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Elevamos projeção de inflação de 3,8% para 4,5% em 2026

Petróleo e derivados em alta impõem pressão altista ao IPCA neste ano

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Conforme divulgado pelo IBGE nesta manhã, o IPCA-15 de março avançou 0,44% na comparação mensal, bem acima da nossa projeção (0,27%) e do consenso Bloomberg (0,29%). A inflação acumulada em 12 meses recuou de 4,10% em fevereiro para 3,90% neste mês .A principal surpresa altista em relação à nossa projeção veio de serviços, especialmente passagens aéreas (+15 bps), além de alimentos. De modo geral, o dado apresentou variações em linha com o esperado para serviços subjacentes e para a média das medidas de núcleo de inflação. No entanto, a leitura ainda não trouxe de forma relevante os efeitos do conflito no Oriente Médio. Um destaque foi a alta de 3,8% nos preços do diesel, em linha com nossas expectativas. Nossa projeção para o IPCA de março está em 0,74%. Antes do conflito, projetávamos 0,32%.

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Revisão de cenário: IPCA no limite superior da meta de inflação

Revisamos nosso cenário para a inflação de 2026 de 3,8% para 4,5%. Como premissa subjacente a essa elevação, admitimos um aumento do preço médio do petróleo Brent de 60 dólares por barril para 80 dólares. Mantivemos a premissa de taxa de câmbio em torno de R$ 5,25 no primeiro semestre e R$ 5,50 no segundo.

Em termos de combustíveis, projetamos alta acumulada em torno de 5% para o preço da gasolina entre março e abril (ver na tabela acima). Isso equivaleria a um reajuste de aproximadamente 20% pela Petrobras às distribuidoras. No entanto, mesmo que o reajuste não aconteça, nosso cenário se mantém, visto que os preços praticados já não correspondem ao preço-lista da companhia.

O que vemos mais à frente? Nosso cenário contempla um reajuste de 10% na gasolina pela Petrobras nas próximas semanas, o que reduziria a defasagem com o preço internacional de 30% para 20%. Adiante, com preço do petróleo saindo dos patamares atuais (levemente acima de US$ 100/bbl) para US$ 80/bbl, a defasagem ficaria praticamente na paridade, gerando alívio a importadores. Ademais, enxergamos volumosa produção de etanol anidro e preços do componente (30% da gasolina) para baixo. Logo, esperamos alguma moderação nos preços da gasolina ao longo do terceiro trimestre. Por fim, vale lembrar de que, como no caso do diesel, o governo pode reduzir (ou até zerar) o PIS/Cofins e a Cide sobre a gasolina, com potencial impacto de R$ 0,68/l de combustível (queda máxima de aproximadamente -0,50 p.p. no IPCA).

No caso do diesel, como dito, diversas medidas foram criadas recentemente para garantir abastecimento e mitigar reajustes ao consumidor. Na prática, estamos enxergando elevação significativa no IPCA de março (12%) e, em menor intensidade, em abril. Mesmo que o impacto direto seja diminuto no índice (diesel pesa 0,2% do índice), há efeitos indiretos sobre fretes nos próximos meses, colocando pressão sobretudo sobre os preços de alimentos. Considerando os efeitos acima mencionados, nossa projeção para bens administrados está em 4,3%.

Em relação aos preços de alimentos, os fundamentos seguiam benignos até fevereiro, com forte deflação de commodities, clima favorável e taxa de câmbio ao redor de R$/US$ 5,15.No curto prazo, já vemos alta nos preços de alimentos in natura, provavelmente já com algum efeito de elevação nos fretes (além do clima mais chuvoso, naturalmente).

Olhando adiante, a alta nos preços de fertilizantes foi expressiva no mercado internacional. Há perspectiva de menor oferta global, após restrições de exportação da Rússia e da China. Para o curto prazo, não vemos como um grande risco para o cenário de inflação, uma vez que as compras de fertilizantes no Brasil são concentradas a partir do final do semestre, com impactos nas safras de 2027. Mesmo assim, o cenário se tornou menos favorável à dinâmica de alimentação, de modo que elevamos nossa projeção para Alimentação no Domicílio de 3,4% para 4,2%.

Bens industrializados também serão afetados. Elevamos nossa projeção para o grupo de 2,1% para 2,8%. As altas foram espraiadas em produtos químicos, eletroeletrônicos, vestuário e subitens de higiene pessoal. Por ora, a taxa de câmbio segue bem-comportada, amortecendo parcialmente tais efeitos. Importante ressaltar que as projeções também incluem efeitos altistas sobre custos de chips e componentes eletrônicos, registrados desde o início do ano.

Em relação aos preços de serviços, elevamos principalmente nossas projeções para transportes, com destaque para passagens aéreas, e alimentação fora do domicílio (ver também na tabela acima). De fato, os preços de querosene de aviação seguem sobremaneira defasados na Petrobras, na ordem de 50%, patamar do reajuste recente anunciado pela por empresa concorrente nessa semana. Esperamos que a Petrobras também reaja na mesma direção, mas com alguma acomodação adiante. Dito isso, enxergamos virtual estabilidade para a inflação de serviços entre 2025 e 2026, de 6,0% para 5,9%.

Tudo mais constante, nossa projeção de inflação para 2027 deveria ser elevada de 4,0% para o intervalo entre 4,2% e 4.3%. No entanto, estamos em processo de revisão mais ampla de cenário, com possíveis alterações em variáveis-chave para a inflação. Devemos divulgá-lo ao longo dos próximos dias.

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