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Escalada do conflito no Oriente Médio: Quais os impactos na economia brasileira?

Os preços do petróleo atingem níveis ainda mais elevados, reforçando o viés altista em nossas projeções para balança comercial, arrecadação tributária, crescimento do PIB e inflação.

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Após a escalada do conflito militar no Oriente Médio, os preços do petróleo aumentaram significativamente e chegaram a ficar próximos de 100 dólares por barril, bem acima do nosso cenário-base de 60 dólares por barril.

Em nossa nota anterior, apresentamos uma análise de sensibilidade para receitas fiscais, balança comercial e inflação a cada aumento de 10 dólares no preço do petróleo Brent. Este relatório revisita essas estimativas sob um ambiente de preços mais elevados, além de apresentar simulações para as projeções de inflação do Copom.

Política Monetária

Uma taxa de câmbio comportada deve evitar uma elevação mais acentuada nas projeções de inflação do Copom. Assumindo o câmbio atual (cerca de 5,20 reais por dólar) e preços futuros do petróleo Brent em torno de US$ 80 por barril, estimamos que a projeção do Copom para o horizonte relevante de política monetária subiria de 3,2% — na reunião anterior — para 3,5%. Considerando o preço do petróleo próximo de 100 dólares por barril, a projeção de inflação subiria para aproximadamente 4,0%.

Ainda assim, há incerteza significativa sobre como o Copom avaliará os efeitos do conflito militar no Oriente Médio, especialmente a forte alta dos preços internacionais do petróleo.

Nesse contexto, a tabela abaixo apresenta as projeções de inflação do Copom sob diferentes combinações de preços do petróleo e cenários de câmbio.

Inflação

Estimamos um impacto de 0,25 a 0,40 p.p. para cada aumento de 10% nos preços do petróleo (efeitos não lineares), assumindo um cenário de câmbio estável. Se o petróleo se estabilizar em torno de 100 dólares por barril, nossa projeção para o IPCA de 2026 subiria de 3,8% para quase 5,0%. Vale lembrar que nosso cenário-base considera a média do preço do petróleo Brent a 60 dólares por barril. Em nossa avaliação, as expectativas de inflação podem deteriorar caso os preços do petróleo permaneçam elevados por um período prolongado.

Nos níveis atuais, segundo a equipe de Óleo e Gás da XP, os preços domésticos estão bem abaixo da paridade internacional:

  • Gasolina: cerca de 30% abaixo
  • Diesel: cerca de 40% abaixo

Estimamos que:

  • +10% no preço da gasolina nas refinarias leva a um aumento de 0,12 p.p. no IPCA
  • +10% no preço do diesel leva a um aumento de 0,1 p.p no IPCA (efeito direto)

Ainda é incerto se a Petrobras repassará totalmente o aumento dos preços internacionais para os combustíveis domésticos, especialmente considerando que receitas com exportação de petróleo aumentam em um cenário de preços elevados.

Balança Comercial / Atividade Econômica

O petróleo se tornou o principal produto de exportação do Brasil, representando cerca de 13% das exportações totais. Preços mais altos, combinados com a expansão da produção doméstica, tendem a gerar impacto positivo relevante nas contas externas. Os volumes de exportação vêm crescendo de forma consistente, 10% em 2025 e 13% nos últimos três anos

Mantidas as demais condições constantes, estimamos que cada aumento de US$ 10 no Brent melhora a balança comercial em cerca de US$ 8,5 bilhões. Contudo, existem algumas ressalvas importantes.

Períodos prolongados de preços muito elevados do petróleo podem enfraquecer a demanda global. Para avaliar esse canal, utilizamos o estudo “The Sector Elasticities of Brazilian Exports: An Empirical Analysis for the Period 1999–2013.” A nota encontra uma elasticidade-renda das exportações de 1,14 para produtos básicos e de 1,28 para produtos manufaturados. Como aproximadamente 60% das exportações brasileiras são bens básicos e 40% são manufaturados, assumimos uma elasticidade média de 1,2 para as exportações brasileiras.

