilhões em 2026 (ou superávit de R$ 1,5 bilhão ao excluir despesas fora da meta) possui viés de alta.

Inflação

De acordo com nossos modelos, um aumento de 10% no preço do Brent resulta em um impacto de aproximadamente 0,25 p.p. no IPCA. Assim, sob o cenário de câmbio constante, preços do petróleo Brent ao redor de US$ 70 por barril ao longo do ano implicariam um risco altista de até 0,4 p.p. para o IPCA.

Nosso cenário não contempla reajustes de preços de combustíveis em 2026. Atualmente, os preços domésticos da gasolina operam em paridade com os preços internacionais. Para o diesel, com base nos preços da sexta-feira, já havia um gap de 15% em relação ao mercado internacional, elevando o risco de reajuste. Embora o impacto direto sobre o IPCA seja pequeno, o efeito indireto pode ocorrer via custos de frete e transporte de mercadorias, a depender da magnitude, afetando preços de alimentos e bens industrializados.

Balança comercial

O petróleo desempenha papel central nas contas externas do Brasil e consolidou-se como um dos principais produtos de exportação do país – o petróleo bruto responde atualmente por cerca de 13% das exportações totais brasileiras. A continuidade do aumento da produção reforça a expectativa de volumes robustos vendidos neste ano. Ao mesmo tempo, o Brasil segue importando alguns derivados. Ainda assim, esses fluxos não alteram o quadro geral de exportador líquido de petróleo.

Com o Brent em torno de US$ 70, as receitas de exportação de petróleo aumentariam em aproximadamente US$ 13,3 bilhões neste ano, enquanto as importações relacionadas ao petróleo cresceriam cerca de US$ 4,8 bilhões. Consequentemente, o superávit comercial aumentaria em aproximadamente US$ 8,5 bilhões em 2026 (de US$ 62,5 bilhões no cenário-base atual para US$ 71 bilhões).

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