Ainda assim, essas estimativas não capturam totalmente possíveis disrupções logísticas decorrentes do conflito no Oriente Médio. A exposição do Brasil à região está concentrada em: milho, frango, açúcar, fertilizantes e carne bovina.

Além de sua importância nos fluxos globais de petróleo, a região também é crítica para a logística de fertilizantes: cerca de 30% dos embarques globais passam pelo Estreito de Ormuz. No curto prazo, a sazonalidade reduz riscos imediatos, pois as importações de fertilizantes são menores no primeiro semestre. Contudo, preços persistentemente elevados podem afetar a balança comercial adiante.

Com relação aos grãos, o Irã foi o principal destino das exportações brasileiras de milho em 2025, e os países diretamente afetados pelo conflito responderam por 48% das exportações de milho.

Entre proteínas animais, os produtos mais expostos são carne bovina e frango. A região representa 4% das exportações brasileiras de carne bovina, mas esse mercado se tornou mais relevante devido às medidas de salvaguarda da China, que dificultam a realocação das exportações. A exposição é maior para o frango: 21%. Assim, embora o efeito líquido seja positivo para a balança comercial, esses fatores reduzem esse impacto.

Países afetados: Bahrein, Qatar, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Irã, Iraque, Israel, Jordânia e Omã

Segundo o time de Agronegócio da XP, exportadores já avaliam rotas terrestres alternativas para abastecer a região. Além disso, durante períodos de guerra os governos tendem a priorizar a segurança alimentar, reduzindo a probabilidade de interrupção completa do comércio. Na prática, o resultado mais provável são rotas mais longas e custos logísticos mais altos e não uma interrupção total dos fluxos comerciais.

Com relação a atividade econômica, preços mais altos do petróleo podem elevar o crescimento do PIB de 2026 em até 0,30 p.p.. Essa estimativa assume preço médio de 80 dólares por barril e ausência de gargalos no abastecimento doméstico de combustíveis. Os principais canais do aumento do PIB se dão pela melhora da balança comercia e maior lucratividade do setor petrolífero. Nossa projeção atual de crescimento do PIB é 2,0% em 2026.

Contas Públicas

Um aumento de cerca de US$ 10 no preço do Brent em relação ao nível atual teria efeitos diretos e indiretos sobre as receitas fiscais:

Em suma, um aumento de US$ 10 no preço do petróleo bruto poderia ter um impacto potencial de R$ 10,7 bilhões sobre nossas estimativas de receita líquida e resultado primário neste ano. Assim, nossa projeção para o déficit primário do governo central de R$ 48,9 bilhões em 2026 (ou superávit de R$ 1,5 bilhão ao excluir despesas fora da meta) possui viés de alta.

Exploração de recursos naturais: nossa estimativa mais atual aponta para um aumento de cerca de R$ 10,5 bilhões em receitas provenientes de royalties, participações especiais e lucro na venda de petróleo neste ano. Contudo, é importante notar que 55%-60% dessa receita é transferida a estados e municípios; assim, o efeito líquido para o governo federal seria de aproximadamente R$ 4,5 bilhões;

Dividendos e participações societárias: assumindo repasse do preço mais alto do petróleo aos preços de combustíveis, calculamos um impacto de R$ 3,7 bilhões em dividendos neste ano. Dividendos e participações societárias não são transferidos a entes subnacionais e devem ser destinados à amortização da dívida pública;

Receita tributária: os efeitos seriam observados principalmente em IRPJ/CSLL (vinculados aos lucros das empresas de petróleo). Ainda assim, outras receitas também seriam afetadas. Um aumento de US$ 10 implicaria crescimento de cerca de R$ 5,0 bilhões na arrecadação bruta, ou aproximadamente R$ 2,5 bilhões em termos líquidos.

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